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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ALHADAS

 

Fosse qual fosse a receita adoptada pelo governo, o coro de protestos e de críticas seria o mesmo. Por isso, de nada valem as moções de censura, as manifestações, as greves.

Tanto faz ir lá de uma forma como de outra. É o que não pode deixar de ser, sob pena de, em vez dos aumentos de impostos, haver um corte total de salários e outras coisas.

Diziam os latinos que “equitas est suma et constans voluntas jus suum quique tribuendi”. A equidade é dar a cada um segundo o seu direito.

Muito bem. Segundo uma interpretação já pouco seguida, o direito de cada um é aquilo a que cada um faz jus. Portanto, a equidade seria que cada um pagasse segundo o que tem, em igualdade de circunstâncias com os demais. O que levaria a que todos pagassem a mesma parte do que têm ou recebem, consoante o que recebam. Assim, quem tivesse cem pagaria cinco, quem tivesse mil pagaria cinquenta. Uma “equitas” latina, se quiserem.

A evolução dos tempos arranjou nova moral tributária que, entre nós, deu na versão anteontem anunciada: quem tiver cem não paga nada, quem tiver mil paga quinhentos e quarenta. A isto chamam os tempos “justiça fiscal”, equidade moderna, ou “social-democrata”, ou ainda distribuição “equitativa” dos sacrifícios. Coma-se disto, porque é o que há. As mentalidades não estão para latinadas.

Entre os cem e os mil, fica a classe média/média ou média/alta. Têm um terrível destino traçado, que o governo anunciou, uns dirão com coragem, outros com lata. Quem tiver alguma propriedade, seja de que origem for, grande ou pequena, que se ponha a poupar, não para assegurar o futuro mas para chegar a Abril e pagar a primeira prestação do IMI, a Agosto e pagar o IRS e a Setembro e esportular a segunda prestação daquele.

O governo, com a mesma coragem ou a mesma lata, também anunciou mais recessão e mais desemprego. Pelo menos, é sincero. E que o tabaco, o luxo, os lucros, as transacções financeiras, etc., também vão levar na cabeça.

 

A receita da troica deu os resultados que se podia prever que desse. A “Europa” e o FMI, ajudando a sustentar as nossas barrigas, parece não ter ajudado o nosso futuro. Resta saber se, com outra receita qualquer (qual?) o resultado não seria pior.

 

Facto é que o descontentamento interno não é acompanhado lá fora. Quem nos empresta dinheiro está muito contente connosco. Prouvera que seja coerente com o seu contentamento e queira aliviar-nos o fardo.

Facto é que os juros estão a descer.

Facto que a dívida diminuiu.

Facto é que há prazos, negociados pelo governo, que se alargaram.

Facto é que as despesas desceram. Têm que descer mais? Com certeza, e muito.

O problema é que a esmagadora maioria das despesas que têm que ser cortadas fazem parte, como é evidente, das que se referem a pessoal.

Deixar de subsidiar fundações privadas? De acordo. Quantos desempregados?

Fechar as fundações do Estado? Com certeza. Quantos desempregados?

Fechar serviços públicos redundantes e inúteis? Sem dúvida. Quantos desempregados?

Continuar a rever, com a necessária profundidade, as rendas das PPP? É óbvio. O problema é fazê-lo de forma a não envolver o Estado em processos judiciais de previsíveis e graves consequências. Um quebra-cabeças, a tratar com pinças.

Acabar com os outsourcings do Estado? Certamente, mas equivale a zurzir os funcionários, que têm ritmos e competências incompatíveis com as necessidades.

Acabar com certos luxos do Estado? É evidente, mas há que manter a dignidade das instituições políticas dentro de certos limites. E lá vem, mais uma vez, o desemprego de muita gente.

Acabar com a RTP, a RDP e a taxa do audiovisual? Seria fantástico, pelo menos na opinião do IRRITADO. Mas, e quantos desempregados mais?

Acabar com a mama das eólicas & Cª? De caras. E os desempregados?

E os “observatórios”, que são às centenas e servem para coisa nenhuma? Aqui, não devia haver hesitações, até porque, para esmagadora maioria dos fulanos, não passam de “ganchos”.

E as “entidades”, “autoridades” “comissariados” e parlapatices do género? Quantas são úteis? Meia dúzia? Mais desempregados.

 

Quem paga, e com que dinheiro, a mais estas hordas de queixosos, os mais deles sem saber fazer nada para além do que faziam, ou não faziam? Quantas manifestações, quantas greves, quantas desordens, quantos insultos, quanta instabilidade? 

 

É por estas e por outras que os cortes na despesa, os ditos e muitos outros, não são coisa que se faça de um momento para o outro. Acelerar o processo? Com certeza. O problema é o como. O problema é o que, paradoxalmente, os cortes na despesa vão custar.

 

Luzes ao fundo do túnel?

Se não for a tese internacional, adoptada pelo governo como não podia deixar de ser, tese que defende não haver saída a não ser, custe o que custar, através do saneamento das contas do Estado, outra não se vislumbra. Há disso experiência, pelo menos com Salazar e Mário Soares. Se resultou com eles, porque não há de resultar com estes?

 

 

5.10.12

 

António Borges de Carvalho

DUAS TRISTEZAS


Um rapaz de trinta anos, professor de filosofia, desempregado, mas não “resignado” disse a um jornal o que andava a fazer para ultrapassar a situação.

Assim:

- Participa em todos os protestos, dos professores e dos outros;

- Participa nas vigílias de protesto dos sindicatos;

- Participa nas vigílias da Plataforma pela Educação;

- Foi esperar o ministro Crato à TVI;

- Esteve na manifestação de 15 de Setembro;

- Esteve nos protestos em frente do Palácio de Belém;

- Participou na manifestação da CGTP.


Uma tristeza a escassez de natalidade que provocou a falta de alunos no sistema público e obrigou à dispensa de muitos professores.

Uma tristeza também a “luta” deste jovem por melhores dias. Assim, ninguém dá a volta.

 

4.10.12

 

António Borges de Carvalho

QUEIXINHAS


O oco anda muito ofendido com o Passos Coelho. Na sua opinião, o PM devia ter-lhe dado as mais rasgadas explicações sobre as propostas que ia levar a Bruxelas. À primeira vista tem razão.


Só que:


- Sendo as medidas destinadas a integrar o orçamento 2013, e tendo o oco, sem nada conhecer, anunciado solenemente, e solenemente repetido, que vai votar contra no escuro, qual a utilidade de lhe dar qualquer espécie de satisfação?

- Conviria que o oco dissesse que o mesmo aconteceu por iniciativa do seu próprio partido, quando do PEC IV. Não houve consulta ao PSD, que, ao contrário do oco, não tinha anunciado qualquer sentido de voto! O oco não confessa nem se demarca.

- O oco não percebe, porque não quer perceber, que o governo não pode, nem deve, apresentar ao parlamento medidas ou alternativas que não sabe se os credores aceitam. Será triste, mas é assim.

- Em resumo, o oco acha que, no tempo do senhor Pinto de Sousa, quer dizer, do partido do oco, as medidas do PEC IV eram apresentadas em Bruxelas para chegar cá como mais uma brilhante vitória do PS. O que, aliás viria a acontecer com o acordo da Troica. Lembram-se do discurso triunfante do exilado do 16ème quando apresentou o memorando?


Que diabo, ó oco, em vez de choramingices e acusações, se usasses uma pinguinha de humildade, ou de honestidade, não te ficava mal.

 

4.10.12

 

Atónio Borges de Carvalho

OS INSTALADOS

 

Há três dias que mais de cem mil pessoas, depois de enormes transtornos, nervos, cansaço, stress, chegam tarde ao trabalho. Pessoas que precisam de trabalhar, que temem perder o emprego, que trabalharão mais e melhor para tentar que as sua empresas ultrapassem a borrasca e não vão à falência, que os seus empregos não acabem, etc. Porquê? Porque uns fulanos, que trabalham relativamente pouco, que têm horários de privilégio e regalias em barda, que ninguém pode despedir, cujas empresas vivem à custa dos impostos e dos sacrifícios dos outros... estão em greve. Em matéria de abuso de direito, são mestres.


O chefe dos chefes militares declara, ameaçador, que os ditos não são “submissos”, leia-se que, se lhes cortam alguns tostões como aos demais, pegarão em armas para sacar o deles.

Os subordinados do insubmisso, animados por estas doutas palavras, alinham em manifestações de massas, seguidos de polícias e outros empregados indispensáveis.


Os magistrados reunem-se em sindicatos, fazem exigências e ameaças, queixas e queixinhas, metem-se onde não são chamados, armam em legisladores, dizem-se independentes usando uma mais que ilegítima interpretação extensiva do conceito, contribuem conscientemente para a perturbação generalizada da sociedade em vez de, a partir da eminente mas já perdida dignidade da sua profissão, ser um elemento de estabilização e de confiança na Justiça.


Os médicos, esses, com o rei na barriga, isto é, cientes de que a sociedade não pode deles prescindir, ultrapassam, através de um bastonário politicão, abusador e grevista, tudo o que seria imaginável em matéria de respeito por terceiros.


Os advogados são representados por um maluco.


Os sindicalistas controlados pelo PC não conseguem ultrapassar o mais primitivo bolchevismo.


E assim por diante.

Tudo com o extremoso apoio da chamada “informação”, altifalante de tudo o que não presta.


Pior que todas as hesitações e falhas do poder legítimo é o estado de degradação moral e cultural em que a sociedade portuguesa se encontra. Valores? Que é isso? Democracia? É a rua. Falta de dinheiro? É para os outros.  


Não são os verdadeiramente prejudicados pelas consequências do socialismo estatista quem protesta e desestabiliza. São os instalados. Mal ou bem instalados, mas instalados. Objectivamente, fazem troça os demais.

 

3.10.12

 

António Borges de Carvalho

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