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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DOS MEANDROS DA SARJETA

 

I
A nariguda senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa considera “exemplares” as suas relações com o PS e o BE. Nada mais democrático, nem melhor indicador se poderia inventar acerca das tendências da senhora.
Haverá que fazer um pouco de história. A senhora, eleita pelo PSD, partido maioritário na AML, dedicou-se, desde o primeiro dia, a fazer a vida negra ao infeliz Carmona. Ou seja, ao PSD. Ele era a recusa de propostas por razões formais, ele era a oposição a toda e qualquer iniciativa da maioria ou da Câmara, ele era a crispação permanente nas suas relações institucionais com o partido camarário a que dizia pertencer e no qual se tinha pendurado para ser eleita, ele era a prontidão em aceitar tudo o que viesse da esquerda, ele era as declarações bombásticas, narizinho arrebitado, bocas de ciência certa, superioridade pesporrente, auto-convencimento agressivo e antipático. De tal maneira que os deputados do PSD tinham, e têm, razões para achar que o ex-presidente da AML, militante do PC, era muito mais correcto, muito mais aberto e, institucionalmente, mais cooperante, como aliás lhe competia, que a nobre banqueira consorte.
As tropelias da senhora, de sociedade com as asneiras do suicida Mendes, acabaram por demolir a mais importante câmara do país, e fizeram o seu caminho na alma da distinta mulherzinha. De consciência pesada, como é normal se a tiver, vem, mais de um ano depois (há dois dias), sangrar-se em saúde. Não se sabe a que propósito, em vez de fazer o mea culpa que se impunha, dona Paula dispara, a despropósito, em feroz arrancada anti-Carmona. Que a culpa foi dele, que o homem não tem capacidade de liderança, que se devia ter demitido (por alma de quem?), que “não restava outra alternativa senão fazer cair a câmara”, dá-la de mão beijada ao PS, passar o PSD (o partido dela!) do primeiro lugar para o terceiro, tudo por causa dos “escândalos” e das “alegadas irregularidades”.
Quer dizer, para a senhora, as bufarias do caloteiro Fernandes & Cª. são coisas nobres e credíveis, a defesa do seu partido e da dignidade dos seus representantes não vale um chavo.
Aqui temos um exemplo claro do que é a “política de sarjeta” de que um tipo qualquer falava aqui há tempos.
Quem quer ser “independente”, quem quer dar abébias a quem lhe apetece quando lhe apetece, quem quer escolher, a cada momento, o que mais convém para se coçar, a primeira coisa que deve fazer é não se filiar num partido. Os partidos, como é normal em qualquer organização, implicam alguma cedência da “soberania” de cada um.
E o moralismo é o pior inimigo da moral.
 
 
II
Quando falo em bocas ordinárias vem-me sempre à lembrança um tipo do Porto, de seu nome Miguel Qualquer-coisa, ao que se diz agora “fundador” (fundador uma gaita) do PSD.
Trata-se de um fulano notável. Nunca se apresentou ao eleitorado, nunca foi nada na política a não ser produtor de bocas contra os seus “companheiros”. Tem um estatuto verdadeiramente extraordinário, adquirido à custa não sei de quê. A verdade é que, assim que alguma coisa corre mal no PSD, os jornalistas acotovelam-se no comboio para o Porto, a fim de ir ouvir a palavra esclarecida deste guru da Foz.
O homem era contra o Sá Carneiro, o homem insultava Cavaco, o homem não queria, de maneira nenhuma, que ele chegasse a líder do partido. O homem vituperou Santana Lopes com as mais rasgadas aleivosias. E por aí fora. Jamais deu a cara por nada, jamais arriscou um milímetro da sua regalada vidinha para dar fosse o que fosse ao partido a que diz pertencer, ou à coisa pública.
Mas, compreenda quem quiser, há uma “informação” que não passa sem o ouvir, já que se trata de uma reserva de opinião para quando é preciso lançar intrigas e anátemas, criar confusões ou pôr os demais à bulha.
Disto, não precisa o país.
 
III
Dona Manuela, apresentada ao povo como altíssima figura, responsável, séria, honestíssima, fidelíssima, etc. etc., desgraçadamente começou a meter água. E não pouca. Ela, que faria uma campanha “positiva”, centrada nos “reais” problemas do país, que não entraria em acusações nem insultos aos seus adversários, que se portaria à altura das suas responsabilidades, não precisou de mais que uma semana para desatar a asnear. Primeiro, veio dizer que não confessava em quem tinha votado nas últimas legislativas (rasquíssima brutalidade!); segundo, veio dizer que tinha votado no PSD mas que, como o que lhe tinham perguntado era se tinha votado em Santana Lopes… Ainda mais rasca, não é?
Dona Manuela mergulha de cabeça naquilo em que tinha prometido não se meter!
Depois, negando a “inteligência” que lhe atribuem, vem perorar que o partido “não tem credibilidade” e que quem a tem são o PC e o BE! Com mais “inteligência” ainda, promete ao país mais “social-democracia”, como se não fosse a estupidez social-democrata de inspiração comuno-constitucional o que nos tem levado onde estamos.
Parceira radical e amicíssima das teses cavaquistas, dona Manuela coloca-se no saco dos piores defeitos de Cavaco, os que o levaram a sair de um cartaz “por razões académicas” (aldrabice!) ou a escrever o célebre artigo sobre a moeda boa e a moeda má, grande esteio e “justificação” do golpe de Estado sampaísta que havia de correr com o PSD do poder por muitos anos e maus.
Esta gente, para quem é mais importante safar-se a si própria do que ajudar os seus pares, devia pensar duas vezes e tentar, se fosse capaz, sair da sarjeta moral em que se rebola.
 
António Borges de Carvalho
 

ORA BOLAS!

 

O governo que temos merece todas as censuras, por toneladas de razões: aldrabão, matreiro, dizendo que o preto é branco e o branco preto, arruinando a classe média, tiranizando o povo por via fiscal, mantendo as despesas do Estado, desorçamentando e arranjando receitas extraordinárias (tudo aquilo de que acusava os outros) para fingir que não tem défice, hipotecando o futuro, fazendo a educação e a justiça funcionar cada vez pior, abusando da propaganda, usando da mais vil arrogância, sei lá que mais. O primeiro-ministro tem todos os defeitos do governo, aos quais junta os que lhe são pessoais, vendedor de projectos abomináveis, frequentador de cursos que parece não ter frequentado, provincianeco de meia tigela, e por aí fora.
Perante este quadro, o que faz a direita? Acha que o governo, com o mijarete das alterações ao código de trabalho, tem toda a razão. Vai daí, num alarde de “coerência”, abstém-se na moção posta pelos comunistas do PC e do BE.
Em vez de aproveitar a boleia para censurar o senhor Pinto de Sousa por tudo o que há de evidentemente censurável, incluindo o mijarete, não senhor, abstém-se. Ora Bolas!
 
António Borges de Carvalho

DA ESTUPIDEZ GENERALIZADA

 

De repente, o governo do senhor Pinto de Sousa descobriu o que toda a gente já tinha descoberto há muitos anos. Que isto de andar a comprar casa sem mais nem menos não é mais que uma diabólica ratoeira para os que dispõem de menos meios financeiros. Que isto de o mercado de arrendamento estar a ser destruído ao longo dos últimos cem anos, dos quais os piores são os últimos trinta, é uma desgraça social de efeitos devastadores.
Pois é, descobriu, mas não percebeu.
Há para aí um ano, o governo actuou sobre o regime do arrendamento, produzindo a mais burra de todas as leis de que há memória no nosso ordenamento jurídico, o chamado NRAU. A reacção da sociedade portuguesa foi lógica: ninguém ligou à porcaria, e tudo ficou na mesma.
Agora, a somar a esta asneira, vão aparecer mais umas tantas. O governo vai substituir o investimento em bairros sociais por benesses ao arrendamento. Não, não se trata de actualizar as rendas antigas, nem de proporcionar a restauração do património que a estupidez política degradou, obtendo, com isso, um aumento brutal da oferta com a correspondente baixa de preço dos novos arrendamentos. Nem pensar! O espantoso governo que temos prepara-se para “adquirir” fogos a fim de os alugar baratos. O socialismo não acredita no mercado, nem quando faz algumas “cedências”. Prepara-se para mais umas parcerias público-privadas, o que, como está demonstrado à saciedade, redunda em mais um encargo para o contribuinte, sobretudo para as novas gerações. É assim, o socialismo. Alguém há-de pagar, de preferência quem tiver menos meios de defesa. Como já estávamos condenados a pagar o TGV para Caneças, que é como quem diz para o Porto, mais o aeroporto de Alcochete, desgraça das desgraças, mais a desorçamentação das estradas (e não só…), mais os “investimentos” “público-privados” que se avizinham, mais a ponte nova cuja verdadeira utilidade ninguém conhece e nem o próprio governo sabe onde será construída nem com que vocação ou filosofia, mais, mais, mais areia nos olhos dos vivos e mais encargos para os vindouros.
O Estado vai passar a ser proprietário de andares, não de bairros sociais, vai gastar uma fortuna para os gerir, muito mais do que gastava. Entretanto, o que degradado estava continuará a estar ou a degradar-se ainda mais, a classe protegida pelo Estado à custa de uns, que não dele, continuará a viver sem pagar habitação, as novas gerações continuarão a não ter casas para arrendar em condições decentes e, dentro de poucos anos, a crise do Estado deixará de ser crise para se tornar em ruína. Esta cairá sobre as cabeças dos nossos filhos com o colossal peso das consequências do Pintodesousismo, ou seja, da utopia socialista. Da estupidez socialista. Só o Estado será cada vez maior e, por consequência, mais miserável, mais arruinado, mais caloteiro e mais injusto.
 
Já que se fala em estupidez, note-se que os tipos que, não sendo socialistas, dizem que o senhor Pinto de Sousa faz política de direita, conseguem ser ainda mais estúpidos que ele. Para já, o senhor Pinto de Sousa, agarrado à barriga, deve rir como um doido à custa deles.
 
Mal de nós, se elegermos um governo PSD que continue o mesmo tipo de política.  
 
António Borges de Carvalho

SUGESTÃO JUDICIÁRIA

 

 
Exmº Senhor Doutor Juiz Baltazar Garção
 
Quando Vossa Excelência mandou Prender o senhor Pinochet, houve alguns reaccionários e anti-comunistas primários que se atreveram a perguntar porque, ditador por ditador, não mandava prender também o senhor Fidel. Várias almas bem informadas, sensatas e sabedoras, vieram em socorro de Vossa Excelência alegando que, tratando-se de Chefe de Estado, não assistiam a Vossa Excelência, para tal, os indispensáveis poderes.
Assim se provou a indesmentível coerência de Vossa Excelência.
Agora, porém, o senhor Fidel já não é Chefe de Estado. As coisas alteraram-se.
O Irritado atreve-se, por isso, a vir à mui nobre e douta presença de Vossa Excelência no sentido de o exortar a mais uma vez demonstrar a sua coerência pessoal, política e jurisdicional, emitindo, com a maior celeridade – antes que o homem bata a bota – o competente mandato de captura internacional.
Está o Irritado certo de que Vossa Excelência não deixará, mais uma vez, de fazer jus à independência e à coerência que constituem reconhecidas características da sua ilustre personalidade.
Até porque as vítimas do senhor Fidel têm, ao que julgo, a mesma dignidade que as do senhor Pinochet.
 
Com respeitosos cumprimentos
 
Irritado

SOLUÇÃO SOCIALISTA PARA O PROBLEMA DO DESEMPREGO

O autor destas linhas estava em Moscovo no dia em que abriu o Mc Donalds. Pela primeira vez nos últimos setenta anos, os russos estavam autorizados a comer um bocado de carne picada com pão e alface, e a usar ketch up, maionese e batatas fritas, coisas de que, se calhar, jamais tinham ouvido falar. À volta de uma enorme praça e nas ruas adjacentes, uma bicha colossal, uns dez metros de largura por dois ou três quilómetros de comprimento. A multidão, habituada a não levantar o rabinho do selim, era ordeira. Pudera! Além disso, esperança de comer um hamburger pela primeira vez bem justificava umas dez horas de ansiosa espera, e sem protestos para não excitar as autoridades.
Fiquei, como se pode imaginar, extasiado com esta demonstração de liberdade. Centenas de milhar de pessoas autorizadas a estar na rua ao mesmo tempo! E a comer trampa capitalista! Uma coisa inédita, revolucionária. Ou reaccionária, segundo o ponto de vista.
 
À altura, uma viagem de táxi entre a Praça Vermelha e a rua Arbat tanto podia custar 10 dólares ao câmbio oficial, como 10 cêntimos ao câmbio paralelo. Uma nota de vinte dólares cientificamente colocada dentro do guardanapo, no restaurante do hotel (não havia outros restaurantes, ou quase, para além do Mc Donalds), dava direito a guardanapo lavado com uma quantidade astronómica de rublos nas dobras. Na Rua Arbat, demonstrando a libertária evolução dos direitos humanos que a perestroika proporcionava, havia uns barbudos miseráveis e porcos que vendiam uns quadros de fugir e umas artesanias arrepiantes. Nas ruas, os sinais de “liberalização” saldavam-se por dois ou três pares de sapatos por montra, ou duas blusas que nem na Rua dos Fanqueiros, em cada (raríssima!) loja de pronto a vestir.
A criada do hotel quase chorou de alegria quando lhe dei dois sacos de plástico do free shop de Lisboa. Um amigo meu, provectos 75 anos, resolveu, no dia partida, dar à criada que fazia as camas os restos de trocos, em rublos, que tinha no bolso. Contentíssima, a rapariga foi fechar a porta e começou a despir-se.
 
A que propósito vêm estas recordações? A título de exemplos do bem-estar soviético? Não!
O que o Irritado quer é ajudar o senhor Pinto de Sousa a resolver o problema do desemprego. É que, na URSS, não havia desemprego! Há que ir buscar a genial receita. Passo a explicar:
Naqueles inolvidáveis dias, querendo telefonar para casa, dirigi-me à menina da recepção do hotel. Depois de tomar nota do número, a menina, muito simpática, agarrou-se ao telefone e, após ter conferenciado, julgo, com entidades várias, anunciou-me que, no dia seguinte, por volta das 19 horas, teria, no meu quarto, a almejada chamada. À hora aprazada lá estava eu à espera. Mais de uma hora depois, como chamada alguma viesse, lá fui falar com a menina. Só que a menina era outra. Fez-me uma cara de pau do caneco. Não sabia nada do assunto, nem tinha nada com isso. Nem sequer percebia o meu problema. Pois se eu tinha pedido a chamada à Natasha , o que é que a Ludmila podia fazer? Esmagado por esta irrefutável lógica, desisti da reclamação, e pedi nova chamada. Ficou marcada para as 19,30 do dia seguinte. Escusado será dizer que, no dia seguinte, se passou exactamente a mesma coisa: à Irina, que substituía a Ludmila, o problema era alheio. Resolvi, então, perguntar quando é que a Natasha voltava ao serviço. Ao que me foi respondido que só na segunda-feira seguinte, isto é, uma semana depois do serviço anterior. Aprofundado o assunto, concluí que tudo se passava como segue: cada menina trabalhava 12 horas no hotel, de oito em oito dias. Ou seja, aquele posto de trabalho, que, no desgraçado mundo ocidental, daria para três pessoas, em Moscovo dava para 16! O pleno emprego no seu melhor.
 
Para o senhor Pinto de Sousa, aqui fica a solução: se a força de trabalho, em Portugal, for de 5 milhões de infelizes, e se há 500 mil desempregados, com a receita soviética arranja-se emprego para todos e, em caso de necessidade, ainda sobra para muitos mais.
Vêm como é fácil? Não há problema que o socialismo não resolva.
 
António Borges de Carvalho

UM PRIMOR

 
Efeito do caso Maddie parece ter tido um efeito pouco duradouro.”
Legenda de uma fotografia publicada na página 11 do DN de 2ª feira.
 
ABC

TRICAS DO PODER

Monumental bagunça reina já na história da chamada zona ribeirinha. Ainda a procissão vai no adro, isto é, ainda ninguém foi capaz de congeminar o que pode vir a ser a nova “agência”, “empresa”, ou seja lá o que for em que imperará, qual Alexandre da Macedónia, o recém convertido xuxa/advogado/tasqueiro/boquista Júdice, e já o senhor Pinto de Sousa começa a trair tudo e todos, a deitar promessas para o caixote do lixo, a tratar a Câmara e o camaroeiro Costa como se fosse lixo, ante o olhar aparvalhado da dona Helena, a indignação bacoca do senhor Negrão, o incrédulo espanto do senhor Carmona, a incontinência bolchevista do senhor Carvalho e o riso sardónico do caloteiro Fernandes.
As ambições de poder dos notáveis autarcas que Lisboa tem está a ter o tratamento governamental que merece. Em vez de chegar a um acordo qualquer com a APL, que tem dinheiro a rodos, resolveu a notável vereação – porque o que lhe interessava era o poder, e mais nada – arranjar uma estrangeirinha de tal ordem que até SEPIIIRPPDAACS mandou o decreto às urtigas, deixando tudo à nora. O senhor Pinto de Sousa, por seu lado, tratou de arranjar um esquema que pusesse o seu alegado número dois (olhem o Gordon Brown!) nos varais e mostrasse quem manda. E aí vai ele!
Numa das habituais rábulas de propaganda, anunciou que ia gastar mais uns quatrocentos milhõesitos, que não tem, mas que, inevitavelmente, há-de arranjar maneira de esportular ao contribuinte, para construir uma indispensável via férrea, uns túneis, coisa gloriosa e emblemática.
A vereação ficou banza. Então, enquanto nós trabalhamos afanosamente para conquistar mais poder, vem o governo e, sem nos dar cavaco, tira-no-lo?
 
É bem feita! Ó Costa, toma lá mais esta para não te armares em mandão!
 
António Borges de Carvalho

COISAS DO AMIGO BANANA

I
Como diria o amigo banana, Segunda-feira chama-se Segunda-feira porque é o segundo dia da semana. Ou seja, o primeiro é o Domingo. No caso presente, Domingo foi ontem, 4 de Maio.
Vêm estas notáveis afirmações a propósito da secção “A Semana que vem”, do semanário “Expresso”.
Reza a coisa, anteontem, dia 3 (na semana passada) que na semana que vem, que começa a 4, se comemora o primeiro aniversário do desaparecimento da Maddie… que foi a 3. Ou seja, na opinião do “Expresso” vai passar-se na semana que vem o que já se passou na semana passada.
Faz lembrar a grande obra literária do intelectual Mendes Bota que se chama “No décimo aniversário de doze anos de poder local”, ou a conferência do embaixador Reyno (o inimigo da dona Ana Gomes), pronunciada em Madrid, sob o título “Portugal e Espanha: dois caminhos paralelos que raramente se encontram”…
Hi, hi.
 
II
 
Resulta de um académico inquérito sexual que 0,9% dos portugueses e 0,6% das portuguesas são homossexuais.
E tanto barulho se faz para meter na cabeça das pessoas a imperiosa necessidade de atender a todas as exigências destas tão significativas minorias!
Por outro lado, parece que há 70% dos portugueses que não apreciam positivamente as actividades sexuais das ditas minorias, sendo que se fica sem saber se os outros 30% apoiam activamente tais práticas mal cheirosas ou se, simplesmente, não ligam ao assunto.
Isto faz com que, aflita e indignada, a Exmª intelectual responsável por tão importante estudo diga que Portugal é um país altamente “homofóbico”.
O Irritado, que é uma besta, diria que os portugueses, à excepção do “fracturante” senhor Louça e da doutora do inquérito, se estão marimbando para o assunto.
 
III
 
Dizem para aí, com foros de escândalo, que um polícia, sozinho na esquadra, viu entrar na dita um bando de díscolos, e teve ficar quietinho para não perturbar as destruidoras intenções e ilegais práticas dos invasores.
O senhor Pereira já produziu indignadíssimas declarações sobre o assunto. Da mesma forma se pronunciaram inúmeros jornalistas, comentadores, intelectuais e propagandistas.
Numa linha de jornal, porém, pode ler-se que a esquadra em causa tem nada menos que vinte e três efectivos. O que permite ao respeitável público imaginar como se passaram as coisas. Quatro polícias estavam de folga. Outros quatro andavam a passear de pópó. Dois estavam a tomar conta de uma ocorrência. Cinco andavam em serviços particulares, pagos por fora. Um estava na esquadra. Dos outros sete não se sabe, sendo de presumir que se encontravam no gozo de merecido desenfiamento.
Consta que, para obviar a casos como este, e a fim de não perturbar o equilíbrio psicológico dos senhores guardas e do respectivo sindicato, o senhor Pereira vai meter mais sete mil e quinhentos efectivos. Procurando fazer alguma justiça, o Irritado acha que, se calhar, é exagero. Três mil devem chegar.
 IV
Ainda a este propósito, cite-se a observação de carácter profundamente filosófico produzida no “Expresso”.
Reza assim:
“Um Estado incapaz de assegurar o grau zero da segurança demite-se de quase tudo”.
O Irritado curva-se respeitosamente perante a clarividência desta doutíssima opinião.
 
ABC

MEDICAMENTOS PARA O POVO

Quem não conhece o tenebroso senhor de estranha barbicha que aparece todos os dias na televisão, maquiavélico e poderoso, e que é patrão de uma das mais poderosas financeiras do país, a associação das farmácias?
 
Sabe-se, embora haja pouco quem queira mexer nisso, que Portugal é vítima, não só do socialismo, de esquerda e de direita, como de uma série de estruturas jurídicas mais ou menos medievais, como a lei do arrendamento, as leis do trabalho… e a lei das farmácias. Postulava esta que só os farmacêuticos diplomados podem ser proprietários das ditas e que as ditas tinham que estar a não sei quantas centenas de metros umas das outras.
Após as estrondosas declarações “modernizantes” do senhor Pinto de Sousa, com honras de discurso de posse, parecia que, no que às farmácias diz respeito, as coisas iam mudar. Mas a montanha pariu (mais) um rato. O que aconteceu foi o aparecimento de umas lojecas a vender produtos semi-farmacêuticos, lojecas que, como é óbvio, praticam os preços mirabolantes das farmácias*, e o limite de quatro farmácias por proprietário, o qual (aleluia!) poderá não ser farmacêutico.
De resto, com meia dúzia de investidas do  senhor da barbicha, as coisas foram ficando mais ou menos na mesma, não vá o homem irritar-se e exigir, já!, os milhões que o senhor Pinto de Sousa deve à sua prestimosa organização.
De tal maneira escandalosa é a coisa que a Comissão Europeia processou o Estado Português, a fim de acabar com a rebaldaria.
 
Espera-se que o senhor Pinto de Sousa se encolha, a ver se passamos a ter alguma concorrência e se os preços que nos esmagam entram nos varais.
 
António Borges de Carvalho
 
* Por imposição médica, usamos cá em casa uma coisa que não é sabão, mas lava como se fosse. Um frasquinho daquilo custa, em Lisboa, números redondos, 20 euros. Exactamente o mesmo frasquinho, em Paris, custa 10 euros. Contas feitas, se eu for a Paris fazer o abastecimento para um ano, dá para o avião (low cost) e para um belo fim de semana num hotel de quatro estrelas. Bonito, não é?

À ATENÇÃO DO DR. CAPUCHO

Mais um Domingo. Almoço no paredão. Gente a mais. Já devia ter aprendido que, ao Domingo, não se vai almoçar ao paredão.
De qualquer maneira, a errada decisão teve as suas vantagens. Consistiram elas na observação da “segurança” e dos seus agentes.
Entre velhinhos e velhinhas, criancinhas aos pulos, selvagenzitos de skate board, pêssegas suadas com as maminhas aos saltos ao ritmo do fitness, enfim, no meio do povão, duas ou três vezes, da minha mesa do “Escotilha”, vi, imponente e importante, um agente da “autoridade”. Ainda bem, dir-se-á. Só que o dito agente se passeava de peidociclo no meio das pessoas, aos esses, a acelerar quanto podia. Aos que andavam de bicicleta, dizia o homem, do alto do peidociclo, que se fossem embora, que é proibido andar de bicicleta no paredão!
Mas a “segurança” não se fica por aqui. Duas vezes – duas!, passou, a enxotar as pessoas, uma ramona monstra, carregada de polícias de negro fato de combate. Uns seis ou sete, de cu tremido, que andar faz calos. Olhavam o pessoal com a superioridade do costume. O machimbombo subia e descia a rampa a suar dos injectores.
 
É assim que o senhor Pereira toma conta das nossas pobres almas.
 
À saída, no parque de estacionamento, um jipe da polícia marítima, devidamente estacionado em local proibido. Mais uma demonstração de segurança, desta vez a dizer aos desgraçados que a Polícia tem uma legitimidade que aos demais não assiste, desta vez uma legitimidade estaciono-marítima.
E muito bem! Muito bem porque é preciso que o pagode ignaro e estúpido perceba como a Polícia lhe é superior! A verdade, para quem insista em não perceber, é que os polícias não podem, não se devem cansar, coitadinhos, a fim de estar fresquinhos para quando for preciso. Não podem, por outro lado, ficar com a sua capacidade de manobra reduzida nos casos em que não têm, coitadinhos, um lugar para estacionar mesmo ao pé do sítio para onde vão: é que, compreensivelmente, seria para eles uma canseira ter de procurar um lugar, como acontece à canalha.
 
À atenção do Dr. Capucho.
 
António Borges de Carvalho

CITAÇÃO

CITAÇÃO
A geração de Abril assusta-se com a possibilidade de despedimentos na função pública. As novas gerações estão fartas da incompetência da função pública. A geração de Abril considera que a segurança no emprego é essencial. As novas gerações sabem que a segurança no emprego depende da evolução da economia e da competências de cada um naquilo que faz. Gostavam que a geração de Abril se ouvisse a si própria e se lembrasse do que ouvia aos dinossauros do regime, antes de Abril. Gostavam que a geração de Abril saísse da frente e deixasse a vida avançar. Porque sopram ventos de mudança, que já não são os de Abril, esses já sopraram, foram bons, úteis e importantes, mas pertencem ao passado e já não servem.
 
Tiago Tribolet de Abreu
“Público”, 2 de Maio de 2008

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