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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A CAMINHO DO SOCIALISMO

 

Em várias escolas secundárias do país, a progressiva e inteligente juventude do PC – JCP – tem-se entretido a protestar contra as chamadas provas nacionais.

Dizem os rapazes e as meninas que isso de exames, provas, avaliações, ou o que lhes queiram chamar, não passam de “um muro que limita a progressão”.

A coisa é velha. Os exames são uma coisa suspeita, com laivos de fascismo, mera manobra do capital monopolista para prejudicar a virtuosa geração dos filhos de Lenine.

 

A JCP tem toda a razão. Os exames limitam a progressão, sobretudo quando dão em chumbo. Claro como a água.

Além disso, dizem eles, “degradam a avaliação contínua”. Imagine-se! Provas julgadas por gente que nunca viu os alunos só podem dar em chumbo!

O que interessa à malta é o conhecimento “humano” entre professor e aluno e a empatia entre ambos, sobretudo se os alunos forem do PC e, já agora, os professores também.

Os exames provocam “nervosismo” e revelam “questões económicas”, isto é, os que têm menos dinheiro lá em casa, sobretudo se forem maus alunos, têm mais “nervosismo” que os filhos da negregada burguesia.

Os geniais jovens, quiçá por ordem do Jerónimo, ou do Louça, reclamam “o acesso universal a um ensino de superior qualidade”. Não acrescentam, mas supõe-se, que um ensino de “superior qualidade” seja aquele em que não haja exames de espécie nenhuma, a fim de evitar o “nervosismo”, o que muito deve contribuir para a sociedade sem classes e para o caminho constitucional para o socialismo, além de outras maravilhas da cartilha.

Aplicada a receita da JCP, os amanhãs que cantam serão atingidos por uma geração de ignorante totais, de básicos e de analfabetos, razão pela qual se sentirão muito felizes com os amanhãs que cantam.

 

Tudo lógico, tudo límpido, tudo transparente. Tudo “com paredes de vidro”, como papagueava o defunto camarada Cunhal.   

 

10.7.11

 

António Borges de Carvalho

AGÊNCIAS

 

Hoje, sábado, o IRRITADO passou os olhos por uns três ou quatro jornais.

O tema do dia, como não podia deixar de ser, é a Moody’s.

Já está tudo dito, ou quase. Do Presidente da República ao storyteller Tavares e ao seu primo ex-BE, não houve bicho careta que ficasse fora da polémica.

Todas as críticas estão certas, desde os que acham a Moody’s (e as outras) uma espécie de demónio em figura de empresa, aos que acham que a coisa não anda fora da razão, todos concordam, por uma razão ou outra com o “murro no estômago”. Tudo minha gente tem razão.

Que fazer?, como diria Lenine confrontado com as hesitações da grande revolução.

 

Para já, o murro no estômago provocou algumas coisas boas: o senhor Trichet deu sinais de ter saído da sua habitual letargia; o senhor Barroso, célebre por não fazer nada que se veja, largou umas indignadas bocas; o senhor não sei quantos, em representação da dona Ângela, mostrou as garras às agências em vez de, como é costume, as mostrar aos infelizes que estão tesos.

Em suma, parece que alguma coisa mexe. Já não é sem tempo.

 

Qual a solução? Fala-se para aí em fundar uma agência europeia, como se tal coisa não existisse já. Existe, mas não tem clientes. Além disso, uma agência é uma coisa privada, dificilmente podendo surgir no seio dos Estados, da Comissão, do Conselho ou do PE.

O resultado da iniciativa, fatal, seria o de, ou ninguém ligar bóia à nova agência, ou a agência agir como as outras para não se queimar junto de certos clientes.

Dever-se-ia começar por perguntar de que vivem as agências. Porque avaliam elas os Estados? Porque os Estados lhes pagam, e não pouco, para ser avaliados. Porque avaliam os bancos? Porque os bancos lhes pagam, e não pouco, para ser avaliados.

Então, a solução torna-se evidente: é a da “greve” dos clientes. Se os clientes mandarem as agências às urtigas, onde vão parar as agências? À lona, meus senhores.

Dir-se-á que quem investe precisa de pareceres técnicos independentes para informar as suas decisões. As agências? Com certeza que não. Não se pode confiar em gente que dava altas classificações à Enron, ao Lehman Brothers, ao Madoff e a outros seriíssimos cavalheiros. Valiam tanto tais avaliações como valem as actuais: nada.

Por tudo isto, o que há a fazer é criar um movimento, ao nível da Comissão, do Conselho, do Parlamento Europeu, dos governos nacionais, dos bancos, etc., para tirar o tapete de debaixo dos pés das agências. Simultaneamente, as avaliações seriam entregues a uma entidade independente, que não pode deixar de ser o Banco Central Europeu, a fim de dar alguma credibilidade às informações.    

Os bancos, e outros, se quisessem, faziam mais profundamente as suas análises. Que diabo, não têm lá profissionais para isso?

 

O que é simples, é sabido, é muitas vezes o mais difícil de fazer. Mas vale a pena tentar.

A tal agência europeia, estilo panaceia salvadora para entreter o pagode, é que não!

 

9.7.11

 

António Borges de Carvalho

AO CERTO, QUANTOS MILHÕES?

 

O grande socialista que dá pelo nome de Arons de Carvalho, com a clara intenção de condenar Passos Coelho e o seu propósito de privatizar a RTP, publicou um artigo em que nos dá conta do privilégio que temos, em relação a outros, de pagar, por mês e per capita, a pequeníssima quantia de 2,3 euros para sustentar os “custos operacionais” da organização.

Uma ninharia. Só que, havendo 10.500.000 habitantes, multiplicados estes por 12 meses e por 2,3 euros, encontramos tal ninharia na sua brilhantíssima e verdadeira expressão; 289.800.000 – duzentos e oitenta e nove milhões e oitocentos mil euros.

Bonito, não é?

O ilustre camarada não diz quais são os outros custos – financeiros, etc. – nem quanto nos custa o dinheirinho que o Estado vai buscar ao estrangeiro para as “indemnizações compensatórias”, os aumentos de capital, as urgências de tesouraria, etc..

Parece evidente que, se o camarada Arons tirasse do que anuncia consequências práticas, seria o primeiro a gritar: salvem-nos dessa coisa a que chamam RTP, rifem-na, acabem com ela, dêem-na a quem a quiser!

Mas o senhor Arons, os seus camaradas, mais os comunistas, mais, coisa estranha, o Dr. Portas(Paulo), tiram conclusões ou ideológicas ou complexadas: o Estado que, idealmente, devia ter tudo, ou quase tudo, ou dominar tudo, não deve, não pode, desfazer-se desta tenebrosa fábrica de custos e de dívidas que se chama RTP.

 

É por ideologias e por complexos deste tipo que Portugal está onde está, isto é, acrescenta ao que lhe chega de fora os penduricalhos socialistas que o garrotam há décadas e há décadas o desviam de qualquer caminho minimamente viável.

 

9.7.11

 

António Borges de Carvalho

O SEGURO SEGURA-SE

 

O camarada Seguro, a quem ainda ninguém ouviu uma única ideia, boa ou má, trata de se remeter a tábuas, isto é, de se refugiar nas secretarias do partido, nada o levando a confrontar o camarada Assis à vista do povo. O povo não é de confiança. Os burocratas e os apratchiks é que são bons!

 

Razão tem o camarada Assis, cheio de ideias e de propostas, boas ou más. Quer ser ouvido e visto pelos seus eleitores e não só. Tem toda a razão. Se o saco balofo, vazio e melífluo que é o seu adversário se aguentar escondidinho, o pessoal terá muito maior dificuldade em perceber que se trata de um saco balofo, vazio e melífluo.

 

Atenção! O IRRITADO não está a tomar partido! São os dois maus porque o PS é mau. O PS é mau porque é socialista e porque não é capaz de fazer a sua desratização, perdão, a sua des-socratização.

Que venha um qualquer. Só que um parece ser mais imobilista e mais cobarde que o outro.   

 

9.7.11

 

António Borges de Carvalho

DESPEDIMENTO COLECTIVO

 

O camarada Louça, acossado pelas “bases”, pôs no olho da rua uns vinte funcionários.

Por ter levado uma tunda nas eleições, o camarada Louça viu-se privado de 68.000 euros por mês do Estado, e de mais 5.000 de contribuições dos deputados que foram à vida. Ainda assim, fica com outro tanto.

Vai daí, faz o que condena a toda a gente: a primeira atitude é a de pôr o pessoal na rua!

Ele, coitadinho, acha que as empresas, as multinacionais, as pequenas, as médias, as grandes, as assim assim, o Estado, as autarquias, etc., não passam de agentes do capitalismo imperialista nacional e internacional. Por isso, quando têm dificuldades começam por se “vingar” nos trabalhadores.

O camarada Louça* faz o mesmo! Das duas, uma: ou se converteu ao capitalismo selvagem, o que não será provável, ou a coerência é uma batata.

É certo que se tratava de trabalhadores com contrato a prazo, ou com recibo verde, ou com qualquer artimanha político-patronal. Ao contrário do que diz a propaganda da organização, a “precariedade”, tratando-se de um partido comunista, é um direito dos patrões, não um infelicidade dos trabalhadores.

 

9.7.11

 

António Borges de Carvalho

 

*O camarada Louça anunciou ao povo que, acabada esta legislatura, não voltará ao Parlamento. Ou se trata de uma declaração tipo Alberto João (que anda sempre a dizer que vai embora mas não vai), o que é o mais provável, ou o Parlamento ficará livre do Louça, o que muito contribuirá para a qualidade das instituições.

NOBRE TRAPALHICE

 

Pousada que está a espuma do assunto, talvez não seja inútil “apreciar” o caso do ex-deputado Nobre.

 

Por oportunismo ou visão política, Passos Coelho convidou-o a entrar, na mais destacada posição, nas listas do PSD. Uma demonstração de abertura à sociedade civil, um sinal a todos o que se, não reconhecendo nos limites dos partidos políticos, não querem, por isso, deixar de actuar na esfera da política. Assim, Passos Coelho foi buscar um homem que, com merecimento, tinha demonstrado, ao longo da vida, activa preocupação com os seus concidadãos e com a humanidade em geral.

É facto que Nobre, preocupado em mostrar-se “independente”, dera muitos sinais de indigência ideológica, isto é, pusera certas questões pontuais acima da sua auto-definição como ser pensante. Fora, por exemplo, adepto do Bloco de Esquerda, já não sei porquê. Declarara-se monárquico, coisa estranha para quem queria ser Presidente da República. Foi candidato ao cargo

sem explicar porquê, a não ser pela ânsia de cavalgar a onda anti-partidos que estava no auge. Fez não sei quantas mais demonstrações de um “primado das causas” que, visto de outra maneira, quer dizer ausência de espinha, inconsistência intelectual ou até oportunismo.

Pois bem, o erro de Passos Coelho foi, mais do que convidá-lo, ter feito dele o seu candidato à presidência do parlamento. Antes de tempo, não na altura própria. E tê-lo deixado desbocar-se em declarações insensatas ao “Expresso”, declarações glosadas e gozadas por todos os media.

Depois… depois não havia nada a fazer que não fosse “aguentar”. Correr com ele seria ridículo e insensato. Segurá-lo era arriscado, mas tinha a vantagem de mostrar fidelidade à palavra dada.

O homem foi corrido pelos seus pares, designadamente por muitos do próprio PSD que não seguiram as ordens do GOL, ao contrário de muitos do PS. Dir-se-á que esta é uma das habituais teorias conspiratórias do IRRITADO, mas é garantido que, não podendo ser provada, também será difícil não lhe dar algum crédito. Ninguém duvida que Nobre recorreu aos seus “irmãos” da Maçonaria para angariar votos, e que há mais maçons no PS que no PSD.

Depois, como tinha “prometido”, o homem deu à sola. Para ele, pelos vistos, ou tudo ou nada.

Os outsiders  do sistema, se querem entrar nele têm que fazer cedências. Se não estão para isso, deixem-se ficar de fora, ou deixem de o condenar.

Como em tudo na vida não se pode fazer omeletas e ficar com os ovos.

 

Pelo que fez e, sobretudo pela forma que se saiu do imbróglio, Passos Coelho acabou por marcar pontos. À excepção dos partidos comunistas que, quase sem reticências, tinham de Nobre a ideia de um eventual compagnon de route, toda a gente assim o entendeu.

 

Há males que vêm por bem.

 

7.6.11

 

António Borges de Carvalho

DUAS INJUSTIÇAS

 

Vivemos num mundo de injustiça.

Senão, vejam:

 

Primeira injustiça:

 

O inenarrável ministro Pereira esqueceu-se, imagine-se, de renovar os contratos da GNR com as empresas de limpeza que mantinham bem cheirosos os quartéis.

Em resultado de tal esquecimento, os briosos militares vêem-se na contingência de ser eles próprios a limpar as instalações! “Serviços mínimos”, é evidente. Nada de esfregar escadas ou de limpar sanitas!

Segundo a organização sindical dos guardas, trata-se de uma “afronta à dignidade dos militares”!

Não sei se os soldados da GNR são licenciados, como acontece à esmagadora maioria dos portugueses, estando consequentemente acima de limpezas. Sei que, em recuados tempos, quem sabe se por causa do fascismo, os soldados limpavam as botas, as latrinas, o chão, varriam a parada, engomavam as calças, pregavam botões, etc., etc., e ainda tinham tempo para serviços de faxina e para prestar os concomitantes serviços aos senhores oficiais.

Coisas consideradas dignas noutros tempos, por ventura ominosos.

Hoje é diferente. A dignidade é outra coisa. Tais tarefas são reservadas a africanos, brasileiros, romenos, moldavos e companhia, todos civis.

Na sábia opinião do ilustre “representante” da soldadesca, senhor Alho, deve tratar-se de gente “sem dignidade”, legitimamente sujeita a “afrontas”, a fim de salvaguardar a alta posição sócio-profissional do pessoal de serviço.     

 

Segunda injustiça

 

A giríssima senhora dona Cristina Lagarde vai ganhar uns miseráveis 32.000 euros por mês como comandante geral do FMI.

O pintodesousista Fábio Coentrão vai ganhar 200.000 euros por mês no Real Madrid.

Ela, coitadinha, vai tratar de safar, com milhões de milhões, uma data de pedintes. Só em Portugal, na Grécia e na Irlanda, são umas dezenas de milhões deles.

Ele, sortudo, vai, espera-se, consolar uns milhares de adeptos da bola, ainda por cima castelhanos.

 

Veja bem os critérios da modernidade.

O IRRITADO propõe que os guardas republicanos passem a ganhar pelo menos tanto como a dona Cristina e que nunca mais sejam coagidos a desempenhar tarefas “indignas”.

Outrossim opina que o Coentrão passe a cortar a relva do estádio e a distribuir o ordenadinho pelos necessitados, como é solidário apanágio dos socialistas.

 

Assim se faria justiça, não acham?

 

6.7.11

 

António Borges de Carvalho

RTP

 

O IRRITADO não percebe patavina de altas finanças nem de negócios propriamente ditos, isto é, dos que metem dinheiro a sério, coisa tão rara em Portugal desde os tempos do PREC, tempos em que, por gloriosa intervenção sovieto-estúpida, o dinheiro se foi embora para não mais voltar.

 

Por isso que tenha que pedir desculpa aos inúmeros sábios da nossa praça da ousadia de vir pronunciar-se sobre o magno problema da privatização da RTP.

Dizem os entendidos, unanimemente, que “não há espaço”, em Portugal, para três canais de sinal aberto.

Os excelentíssimos Drs. Pinto Balsemão e Pais do Amaral, acompanhados por inúmeras altas personalidades, aplaudem freneticamente esta tão douta opinião dos especialistas.

 

Muito bem. Agora, vejamos.

Se “não há espaço”, por alma de quem é que os excelentíssimos estão tão aflitos com a hipótese de privatização?

Diz o mais simples raciocínio que, se “não há espaço”, não há compradores, porque ninguém quer fazer negócios onde não há espaço para facturar. Portanto, podem os excelentíssimos ficar descansados. Mesmo que o governo tome a sábia decisão de privatizar o canal 1, como não haverá compradores, diz a lógica (deles), não poderá haver privatização. Então porque estão preocupados?

Trata-se de um mistério insolúvel.

 

Outro mistério insolúvel é o que se refere à filosofia dos excelentíssimos: ambos se declaram, e muito bem, ferozes adeptos a “libertação da sociedade civil”. Então, como é possível acharem que a tal sociedade deve pagar, à razão de milhares de milhões por ano, o piscar de olho do senhor Rodrigues dos Santos, só porque eles querem proteger o seu mercado? Ainda por cima contrariando os mais que legítimos interesses da sociedade? Ainda por cima à revelia dos seus “sentimentos” e “convicções” liberais. Ainda por cima à custa das suas “teorias” sobre a sagrada concorrência?

 

Nada disto faz sentido, nada disto revela coerência. Ideias e convicções mandadas às urtigas quando se acha que pode estar em causa o “equilíbrio” do mercado, ou seja, o domínio dele a dividir por dois em vez de três ou mais? Ao mínimo abanão, ou hipótese de abanão, aí está o proteccionismo a ser defendido por quem, da boca para fora, o condena?

 

O IRRITADO tem uma solução que contentaria os excelentíssimos sem prejudicar a malta, ou os apregoados “princípios”, “ideias” e “valores”: acabar com a RTP.

Assim:

Com os subsídios e os impostos que a RTP recebe num ano, punha-se aquela malta toda na rua, a começar, simbolicamente, pelo senhor Rodrigues dos Santos. Nos anos seguintes já não haveria impostos para os do costume nem despesas para o Estado. E os excelentíssimos ficavam com o mercado todo! Querem melhor, hem?

 

Conceda-se que convinha ao país que a RPT Internacional e a RTP África continuassem a existir.

Mas não há já a SIC Internacional e a TVI Internacional?

Nestes canais, podia o Estado podia introduzir os conteúdos “nacionais” que entendesse, contratando tempo de antena com os excelentíssimos por troca das vantagens que terão em ficar sozinhos no mercado. O que quer dizer que, bem negociado, sairia de borla ao Estado e ao contribuinte, sem prejuízo do serviço que se entende por necessário.

 

Será uma solução demasiado simplista?

Não é. É simples, coisa que, desgraçadamente, não está nos nossos hábitos nem sustenta chusmas de funcionários, de conselheiros, de juristas e de outros tipos que têm o vício de se meter em tudo o que cheire a euros. A complicação dá muita massa a ganhar e, por isso, o que é simples não interessa a quem “sabe”.

 

Pode ser que o Dr. Portas (Paulo) leia isto e se deixe de parvoíces.

 

5.6.11

 

António Borges de Carvalho

DEPRESSA E PIANINHO!

 

Se eu fosse ao Passos Coelho, chamava os ministros e dizia-lhes:

 

- Trabalhem, rapazes. Deixem-se de inaugurações, feiras, entrevistas ao “Expresso” e brincadeiras do género.

Não há cá Álvaros nem Assunções. Há senhores Ministros.

Percebem?

Ora vamos lá a arregaçar bem as mangas e nada de espectáculos. Quem não está de acordo, fique desde já a saber que a porta de saída está à disposição.

 

Ou o Passos faz isto depressa ou, não tarda, em vez de governo tem um “plantel” de “celebridades”.

 

4.6.11

 

António Borges de Carvalho

A INDEPENDÊNCIA DA MADEIRA

 

A propósito de “bocas” ministeriais, vêm os media a abarrotar de referências ao crime cometido pelo Ministro Álvaro, há uns anos, quando escreveu que, se os madeirenses querem a independência, se lhes dê a independência.

Na opinião do IRRITADO, não é crime nenhum, nem nada que ponha em causa a “sagrada unidade da Pátria Portuguesa”, coisa que foi chão que deu uvas mas já nem passas dá.

 

A Madeira é um luxo caríssimo e, no que podia render – a zona económica – não vale um caracol. É que, por muito que todos, nesta terra, gritem maravilhas acerca do mar, não há ninguém que saiba o que fazer com ele.

Por isso, se os tipos da Madeira, num referendo, escolherem a independência, de preferência com voto obrigatório, que a escolham, e boa noite ti Pedro.

Pois se ninguém perguntou aos angolanos, santomenses, etc., etc., se queriam ser independentes, já muito será dar aos madeirenses o direito à uma auto-determinação digna de tal nome. Não foi o que fizeram com Timor?

 

Mais. Os independentes são-no por ser pretos. Os da Madeira e dos Açores não o são por ser brancos.

Ora o racismo está fora de moda, não está?  

 

4.7.11

 

António Borges de Carvalho

EXPRESSIVAS ASNEIRAS

 

O Jornal chamado “Expresso” é, como usa alardear, o campeão dos semanários.

É também um dos grandes prosélitos da língua portuguesa. Costuma organizar concursos de promoção da dita, e foi o primeiro a celebrar, adoptando-a, essa coisa estúpida e indigna a que se dá o nome de Acordo Ortográfico.

Paradoxalmente, quem o ler com atenção e pormenor encontra, por edição, dezenas, talvez centenas de pontapés na gramática.

As mais das vezes trata-se de demonstrações de ignorância de comentadores e jornalistas, velhos, como o storyteller Tavares, ou novos, como a chusma de licenciados que deve enxamear a redacção.

Outras vezes, pela forma destacada como aparecem, não podem ter a desculpa de ter escapado a algum revisor, se é que o “Expresso” os tem.

Vem isto a propósito de um artigo que o IRRITADO não leu, sobretudo porque o título de tal o impediu. Uma peça escrita por uma senhora, certamente distinta doutora e especialista em vastas matérias, Cristina Galvão de seu ilustre nome.

Rezam as parangonas do escrito “FAÇAM-SE AS CONTAS”.

Analisemos a frase:

Sujeito: indeterminado, terceira pessoa do singular;

Predicado: façam-se, verbo fazer, transitivo, terceira pessoa do plural do presente do conjuntivo;

Complemento directo: as contas, substantivo feminino, forma plural, precedido do artigo definido correspondente.

E o prémio vai… para o complemento directo, que domina a maravilhosa sintaxe: o verbo, em vez de concordar com o sujeito, concorda com o complemento directo! Tal e qual como os patos bravos que escrevem “vendem-se casas”, como se as casas se vendessem a si próprias. A diferença é que os patos bravos terão desculpa, as doutoras do “Expresso” e os seus revisores, se existem, não têm.

 

O IRRITADO pede desculpa à dona Cristina por ter resolvido atacá-la desta tão soez forma. Sentirá a senhora que o IRRITADO a trata como uma espécie de bode expiatório do mar de asneiras em que o “Expresso” é pródigo. E tem razão.

Mas é o que o “Expresso” merece.

Se não andasse armado em defensor da língua, seja através dos concursos, da monumental parvoíce do acordo ortográfico, ou das suas relações intelectuais com a dona Edite Estrela, ilustre “linguista”, talvez não merecesse tanto.

Quanto mais alto se sobe, ou se quer subir, de mais alto se cai.

 

4.7.11

 

António Borges de Carvalho

EU NÃO DIZIA?

 

Dominique Strauss-Kahn, humilhado, troçado, aniquilado, objecto de universal condenação, foi libertado, devolveram-lhe a massa, saiu em beleza, e só resta arranjar ao sistema judicial uma saída minimamente decente para o mandar para casa em paz e sossego.

 

O mundo do politicamente correcto é um mar de contradições e de estupidez radical.

Ao mesmo tempo que se dá essa maravilhosa coisa da chamada libertação sexual, ao mesmo tempo que as fraquezas de cada um são elevadas à categoria de honrosos feitos, ao mesmo tempo que todas as intimidades são objecto de pública admiração, ao mesmo tempo que tudo é permitido, louvado, propagandeado, basta que uma gaja qualquer se queixe de que foi molestada por um macho demasiado activo para este ser preso e atirado à mais porca das lamas.

A queixosa, dita “vítima” pelos jornais, é apresentada como uma pobre emigrante, viúva, com dois filhinhos, moradora num bairro pobre, trabalhadora incansável na limpeza de um hotel de luxo, uma santa, uma infeliz, que foi, à força, submetida aos desejos impuros de um biltre que, pela sua universal importância, é bem o exemplo dessa maldita raça que se chama homem, ser violento, predador, abusador dos mais fracos, um canalha, um ser repugnante, uma merda.

A “moral” do politicamente correcto assim o determina e impõe. Os critérios do politicamente correcto criaram o anátema de uns e a glorificação de outros pelos mesmos motivos. Há a classe dos inatacáveis (maricas, fufas, “celebridades”, etc.) e a dos suspeitos do costume, sem excepção e à partida uns tipos a demolir.

  

O IRRITADO, como qualquer observador independente, percebeu à partida que a história estava mal contada. Disse porquê. Quando, mais tarde, viu na televisão (fugazmente, como não podia deixar de ser!) a fotografia da pobre e honesta viuvinha que tinha sido atacada pelo dirty old man, perdeu qualquer dúvida sobre a justiça da sua tese.

A coisa metia-se de tal maneira pelos olhos dentro, que só se percebe a reacção dos media por submissão ao politicamente correcto e ao sensacionalismo mais acéfalo, acrítico e, diz o IRRITADO, criminoso.

Agora que o sistema judicial americano, finalmente, parece ter descoberto a verdade, isto é, que a triste viuvinha é uma gaja do pior, com a mesma “inteligência” vão os media explorar a situação, desta vez de pernas para o ar. Embarcam no que estiver “a dar”, verdade ou mentira, justo ou injusto.

 

Nenhum foi capaz de imaginar o “crime” com os dados que estavam à disposição de todos. Andar na onda é mais importante que ter ideias ou sentido crítico.

 

2.7.11

 

António Borges de Carvalho

 

NB. O IRRITADO não conhece o senhor DSK de parte nenhuma, nem, sendo ele socialista, tem qualquer tendência para o defender ou admirar. Negar a evidência é outra coisa.

BASÍLIO, O GALDÉRIO

 

Dizem as crónicas que o debate do programa do governo, ontem, foi cordato, bem-educado e digno. Parece que até a dona Maria do Dafundo, perdão, de Belém, foi muito gentil.

Chegou a haver um sargento do quadro do exército de comentadores de serviço permanente, que disse que o PS está a mudar de tom, e até jurou que estão definitivamente postas de lado as cenas ultramontanas, trauliteiras, ordinárias e aldrabonas em que o senhor Pinto de Sousa era especialista.

 

Como sabe quem vai tendo a paciência de ler este blogue, o IRRITADO não comunga da esperança dos opiniosos comentadores.

Nem de propósito, quando ao fim da tarde abriu a televisão, deu de caras com o camarada Basílio, indefectível socialista- democrata-cristão – diz ele - e amigo do peito do senhor Pinto de Sousa, como toda a gente sabe.

O homem não é de modas. Consegue ser mais papista que o papa com letra pequena, entendido papa como Pinto de Sousa.

Pegou no programa do governo e desatou à pancada ao que lá não estava. Não estava, ficámos a saber, vertida em loas e salamaleques, a maravilhosa obra do camarada Basílio.

O camarada Basílio, como é sabido - se não é ficou a ser - projectou o país para altíssimos voos de investimento estrangeiro, para uma nova dinâmica no comércio externo, para a modernização da economia, saldando-se por milhares de milhões a sua extraordinária obra. E nem uma palavra sobre o assunto no programa de governo! Que topete! Que falta de respeito!

O camarada Basílio sabe tudo, um tudo que não está – ó ignorância! – em tal programa.

O camarada Basílio tem as mais profundas dúvidas sobre a “experiência canadiana” do ministro da economia. E ainda tem mais sobre essa menina inexperiente que é ministra de uma data de coisas e que também teve a lata de não pôr no programa o que o camarada Basílio acha que devia lá estar.

Ele, camarada Basílio, está zangadíssimo porque o governo não tem ministro do trabalho, só do emprego. Carradas de razão!

E muito, muito mais, ao estilo cavernoso e badalão do senhor Pinto de Sousa.

 

O IRRITADO recomenda vivamente ao camarada Basílio que se filie na irmandade das galdérias e que desça o Parque Eduardo VII de bicicleta, todo nu – horribile visu! – a fim de estar sempre, sempre, à tona dos acontecimentos. É que, calcule-se, o programa do governo não diz nada acerca das galdérias, coitadinhas, nem refere a alta necessidade de mostrar o pandeiro ao povo.

 

Resta-nos a esperança de ver a dona Maria da Cruz Quebrada, perdão, de Belém, mandar calar este parvalhão, a fim de evitar mais vómitos ao IRRITADO. Que diabo, o IRRITADO também é gente!

 

1.7.11

 

António Borges de Carvalho

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