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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CARROCEIROS!

 

Jornalistas, comentadores, professores, intelectuais, opinadores, gurus, pregadores de várias confissões, etc., desdobraram-se ontem à noite, e desdobrar-se-ão hoje, amanhã e depois e depois e depois, nas mais desvairadas opiniões, cenários, previsões, pensamentos, declarações, considerações, qual delas mais douta, mais sábia, mais eloquente, elucidativa, forte, crítica, pensada, documentada, fundamentada, brilhante, sobre o que disse o Presidente da República acerca das porcarias que se fizeram no Parlamento a pretexto do estatuto dessa coisa a que se, em má hora, se deu o nome de região autónoma dos Açores.
Pelo menos em seis canais de televisão não se falou, toda a noite, doutra coisa. Hoje, os jornais, reais e virtuais, encherão páginas e páginas com o assunto. De tempestade num copo de água a importantíssima violação constitucional, de comichão passageira a doença incurável, tudo vai ser dito, redito, badalado, repisado.
 
O primeiro a vir à liça, coisa odiosa, foi esse aparatchik de pacotilha que dá pelo nome de Vitalino (nome que nem no dicionário vem). Numa das suas habituais tiradas de propaganda, o homem diz que não deu por nada. O Presidente não disse nada de especial, a democracia é feita de desentendimentos, tudo normal, tudo nos conformes, a vida continua no melhor dos mundos, o PS aí vai, triunfante, na senda do progresso e do apoio popular, enquanto o PSD se entretém a meter os pés pelas mãos. O Silva, amanhã, proferirá alarvidades de jaez semelhante, a preparar a malta para mais umas bocas do chefe.
 
O Irritado, após profunda reflexão, sente-se no inalienável direito de emitir a sua modesta opinião. Modesta, mas séria, a única boa, modéstia aparte. Pelo menos melhor que a do Vitalino.
O que se passa não é um problema constitucional. Não é uma questão jurídica. Não é um problema político. Não é uma birra de comadres.
É, simplesmente, uma história de carroceiros.
Passo a explicar:
Se, como disseram as luminárias do PS, se tratasse de uma questão de somenos, então porquê insistir? Se se tratasse de uma interpretação legítima da Constituição, então porque fazer finca-pé? Se fosse pouco importante, porquê levar a coisa até à rotura? Se todos os especialistas, incluindo o glorioso propagandista do PS que dá pelo nome de Vital Moreira, acham que o Presidente tem razão, porquê insistir na burrice, na asneira, na provocação?
A resposta é fácil. Trata-se de gente sem princípios, sem moral - ou com moral republicana… - que aproveita para esticar a corda, a ver se mete nos varais quem nomeou inimigo. Que interessa a Constituição, que interessa a boa educação, que interessa a dignidade da Nação, das instituições, da política, se aquela gente viu uma oportunidade de “vencer”, mesmo que tripudiando, enganando, criando dificuldades, sendo ordinário?
É, repita-se, um problema de educação. Coisa que jamais existiu nessa gente que se chama Partido Socialista, e de há anos agravada pela chefia de um provinciano mentiroso e autoritário, autor de projectos analfabetos e de rábulas politécnicas. Se temos oportunidade, pensa essa gente, de nos pôr em cima do Presidente da República, porque não fazê-lo? O que queremos é poder, não é? Então que se aplique a moral republicana, que é a moral do PS. E se os idiotas do PSD e do CDS nos fazem companhia, hemos de convir que a carroceirada não só é livre como benquista e generalizada!
O homúnculo do PPD, um tal Rangel, digno sucessor do masoquista Mendes, sem chama nem vida, deu largas, rangendo, à monumental cobardia de não reconhecer os seus erros e não voltar atrás. Carroceiro!
O CDS acompanha a bestialidade geral, possuído, ao que parece – pelo menos é o que diz esse nado morto da política que dá pelo nome de Ribeiro e Castro – da ambição de casar Portas com Pinto de Sousa (que ternura!).
Os partidos comunistas, embora reconhecendo (disseram-no!) que o Presidente tem carradas de razão, cumprem o seu papel com o nobre objectivo de desgastar o único poder eleito que não é da família.
 
A Nação, que fez a mais racista das descolonizações ao recusar a independência a quem não fosse preto, acaba por “despromover” as instituições soberanas a favor dos “poderes” regionais.
O senhor César, digno membro da trupe socialista, ri-se a bandeiras despregadas: é mais fácil dissolver o Parlamento do Estado que a assembleiazeca lá do sítio!
 
Perante o carroceirismo, a estupidez e o oportunismo triunfantes, não sei o que quero, nem o que pensar.
Mas, no calor da indignação, apetece-me dizer aos ilhéus que vão bugiar, chatear outro, pentear macacos, pastar caracóis. Que se governem com o dinheiro que gerarem em vez de se locupletar com o nosso. Que viajem, independentes e livres, ao preço a que viajam os demais. Que paguem a gasolina ao preço que for. Que não tenham privilégios, como nós não temos. Que paguem os custos da insularidade como nós os pagamos, mais os da ocidentalidade.
 
Afinal, para que servem os arquipélagos? Eu sei, é para alargar a zona económica exclusiva. Seria um bom argumento, se, nesta pobre terra, se ligasse bóia à tal zona. Se ninguém se preocupa com isso, pagamos para quê? Para sustentar os Césares e os seus parasitários socialismos?
 
30.12.08
 
António Borges de Carvalho
 

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