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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O ZÉ NO PAÍS DAS ALDRABICES

 

Já muita gente o disse, mas, a fim de não pôr o IRRITADO fora do decorrer da história, aqui fica o registo em que o PEC pôs a Nação inteira: o da mais completa, descarada, imoral e evidente aldrabice.
Os impostos, que não vão aumentar, aumentam brutalmente.
A classe média, propagandeada como fundamental, vai ser esmagada.
O investimento, que era coisa a promover, é penalizado.
As obras públicas, que eram fundamentais e indispensáveis, à excepção do transporte dos madrilenos para a Caparica não são nem fundamentais nem indispensáveis.
O controlo do défice morreu. É coisa para daqui a uns anos, não se sabe quando nem como.
O controlo da despesa, dito fundamental, talvez um dia.
A situação, que há um ano era óptima, que há seis meses era invejável, que há três meses estava a melhorar, afinal é desesperada.
E assim por diante.
 
Qual Alice no país das maravilhas, aí vamos nós pelo poço abaixo, mas sem saias que nos sirvam de pára-quedas, antes em movimento acelerado com uma pedreira de aldrabices amarrada ao pescoço.
 
11.3.10
 
António Borges de Carvalho

 

 

 

PS. Já agora, gostava que alguém da política me explicasse como é que se faz o PEC depois do orçamento e não ao contrário.

UM RAPAZ ESPERTO

 

O grande empresário da nossa praça, conhecido entre a malta “fixe” por “amigo Oliveira”, não perde pitada.
Ninguém tinha dado por que, tirando esta carinhosa expressão, o nosso tycoon socialista, tivesse sido vítima dos furos ao chamado segredo de justiça, coisa que nem o mais pintado saberá exactamente o que seja.
Mas o homem viu na coisa uma “janela de oportunidade”, como se diz agora. Vai daí, coitadinho, viu-se obrigado a demandar o Estado, pedindo uma pequena gorjeta de um milhão de euros pelos prejuízos que as putativas fugas ao tal segredo lhe causaram.
A ver vamos se a dignidade do senhor, assim avaliada, se verá reposta pela Justiça. E se, à semelhança do camarada Pedroso, também vai sacar umas coroas à custa do eterno pagante.
 
11.3.10
 
António Borges de Carvalho

EST MODUS IN REBUS

 

Atribui-se a Caracala a expressão “aos mortos deve-se sempre a maior das homenagens, desde que se tenha a certeza de que estão bem mortos”.
Salvo o devido respeito pelos ditos mortos, perdoem-me se exprimo a minha surpresa pelo anúncio da morte do Coronel Costa Martins, “capitão de Abril e servidor da Pátria”, bem como da chusma de loas com que tem sido brindado.
Para quem viveu aqueles terríveis tempos, o capitão Costa Martins, tendo feito o que tenha feito em 25 de Abril de 1974, foi, abusando de uma Liberdade que odiava, um dos mais ferozes defensores da instauração de uma república soviética em Portugal.
Gorada esta nobre tarefa, foi para Angola ajudar as facções mais radicalmente bolchevistas do MPLA a destruir a economia e a credibilidade do novo país, com monumentais sacrifícios e ignominiosa escravidão do seu povo.
Que pátria serviu Costa Martins é coisa que desconheço, como ele desconhecia o conteúdo e o significado da palavra Liberdade.
É possível defender que os mortos, sejam eles quem forem e tenham feito o que tenham feito, merecem sempre que perante eles nos curvemos. Mas, est modus in rebus, há que manter um certo respeito pelos princípios.
Por este andar, ainda acabam por pôr o Cunhal no Panteão.     
 
11.3.10
 
António Borges de Carvalho

PALERMICES, SALOIICES E ALDRABICES

 

Um brasileiro qualquer, parece que perito em mudar discos em locais nocturnos, veio a Portugal.
Dizem as crónicas que o tipo, coitado, parece que anda a dormir com a Madona.
O fulano foi apoteoticamente recebido em Portugal. À chegada ao aeroporto, havia meninas meio histéricas, polícias, guarda-costas, assessores e secretários, ou coisa parecida. Os jornais, as televisões, as rádios, deram ao assunto o “merecido” destaque. As capelinhas enchem-se de gente para ver o camarada mudar discos.
 
Antes de andar metido - diz-se - nos lençóis da cinquentona, lençóis por onde - diz-se - já passou uma multidão de meninos e meninas, rapazes e raparigas, senhoras e senhores, o rapaz era tão conhecido como o careca do quinto esquerdo.
Agora, é uma celebridade. Move as gentes como move os discos, anda com as cabecitas à roda, dá entrevistas, passou a cineasta, tem direito escolta.
 
Nos demais países, não sei o que se passa. Se é como cá, não dou a ponta dum chanfalho pelo futuro da civilização.
 
*
 
Por falar em civilização, ocorre-me ao bestunto o parque de estacionamento da Praça de Touros do Campo Pequeno.
Durante as horas de trabalho a coisa está a abarrotar, o que quer dizer que há inúmeras empresas que dão aos funcionários o fringe benefit de um lugarinho à borla.
À noite, há lugares com fartura.
Nos dias em que há espectáculos na Praça, os arrumadores, quando necessário, arrancam os pilaretes da Câmara para pôr centenas de carros em cima dos passeios, em frente dos portões, nas esquinas, em segunda fila, um fartote. A malta bate-se por um sítio qualquer onde meter a carripana.
No Parque, há lugares com fartura, quase como nas noites normais.
 
Quer isto dizer:
 
a)    Que os lisboetas não passam de um bando de selvagens;
b)    Que a Câmara se está nas tintas para os moradores que lhe pagam o estacionamento, tendo para tal que perder um dia por ano à conta da EMEL e das suas papeladas;
c)    Que a polícia é uma máquina cara que não funciona, a não ser quando não é precisa;
d)    Que os donos do parque são uns alarves, porque não pagam a uns polícias para empurrar os carros lá para baixo e para multar os que andam cá em cima a perturbar a vida de quem quer dormir e que, teoricamente, tem direito, outorgado pela EMEL (um organização de tipo soviético), a um lugar junto aos passeios;
e)    Que não há nada a fazer, pelo menos enquanto a Câmara estiver entregue a quem está;
f)      Que, se a Câmara estivesse entregue a outros, se calhar era a mesma coisa, uma vez que os polícias foram feitos para passear de carro durante o dia, para fazer umas reclamações sindicais e para, tal como a Câmara, se borrifar no cidadão comum.  
 
8.3.10
 
António Borges de Carvalho

MÁS NOTÍCIAS

 

Anos e anos levou a elaboração, a discussão, a negociação, etc. do que começou por ser a “constituição europeia” e acabou, mais modestamente, por se ficar pelo Tratado de Lisboa.
Era evidente que “a Europa” não podia continuar a funcionar com decisões obrigatoriamente unânimes, nem devia estar sujeita às prioridades de cada presidência semestral. Era evidente que havia que mitigar o “défice democrático” e dar aos processos a celeridade e a legitimidade de que careciam.
 
Muito bem. Passado o que se passou, o tratado entrou em vigor.
É tempo de olhar o que se lhe seguiu: nada. Pior: menos que nada.
Entrou em vigor, mas prisioneiro das vacatia legis que ele próprio estabeleceu, o que quer dizer que entrou em vigor, mas pouco.
Em ambiente de demissão colectiva, “elegeu-se” um “presidente” que, politicamente, não existe. Um belga obscuro subiu ao pódio, quando se esperava um grande europeu, uma pessoa com provas dadas na política europeia que a fizessem conhecida e aceite pelo cidadão comum, pessoa que se impusesse ao seu respeito e aos dos governos nacionais. O senhor Rompuy pode ser uma excelente pessoa, mas existir não existe.
No mesmo ambiente, sabe-se lá porquê, foi descoberta uma baronesa socialista, tão conhecida e tão prestigiada como o senhor Rompuy, para assegurar a política externa comum.
Continuam - quem pode explicar com que lógica? - as presidências rotativas: lá anda o Sapateiro a vender ideias, humildemente seguido pelo inexistente belga, que nem para homem do fato cinzento serve, e pela feiíssima baronesa que, até agora, a única coisa que fez foi primar pela ausência em tudo o que é importante.
Resta o senhor Barroso. Fez um primeiro mandato sem grande brilho, mas um mandato aceitável e equilibrado. Ganhou o segundo.
A chamada estratégia de Lisboa, bem anterior ao tratado, atingiu o fim do prazo de validade sem que se possa tirar nada de concreto, ou de útil, da sua execução - ou “implementação”, como se diz agora, a benefício da estupidez nacional.
Chegou a altura de arranjar outra estratégia, numa atmosfera muito mais problemática que aquela em que a de Lisboa foi aprovada.
E lá veio o anúncio: será um programa destinado a “assegurar a saída da crise e preparar a economia da EUE para a próxima década”. Algo me diz que esta nova “estratégia” terá o mesmo destino que a de Lisboa, isto é, após dez anos de “aplicação” chegar-se-á à conclusão que não serviu para nada e que a “Europa” continuou a navegar à vista, sem “estratégia” de espécie nenhuma. O senhor Barroso diz que vai apostar nos “nossos pontos fortes” e combater com decisão os “nossos pontos fracos”. O senhor Barroso quer uma economia “hipocarbónica”. Fabuloso. Quer uma “elevada taxa de emprego”. Como? Quer um “modelo económico baseado no conhecimento”. No conhecimento de quê?
 
Melhor será não ir mais longe nesta tristeza, neste vazio, nesta sensação de que estamos entregues a instituições que, em vez de revitalizadas e funcionalizadas, parecem moribundas, paralíticas, sem alma nem força, servidas por gente politicamente inválida e por uma burocracia que parece metastisar como uma doença má.
 
Espero bem que esta negra visão do nosso presente como europeus - e das suas consequências lógicas em termos de futuro - não passe de um pouco razoável exercício de pessimismo.
Mas confesso que, mesmo querendo, não vislumbro seja quem for capaz de acender o archote no fundo do túnel em que vamos às cegas, sem que haja quem nos mostre o caminho nem quem dê sinais de ter ferramentas que o desbravem.
 
8.3.10
 
António Borges de Carvalho

SINAIS DE ATRASO

 

Fico siderado com as continuadas presenças do doutor Carvalho da Silva na TV, defendendo as suas greves e as suas teses. O homem é jeitoso, tem um argumentário lógico e é servido por uma retórica cordata e suave. Impinge, de maneira sofisticada, quase académica, as mesmas balelas que o chefe Jerónimo propagandeia de forma primitiva, é certo, mas não menos jeitosa.
Cheios de alegadas vestes democráticas, mais ou menos os mesmos raciocínios são produzidos pelos intelectuais do bloco de esquerda. Ainda ontem vi aquela morenaça que é deputada do bloco no Parlamento Europeu discorrer, toda boneca, sobre os malefícios do capitalismo e a requintada arte de fazer omeletas sem ovos.
Vendo as coisas assim, dir-se-á que nada disto tem importância de maior. O PC e o BE, coitados, não têm culpa de partir de premissas irreais, quase oníricas, e de não saber(?) que as suas receitas, divorciadas que estão da natureza humana, têm como únicas consequências de relevo - historicamente provadas - a ditadura e a miséria.
Pela Europa fora, estes tipos de ideias são hoje, ou odiadas por quem lhes experimentou os resultados, ou residuais, vivendo em banho-maria no seio de pouco representativas franjas da opinião pública.  
Em Portugal, o problema é que tais ideias atingem quase vinte por cento do eleitorado, sem contar com os resquícios delas que ainda fazem mossa no PS, nem com o generalizado acriticismo de quem diz - ainda timidamente! - representar a direita, a democracia liberal, o capitalismo, o liberalismo económico e social, o conservadorismo, como se não fosse o poder libertador destas ideias, na ausência do qual jamais houve Liberdade, o factor número um do sucesso, hoje em risco, da Europa.
O nosso atraso, para além de económico e social é, por isso, um atraso de mentalidades, o atraso de um povo que, bem lá no fundo, ainda se não libertou da cartilha que lhe venderam à pressa depois do 25 de Abril. Ao confundir Democracia com socialismo, liberdade com socialismo, progresso com socialismo, república com socialismo, ao vender a peregrina e estúpida ideia que a liberdade é de esquerda só porque quem no-la tirou foi um desvio autoritário da direita, acabámos por ficar, em termos culturais, como que amarrados aos preconceitos que nos vêm arruinando, e cada vez mais depressa.
 
*
 
Quando, em São Tomé e Príncipe, o socialismo totalitário cedeu terreno a alguns sinais de democracia, o grande educador das televisões portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa foi, a convite do governo local, encarregado de elaborar uma nova constituição para o país. Sem a mais leve sombra de conhecimento da realidade africana em geral e da santomense em particular, o distinto académico impingiu às pobres gentes um regime semi-presidencialista, cujos ominosos resultados estão à vista de todos. Nos países africanos, o culto idiossincrático do “mais velho” imporia um regime presidencial, o único que teria hipótese de ser pacificamente aceite pela generalidade dos cidadãos.
Na Europa Ocidental passa-se exactamente o contrário. O avanço da cidadania implicou que, à excepção de Portugal e da França, todos os regimes sejam parlamentares.
E é em Portugal que Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado, é certo, por uma plêiade de pensadores que já não sabem o que hão de pensar ou de propor, vem defender, agora, a presidencialização do regime!
Ou seja, em vez se entender que Portugal é, de facto, um país europeu, procura-se empurrá-lo, de jure, para uma africanização pelo menos idiota. A obra desta gente está, desgraçadamente, a “passar” na opinião pública. Mais de 50% dos portugueses, segundo uma sondagem publicada, acham que o presidente da república devia ter mais poderes.
Mais um sinal do endémico atraso da nossa sociedade, para o qual se não vê saída.
 
E daí? Se calhar os defensores do presidencialismo têm razão: Seremos, mesmo, um país europeu? Ou ficávamos melhor em África, desde que o Marcelo não fosse lá vender constituições?
 
7.3.10
 
António Borges de Carvalho

CONTAS DE SOMIR

 

Não há quem não fique de boca aberta quando lê nos jornais que a greve da função pública teve, ou 80% de adesão (dizem a dona Avoila, o Picanço e o Carvalho da Silva), ou 13% (dizem os rapazes do governo).
Toda a gente sabe, é clássico, foi sempre assim, que as avoilas exageram sempre para um lado e os rapazes para o outro.
Mas convenhamos que até na aldrabice pode haver alguma moralidade. Se uns dissessem 50 e outros 30, enfim, era aceitável. Mas sendo o gap entre 80 e 13, a única conclusão que se pode tirar é que são todos um cambada de desavergonhados aldrabões .
O que, para o IRRITADO não é novidade nenhuma.
 
7.3.10  
 
António Borges de Carvalho

DESPESISMO E SERVIÇO PÚBLICO

 

A distinta Câmara de Lisboa propõe a abertura de 1631 lugares de quadro, a somar aos 10.000 já existentes, ou seja, acrescentar 15 milhões de euros à despesa.
Eu sei que muitos desses lugares virão a ser ocupados por gente que anda por lá a recibos verdes. Não sei é se é a melhor medida nos tempos que correm. E tenho a certeza que já por lá anda muita gente a mais. E muita gente que não faz nenhum. E, a este respeito, o melhor é não dizer mais…
 
Diz o douto vereador do CDS António Carlos Monteiro que o Costa “está manietado pela burocracia”. A ser verdade, devia ser posta de pernas para o ar. Se o Costa vai lá meter mais 1631 bocas é porque não está, nem muito nem pouco, manietado pela burocracia. Pelo contrário, terá feito um pacto com ela. O que, a avaliar pelo funcionamento dos serviços, está a dar um resultadão.
 
7.3.10
 
António Borges de Carvalho

TRANSGÉNICOS

 

Desde a mais remota antiguidade que o homem manipula os demais seres vivos. Uma verdade para além de qualquer controvérsia. Quando a espécie deu os formidáveis saltos da errância para a sedentarização (a agricultura) e da caça para a pecuária, fê-lo aprendendo a alterar o código genético de plantas e animais através de cruzamentos, enxertias, inseminações, mudanças de habitat, intensificação de culturas, estabulização, domesticação, etc.
Nada ou quase nada daquilo de que hoje nos alimentamos nos foi dado pela Natureza. Entre milhões de falhanços e de sucessos, o homem aprendeu a aproveitar em seu favor, enriquecendo-o, o que a Natureza lhe oferecia.
O processo foi progredindo até que, nos nossos dias, a investigação científica e os avanços tecnológicos permitiram sofisticar as formas de intervenção humana e obter, a custos mais reduzidos e em quantidades muito maiores, uma série, em expansão, de produtos naturais de que necessita.
Como há milhares de anos, as manipulações genéticas nem sempre têm sucesso e não são isentas de tropeços. Não é o que se passa com tudo o que é humano? É isto desculpa para travar a caminhada? Parece que não.
 
Nalguns teatros naturais, como é o evidente caso dos EUA, as modificações genéticas são o “prato do dia”: multiplicação da produção de bens alimentares em condições económicas vantajosas e sem perigos para a saúde. Aos poucos, com todas as cautelas, após aturadas experimentações, uma série de produtos chegam à boca dos consumidores em progressiva variedade e em melhores condições.
No entanto, este processo, ou este progresso, são mal aceites entre nós. A cegueira científica e a demagogia política que dominam as sociedades europeias têm levado a que os benefícios da ciência sejam recusados, empolados que são os seus riscos e negadas as suas vantagens.
Os europeus deixaram-se instrumentalizar por teóricos de pacotilha, demagogos profissionais, políticos medrosos e mestres de arruaça, e vêm resistindo aos benefícios que a ciência lhes proporciona em favor de interesses instalados, de agricultores mais preocupados com subsídios que com a produção ou o abastecimento dos mercados, num caldo venenoso de ódios, ignorância e politiquice.
A Comissão Europeia, timidamente, acaba de autorizar o cultivo de uma espécie de batata geneticamente modificada e destinada ao fabrico pasta de papel e de rações para animais. Ao mesmo tempo, renovou a licença relativa a uma variedade de milho e emitiu outras para mais três variedades do mesmo cereal.
Doze anos depois da primeira licença, ora renovada, a Europa dá um pequeníssimo passo em frente. E já, um pouco por toda a parte, se levantam as indignadas vozes dos indignados do costume e até de governos tidos por responsáveis.
 
Não há registo, nem de desastres naturais provocados pelos transgénicos, nem de problemas de saúde pública com a mesma origem, nem da emergência de questões agronómicas sem solução.
Mas a vulgata da “luta contra as multinacionais”, façam elas o que fizerem, da defesa da “agricultura tradicional”, como se tal coisa ainda existisse, da “defesa da Natureza”, como se a Natureza fosse um bem estático, faz o seu caminho, conseguindo atrasar os avanços possíveis e impedir os povos de resolver os seus problemas.
Nisto como em muitas outras matérias, a Europa é vítima de si própria e não dá porque, se a predominância da sua civilização está a fenecer irremediavelmente, isso se deve à sua continuada cedência a exigências demagógicas e infundadas como as que aos transgénicos se referem.            
 
5.3.10
 
António Borges de Carvalho

OITO NOTÍCIAS FRESCAS

 

I
A Câmara socialista de Lisboa, depois de ter dado um palacete, devidamente restaurado para o efeito, aos meninos ladinos da “comunidade homossexual”, acaba de ceder espaço publicitário de monta para a promoção das mães lésbicas. “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?”, diz a mastrafona do cartaz, com um bébézinho ao colo.
Como a criancinha não pode responder que lhe falta o pai, que tem nojo da mãe, que tem vergonha se ser filha de uma fufa… eis a verdadeira ausência de contraditório.
À nossa custa, como é evidente.
 
 
 
II
Entre 2000 e 2008 emigraram, só para a Suiça, 50.000 portugueses.
Entre 2005 e 2009 emigraram para Espanha uns 130.000 portugueses.
Não sei quantos foram para o Reino Unido, para França, para a Alemanha, para Angola…
E eu que julgava que isso de tudo se pôr a mexer era coisa do tempo da ditadura, anos 50/70, coisa que não viria a repetir-se. Afinal, como o IRRITADO tem dito, pelo menos neste aspecto os resultados do socialismo de esquerda são iguais aos do socialismo de direita.  
 
III
Hoje, os portugueses divorciam-se dezassete vezes mais que em 1975 e casam-se duas vezes e meia menos. Nota-se os resultados das políticas de “protecção da família”.
Neste aspecto, há que salientar que se mede já pelas muitas centenas o número de meninas que vão buscar 600 euros por ano ao erário público, mediante a realização de 3 abortos com direito a “subsídio de maternidade”. Nada melhor como política de reprodução da espécie. Não se sabe quanto, para além dos 200 euros, custa cada aborto, mas é provável que contribua generosamente para o défice da saúde pública…
 
IV
Em Janeiro, o défice do subsector Estado aumentou para o dobro, em relação ao de 2009, cifrando-se na módica quantia de 1.162 milhões de euros. As despesas correntes aumentaram só 14% e a receita baixou só 4,4% apesar de o IVA ter crescido uns brutais 3,6%. O SNS acabou 2009 com um défice de 217 milhões, o que representa um agravamento de 61% e, relação ao ano anterior. Dados da Direcção Geral do Orçamento.
Perante esta brilhantíssima performance, o governo declarou oficialmente que “a recuperação da economia está em curso”. Como se houvesse recuperação da economia que chegasse para alimentar a destrambelhada “gestão” orçamental desta gente.
 
V
Um insigne gestor da coisa pública - um tal Serra - que se ocupa de presidir à “Águas de Portugal”, veio declarar, em clara demonstração de alta competência profissional, que “temos a água muito barata”. Só se for ele, lá em casa, que a tenha de borla, como é hábito nas empresas públicas.
Faz lembrar o grande socialista Nabo que, quando era gestor da PT, aumentou brutalmente os preços dos telefonemas, antes que viessem os privados, como vieram, atirar com tais preços pela escada abaixo. Era, aliás, o que já sucedia por todo o mundo civilizado. Menos por cá.
E ainda há quem fique com a alma toda encaracolada quando se fala em privatizar a água!
 
VI
O Dr. Gonçalo Amaral, depois de ter visto, judicialmente, censurado um livro em que dava a sua opinião sobre o desaparecimento da inglesinha, foi agora judicialmente impedido de divulgar a sua tese (a da morte da menina) "em comentário, opinião ou entrevista”. Assim vai a “liberdade de opinião” em Portugal.
Entretanto, os ultra-antipáticos papás da menina, feitos milionários à custa do seu desaparecimento, continuam por aí tão em grande que até contrataram uma agência da comunicação para dar cabo da vida ao Dr. Amaral. Uns verdadeiros profissionais, com adjuntos, porta-vozes, secretários, etc., tudo o que é necessário para manter a novela (e os fundos) a correr a bom ritmo.
 
VII
O inigualável Almeida Santos veio esclarecer o povo sobre o futuro da comissão parlamentar que vai investigar as manigâncias do governo no caso TVI/PT/Moura Guedes. Diz o ilustre cidadão que a comissão “não vai dar nada”, como tudo o que se tem dito do primeiro-ministro nunca deu nada.
Lapidar! Concordo a cem por cento. Vai ser pura perda de tempo. O que é necessário para que o Parlamento (PS incluído) considere o senhor Pinto de Sousa indigno do lugar para que foi eleito está provado e tornado a provar: está provada a licenciatura à la manière, ao Domingo, etc.; está provada a manipulação de documentos; está provada a construção do Freeport numa reserva natural; está provado que o senhor Pinto de Sousa mentiu ao Parlamento com quantos dentes tem na boca; está provado que nunca adiantou nada de substancial sobre as acusações de que é alvo…
O que mais interessa ao primeiro-ministro é que haja processos judiciais, inquéritos parlamentares, audições, etc., que, como diz, felicíssimo, o inigualável Almeida Santos, é evidente que não vão dar nada. A “defesa” do senhor Pinto de Sousa e seus amigalhaços tem sido sempre a do que é formal, na medida em que pode prejudicar o substancial. Tem sido a exigência da judicialização de tudo e mais alguma coisa, como se a política tivesse alguma coisa a ver com isso. O senhor Nixon, lembram-se?, foi pentear macacos sem jamais ter sido julgado. Mas a América é outra coisa, que não a terra do inigualável Almeida Santos…
 
VIII
O inimigo figadal do PSD que dá pelo nome de Rebelo de Sousa está, coitado, num dilema. Voltar a mandar bocas na TVI uma vez acabado o contrato com a RTP, ou reservar-se para poder vir a chefiar… o PSD!
Como há ainda, no PSD, gente responsável capaz de acreditar neste académico fala-barato, capaz de todas as traições e  de todas as intrigas, é coisa que ultrapassa a capacidade de entendimento de qualquer cidadão minimamente lúcido.
 
2.3.10
 
António Borges de Carvalho

IMPORTANTE REUNIÃO

 

Dizem as mais viperinas das línguas que terá havido uma reunião da qual saiu o seguinte
 
COMUNICADO
 
Considerando os acontecimentos dramáticos recentemente ocorridos, a saber:
 
- Enxurradas da Madeira, com mais de 40 mortos;
- Terramoto no Haiti, com dezenas de milhar de mortos;
- Terramoto no Chile, com mais de 700 mortos;
- Tsunami no pacífico, com efeitos dramáticos em 32 países:
- Tempestades em França, com 45
   mortos e;
   - Ventos a 150 Km à hora, pelo
     menos;
   - 1.000.000 de casas sem
     electricidade;
   - 25.000 chamadas de socorro;
- 1 criança morta por uma árvore
   na Alemanha;
- 30 estradas cortadas em Portugal
  por causa das chuvas;
- Altos prejuízos nos Açores,
  também devidos à chuva;
- Milhares de voos cancelados por
  todo o mundo;
- Ligações fluviais suspensas;
- Etc. etc.:
 
Os abaixo assinados, reunidos na Torre 4, vigésimo segundo piso, nº 4, do empreendimento Amoreiras, em Lisboa, com base em conhecimentos que são consensuais no seio da comunidade científica internacional e em estudos de ordenamento do território globalmente aceites, para além das observações altamente competentes feitas pelos subscritores e da consulta das mais credíveis fontes, designadamente o IPCC e o Bloco de Esquerda, declaram que:
 
a)    a causa dos dramáticos acontecimentos é, acima de qualquer duvida, o aquecimento global, como provam os calores brutais que se têm verificado, designadamente no continente e nas regiões autónomas;
b)    a causa de tal causa é, sem qualquer dúvida, obra humana, como se torna evidente se observarmos, por exemplo, os batuques de vudu que, no Haiti, fazem tremer a terra, ou o CO2 produzido pelos 5 milhões de automóveis existentes na ilha do Pico, ou ainda a indústria pesada que ocupa selvaticamente o concelho de Câmara de Lobos;
c)    Para além do aquecimento global, dos batuques do Haiti e dos demais malefícios em que a espécie humana é pródiga, avulta, sem margem para controvérsia, a indesmentível culpa que não pode deixar de ser atribuída à mera existência do Dr. Alberto João Jardim.
 
Feito e assinado em Lisboa, aos 1 de Março de 2010
 
Joana Amarela Meses
Josué Pinheiro Manso (em representação da Quecus)
Ruca Tavares (em representação do BE/PE)
Gonçalo Riacho Peles
Patanisco Loiça
Helena Palmeta
Só Ferdinandes
Fernão Personi
Jeremiah Smete ( em representação do núcleo de ordenamento do território do Freeport)
 
seguem mais oito assinaturas, todas ilegíveis.
 
*
Apostilha: não, ao contrário do que poderão estar a pensar, não é o IRRITADO quem goza com a desgraça dos outros.
 
1.3.10
 
António Borges de Carvalho

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