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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DAS MONTANHAS AO CHÃO

Há dias em doce vilegiatura nas frias montanhas da Escócia, o IRRITADO tem descurado a sua obrigação de se irritar com o que se passa na Pátria amada.

Qual highlander de trazer por casa, decidiu libertar-se das irritantes pressões que o afligem, olhar o verde imponente das encostas, a severidade dos rochedos, a força das torrentes, a lonjura azul/verde dos lagos, e espraiar o seu merecido descanso pelas acidentadas veredas destas terras perdidas, selvagens e felizes. Isto sem descurar – it goes without saying - as delícias dos puros maltes, os sucos dos lavagantes, as tenras carnes das vieiras e dos lagostins ou o estalar das frescas saladas destes confins das terras de Sua Majestade Britânica. Tudo inebriantes e raros prazeres. Aqui não há lugar para irritações.

 

Dias passados nesta doce pasmaceira, eis que o IRRITADO cai na asneira de ligar o laptop.

De onde a terra acaba e o mar começa - bela inverdade do Poeta - chegam tantas irritações que é difícil escolher qual delas merece ser colocada pelo IRRITADO no ciber espaço.

Ele é Castela a esmagar o Paraguai de forma injusta e sarrafeira, ele é o Vara, coitadinho, que se foi do BCP – parece que só levou mais uns trezentos mil para casa – ele é a PT a proteger-se com os restos fumegantes do PREC em vez de fazer face à situação, ele é isto e aquilo, um nunca acabar de irritações.

 

Escolhi uma.

 

O PGR, com carradas de razão, arquivou a queixa da dona Manuela Moniz (née Moura Guedes) contra o senhor Pinto de Sousa.

É evidente que as alarves declarações do homem sobre a senhora e o seu trabalho não constituem ofensa de maior ao bom nome da dita. Pelo contrário, para a maioria das pessoas, tais alarvidades são prova da ausência de qualidade política de quem as inventou, muito mais do que coisa que bula com a boa ou a má fama do seu alvo.

 

O PGR fez o que tinha a fazer. Não deixam os portugueses de pensar que o faria de qualquer maneira, dada a sanha que, ao longo de anos, vem demonstrando na acrisolada defesa dos interesses de Sua Excelência. Desta vez, foi fácil.

O senhor Pinto de Sousa virá, se é que ainda não veio, gabar-se como um tonto. Acompanhado pela fanfarra idiota dos vitalinos e dos pereiras, vai informar a Nação: como sempre, ele é quem tem razão. Os áulicos, os protegidos, os boys, a coorte dos que não pensam, dos que não são sérios, não tem vergonha, não se sentem ofendidos por ter um primeiro-ministro do seu calibre, numa palavra, os portugueses que o senhor Pinto de Sousa “criou” e o seu PS reproduziu, aplaudirão mais esta retumbante vitória.

 

É este um dos dramas da Nação. O PS “judicializou” as trafulhices do chefe. Como de nada é acusado pela Justiça, de nada é culpado.

A política, por seu lado, deixou de existir. A exigência de dignidade, de postura cívica e de credibilidade pessoal, acabou.

Ao ponto de os senhores deputados votarem um texto onde se diz, preto no branco, que o primeiro-ministro faltou consciente e propositadamente à verdade mas… não mentiu!!! Nada melhor para provar a acefalia da classe dirigente.

O PS pisa elementaríssimas normas de conduta. Os demais ajudam.

 

Chegámos à mais inacreditável situação: a de ter um primeiro-ministro a quem tudo é dado

fazer, na certeza que nada lhe acontece.

Quanto mais aldrabices disser mais lhe é dado dizer.

Quanto mais trapalhadas inventar, mais lhe serão permitidas.

Quanto mais nos envergonhar pelo mundo fora, mais vergonhas nos fará passar.

De tudo se saindo com ar de triunfo.

 

Não é difícil imaginar as repercussões morais que a simples existência deste homem no lugar que ocupa tem nas desprevenidas, ou não tanto, cabeças dos portugueses.

O Estado, do Presidente da República aos parlamentares, dos ministros ao mais obscuro dos políticos ou dos funcionários, o Estado no seu todo, ao mesmo tempo que diz querer combater a corrupção, a fuga ao fisco e outras práticas que classifica de imorais e criminosas, dá, através da forma como actua em relação ao primeiro-ministro e à sua trupe, monumentais exemplos da mais impune imoralidade que imaginar se possa.

Isto passa, queira-se ou não, para a consciência de cada um.

 

O senhor Pinto de Sousa, para além dos erros políticos, às centenas, que cometeu, é culpado de algo muito mais grave: a destruição, a redução ao ridículo, de valores essenciais da cidadania.

 

4.7.10

 

António Borges de Carvalho

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