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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA IRRESPONSABILIDADE MILITANTE

 

 
Por razões facilmente compreensíveis, o Irritado não é propriamente um admirador da dona Fernanda Câncio, ilustre jornalista do Diário de Notícias e não só.
Apesar disso, acho que vale a pena referir alguns dados por ela publicados sem pôr em causa a sua fidedignidade.
A senhora começa por citar algumas queixas que tem recebido de professores, todas elas sobre casos em que os mesmos consideram um atentado aos seus sacros “direitos” ter que, por vezes, fazer coisas que qualquer profissional de qualquer profissão consideraria como normais, parte daquilo que pode classificar-se como mera dedicação à profissão, sentido da responsabilidade ou seriedade profissional.
Os ditos professores acham, por exemplo, que é um acto heróico trabalhar num sábado de manhã, ter oitenta alunos, ensinar cinco turmas, fazer um mestrado com sacrifício de uns fins de semana, esclarecer dúvidas aos alunos nos intervalos, ter forças para motivar os alunos sendo maltratado pelo ministério, fazer manifestações ao sábado, etc.
Se os queixinhas que foram ter com a dona Fernanda à procura de apoio representam a “classe”, então estamos perante uma classe que perdeu por completo o sentido da dignidade e da responsabilidade, uma gente que considera não ser necessário ter o mais leve brio profissional, uma malta que aceita e defende uma abominável interpretação do que são os direitos de cada um, uma desprezível concepção do que é o “direito” e do que é o “trabalho”.
 
Pode, a título de desculpa, dizer-se que esta gente é vítima de anos e anos de bagunça educativa, das experiências pedagógicas dos iluminados que se entretêm a baralhar e dar de novo, da monumental demagogia ideológica que tem inquinado o ensino, do esquerdismo paranóico dos conceitos oficiais, da monumental quão ignorante e politicamente engagée burocracia do Ministério, da demagogia infrene dos sindicatos, do domínio do PC nestas matérias, da parvoíce endémica do senhor Pinto de Sousa e da desgraçada da ministra, do centralismo idiota do sistema, etc.
 
Não colhe. Apesar de tudo, e ainda que a maioria dos professores nem um curso universitário tenham, é de elementar exigência pensar que alguma consciência profissional os poderia animar.
 
Voltando à dona Fernanda. A senhora acrescenta alguns dados importantes, oriundos da OCDE.
Cito, por palavras minhas:
- No ensino básico, o ratio professor/estudante é de um para onze. A média da OCDE é de um para dezasseis;
- No secundário (ratio 1/13) passa-se o mesmo;
- Dos países da OCDE com menor PIB per capita, Portugal é dos que melhor pagam aos professores;
- A partir dos quinze anos de carreira, os vencimentos dos professores portugueses ultrapassam os da Suécia, da Itália e da Noruega;
- No topo da carreira, tais vencimentos estão ao nível dos da Alemanha e da Finlândia e acima dos da Dinamarca, do Reino Unido e da França;
- O tempo de trabalho de um professor em Portugal é de 1440 horas/ano, mais de 250 horas(!) abaixo da média da OCDE.
 
Acrescentemos que não passa pela cabeça de um professor, num país “normal”, recusar-se a dar aulas de substituição ou exigir, por isso, pagamentos extra.
Acrescentemos que os níveis de aproveitamento escolar em Portugal são uma vergonha, dificilmente se podendo excluir a responsabilidade dos professores por tal vergonha, ainda que não a cem por cento.
Finalmente, diga-se que a ausência de sentido crítico e a falta de dignidade profissional, como largamente os últimos tempos têm demonstrado, levam a esmagadora maioria dos professores a deixar-se arrastar pelo leninismo infrene dos PCs e dos seus agentes “escolares”. Caso ímpar na Europa civilizada, a demonstar o inenarrável atrazo desta terra onde, apesar da mais que evidente catástrofe da “governação” socialista, parece que, segundo as sondagens, ainda há uma maioria a pensar votar à esquerda.
 
13.12.08
 
António Borges de Carvalho

ALDRABÃO AO CUBO

 

Ontem, o senhorPinto de Sousa voltou ao leit motiv das suas justificações para a desgraça que o PS criou: disse o homem que a “culpa” dos nossos males era o défice de 6,83% herdado dos governos PSD/CDS.
Assim como ele repete a aldrabice, repitamos nós a verdade.
Como todas as instâncias europeias confirmam, tal défice nunca existiu. Foi uma fabricação do governador do BP que, por isso mas não só, merece o inferno dos mentirosos.
Herdado um défice excessivo do governo socialista de Guterres, o PSD/CDS recolocou-o em níveis aceitáveis, sem, para tal, precisar de brutalizar a Nação com uma política fiscal que é uma das mais gravosas do mundo. Entrando a torto e a direito nos bolsos dos cidadãos, é fácil endireitar as contas. E, mesmo assim, como os factos vieram a demonstrar, o endireitanço tem pés de barro.
 
13.12.08
 
António Borges de Carvalho

JUSTIFICAÇÃO

 

 
O Irritado tem feito gazeta.
A título de justificação, informa que foi passar uns dias a Paris.
Infelizmente, apesar das insistências da minha amiga Carla, o Nicholas, não me recebeu. As consequências políticas desta falta de consideração não se farão esperar!
 
12.12.08
 

ABC

CONDUTAS INQUALIFICÁVEIS

 

 
O Costa veio dizer às massas que, se o seu orçamento fosse chumbado na Assembleia Municipal, tal constituiria uma “conduta política inqualificável”.
O Irritado está (quase) de acordo. Realmente, meus amigos, por mais asnático e irrealista que o orçamento seja, e é provável que o seja dado o nobre exemplo do do senhor Santos, há que deixar o Costa enterrar-se pelos seus próprios meios, não lhe dando desculpas para continuar a não fazer nenhum.
Além disso, há que marcar diferenças. O PS, quando, com o PC, era maioritário na Assembleia Municipal, chumbou o orçamento da Câmara do PSD. Chumbou o orçamento, perseguiu miseravelmente todas as iniciativas camarárias, do Parque Mayer à Feira Popular, do Túnel do Marquês ao da rua da Beneficência. Torpedeou, tripudiou, impediu, atrasou, boicotou, à tort ou à raison, tudo o que a Câmara propusesse.
Era a política do PS na Assembleia Municipal: os interesses dos cidadãos eram tratados como se fichas de jogo fossem. Importante era fazer o adversário perder. As fichas eram um instrumento descartável.
 
O Costa não tem nada que se queixar se o PSD, em vez de marcar a diferença, usar o princípio de Talião e lhe chumbar o orçamento. Em matéria de “condutas políticas inqualificáveis”, o PS dá lições a toda a gente.
 
12.12.08
 
António Borges de Carvalho

PEDOFUTUROLOGIA OU A MONTANHA PARIU UM COELHO

 

No monumental processo Casa Pia, tratava-se de julgar os presumidos autores de 796 crimes de pedofilia e coisas do género, todos objecto de devida investigação.
Passados uns quatro anitos, depois de várias toneladas de papel e de muito dinheiro gasto, o ilustre procurador público retirou da lista 540 crimes, considerando “provados” 256.
E agora?
Agora, quando passadas forem as alegações da defesa, o mais provável será que para aí metade dos crimes do Bibi (uns 80) sejam considerados não provados, ou prescritos, ou qualquer coisa do género. Dos outros, dois terços terão destino semelhante. Para os que ficarem haverá um sem número de atenuantes, incidentes processuais, provas inconsistentes, dúvidas de toda a ordem. In dubio pro reo.
Quer isto dizer que os réus que tiverem azar apanharão uma pena suspensa, a ver se se portam bem durante uns tempos. À excepção do Bibi, bode expiatório por excelência, e de um ou outro, para dar exemplo da Justiça da justiça.
 
Talvez o facto mais importante de todo este processo tenha sido o de o PS ter legislado de forma a que um dos acusados – o politicamente mais importante – se tornasse vítima de um “erro grosseiro”, ele que era acusado pelas mesmas testemunhas que acusavam os demais, só que o que diziam era verdade para uns e mentira para o outro, o qual veio, ou virá, a ser principescamente indemnizado pelo estado, a título do tal “erro grosseiro”, conceito inventado à la carte para o efeito.
 
Quanto aos demais, pode ser que o Irritado se engane. Diga-se que o Irritado não faz a mais remota ideia sobre se os acusados cometeram crimes ou não. Nem é coisa que o preocupe por aí além.
 
O que sabe é que, se não os cometeram, se vier a ser achado que os não cometeram, ou ainda se, tendo-os cometido, afinal os crimes não eram tão graves como isso, a montanha pariu um coelho.
Isto para não ofender as pessoas falando em ratos, nem os ratos propriamente ditos.
 
11.12.08
 
António Borges de Carvalho

SARAMAGUICES

 

 
Encontrei, dentro de um jornal, em cuidada edição, uma separata contendo a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Muito bem.
Um pequeno pormenor, no entanto, inquinava a iniciativa. É que o seu promotor é, nem mais nem menos que a Fundação Saramago.
Ora, se há alguém que, tendo poder, por escritos e por actos, tenha posto em causa, espezinhado, anulado, condenado, os direitos do homem, esse alguém é precisamente o senhor Saramago. É claro que se tratava de “construir o socialismo”, coisa que, na cabeça do fulano, deve prevalecer sobre qualquer direito e sobre qualquer liberdade.
Dada a sua provecta idade, é possível que o senhor Saramago se tenha esquecido dos seus feitos. É provável que passe a defender que é um absurdo que Cuba seja membro da comissão dos direitos humanos da ONU. É provável que se retrate em relação às suas diatribes contra a globalização – coisa que considerava aniquiladora dos direitos humanos e que tirou da fome milhares de milhões de seres humanos pelo mundo fora. É provável que não se solidarize com o seu partido, o PC, quando este tece as maiores loas aos países onde os direitos humanos são mais ignorados.
 
Como nada disto sucederá, é de concluir que o senhor Saramago quer é fazer propaganda de si próprio, ou "limpar-se", tratando-se a referida publicação de um acto do mais repenicado cinismo.
 
12.12.08
 
António Borges de Carvalho

APELO AO CAMARADA LOUÇA

 

A dona Judite, numa de pluralismo democrático muito próprio do “serviço público”, chamou o camarada Louça para uma sessão de propaganda.
Como sempre, o homem foi explicadíssimo. O arcebispo de Mitilene não faria melhor. O problema que o camarada acha que temos é o de correr com a maioria absoluta do PS, partido que governa à direita(!!!), reforçando os partidos comunistas, o BE, o PC e o semi-partido dito dos verdes. Isto para quê? Para reforçar o socialismo. Para tomar medidas sociais, perseguir os “capitalistas” acabar em definitivo com o sigilo bancário e com todos os outros sigilos, em nome do tal socialismo.
Sua Eminência, na sua social-homilia, defende que se tem que tomar uma série de medidas de carácter social, dar a todos mais ou menos o mesmo em matéria de dinheiro, saúde, educação, habitação, água, luz, etc.
Acho muito bem. Mas como todas estas coisas custam dinheiro, até o dinheiro custa dinheiro, venho fazer um apelo ao camarada: diga-nos, por favor, onde é que o vai buscar. Se o não disser, e como o camarada é comunista, fica-nos a sensação de que a forma de obter o taco para tanta benesse será a receita do costume, ou seja, de maus costumes que se julgava perdidos e que já provaram à saciedade, urbi et orbe, não dar nenhuma espécie de resultados positivos.
Se a solução para a falta de dinheiro com que o país se debate desde há décadas for a de criar condições para mais uma sangria de dinheiro e para o agravamento da miséria, então estamos conversados.
Demos, no entanto, o benefício da dúvida ao camarada Louça. Pode ser que tenha descoberto alguma varinha mágica. Mas, se assim é, haveria que explicar, não as maravilhas que se quer fazer, mas como é que a varinha mágica iria trabalhar.
 
Não é?
 
12.12.08
 
António Borges de Carvalho

DAS VIRTUDES DO LENINISMO

 

 
Ontem, um deputado do PSD, muito conhecido lá em casa, resolveu prever que o senhor Pinto de Sousa iria ficar na história por levar o país à recessão.
A esta previsão respondeu um deputado do PS, muito conhecido lá em casa, dizendo que não senhor, eram os governos do PSD os credores de tal coisa.
 
Estão, um e outro, enganados.
O do PSD, porque Portugal, se não fosse o panorama internacional, era capaz de crescer este ano aí uns 0,002 por cento.
O do PS porque os governos do PSD a que se refere jamais criaram qualquer recessão.
 
Pondo as coisas de forma que se possa entender, digamos que o deputado do PSD se queria referir às manobras do PS nas finanças públicas, ao aumento da despesa do estado, ao desbragamento fiscal, às impulsões tirânicas, ao falhanço económico, etc. O do PS, julgo, quereria referir-se ao estado em que o governo que temos terá herdado as finanças públicas e à forma, que deve considerar brilhante, como o senhor Pinto de Sousa e o Santos endireitaram o défice, ainda que à custa de todos nós - não deles, nem do estado.
 
Nestes termos, agradeço aos meus leitores que vão ao sítio do Eurostat e verifiquem a verdade das coisas: o défice português ultrapassou os limites do PEC nos tempos do probo, simpático e bem-falante Guterres, e voltou aos varais com Barroso e Santana Lopes. É o que lá está escrito, o que foi aceite e certificado pelos craques técnico-científicos de Bruxelas. O resto ou é mentira ou especulação. É verdade que o senhor Pinto de Sousa também o conseguiu. A diferença está no como: a “tirania fiscal” da dona Manuela e do senhor Bagão, comparadas com a do senhor Santos, são brincadeiras de crianças.
 
Se acrescentarmos que:
 
- O senhor Pinto de Sousa partiu para a cruzada fiscal com base na maior aldrabice político-orçamental de que há memória (o orçamento putativo do governador Constâncio);
- O senhor Pinto de Sousa prometeu que não tocaria nos impostos, pelo menos para os aumentar;
- O senhor Pinto de Sousa aumentou os impostos de uma forma tal que nem o reequilíbrio orçamental do Dr. Oliveira Salazar, nos anos trinta, se lhe assemelha;
- As despesas do estado aumentaram incessantemente durante o consulado desta gente;
- Os resultados das políticas financeiras dos governos socialistas são catastróficos para o bolso de todos nós,
 
concluiremos estar diante de uma colossal montanha de mentiras. Estas, todos os dias repetidas pelo senhor Pinto de Sousa e pela vilanagem que o rodeia, acefalamente retumbadas pela “comunicação social”, e inevitavelmente assimiladas pela maralha, acabam por ser um exemplo claro da aplicação prática do princípio leninista que aponta para a repetição das mentiras, até que se tornem verdade.
 
11.12.08
 
António Borges de Carvalho

AI MENTE, MENTE

RECEBIDO POR CORREIO ELECTRÓNICO:

 
 
 
 
 
 
 
Há um primeiro-ministro que mente,
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sinceramente,
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente.
E mente tão nacionalmente,
Que acha que mentindo história afora,
Nos vai enganar eternamente.

 

Autor desconhecido

GENEROSIDADE SOCIALISTA

 

Muita tinta tem corrido sobre a história do BPP. O Irritado já se pronunciou, advogando, mercê das suas convicções liberais (Soares lhe perdoe), a falência, como verdadeira instituição reguladora destas matérias.
O camarada Louça é da mesma opinião, o que muito afligiu o Irritado. A diferença é que o Irritado quer defender o mercado e o sistema, o camarada Louça quer dar cabo das duas coisas e, se for à custa daqueles a quem chama “ricos”, então melhor ainda.
 
Hoje, porém, tudo mudou. O BPP, afinal, está longe de estar falido. O governo e o Banco de Portugal é que aldrabam as pessoas, como é, aliás, seu constitutivo hábito.
 
Vejamos:
- O BPP precisa de 450 milhões de euros para fazer face aos seus problemas de tesouraria;
- O BPP, segundo os jornais de hoje, tem um património de 672 milhões de euros, por avaliação aceite, ou feita, pelo Banco de Portugal;
- O BPP dá esse património, em hipoteca, como garantia dos 450 milhões.
 
O que o BPP faz não é mais que pedir um empréstimo, dando uma garantia real de valor muito superior;
 
Não é o que toda a gente faz, em quase todos os empréstimos? Que raio, se a malta é perseguida pelos bancos, que querem à viva força emprestar dinheiro desde que se lhes dê, em hipoteca, os direitos reais de cada um, por alma de quem não pode o BPP fazer o mesmo?
Não se vê onde está a “generosidade” do BdP, ou dos bancos do consórcio, onde está o ingente problema político, onde está a ameaça ao sistema, onde está a premente necessidade de intervenção estatal.
 
Ou vê-se? Ai vê-se, vê-se.
Querem ver como?
O Estado, para além da garantia real, exige ser ele, Estado, a gerir as fortunas que ao BPP estão confiadas. Uns craques da pública vão tratar da administração do BPP. A CGD fica por cima, a apoderar-se de (mais) um negócio privado, o governo a passar a ter mais poder, todo o poder, sobre o que lhe não pertence.
 
Assim, o socialismo aproveita-se de uma situação que estava longe de ser desesperada ou sem remédio, para lançar a sua sequiosa manápula sobre os bens de terceiros e tratar deles a seu bel-prazer. É evidente que, no fundo deste túnel está, ou a falência propriamente dita, que os gestores públicos, como a nossa história recente bem demonstra, são peritos na matéria, ou a sua “inevitável” integração na CGD.
Acresce que o Estado, ou seja, o governo do senhor Pinto de Sousa, descrente da constancial “regulação”, passa a controlar directamente os tostões de uma série de gente que, por ser considerada rica e não ser socialista, é objecto do ódio e da inveja do socialismo.
Daqui a uns tempos, o BPP, falido, fecha as portas, o pessoal vai para o desemprego, os accionistas metem a viola no saco, os depositantes recebem o mínimo garantido. A CGD, grande mecenas, por seu lado, recebe, por 450 milhões, um património artístico e imobiliário que, segundo a sua própria avaliação, vale mais 222.
 
Crystal clear, my friend.
 
3.12.08
 
 
António Borges de Carvalho
 
 
Apostilha
Nem de propósito. Ontem, já estava este Post publicado, o ministro das finanças que temos veio, candidamente, informar que a falência era uma muito provável hipótese para o BPP. O puzzle começa a mostrar as suas peças.

ARREFECIMENTO GLOBAL?

 

Como se devem recordar, este ano não houve Verão. O tempo esteve ameno, as temperaturas tépidas, até o vento Noroeste quase se esqueceu da faixa costeira ocidental.
A tendência continua. Estamos a ter um fim de Outono mais frio que o mais frio Inverno.
Não sei como se compagina este tempo com as brilhantíssimas teorias do aquecimento global. Sei que anda aí muita demagogia, muito negócio e muita aldrabice.
O que há é o que se vê, não o que teorizam os arautos da desgraça e do politicamente correcto.
Os gelos dos pólos estão a desfazer-se? É possível. Então o que fatalmente acontece é o arrefecimento dos oceanos. Se os oceanos arrefecem, então a atmosfera arrefece. Se a atmosfera arrefece, arrefece tudo. Que outras consequências haverá é coisa que me não atrevo a predizer.
Naturalmente, os cientistas da moda e os correctos dirão, com carradas de razão, que o Irritado é uma besta. Desde já agradeço o elogio.
Alguns ostracizados da ciência afirmam que o se passa é que se tornou sensível, para o planeta, o movimento que leva à alteração do ângulo do seu eixo em relação ao plano orbital. Qualquer segundinho de diferença altera a posição das calotes polares. Será isso o que provoca o degelo? Não sei, mas tem a sua lógica. O que não tem lógica nenhuma é que nos digam que isto está a aquecer quando andamos a tiritar de frio.
Por outro lado, já viram as perspectivas que se abrem para a humanidade com a abertura, a Norte, de um continente até agora coberto de gelo? Monumentais reservas de petróleo poderão ser exploradas, diversificando as áreas de produção, com formidáveis consequências geo-estratégicas. Nos mares abrir-se-ão novas rotas, mais fiáveis, mais curtas, mais baratas. Novas espécies poderão povoar as novas regiões, aumentando as fontes de abastecimento humano e a diversidade genética. Novas perspectivas se abrirão para a ocupação humana, para o turismo, para a economia em geral.
 
Mas a humanidade – ou a filosofia triunfante – anda aflita consigo própria. Em vez de perceber que o planeta se está borrifando para ela, que o eixo da terra mudará ou não de posição apesar dela, que o clima aquecerá ou arrefecerá quer ela o queira quer não, anda a bater com a mão no peito como se fosse culpada de viver e de usar a Natureza, a aterrorizar as criancinhas quanto ao futuro, em vez de lhes dar esperança, tudo, no fundo, para justificar uma série de negócios cujos resultados de longo prazo ninguém conhece, mas que, a curto e médio prazos, enchem da dinheiro uma data de gente.
 
Combater as emissões de CO2? Com certeza. Porque é nocivo à nossa vida, porque as energias fósseis têm um futuro incerto, porque as fontes de abastecimento, do Irão à Venezuela*, não dão confiança a ninguém. Não porque o planeta se importe com isso. Já houve não sei quantas idades do gelo e não sei quantos aquecimentos globais sem que houvesse consumo de combustíveis fósseis.
 
Então, perguntará quem for sensível a estes argumentos, porque é que as Nações Unidas têm um comité científico caríssimo, constituído por sumidades universais, destinado a convencer as pessoas de que caminham para o abismo? Porque é que a União Europeia se desdobra em propagandas de incerto ou erróneo fundamento? Porque é que os governos, como é o caso do nosso, atascam as pessoas em impostos “ecológicos” com argumentos que não correspondem, ou não se sabe se correspondem, a qualquer verdade?
A razão é simples. As sumidades da ONU ganham fortunas, os burocratas da UE também, as multinacionais e as nacionais descobriram um filão, os governos andam à procura de dinheiro para colmatar as despesas malucas em que se metem.
Vivemos numa floresta de enganos, joguetes que somos de uma espécie de ciência, à la carte para políticos e agentes económicos, que é a doença fatal do nosso tempo.
É certo que, para quem souber procurar, também há Ciência que não embarca sem mais nem menos neste género de modas. Apesar de tudo, neste campo, a esperança ainda não morreu.
 
3.12.08
 
António Borges de Carvalho
 
*O único político europeu que está convencido que o Chávez vai pagar o que deve é o senhor Pinto de Sousa. Se o preço do petróleo continuar a descer, o calote virá muito mais cedo do que esperavam os mais pessimistas.
 

SIGLAS EDUCATIVAS

 

 
A FENPROF, a FNE, a P-OP, o SIPPEB, a APL (estão a perceber?) andam à porrada por causa da avaliação.
 
Agora que o xarroco dos bigodes, de acordo com o Jerónimo, tinha descoberto a solução do problema, saltam as siglas a chatear. Uma seca.
A solução do xarroco era divinal: os professores avaliavam-se a si próprios e estava o problema resolvido. Não há avaliação mais justa nem mais inteligente. Cada um sabe de si, não é verdade? Essa de virem uns tipos de fora fazer apreciações abusivas sobre o trabalho dos “professores” não passa de uma demonstração de centralismo burocrático, de uma entorse à “democracia participativa”, de um “dictat” incompatível com uma escola “aberta”, “autónoma”, “democrática”, “descentralizada” e “competente”.
Os “professores” é que sabem! Se não soubessem não eram professores! Se isto não se mete pelos olhos dentro, não sei o que se mete pelos olhos dentro.
 
Coisas há que justificam e equilibram esta trapalhada.
Olhem os secretários de estado da “educação”! Olhem o senhor Pinto de Sousa!
Olharam com olhos de ver? Então digam-me se não estão bem uns para os outros, “professores” e governo. Professores que não ensinam, fazem manifestações, governo que não governa, faz propaganda.
 
Como vêm, a trapalhice tem os seus contrapesos.
 
2.12.08
 
António Borges de Carvalho
 
 
ET. Movido pela curiosidade, o Irritado foi ver o que quer dizer APL. Administração do Porto de Lisboa? Não! Trata-se da Associação dos Professores Licenciados. Dizem os jornais que se trata de coisa minoritária e sem importância nenhuma, se comparada com o exército do xarroco. E eu que julgava que, como antigamente, os professores eram todos licenciados! Não! Manda o socialismo que “ensinem” sem licença.
 
ABC

O PETRÓNIO DA BRANDOA

 

 

 

Um jornal qualquer refere que o “El País”, periódico socialista espanhol, considera o senhor Pinto de Sousa como um dos homens mais bem vestidos do universo, o 6º, para ser preciso.

Uma fulana feiíssima que é vendedora de trapos declarou mais ou menos o mesmo. Que o homem veste Armani, que as camisas, que as gravatas, que o jogging pelo mundo fora, que não sei quê não sei que mais.
Brilhante.
Ou os meus conceitos de elegância masculina estão errados ou o senhor Pinto de Sousa não passa de um possidónio promovido. Olhem o nó da gravata! Até o Obama sabe mais do que ele a este respeito. Olhem as camisinhas lisas, à moda do state department. Olhem as gravatinhas lisas, power ties da rua dos Fanqueiros. Olhem as sapatorras de sargento dos marines. Olhem o físico de alfaiate. Olhem o inacreditável ridículo das perninhas ao léu, meio canejas, a saltitar na Praça Vermelha. Olhem a sweat shirt da Adidas.
Raio, se isto é elegância, então o Mário Soares e o Príncipe de Gales são uns javardos.
 
3.12.08
 
ABC

DE CU TREMIDO

 

Segundo diversos observadores independentes, o fim-de-semana do 1º de Dezembro foi um drama horrível para os moradores do Campo Pequeno e ruas adjacentes.
 
Vinda sabe Lenine donde, uma chuva de comunas veio abrilhantar a festança unanimista que se desenrolava na Praça de Touros. Nada a dizer.
O pior é que os proletários hoje em dia andam de cu tremido, de popó, o que quer dizer que já não são proletários. O horrível capitalismo, objecto do ódio, da inveja e da fé cega e ignorante dos comunistas, acabou com o proletariado. Promoveu-o. Promovido, o proletariado interiorizou os piores defeitos da pequena e média burguesia. Os comunas continuam tão trogloditas como quando eram proletários. Ou mais.
Trogloditas ideológicos? Ça va sans dire. É público e notório. Trogloditas tout court, também. Como a seguir se demonstra.
À volta do Campo Pequeno, o bairro ficou pejado de automóveis, cujos donos não quiseram pagar lugares nos três pisos de estacionamento que tinham à disposição por baixo da praça, ainda menos no hectare de parque que há na Sacadura Cabral e que fica longe (uns cinquenta metros!).
Durante três dias, o vermelhusco pessoal ocupou passeios, arrancou pilaretes camarários para facilitar a penetração, tapou, com as máquinas em segunda fila, os carros dos pobres moradores - alguns não puderam ir passear porque tinham a saída trancada -, sujou as ruas e os jardins. Uma selvajaria dos diabos.
 
Enquanto o camarada Jerónimo tonitruava postas de pescada marxista-leninista-stalinista e as gordas choravam com o filme do Cunhal ou as bocas da Odete, as pessoas normais viam o seu sossego assaltado, eram incomodadas pelas hordas de viaturas, ficavam prisioneiras nas suas próprias casas, tudo em nome dos amanhãs que cantam, do socialismo real e da ditadura do proletariado.
Loiras oxigenadas, inchadas de entusiasmo dialéctico, tipos de calças de fato de treino e peito feito ao “futuro”, fulanos com o bandido Guevara pintado na ticharte, velhotes de boné a repetir slogans já gastos, rapariguinhas apanhadas ao engano frementes de quente camaradagem. À saída a chusma espalhava-se cá por fora em cima da relva, espojava-se nos bancos dos jardins, o chão cheio de beatas, de papéis, de latas, de escarretas. Uma bagunça sem nome. Três dias depois, ainda os almeidas não acabaram o serviço.
 
Acredito que seja esta a civilização com que o PC gostaria de nos brindar. Mas podia, ao menos, disfarçar, e não provar à saciedade a sua total falta de civismo.
 
Eu sei, eu sei que os prejudicados, incomodados, maltratados pela matula, são “burgueses” que outra opção de classe não fizeram. Nada se lhes deve, não é? Antes pelo contrário. Que sofram o mais possível, até que as "massas" os eliminem de uma vez por todas.
 
Em abono da verdade, acrescente-se que a polícia que, nos dias normais, passa a vida a chatear meio mundo precisamente no local em apreço, primou pela ausência. Que diabo, com toda a razão! Nem os comunas são civilizáveis, nem a polícia ter por função contribuir para a ordem pública.
 
2.11.08
 
António Borges de Carvalho

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