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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ESPIÕES E ESPIADOS

 

O IRRITADO pede desculpa por voltar à estúpida história das polícias secretas.

Correm por aí rios de tinta. Só o Expresso – quem havia de ser? – traz três páginas mais meia primeira página. É obra!

 

Aí vai:

1.

Havia um jornalista que espiava os espiões. Os espiões espiaram o jornalista. O jornalista tem o direito de espiar os espiões mas os espiões não têm o direito de espiar os jornalistas.

2.

Há um jornal que entrou da correspondência electrónica privada de um jornalista de outro jornal, que a escarrapachou na primeira página, assim dando um fôlego extra ao partido que protege e o protege para ganhar as eleições. Os espiões não têm o direito de se servir da correspondência (uma factura enviada pelo correio ou pela Net, não exactamente correspondência). O tal jornal tem o direito de espiar, os espiões não.

3.

Há o Expresso, que tem o direito de comprar aos respectivos ladrões e publicar correspondência oficial reservada. Os espiões não têm o direito de aceder às facturas das telecomunicações.

4.

Havia (há?) uns russos que queriam fazer negócios com uma empresa portuguesa. Não se sabe se eram mafiosos ou não, mas pareceria legítimo que os serviços secretos informassem a empresa sobre tais desconhecidos. Não é legítimo. Se as máfias russas cá viessem por via de tal gente, os serviços secretos seriam chamados à pedra por, sabendo, ter ficado calados. Mas não tinham o direito de avisar.

5.

Há o chefe dos espiões, o tal que prestou as informações, que se demite e se passa para a empresa informada. Não tem o direito, nem de dar informações, nem de mudar de emprego, nem de tratar da vidinha.

6.

Há um ilustre capitão de Abril que, sendo chefe da fiscalização dos espiões, declara que as informações dadas à empresa em causa não tinham nada a ver com segredos de Estado nem faziam mal a ninguém… mas não deviam ter sido dadas. Está no seu direito.

7.

Há um emérito professor que, depois de ter tido as mesmas funções do capitão de Abril, foi para o tribunal dizer que não o tinham deixado fiscalizar coisa nenhuma. Manteve-se no lugar até o deixarem e tratou de mandar aos jornais todo o seu judicial palavreado. Com todo o direito.

8.

Há um tipo que mandou investigar o marido da mulher que já não era dele. Nem ele tem o direito de saber seja o que for em tal matéria, muito menos têm os espiões o direito de lhe prestar serviços.

9.

Há um Primeiro-Ministro que, apertado pelas manchetes, decide inquirir. Está no seu direito. Depois, não comunica aos jornalistas os resultados da inquirição, alegando segredo de Estado. Não está no seu direito de negar aos jornalistas seja o que for, muito menos segredos de Estado.

10.

Há um jornal que, andando à rasca com falta de massa, despede pessoal e se mete em alhadas judicias com a empresa a quem o espião-mor “terá dado” informações. Está no seu direito de se servir das suas próprias páginas para destruir inimigo, mesmo que as suas guerras empresariais não interessem a ninguém.

 

Em conclusão:

a)   Vão todos vender chuchas.

b)   Não chateiem mais o pagode com estas trapalhices.

c)   São tão bons os acusadores como os acusados.

 

4.9.11

 

António Borges de Carvalho

DA INTELIGÊNCIA FISCAL

 

O camarada Louça, após inúmeros esforços, encontrou uma alma gémea. Nada menos que o senhor Nicolau Sakozy. Não se cansa, por isso, de o elogiar.

Em tirada demagógica quiçá bem achada, resolveu o Nicolau lançar uma taxa sobre os ricos. O Louça louva, agradece e faz propostas que, seguidas à risca, acabavam com o que resta de dinheiro em Portugal.

O governo, ainda que tremendo de medo – é caso para isso – anda tentado a ir pelo mesmo caminho.

 

O problema é vários problemas.

Antes de mais, importa saber o que são ricos. Segundo o critério das nossas brilhantes taxas de IRS, ricos são os que levam para casa mil e quinhentos euros por mês. Pelo critério dos multimilionários, encontramos meia dúzia, a maior parte dos quais têm o dinheiro metido em empresas, não podendo tirá-lo de lá sem causar muito mais problemas que os que, alegadamente, resolvem.

 

Depois, há a peregrina ideia de taxar o “património”. O senhor Berardo, por exemplo, que tem um património valente em obras de arte, antes que lhe cobrem dois tostões sobre elas passa-as a patacos a um museu ou a um Estado qualquer mais inteligente que o nosso. E vai à sua vida todo contente.

Há património e património. Você, que comprou o andar à custa de muito suor, verá o IMI triplicar, para além de lhe taxarem a terrina Ming que a patroa da sua bisavó, uma condessa do século XIX, lhe deixou.

O IRRITADO exagera, pensarão, talvez com uma ponta de razão.

 

Haveria, por exemplo, que taxar os helicópteros, os aviões, os iates que uns exibicionistas apresentam por aí. Pois. Antes de mais, se forem ver quem são os proprietários de tais brinquedos, aposto que encontrarão firmas sediadas nas Bahamas, ou no Reino de Vanuatu. Como não podem ser taxados, há que ir ao património dos outros, os tais ricaços que levam mil e quinhentos euros para casa ao fim do mês.

Prepara-te, mexilhão. Se não queres que te vão ao bolso, deixa-te de invejas!

 

Seriamente falando, há coisas que talvez se possam taxar sem problemas de maior. Certas mais-valias, por exemplo. A não ser em coisas deste género, a coisa resolve-se mais pela via das isenções que pela dos impostos, o que não é grande novidade mas se pode reconsiderar. Assim, podia haver uma diferença fiscal digna desse nome entre os dividendos que se metem ao bolso e os que são reinvestidos. Mesmo esta ideia já anda por aí a ser tratada com os pés. Diz-se que tais incentivos se deviam aplicar em função do número de postos de trabalho que se cria. Erro fatal. Um tipo que invista numa fábrica de alta tecnologia, inovadora e competitiva, é mais taxado que outro que lance uma fábrica de chouriço de carne feito à mão.     

Depois, vem a demagogia. Os chamados ricos, os que já pagam 46% e vão passar a pagar 49, são, muitos deles, ricos porque têm lucros do que fazem ou produzem. Ora um lucro de x é taxado em 30%, pelo menos, em IRC. Quando passado para a mão do patrão, é taxado outra vez, agora nos tais 49%, em IRS. Isto significa que, se a “minha empresa” declarar um lucro de 100, eu vou receber, se receber, 70. Desses 70, o Estado leva uns 34. Quer dizer que eu paguei ao Estado 66% do meu lucro.

Em vez de se falar de fraude e fuga fiscal, talvez, nestes casos, mais valesse olhar para os factos e arranjar maneira de desincentivar tais práticas em vez de, simplesmente, as perseguir, ou de lançar sobre elas, a priori, o anátema da inveja, que tanto agrada a certa gente. É o Estado quem fabrica a fraude, não os que arranjam meios, mais ou menos “imaginativos”, para não se deixar esbulhar.    

 

Numa coisa o último ataque fiscal é eficaz. É que, ou me engano muito ou, atacando quem ataca, não dá grande margem para as “revoltas sociais” da praxe. É mais provável que o “professor” dos bigodes seja capaz de arregimentar revoltosos, do que o Silva de juntar multidões no Marquês.

 

2.9.11

 

António Borges de Carvalho

CORTA CORTA

 

Ainda a tinta estava fresca nos papéis dos discursos de posse deste governo, já as santas almas clamavam que não havia cortes na despesa do Estado.

À medida que os impostos foram surgindo, mercê dos colossais e mal suspeitados buracos que foram aparecendo, os clamores subiram de tom. Onde estão os cortes na despesa? Mais uma vez, o mexilhão vai tramar-se! Andaram a aldrabar na campanha eleitoral!

Tudo isto é mentira e tudo isto é verdade.

Como o governo, para seu mal ou para o seu bem – o futuro o dirá – resolveu não dar à casca, isto é, optou por não andar para aí a destapar a careca do senhor Pinto de Sousa e do seu espantoso partido, a malta fica indignada como o que lhe andam a fazer. Tem razão. É verdade.

Mas, se se comparar a referida atitude do governo com o que fez o do senhor Pinto de Sousa, não tem razão nenhuma. É tudo mentira. O senhor Pinto de Sousa, para “provar” que tinha herdado uma situação que o “obrigava" a aumentar os impostos, encomendou um défice aldrabado ao seu colega Constâncio a fim de pôr as culpas ao seu antecessor. E não mais deixou de o exibir, como se tivesse alguma correspondência com a verdade.

 

Par além de outras, esta é uma diferença brutal entre uns e outros.

 

Consta que hoje o governo vai, finalmente, anunciar os tais cortes na despesa. Se calhar já anunciou, o IRRITADO é que está desatento.

O que se vai passar é que os mesmos, exactamente os mesmos, que andavam a clamar pela falta dos ditos cortes, vão entrar em ainda maior excitação a condená-los. Esta noite, em princípio, vamos ver o que nos dizem, ou já disseram.

Só a selecção nos pode salvar de mais uma noite de berraria. Valha-nos São Bento (Paulo)!

 

2.9.11

 

António Borges de Carvalho

AINDA AS SCUTS

 

Nos saudosos tempos do Dr. Santana Lopes, o ministro das finanças declarou que ia acabar com a rebaldaria das SCUTS. Pudera! Conhecia bem os buracos que a demagogia do Cravinho & Cª tinha aberto.

Pinto de Sousa, vários anos depois – a coisa é difícil de perceber para bestuntos pouco dotados - parece que chegou à mesma conclusão. Vai daí, entre inúmeros cagaços que os “utentes” lhe pregaram, criou um sistema de cobranças que nem ao diabo lembraria. Já tínhamos os cobradores e a Via Verde, tudo a funcionar nos conformes. Mas o governo tinha que “inovar”. Inovou de tal maneira que, ainda hoje, as portagens nas ex-SCUTS são uma dor de cabeça para meio mundo.

 

Segundo é rezado nos meios competentes, parece que os chamados “utentes” estão a utilizar menos as SCUTS que quando estas eram de borla. O que, evidentemente, quer dizer que, afinal, havia as “alternativas” que os “utentes” diziam que não havia.

 

Parece que ninguém explicou, nem ao Pinto de Sousa nem aos “utentes”, que as auto-estradas não se constroem para ir da aldeia A à vila B, a meia dúzia de quilómetros. Tornam-se úteis a partir da distância necessária a que o custo das portagens seja compensado pela poupança de tempo, de combustível e de saúde dos equipamentos.

A inteligência dos chamados utentes não chega para ver isto. Ainda menos chega para ver que as auto-estradas é que são alternativa às outras, e não o contrário.

O nacional-caloteirismo no seu mais iridescente esplendor.

 

2.9.11

 

António Borges de Carvalho

PROBLEMAS DE JARDINAGEM

 

Parece que o Dr. Jardim tem, lá no jardim, um buraquito de 500 milhões que não era do conhecimento dos jardineiros.

Monumental escândalo! Não há quem não opine. Trata-se de um crime de lesa Pátria! Uma desonestidade! Uma trafulhice! O Bokassa da Madeira anda a arruinar o país! Quem põe cobro a isto? Então o governo, que é da cor do Dr. Jardim, não o mete na ordem?

Tudo isto teria alguma razão de ser se, cá pelo rectângulo, as coisas estivessem melhor.

Comparadas as situações, os 500 milhões do jardim do Jardim, são coisa de somenos diante dos crimes de lesa pátria, das desonestidades, das trafulhices, do arruinar do país que, paulatinamente e com ar triunfante, por cá se foi cavando. Com uma diferença: é que o Jardim lá foi fazendo alguma coisa.

 

O IRRITADO não está a desculpar o Jardim. O que está a dizer é que quem atira pedras se devia ver ao espelho e estar caladinho como um rato, um ratinho daqueles dos jardins, que nem voz têm!

  

2.9.11

 

António Borges de Carvalho

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