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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A VIDA E A MORTE

 

 

Avoluma-se a multidão dos fiéis do anti-capitalismo e do anti-liberalismo, primários, secundários e terciários.
À frente do cortejo, os camaradas Jerónimo, Louça e Soares, riem a bandeiras despregadas, agitanto os braços à turba que os aplaude. No seio das massas, o camarada Tavares, de todos o mais intransigente, agita o povo. Em São Bento, o senhor Pinto Sousa ouve o último conselho do Silva antes de anunciar mais umas borlas. O seu problema é o velho ditado que reza que “quando a esmola é grande o pobre desconfia”. E como, no seu caso, nem sequer hà esmola, só blá blá, só aldrabices, só o socialismo a triunfar no BPP, no BPN, na CGD, o senhor Pinto de Sousa inquieta-se, coitado, e com razão.
 
Verdade, porém, é que, segundo a esperança ou a certeza dos fiéis, a religião socialista, finalmente, vai triunfar!
Afogado nos seus mortais pecados, o cadáver do capitalismo, sobretudo da mais negregada das suas formas, o capitalismo liberal, já quase frio, encaminha-se para as chamas do inferno. Porque faltou aos mandamentos da moral republicana, da moral marxista, da moral trotskista, da moral mussoliniana, porque, entre nós, não foi, como os profetas justamente aconselhavam, dizimado na arena justiceira do Campo Pequeno e renasceu das cinzas pela mão da mais tenebrosa reacção e do engano fatal do camarada Soares.
Na senda gloriosa de Marx, Lenine, Bernstein, Trotsky, Staline, Hitler, Fidel, Che, Kim Sung Il, Mussolini e de tantos outros honrados socialistas, os fiéis proclamam, não (ainda!) a vitória final dos amanhãs que cantam, mas a morte do infiel, do herético, do excomungado capitalismo.
A crise aí está, a pedir uma “nova ordem”, um novo “paradigma”, uma “organização baseada noutros princípios”, que não os da escória liberal, do gangsterismo americano, das cedências chinesas.
 
O problema, para a parte menos ignorante das hostes, é que, nos últimos duzentos anos, já houve nada menos que 17 (dezassete!) crises financeiras e que o capitalismo se aguentou com todas elas. O problema é que o capitalismo brota como as flores da Primavera depois do Inverno. O problema é que, por exemplo, no auge do socialismo soviético, os motoristas de praça vendiam caviar aos estrangeiros a um dólar cada lata e os empregados de mesa trocavam rublos ao preço da uva podre. O problema, por exemplo, é que, no auge do socialismo angolano – o socialismo esquemático -, os mercados paralelos eram tantos e tão grandes que não havia força que os conseguisse combater.
O problema é que os mais pobres dos mais pobres querem ser propritários, nem que seja da paragem de autocarro onde passam a noite.
O problema é que o capitalismo é a vida, como dizia Revel. E, quando sob o primado do direito, é aquilo a que se chama capitalismo liberal. O resto, a “salvação”, os “novos paradigmas”, como diz Soares, as “novas ordens” como diz Jerónimo e dizia Hitler, não é vida.
Por isso que, no fundo, a constipação do sistema, que talvez seja uma pneumonia, é isso mesmo. Cura-se. Não se sabe como. Há quem queira curar a doença com veneno, como é o caso do senhor Pinto de Sousa. Há quem queira curar o mal com receitas esquerdistas. Há, até, horribile visu!, quem se valha de Lord Keynes para defender o socialismo! Há de tudo, como na farmácia. O problema é que não se curam pneumonias com remédios para a caspa.
 
A vida encarregar-se-á de ganhar sobre a morte, ou seja, o capitalismo passará. As hordas de fiéis do socialismo voltarão para o sossego do lar, até que uma nova crise lhes devolva a esperança de fazer com que a morte triunfe sobre a vida.
 
28.12.08
 
António Borges de Carvalho

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