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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

Bater no Santana continua a dar

O que está a dar é muito importante, como dizia Caracala no Senado. Se não dizia, devia ter dito.
Houve uma conspiração contra mim, dizia Santana Lopes no seu livro. Se não dizia, devia ter dito.
É este o raciocíno de muita gente. Uma jornalista qualquer, no "Expresso" de Sábado, vem reafirmá-lo. Santana escreveu um livro a dizer que Marcelo, Sampaio e Cavaco conspiraram para o deitar abaixo.
Dir-se-ia que, nesta altura do campeonato, já não valeria a pena andar a mexer nestas coisas, pelo menos sem ter lido o livro. Esta é a hipótese mais caridosa, uma vez que estou convencido de que a fulana leu o livro mas, porque o que está a dar, como dizia Caracala, é bater no Homem, a harpia tresleu o dito, a fim de dizer o que está a dar, e não o que lá está escrito. É o que se chama, em Portugal, independência dos jornalistas.
Santana Lopes, para quem o ler, diz, e repete, e torna a dizer e a repetir, que não houve conspiração nenhuma, isto é, que os três macacões jamais se terão reunido, ou concertado, para combinar a sua queda. O que aconteceu, segundo Santana Lopes, foi que as acções dos seus principais inimigos foram determinantes para a queda do seu governo. O que é totalmente diferente de qualquer "teoria da conspiração".
Mas, para a douta jornalista do "Expresso", o que foi escrito por Santana Lopes foi o que ela acha que devia ter sido escrito, não o que escrito foi. Na irrefutável lógica da mulher, se Santana Lopes não o escreveu, devia ter escrito. O que está a dar é o que é verdade. Como diria Caracala.
Num exercício de futurologia, quiçá ilegítimo, atrevo-me a adiantar que a fulana, um dia destes, publicará um artigo a dizer que Marcelo nunca zurziu Santana, que houve contraditório e tudo, que Cavaco autorizou a sua fotografia no cartaz, junto aos outros PM's do PSD, que o mesmo senhor jamais escreveu o premonitório[1] artigo da moeda má que expulsa a boa, que Sampaio não dissolveu a Assembleia, e que tudo não passa de vitimização e de invenção da teoria da conspiração por parte de Santana Lopes.
Enfim, enquanto as verdades da mulher estiverem a dar, não há nada a fazer. Na certeza que, quando outra coisa estiver a dar, outra coisa a mulher escreverá.
 
Como dizia Caracala no Senado.
 
António Borges de Carvalho


[1] O homem previu o futuro com exactidão. A moeda má (Pinto de Sousa, Sócrates) substituiu a boa (Santana Lopes). Como, à saciedade, mostram os tempos que correm.

Para Chipre, rapidamente e em força!

Aqui há dias, dizia-me um holandês residente no Algarve que se ia mudar para... Chipre. Achei a coisa algo estranha. Chipre, uma ilha dividida, objecto de controvérsia política e de querela entre membros da NATO, arma de arremesso dos anti-Turquia da UE, causa de conflitos armados ainda não completamente arrefecidos... que ideia a tua!
- Pois é, pá - respondia-me o fulano - isso é tudo muito bonito, mas a política, aos setenta anos, passa-me ao lado. Experimenta ver as coisas de outra maneira: Chipre tem um clima parecido com o do Algarve, que é o que ao Algarve me trouxe, tem uma rede de campos de golfe parecida com a do Algarve, que é onde, no Algarve, me entretenho, tem alguns sítios onde se vive como nos bons sítios do Algarve, que são onde, no Algarve, vivo, tem a mesma porcaria de empreendimentos urbanos, que são o que, no Algarve, me desagrada, os gregos de Chipre não são menos simpáticos que os algarvios, a comida é mais ou menos a mesma coisa...
- Então, porque mudas? - interrompi.
- Olha, meu filho, eu compro uma casa em Portugal, e ferram-me com o IMI. Eu trago o meu dinheiro para Portugal, e sacam-me trinta e cinco por cento. Em Chipre, dão-me incentivos fiscais para compra de casa e, se para lá mandar o meu dinheiro, cobram-me cinco por cento de IRS, como, aliás, a toda a gente. Portanto, em Chipre, não preciso de fazer ginástica fiscal. Pago alegremente os cinco por cento, e não penso mais no assunto. Estou sempre dentro da Lei, não preciso de um contabilista para me minorar a porrada, nem me vejo em ânsias, seja para defender o que é meu, seja para escapar às perseguições do fisco. Muito menos tenho que "colabrar" na resolução do problema do défice público, porque o Estado, por lá, não tem problemas desses...
 
O meu conhecido punha o dedo numa velha ferida. A da justiça fiscal. A origem do problema está no entendimento socialista da "igualdade" de que falava a revolução francesa. Esta, postulava uma igualdade "perante a Lei". O socialismo, nas suas muitas e desvairadas versões, postula a igualdade tout court. E como a igualdade tout court é uma utopia perversa, todos, até o emigrante holandês, somos vítimas dela. Para o socialismo, há que nivelar. Quando se nivela, nivela-se por baixo. Para o socialismo, há que "igualar" o que é, por natureza, diferente. Quando se iguala, à maneira socialista, propugna-se o fim da mais enriquecedora das características humanas, a diversidade.
 
Fiscalmente, a igualdade perante a Lei expressa-se no sistema a que o holandês vai passar a submeter-se. Se o holandês pagar cinco por cento, tendo um rendimento de um milhão, pagará cinquenta mil. Um cidadão que tenha um rendimento de cem, pagará cinco. Quem de mil gozar, pagará cinquenta. É a igualdade perante a Lei. É a justiça liberal.
A igualdade tout court, entenda-se, a assumpção dessa igualdade como objectivo político e social, é caraterística de muitos países da nossa igualha - a maioria - em que o socialismo, mascarado de justiça social, de uma forma ou de outra, fez caminho. Gozando dela, o holandês paga, em Portugal, trezentos e cinquenta mil, o que ganha mil paga dez, o pobrezinho cinco. É a justiça de inspiração socialista. Para obter a "igualdade", diferencia-se. É o absurdo, o inhumano, em requintada expressão.
É evidente que os cidadãos, pela simples razão de ser pessoas, tendem a resistir ao absurdo e ao inhumano. Assim, o holandês passa-se para Chipre, os portugueses, se não podem fazer parecido, dedicam-se às mais rebuscadas trafulhices, legais e ilegais, para fugir ao fisco. O fisco complica-se de tal maneira que a sua gestão de cobranças custa ao Estado somas incalculáveis, que a simplicidade fiscal pouparia. A economia estagna porque os seus agentes estão mais preocupados em saber como se poderão subtrair à voragem fiscal do que em fazer progredir as suas iniciativas. Os estrangeiros, como podem fazê-lo, deslocalizam-se. E por aí fora.
 
A mentalidade socialista, do doutor Oliveira Salazar ao senhor Pinto de Sousa (Sócrates), passando pelo espantoso Gonçalves, é coisa de tal maneira encasquetada nas nossas mentes, que ultrapassá-la é um trabalho de gerações.
Como fazê-lo, não sei. Mas sei que, pelo menos, é preciso ir falando no assunto.
 
António Borges de Carvalho

A inteligência ao Poder!

Lisboa está a ser objecto de uma notável operação de modernização. O município, generosa e inteligentemente, descobriu os radares! Os radares! E eu, que julgava que já havia disso por todos os lados! Sou uma besta!
Atenda-se à minha desgraça. Há tempos, num domingo, seriam umas nove e meia da manhã, fui ao aeroporto. Gago Coutinho acima e abaixo, não havia vivalma. Soube-me bem, o silêncio, a paz de uma cidade adormecida. Devagar, pensava eu, fiz a viagem, para lá e para cá.
Devagar uma ova! As distintas autoridades, que têm a perseguição das pessoas como principal característica da governação, estavam atentas. Através de um radar, julgo que móvel, mediram a velocidade e tiraram-me o retrato. As consequências destes arroubos tecnológicos foram devastadoras: calcule-se que, segundo a tenebrosa máquina, me deslocava à estonteante velocidade de noventa e dois quilómetros à hora! Como, no local, a velocidade administrativa é, seja em que circunstância for, de cinquenta(!!!), eis-me, já não sei se em ofensa grave se em flagrante e criminal delito. Pumba! Um balúrdio de multa e um mês sem carta. Toma que é para saberes.
Escrevi ao digníssimo comandante da polícia. Que não havia qualquer espécie de trânsito, que a velocidade a que seguia era absolutamente inócua, blá, blá, blá. Devia ter escrito, mais que não fosse para meu consolo, que não é justo que, ao domingo de manhã, uns polícias, chateados por estar a trabalhar quando os outros descansam, se vinguem num desgraçado que não fez mal a ninguém. Não o fiz, e fiz mal. Porque a resposta seria a mesma. Um computador, missiva chapa quatorze, veio dizer-me que a Lei, blá, blá, blá, vá-se lixar.
É com este tipo de inteligência que as distintas autoridades pensam educar os portugueses. Não percebem que, se a Lei é estúpida, as pessoas, que não a percebem, ou se esquecem dela ou fazem o que estiver ao seu alcance para a não cumprir.
Para as distintas autoridades, a Lei não é só igual para todos, é também igualmente aplicável em todos os casos e em todas as circunstâncias. Um Porsche Carrera 4, novinho em folha, na auto-estrada, não pode ultrapassar os cento e vinte à hora. Exactamente o mesmo que se passa com um Fiat quinhentos com trinta anos de idade. Um tipo com três condenações por atropelamento está sujeito ao mesmo limite. Outro, que nunca foi, sequer, multado, está na mesma. Se a auto-estrada for óptima, com três faixas e raro tráfego, o limite é cento e vinte. Se estiver cheia de buracos, ou de lombas de má construção (olhem a CREL!), ou prenhe de movimento, o limite é cento e vinte. Se estiver bom tempo, o limite é cento e vinte. Se chover, ou nevar, o limite é cento e vinte. Para um chefe de família com trinta e dois anos, o limite é cento e vinte. Para uma velhinha de oitenta e cinco, o limite é cento e vinte.
 
Xiça! Tanta estupidez toca as raias da loucura!
 
Mas sosseguem os espíritos mais inquietos, pelo menos os de Lisboa. A câmara vai "implementar" (neologismo bacoco e analfabruto) um novíssimo sistema.
A capital, seguindo os objectivos dos nossos bem amados PR e PM, moderniza-se!
Portugal anda para a frente. Em tudo, menos em inteligência. 
 
António Borges de Carvalho
 
 

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