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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

JOÃO CARLOS ESPADA

 

 
Citação do pensador em título, com a homenagem e a devida véna do IRRITADO:
 
Na “anglo-esfera”, a democracia emerge como limitação do poder político por regras gerais que visam proteger os modos de vida realmente existentes. Na Europa continental, a democracia emerge associada a um projecto de mudança da sociedade e dos modos de vida realmente existentes.
No primeiro caso, os políticos vêm como um dos seus primeiros deveres a expressão na praça pública das preocupações dos seus eleitores. No segundo caso, os políticos são permanentemente desafiados a reiterar a sua fidelidade a um projecto de sociedade, ou a um conjunto de valores e visões do mundo, que oficiosamente é identificado com a democracia.
Dir-se-á que a desvantagem da “anglo-esfera” reside no aparecimento de líderes políticos que exprimem opiniões “bizarras”. Deve ser ripostado que a contrapartida reside em que as regras demo-liberais nunca são postas em causa – precisamente porque as pessoas comuns sentem que essas regras as deixam falar.

PIADAS

 

 
O piadético senhor Ribeiro de Almeida (Lello, com dois eles, para os camaradas e para o povo) revoltou-se, indignado, contra a dona Manuela, a qual, por sua vez, se tinha revoltado contra o projecto do piadético senhor Ribeiro de Almeida (Lello, com dois eles, para os camaradas e para o povo) de impedir os emigrantes de votar por correspondência.
Tem toda a razão. Então anda o governo a fechar consulados a torto e a direito, a sujeitar-se à fúria das massas ignaras, para depois deixar a canalha votar por correspondência… e, o mais certo, no PSD? Nem pensar!
 
Tem o piadético senhor Ribeiro de Almeida (Lello, com dois eles, para os camaradas e para o povo) toda a razão. Não se pode correr este tipo de riscos, se se quiser defender a democracia socialista!
 
Não queriam mais nada?
 
António Borges de Carvalho

TEATRALIDADES

 

Salvo melhor opinião, quem nomeou a recém desnomeada administração do teatro nacional do Rossio foi o governo do senhor Pinto de Sousa.

O mesmíssimo governo vem, agora, dizer que essa administração não tinha “idoneidade”, nem “capacidade”, nem “experiência de gestão”, nem “sentido de interesse público”.
A acreditar nisto, há que concluir:
- Que o governo do senhor Pinto de Sousa nomeou, para administrar o Dona Maria, uns tipos que não tinham “idoneidade”, nem “capacidade”, nem “experiência de gestão”, nem “sentido de interesse público”;
- Que nada nos garante que a nova administração, nomeada pelo governo do senhor Pinto de Sousa, tenha “idoneidade”, “capacidade”, “experiência de gestão”, ou “sentido de interesse público”;
- Que o governo do senhor Pinto de Sousa não tem “idoneidade”, nem “capacidade”, nem “experiência de gestão”, nem “sentido de interesse público”.
 
Em resumo, estamos entregues a gente que não tem “idoneidade”, nem “capacidade”, nem “experiência de gestão”, nem “sentido de interesse público.
 
António Borges de Carvalho

E EU?

 

 
O caso do senhor Rodrigues dos Santos foi arquivado pela Exma. “Entidade” que trata de tais assuntos. Acha a dita que não deve “pronunciar-se sobre matérias da vida interna das empresas”.
E eu?
eu, que tanta esperança tive de mais não ver as piscadelas do olho do fulano,
eu, que cheguei a pensar ser possível deixar de ouvir o “especialmente para si” (para mim?),
eu, que até sonhei não aturar mais as palermices do senhor sobre as guerras deste mundo,
eu, que até imaginei que as orelhas do homem deixariam de me ocupar espaço no visor,
eu, que, gozosa e maldosamente, imaginei o homem, lá em casa, a chatear outro!
 
 
António Borges de Carvalho

BOCAS

 

Nunca gostei de ver os agentes da Justiça a mandar bocas nos jornais. Nem gosto, mesmo quando têm razão.

Há que, no entanto, realçar as intervenções da dona Maria José e, agora, de uma outra senhora da profissão, sobre as maravilhas com que a estupidez, a incompetência técnica e política, a inconsciência bacoca, a falta de respeito pelas pessoas, a demagogia pseudo democrática e a portentosa tendência para a asneira do governo do senhor Pinto de Sousa nos têm brindado.
Ainda que o Irritado ache demais as constantes aparições dos distintos magistrados, não deixa de ser consolador ouvir, de entre eles, algumas vozes razoáveis, a falar de coisas que importam, em vez do senhor Cluny ou do outro tipo (aquele do olho azul) a largar postas de pescada sobre coisas que não interessam a ninguém.
 
António Borges de Carvalho

ENSINO MUNICIPAL

 

 
Em mais uma manobra de propaganda, o governo do senhor Pinto de Sousa decidiu atirar maiores responsabilidades para as costas das autarquias, no que ao ensino se refere.
Os municípios, como é de timbre e de boa “gestão”, estão contra. O Estado tem que lhes dar mais isto e mais aquilo, e terá, sobretudo, de dizer em rigor aquilo que quer que os municípios ensinem às criancinhas.
 
Façam o que lhes apetecer. É indiferente. O que há a reter nesta coisa é que se trata de pura demagogia de parte a parte. Tanto faz, para os papás, para as criancinhas e para todos nós, que o responsável seja o município ou o ministério, se as matérias forem as mesmas, os critérios os mesmos, os exames os mesmos, os sindicatos os mesmos, os professores os mesmos, a ideia de educação a mesma.
Tudo o que verdadeiramente interessa continuará ferozmente centralizado na Avenida 5 de Outubro. A concorrência entre escolas passará a concorrência entre municípios. O que não seria muito mau se não se reportassem todos às mesmas bitolas, ou se tivessem alguma vocação educativa. Mas não é para isso que existem, pois não?
 
António Borges de Carvalho

VIVA O VIAGRA!

 

 
Domingo à noite. Depois de um fim de semana longe dos acontecimentos, o Irritado resolve pôr-se a par do que se passa em Portugal e no mundo.
Oito da noite. Dona Judite, sorrisinho à banda, como é de timbre, graciosas melenas a-dar-a-dar, entra na sala do Irritado.
Grande manchete: o aniversário do Viagra. Após interminável introdução da coisa, dona Judite apresenta um tipo de bata branca, ao que parece especialista em erecções serôdias. O Irtritado não ouvi o que o homem disse, mas observou o gosto requintado do gabinete. Decoração minimalista. Por detrás do fulano, uma prateleira do AKI. Os bibelôs eram falos de madeira ou coisa parecida, em posição de combate, uns com uns tomatinhos muito redondos, outros capados. O Irritado ficou deslumbrado com o bom gosto do tipo da bata branca, bem como com o da dona Judite pela sábia escolha do local das filmagens, eventualmente concebido para excitar inocentes meninas e pederastas tímidos.
Calcula-se o interessantíssimo teor das declarações sócio-científicas da dona Judite e do tipo da bata branca. A Pfizer agradece, para não insinuar que paga.
Finda a coisa, estupidamente esperançoso, o Irritado aconchegou-se no sofá. E lá veio a outra grande malha do dia: um dentista da tropa, reformado, dá consultas no hospital de Beja! Coisa de cósmica importância. Até a ministra da saúde se pronunciou.
Ainda esta preciosa reportagem não tinha chegado ao fim, e já o Irritado se agitava, à beira do delirium tremens: porque é que esta gaja não vai á merda, não vai chatear o Dom Fuas, não vai dar cabo do juízo, lá em casa, ao Seara? Ele que a ature, como é sua obrigação jurídico-sentimental…
 
O Irritado desliga a coisa. Bom, calma, fica para mais tarde. Mais tarde uma ova. Mais tarde, o gajo dos caracolinhos com grease e do fato às riscas da Rua dos Fanqueiros brindou-nos, qual acelerador de partículas, com as últimas considerações filosófico-científicas sobre o Quim e o Quique Flores. Uma hora sem parar!
 
Valha-nos a Santa CNN e a profética Aljazira!
 
António Borges de Carvalho

ÁGUA CHILRA

 

 
Em mais uma formidável demonstração da excelência do poder local, a Câmara de Barcelos resolveu cortar a água às casas das pessoas... que não têm água lá em casa!
 
Passo a explicar:
 
a)    A Câmara de Barcelos, generosíssimamente, brindou uns desgraçados quaisquer com abastecimento de água, o que quer dizer que, em 2008, ainda há quem a não tenha neste progressivo e rico país socialista;
b)    Acontece, como é natural, que as pessoas já se tinham desenrascado com poços e respectivas facilities, coisa teoricamente normal e legítima mas mal vista pela câmara;
c)    Como primeiro resultado da referida benesse autárquica, foram as pessoas avisadas que teriam que mandar construir as necessárias baixadas, a fim de levar a água da câmara às respectivas residências;
d)    Para cumprir esta obrigação(?), as pessoas teriam que pagar a obra em causa(!);
e)    Mas, como a câmara é generosa, se a coisa fosse feita a curto prazo, custaria xis, se fosse a médio ou longo prazo, a mesma obra custaria xis vezes dois;
f)      Como terá havido alguns seres anti-sociais que, ou por não lhes apetecer ou por não ter dinheiro para pagar, se recusaram a encomendar a baixada, a honesta autarquia mandou lá uns tipos cortar o abastecimento de água a partir dos poços de cada um.
 
Aqui temos, minhas senhoras e meus senhores, um exemplo verdadeiramente “democrático” do que é o poder em Portugal. Quem o tem, manda em tudo, ao ponto de privar as pessoas do que é seu, ao ponto de as fazer pagar o que já tinham, fornecido pela mãe natureza e pelos seus investimentos pessoais, ao ponto de as privar de um bem essencial que de pleno direito lhes pertencia.
 
*
Faz lembrar uma reclamação que, em tempos, apresentei à câmara de Cascais. É que eu tinha uma fossa para os meus mal-cheirosos dejectos. Vem a câmara e, muito bem, constrói o saneamento básico. Lá foram umas centenas de contos para a famosa baixada. Ora como, há muitos anos, eu andava a pagar, nas contas da água, um saneamento que não tinha, e como os meus pagamentos para tal inexistente serviço já somavam mais de mil contos...
Baldada intenção. A câmara respondeu que. Os advogados disseram que era uma chatice mover um processo, mesmo com boas hipóteses de o ganhar. Como sempre, valia mais um mau acordo que uma boa demanda. Qual acordo qual carapuça! A câmara tem o poder e acabou-se.
 
E ainda há quem se queixe da criminalidade económica, dos crimes de colarinho branco, etc.
Os cidadãos têm que compreender o conceito de cleptodireito. Num país socialista, há o cleptodireito legal, poder do estado e das autarquias, e o cleptodireito ilegal, que não é direito, praticada pelos cidadãos que seguem o exemplo do poder.
 
Voilá, como diria o Lino.
 
António Borges de Carvalho

CABALAS?

 

 
Na opinião de um douto Tribunal, o juiz dos jeans e da tshirt que mandou prender o socialista Pedroso e que era, até então, oficialmente considerado “bom com distinção”, cometeu, ao prendê-lo, um “erro grosseiro”, e demonstrou não ter “normal inteligência”, nem “experiência”, nem “circunspecção”.
O juiz passa, assim, a ser um anormal, um tipo que faz asneiras. O mesmo se tornando, por inevitável e lógica consequência, os que o consideraram “bom”, “distinto”, inteligente e circunspecto.
Há, por conseguinte, na magistratura, uma série de pessoas que outras pessoas da magistratura acusam de estupidez e imprudência.
 
Muito interessante, também, é esta brutal verdade, veiculada para os jornais: os magistrados encarregados do assunto já sabiam há muito que o juiz em causa tinha praticado um erro grosseiro. Mas só usaram a expressão depois da entrada em vigor da reforma legislativa que a penalizava.
Não se livra o legislador de que se diga que trabalhou à medida dos desejos do socialista Pedroso. O que se poderia saudar como um avanço da Justiça (a penalização da (i)responsabilidade extra contratual do Estado) era, pode alegar-se, tão só uma maneira de arranjar umas massas para o camarada Pedroso.
 
Por outro lado, uma vez que as acusações de pedofilia homossexual do processo Casa Pia se baseiam em prova testemunhal, haverá que perguntar, com toda a inocência, porque é que as testemunhas que foram idóneas para justificar a prisão de outros suspeitos perderam a idoneidade quando se tratou do mesmo em relação ao socialista Pedroso*.
 
Afinal, perguntará o aparvalhado cidadão, houve uma cabala de desconhecidos contra o PS, ou há uma cabala do PS para safar o camarada Pedroso? E, uma vez que Pedroso declarou ser adepto de um governo de coligação com o PSD, não haverá uma mãozinha deste na trapalhada?
 
Perguntas que ficarão, como de costume, sem qualquer resposta.
 
António Borges de Carvalho
 
 
* O Irritado não tem posição quanto à culpa ou inocência seja de quem for, no que ao caso Casa Pia diz respeito.

“EXPRESSAMENTE” INFORMADOS

 

 
Numa verdadeiramente extraordinária demonstração do profundo conhecimento que têm das questões geo-estratégicas e internacionais, os portugueses, perguntados sobre a independência do Kosovo, responderam sem hesitações, uns a favor outros contra. Só cerca de 15% não têm opinião.
É o que reza uma sondagem publicada pelo “Expresso”, o qual considera que a “significativa maioria” a favor do não reconhecimento da nova república é um resultado “confortável” para o governo, o Presidente da República e os partidos políticos”.
O mesmo jornal acha que tal não reconhecimento é uma atitude “notória”, uma vez que 21 dos 46 países da União Europeia já o fizeram, sendo Portugal o “único que, sem problemas de minorias ou razões de proximidade, não o fez”.
E mais considera o “Expresso” que a (não) atitude do governo a este respeito tem o apoio da população, já que os portugueses, “tradicionalmente inclinados a favorecer os sérvios, parecem dar-lhe razão”.
 
Por obra e graça do “Expresso”, a UE passou a ter 46 países e nós, portugueses, a ter no sangue a tradição de apoiar os sérvios, coisas com que a crassa ignorância do Irritado nem sequer sonhava.
 
A influência do “Expresso” nas organizações internacionais e na descoberta das tradições nacionais fica, assim, provadíssima.
 
Obrigado, “Expresso”, por mais este contributo para o nosso esclarecimento e para a informação da população em geral!
 
António Borges de Carvalho

JUIZ A SÉRIO

 

Numa importante entrevista dada ao “Diário de Notícias”, o juiz Rui Rangel deixou muitas dicas dignas de nota.

 
Seja-me permitido destacar duas:
 
1. O jornalista repara que, em cima da secretária do senhor, há meia dúzia de papéis. Perguntado porquê, o juiz responde que não deixa atrasar processos, mesmo que tenha que trabalhar fora de horas;
2. O juiz é presidente de uma organização, de seu nome, salvo erro, “Juízes pela Cidadania”, que se preocupa com a competência e a celeridade da justiça, sendo, nas suas palavras, “corporativa” no bom sentido.
 
Do dito em 1., conclui-se que, se os juízes trabalhassem mais um bocado, as coisas estariam muito melhor. A culpa do estado calamitoso em que a justiça está, afinal, não é, ou não é só, do “processo”, dos advogados, da sociedade…
Do dito em 2., conclui-se que, se os juízes se preocupassem mais com a qualidade e a celeridade dos serviços que prestam ou deviam prestar à sociedade, em vez de se multiplicar em sindicatos e reivindicações (como se fossem os metalúrgicos ou os electricistas), é óbvio que a situação seria muito melhor. As palavras do juiz Rangel, mesmo não o dizendo, são uma condenação das organizações sindicais de magistrados.
 
Só é pena que o juiz Rangel, embora ache que, na próxima, não vai votar PS, ainda ponha algumas reticências a esta decisão…
 
António Borges de Carvalho

JANELA DE OPORTUNIDADE

 

O Estado, através das brilhantíssimas iniciativas do socialismo socretino, bem como dessoutros órgãos de soberania que integram o poder judicial, vem contribuindo, cada vez com maior empenho, para a resolução dos problemas que afligem os portugueses em geral e os leitores do Irritado em particular.
Abriu-se ontem uma nova janela de oportunidade, como se diz agora, para vossas excelências.
Se tiverem um conflito, uma zanga, um diferendo com alguém, não terão mais que comprar um revólver no mercado negro (um dos mais progressivos sectores da nossa economia) e dirigir-se, com a maior das calmas, ao encontro desse alguém. Uma vez o indivíduo no horizonte, e à conveniente distância, vossas excelências não terão mais que despejar o carregador, para o que bastará premir o gatilho tendo o cuidado de apontar na direcção do fulano. Disparando vários tiros, obterão, na prática, a certeza de acertar, mesmo não tendo pontaria nem estando habituados a usar instrumentos do género.
Se o fizerem dentro de uma esquadra de polícia, obterão uma segurança acrescida, uma vez que qualquer resistência do alvejado será prontamente cerceada pelas autoridades em presença.
Se, por azar, forem presos, a coisa não terá importância de maior, uma vez que após cordial diálogo com um juiz, serão mandados em paz, com todas as possibilidades, se for o caso, de emigrar para o Brasil, seguindo o notável exemplo da dona Fátima Felgueiras e do padre Frederico.
Foi o que aconteceu ontem e que não deixará de fazer jurisprudência.
 
António Borges de Carvalho

“EXULTAR” A POLÍTICA E O ESPÍRITO REPUBLICANO

 

 
Diz o “Expresso” que o Presidente Soares foi a Berlim para, entre outras tarefas, informar o respeitável público de que vai publicar um livro destinado a “exultar (sic) a política e o espírito republicano”.
 
Presumo que o senhor terá falado em “exaltar” a política e o espírito republicano, e que o verbo “exultar” não passe de um pontapé na gramática, coisa em que o jornal promotor do concurso da língua portuguesa é de invejável fertilidade.
 
Dando isto de barato, há que dizer que estamos de acordo com a “exaltação da política”. Admitimos que o Presidente Soares a “exalte” por não perceber de mais nada. De qualquer maneira, a política não deixa ou não devia deixar de ser uma coisa nobre e digna da “exaltação”.
Já quanto ao “espírito republicano”, temos as maiores dúvidas. O mundo está a abarrotar de repúblicas cujo espírito não é digno de exaltação, merecendo algumas delas, como no caso da Venezuela, os maiores encómios por parte de Mário Soares. Há outras que o senhor não “exalta”, pelo menos por enquanto: por exemplo, as repúblicas da Cuba, do Zimbabué, da Coreia do Norte…
 
Não é, pois, possível saber a que é que o senhor chama “espírito republicano”. Talvez ao “espírito” do Robespierre, do Bonaparte, ou de outros distintos representantes da Revolução Francesa…
 
Se o que o senhor pretende “exaltar” é o que, dando-lhe o benefício da dúvida, eu posso pensar, então melhor faria em olhar à sua volta e chamar-lhe “espírito monárquico”.
 
António Borges de Carvalho

ESTRUTURAS INTRÍNSECAS

 

A mui nobre senhora dona Paula Teixeira da Cruz, ilustre advogada com escritório no Marquês de Pombal, é uma verdadeira democrata. Tem “na sua estrutura intrínseca um sentimento de bem e de harmonia com o que está à volta” e, imagine-se, até anda de metro!

Seja o que for a “estrutura intrínseca” de cada um, a qual se deve opor a uma estrutura extrínseca, tipo Centro Pompidou, o facto é que tal estrutura permite à senhora evitar “assistir a vinte missas”, como se compreende e aceita.
Ao contrário de maldosos boatos que por aí circulam, diz o “Diário de Notícias” que a senhora é casada com o “ex-banqueiro” Teixeira Pinto. Ao contrário do que o próprio Teixeira Pinto declarou há que tempos, o “Diário de Notícias”, eventualmente para obter um efeito de contraste com a aversão às missas expressa pela senhora, assegura que o homem é do Opus Dei, e não ex-Opus Dei. Nestas coisas de jornalismo, nunca se sabe.
A atestar a sua “estrutura intrínseca”, revelou a senhora que, em tempos, apresentou sem sucesso uma petição a favor da descriminalização da homossexualidade em todo o mundo. A universalidade do gesto, obviamente não destinado a Portugal, onde tal coisa não é crime, atesta bem das ambições globais que animam a estrutura intrínseca da dona Paula, pronta a lançar o seu poder em zonas fundamentalistas como o Irão e o Sudão, ou nas arábias em geral.
A senhora demarca-se “absolutamente” da boutade da sua chefe, no que à procriação diz respeito. Não senhor, o casamento não se destina à procriação. Nem por sombras. A senhora, “em termos de costumes”, insiste, está contra a chefe.
A senhora quer a “liberdade individual”. O que a não impede de ser a favor do proteccionismo e do estatismo, e contra a “liberalidade económica que está na moda”(?). Até já lia Marx aos treze anos, o que a qualifica como génio precoce, embora não diga se percebeu, tão jóvem, os escritos do homem.
A senhora já foi assediada para se candidatar à presidência da câmara de Lisboa. O mesmo se passou em relação ao governo. Disse que não a dois convites. “Nunca cargos executivos, nunca”. Uma frase que deve ficar para a história.Andar na mó de cima, chatear, inviabilizar, comentar, criticar, bocas na TV e nos jornais, muito bem. Assumir responsabilidades, tá quieto ó mau!
 
Acrescente-se que a senhora, em Itália, “teve muito más experiências com carpaccios”. Acredito. Coisas da estrutura intrínseca.
 
António Borges de Carvalho

IMPERATIVO ÉTICO

 

Tal como confirmado pela dona Maria José Morgado, afinal não houve, no “caso Casa Pia”, cabala nenhuma contra o PS.

O que há, como é evidente, é uma coisa qualquer do PS (talvez cabala talvez não sei quê) contra aquele juiz de blue jeans e t shirt que mandou engavetar o camarada Pedroso. À uma, os socialistas exprimem a sua alegria com a classificação de “erro grosseiro” atribuida á prisão do seu amigo. Desde a dona Ana Gomes ao senhor Pinto de Sousa, passando por todos os que se acotovelam para ficar na fotografia, não há quem não venha regozijar-se em público.
Sem que o caso tenha transitado em julgado, parece que o camarada Pedroso vai voltar, pleno de glória, ao Parlamento.
Não faço ideia de quem tem razão, se o juiz dos jeans, se o Pedroso, se este se aquele. Nem tal me interessa muito.
 
Interessante é que a lei que o caso motivou, ou seja, o aditamento do “erro grosseiro” (quem julga a grosseria do erro?, onde está a objectividade da lei?) à responsabilidade extra-contratual do Estado parece que vai render umas larguíssimas massas ao camarada Pedroso.
 
Não obstante, o camarada Pedroso declara que “este processo contra o Estado era um “imperativo ético”. Um imperativo ético bem rendoso, pelos vistos. Se os imperativos éticos rendessem 130 mil euros cada um (ou 500 mil, como queria o queixoso), a moral passava a ser incomportável.
 
António Borges de Carvalho

PENSAMENTO ATLÂNTICO

 

 

Esta malta das ilhas é levada da breca.
O Jardim é o que se sabe. Deve ter na parede do gabinete, em grande, um boneco do Walt Dysney: um macaco (ele próprio) com uma banana numa mão e um chicote na outra, a perseguir um coelho (o “rectângulo”).
A banana é o “portuguesismo” caloroso e desenfreado com que vai brindando o país quando lhe convém. O chicote é a berraria sobre o “colonialismo” de que “o povo madeirense tem que se libertar”, quantas vezes representado pela exigência da extinção do cargo de representante da República na Madeira. Facto é que esta ”dialética” lhe tem rendido umas boas massas e o vai fazendo passar incólume sobre ventos e marés.
 
Por estranho que pareça, juntou-se-lhe um ignoto fulano, Presidente do PS/M, o qual, através da mesma exigência, até pareceria ter aderido ao jardinismo. Também ele não tolera o tal representante. Acrescenta, numa lógica talvez berardiana, que quer que os “orgãos de soberania se responsabilizem pela defesa e manutenção da democracia e do estado de direito na Madeira”, e que os “poderes de soberania” da República “não se devem demitir das suas responsabilidades na região”. Entenda quem quiser. O homem quer que a chamada “república” deixe de estar representada lá no sítio. Mas, ao mesmo tempo, exige maiores responsabilidades à mesma “república”.
O Irritado adianta uma explicação para tentar compreender o pensamento do ilustre líder atlântico. No seu douto parecer, o partidosocrélfio devia retirar de lá o “representante”, substituindo-o por cinco batalhões de cavalaria que obrigassem o Jardim a ir para o exílio e os madeirenses a votar PS. Deve ser isso o que o fulano entende por “assumir as responsabilidades da “soberania”.
 
Às vezes é de pensar se não sairia mais barato e não nos daria menos cabo da cabeça se esta malta fizesse como a Abkásia.
 
António Borges de Carvalho

PLÁGIOS

 

Julgava eu que os biógrafos eram investigadores da vida dos biografados. Para tal, servir-se-iam dos documentos à disposição, isto é, de escritos dos ditos, das referências da imprensa, dos trabalhos de terceiros que se tivessem já debruçado sobre as suas vidas, etc.
Parece que assim não é.
Rezam os jornais que uma afilhada do Salazar, mais uma fulana que escreveu um livro sobre os amores do homem e mais outras distintas individualidades se preparam para processar umas criaturas que estão a fazer uma biografia do homem para a SIC. Dizem tais queixosos que há plágio na coisa.
Não duvido que os autores da telenovela biográfica se tenham servido das fontes produzidas por tal gente. Mas não é exactamente isso, para além de outras fontes, o que deveriam usar?
Os queixosos parece que estão a queixar-se de si próprios. É que, ou o que disseram e escreveram não corresponde à verdade, ou seja, é mentira, ou não se podem lastimar de os novos biógrafos se terem servido do seu trabalho, o que, salvo melhor opinião, até lhes dá credibilidade. A não ser que o que escreveram e disseram não passasse de ficção e como tal tivesse sido declarado. Mas, se trabalharam com seriedade... então de que se queixam?
 
A pergunta fica, não porque o Irritado faça tenções de seguir a telenovela da SIC, mas porque lhe faz uma confusão dos diabos que haja gente a querer sacar algum a quem consultou o seu (honesto?) trabalho e acreditou nele.
 
António Borges de Carvalho

GASTRONOMIA

 

 
Nada tenho contra o senhor Francisco José Viegas. Até o vi uma ou duas vezes na televisão e gostei.
Hoje, vi escrito nos jornais que “além de ser um dos mais finos escritores da nossa língua, Francisco José Viegas tem convicções fortes”.
Talvez seja fino. Talvez tenha convicções fortes e isso seja uma qualidade rara. Quem sou eu para duvidar?
 
Falando-se deste senhor, no entanto, há um episódio que não esqueço e que me faz duvidar da natureza de tais convicções.
Aqui há uns meses, fui induzido por um escrito dele a ir jantar a um restaurante ao qual o homem teceu os maiores elogios. A comida era excelente, os tipos simpatiquíssimos, até o nome da casa era um achado de inteligência e perspicácia.
Nunca comi pior. Minto, não cheguei a comer. Nem eu nem quem me acompanhava comeu fosse o que fosse. Foi provar e fugir. A comida era de tal maneira ordinária que a pagámos a correr e fomos jantar a outro sítio. Nunca fui tão primitivamente recebido nem tão mal servido em muitos anos de vida.
 
Dado o que diz a imprensa, o Irritado recomenda a leitura de tão “fino” escritor. Mas adverte os seus leitores, muito seriamente, contra a suas “convicções” gastronómicas.
 
António Borges de Carvalho

BONITO!

 

 
Parece que a distintíssima classe dos juízes - cheia de organizações sindicais e de representantes da chamada independência, ou seja, da intocabilidade profissional faça as asneiras que fizer - entrou em irremediável paranóia.
Uma paranóia de pernas para o ar em relação às preocupações da sociedade, cujos interesses, julgava-se, competia a tão douta gente defender.
 
Anda a malta, os cidadãos, as empresas, à rasca com a onda de criminalidade que por aí grassa.
Andam os chamados órgãos de informação a não falar doutra coisa.
Andam os telejornais, tão prontos para o que é excitante como distraídos do que importa, ocupados a cinquenta por cento com assaltos, assassínios, traficantes e vândalos de vária ordem.
Anda o Procurador a recomendar severidade.
Anda o governo às aranhas, a meter os pés pelas mãos, a legislar canhestramente e à pressa sobre o assunto.
Andam os partidos a apanhar o combóio com declarações, soluções e discussões.
Até os polícias andam a tentar tratar do assunto.
A sociedade em geral tende a entrar em paranóia securitária.
 
Os juízes não. Qual Duqueza de Brabante, não vêm o que está perante os olhos de toda a gente. Os juízes, meus amigos, remam ao contrário. Ciam.
Qualquer criminoso que se preze sabe, de ciência certa, que, se for apanhado, o mais provável é ir ter uma entrevistasinha com um juíz, e ser por ele, paternalmente, mandado voltar em paz à sua nobre actividade.
Talvez com receio de ser acusados de securitarismo e de vir a ser condenados por isso (olhem aquele rapaz que mandou prender um tipo do PS!), os doutos magistrados, ao invés de toda a gente, resolveram praticar a caridade e a compreensão para com os chamados suspeitos.
 
Os polícias não podem deixar de se perguntar para quê. Para quê puxar ao coco, para quê dar o corpinho ao manifesto, se os resultados positivos do que fazem são prontamente anulados por quem manda?
 
Olhem para isto:
 
Dois fulanos e uma fulana são apanhados com nove armas de fogo, 10.000 (dez mil!) munições, 10.500 (dez mil e quinhentas!) doses de haxixe e 250 de cocaína.
Após “devidamente” ouvidos por um juíz, eis o que aconteceu:
- o principal “suspeito” foi calmamente para casa com uma pulseira;
- a “presumível” criminosa, saíu em liberdade, competindo-lhe apresentar-se na esquadra uma vez por semana;
- o terceiro “alegado” prevaricador ficou, coitadinho, sujeito a “termo de identidade e residência”.
Todos eles, ainda que, teoricamente, vejam a sua preciosa liberdade algo limitada, poderão continuar calmamente a exercer a sua prestimosa profissão.
 
Um tipo que assassinou a namorada usando a carinhosa técnica do incêndio, isto é, regando-a com gasolina e acendendo um fósforo, apanhou vinte anos de choça. Muito bem. No entanto, mercê de uma minhoquice processual que não valerá a pena descrever, foi libertado três anos depois. Deve andar por aí até dar o salto para o Brasil ou até meter outra namorada no forno lá de casa.
 
E tudo isto se passa, diz-se, nos termos da lei.
 
Bonito!
 
António Borges de Carvalho

PALHAÇADAS

 

 
O palhacito que o Putin lá pôs e que se diz (formalmente, é) presidente da Federação Russa descobriu uma prática que vai fazer escola na diplomacia e no direito internacional.
Declarou, majestáticamente, que não reconhece o seu homólogo da Geórgia.
Quer dizer, a qualidade de presidente de uma república deixa de depender da lisura das eleições, do reconhecimento popular, da investidura parlamentar, da conformidade constitucional. Passa a ser privilégio dos seus pares estrangeiros, a começar pelo russo.
Registe-se para memória futura.
 
António Borges de Carvalho

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