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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SAÍDA LIMPA

 

Quando, há uma data de anos, o inefável Guterres chegou à conclusão que tinha levado país para um “pântano” onde refocilávamos “de tanga”, estava não só a fazer uma honesta autocrítica como a falar verdade.

Mais tarde, a dona Manuela desatou aos gritos: não há dinheiro, não há dinheiro, não há dinheiro! E, chegada ao primeiro balcão, vai de inventar os PEC’s (pagamentos especiais por conta), as receitas extraordinárias, as vendas de dívida e outras martingalas.

Pela mesma altura, um indivíduo, oriundo de duvidosos e obscuros projectos camarários e de cursos de inglês técnico, aparecia (lembram-se dos debates com Santana Lopes?) a dizer que a dona Manuela era uma ignorante, que preciso era investimento público, que a economia crescia com ele, etc. e tal.

Tal e tão sabedor fulano subiu ao poder e por lá ficou intermináveis anos. Prometeu o céu, e fez, correcto e aumentado, aquilo que achava que a dona Manuela devia ter feito. O problema é que se enganou nas agulhas: o que fez levou ao inferno, não ao céu. Mas a auto-crítica e a honestidade, com ele e até agora, tinham deixado de fazer parte da “moral” do Largo do Rato.

É no inferno que estamos. Mas parece que ainda há quem não queira perceber que, com o brutal empurrão daquele artista e a barafunda europeia, sair do inferno não é coisa para que se possa ver prazo. Há umas luzinhas, é certo, mas a obra suja do tipo dos exames ao Domingo não é coisa que se destrua a curto ou médio prazo. Talvez a muito longo prazo, mas não é certo. Certo é que, mesmo nesse muito longo prazo, as feridas que o homem rasgou na nossa carne, mesmo que saradas, deixarão irrecuperáveis cicatrizes.

 

Quem se recusa a perceber (dona Manuela incluída - mas não conta, é dor de cotovelo), bem como os seguidores do autor da proeza, exige ao governo “a verdade”. Mas, se a verdade do governo for a esperança, o governo está  a mentir. Demita-se! Se o governo disser que as dificuldades estão para durar, então o governo, para além de ter falhado, tem um discurso derrotista. Demita-se! Se o PR diz que prefere um programa cautelar, é porque o governo falhou e o PR está feito com ele. Mas se o PR tivesse dito que preferia uma saída “limpa”, ai Jesus que está a ceder à dona Ângela.

Para cúmulo, hostes de descontentes de “alta representatividade”, da direita e da esquerda, vêm clamar pela “reestruturação da dívida”, nova panaceia, ou novo placebo. Verdadeira descoberta da pólvora. Como se não fosse coisa que se conversa de há muito, mas que, como é evidente, tem que ser tratada com pinças, não com manifestos de quem quer galarim.

 

Com cautelar, sem cautelar, com seguro, sem seguro, à irlandesa,  à argentina, direitinho, à balda ou à laia da gaita, não há saída limpa. Poderá correr melhor ou pior, poderá continuar ou não continuar a relativa melhoria das coisas. Certo é que de “limpeza” terá pouco.

O PM já avisou que isso de salários e pensões foi chão que deu uvas: tão depressa não sairão da cepa torta. Disse a verdade. Fez mal. Como mal faria se dissesse o contrário, não é, ó Pacheco, não ó Capucho?

 

O que vale é qaue podemos ficar descansados: o Tribunal Constitucional já veio declarar que não deixa. Não se sabe se descobriu uma mina de ouro ou se se prepara para prestar mais um alto serviço ao país.

 

11.3.14

 

António Borges de Carvalho

SAPATEIROS A TOCAR RABECÃO

 

Parece que houve uns pândegos que, em manifestação de grande originalidade, resolveram meter no tribunal uma providência cautelar para travar o fecho da Maternidade Alfredo da Costa.

Até aqui tudo bem. Os portugueses descobriram, com grande alegria, a figura jurídica ideal para infirmar ou impedir tudo o que não obtenha o seu alto apoio.

O que não está nada bem é que haja um tribunal que se considere competente para travar um mero acto de gestão do governo, mais que legítimo, normal e corriqueiro. Que haja quem sofra de acendrados amores pelo velho hospital, paciência, há gente para tudo, até para gostar de torcer pés na horrenda calçada portuguesa que todos os dias ataca a nossa segurança e a nossa mobilidade (como se diz agora).

 

Estes actos de evidente judicialização da política e da administração pública teriam uma importância relativa se se tratasse de mera ”iniciativa popular”. Há muito disso por aí, para o melhor e para o pior. Mal é que os tribunais, não contentes com os altos serviços que vêm prestando ao país, se metam em tudo e mais alguma coisa, se considerem competentes para tudo e mais alguma coisa, se tornem instrumento e arma de arremesso para todo o bicho careta.

 

11.3.14

 

António Borges de Carvalho

DAS LACAIS MÁGOAS

 

A abarrotar de laca, dona Maria do Alto do Pina, perdão, de Belém, mini Presidente do Oco e aderentes, disse de sua justiça sobre a manifestação das forças ditas de segurança.

Em cândida confissão da verdade verdadeira, pronunciou-se desta forma: “Há que agradecer à CGTP, pela sua capacidade de organização e respeito democrático”. Numa frase, resumiu a natureza das coisas: profissionalismo de alto gabarito, legitimidade, eficiência, etc., o costume.

 

O elogio à agremiação do Carlos contrastou com as doutas apreciações que a distinta criatura fez das atitudes do governo e da coligação. Neste caso, esganiçou a alta capacidade de diatribe que deve ter cultivado na leitura das epístolas de São Soares aos ignaros. O governo tem uma “atitude de confronto”, “faz mal as coisas”, tem “atitudes provocatórias”, mostra “impreparação” e “relativismo moral”, “trata tudo por igual ao pontapé”, sofre de “falta de jeito”,  os seus membros são “imaturos”, “desprezam as instituições”, desconhecem “a geopolítica das emoções”, “não percebem nada do assunto”, nem “que há limites”, “quebram diversas barreiras” e são a evidente causa dessa “manifestação contra o governo” que consiste em “as mães matarem o filho e suicidar-se a seguir”.

Tudo isto, segundo a genial declarante, causa imensa “mágoa”, quer dizer, segundo o IRRITADO, deve desorganizar a laca. Pobre senhora!

 

Por acaso, um dos líderes sindicais da polícia veio à televisão dizer que a culpa de tudo era do governo anterior, não deste. Mas o homem ou estava enganado, ou não fazia parte das hostes da CGTP que a adorável senhora tanto aprecia e louva.

Não conta.

Houve elogios ao ministro que, vagamente, perpassaram nas notícias.

Não conta.

O que conta, para a generalidade da “informação”, é que, revelando alto civismo, os polícias se portaram “à altura”, não se sabe de quê mas à altura. Por outras palavras, coitados, só deitaram abaixo as barreiras metálicas e só subiram uma dúzia de degraus da escadaria, porque “não quiseram subir mais”. Só usaram potes de fumo negro, só feriram dez colegas –ferimentos ligeiros! – e, coitados, na versão do IRRITADO, só não subiram mais na presunção de que os feridos deixariam de ser ligeiros. Exemplar!

É claro que os arautos da reacção dizem que havia uma data deles com bebedeiras das antigas, outros mascarados, outros armados da varapaus (bandeiras!).

Não conta.

 

O que conta é que os polícias, como os estivadores, os juízes, os militares, os contínuos, os motoristas, os maquinistas, os enfermeiros, os calceteiros, o Presidente da República, a dona Manuela, as corporações, tudo minha gente está, como não podia deixar de ser, “acima”, “fora”, “para além” do âmbito dos efeitos da austeridade. Uns porque, como os polícias, têm “missões especiais”. Outros porque são, eles próprios, “especiais”. Outros porque sim.

De acordo que é preciso dominar a crise, a dívida, etc., desde que tal lhes não toque na vidinha. Nesta matéria, o IRRITADO está com eles, farto de impostos e sem saber como vai pagar as dívidas que lhe arranjaram. Força camaradas! Alguém há-de pagar. Eu é que não, xiça!

 

Outro facto altamene positivo que urge assinalar é a bonomia “democrática” como a generalidade da “informação” foi, ao longo das tropelias, comentando a coisa. A justa luta da polícia contra a polícia foi tratada com punhos de renda por meninas e meninos, senhoras e senhores dos jornais e adjacências, bem como pela "simpatia" da dona Assunção. Os comentadores, por seu lado, desdobraram-se em considerações de compreensão e estima.

 

O que vale é que as ondas, mesmo as mais alterosas, acabam na praia.

 

7.3.14

 

António Borges de Carvalho

ESPELHOS DA NAÇÃO

 

Antigamente, as Forças Armadas eram o “espelho da Nação”. Não se sabe exactamente o que isso queria dizer. Depois do 25, continuaram a ser o mesmo espelho, ainda que espelhassem o contrário.

Hoje, continuam a espelhar. Espelham que se fartam.

Olhem o general que, antes que fosse tarde, sacou a reforma sem descontos e continuou, sem dizer nada a ninguém, a exercer as mais altas funções que a tropa proporciona aos seus profissionais. É um espelho da Nação, ou não é?

Olhem um tal Cracel (raio de nome), conhecido díscolo militar, que já chega ao ponto de ir fazer queixinhas ao Tribunal Constitucional, como se tivesse competência para tal. É um espelho da Nação, ou não é?

Olhem o Tribunal Constitucional que, em vez de correr com o Cracel, vai acusar a recepção. É um espelho da Nação, ou não é?

Olhem os oficiais, os generais, os vintecincos – não, não são só os sorjas ou os taratas - que fazem reuniões conspiratórias, jantares, almoços, conferências, discursos na aula magna, o diabo a quatro. São um espelho da Nação, ou não são?

 

Há que compreender. Os espelhos da Nação não podem ser privados seja do que for, antes pelo contrário. Sentem-se a espelhar uma Nação arruinada, a esbracejar em ondas que arrasam privilégios, prebendas e excepções. Esta não querem eles espelhar. A crise é boa para os outros.

 

7.3.14

 

António Borges de Carvalho

NADAR EM TERRA

 

Sempre fiéis à nobre condição de “informadores”, os jornais “de referência” anunciaram que os lisboetas vão passar a tomar banhos de mar junto ao sarcófago de Luís de Camões e os portuenses a remar no passeio da Foz, já que a “Subida do mar põe Jerónimos e Porto histórico em risco” (manchete do DN, a quatro colunas e três linhas bold). O jornal privado chamado “Público” faz a coisa com menos destaque mas paragona equivalente no interior.

“Património mundial a caminha para o desaparecimento”, é o menos que podem afirmar.

Depois, lá mais para baixo, os tais paladinos da “informação” esclarecem que os “cientistas” que chegaram a estas conclusões dizem que o tal “desaparecimento” se dará daqui a 2.000 anos, mais coisa menos coisa.

Não se sabe, nem interessa saber, que raio de dados puseram os “cientistas” no computador para chegar a uma conclusão de tal brilhantismo. Pusessem eles mais ou menos uns cagagésimos de milímetro na subida das águas, e teríamos as suas terríveis consequências para a semana que vem, ou daqui a 30.000 anos.

 

Vivemos num mundo estranho. Já tivemos a gripe das aves, as vacas loucas, já andámos para aí  a lavar as mãos com desinfectantes, já pagamos milhões por causa do CO2, um nunca acabar de ameaças, de pandemias, de degelos, o planeta a morrer, o diacho. Agora, o melhor será comprar coletes salva vidas e barcos de borracha, não vá os “cientistas” ter-se enganado e a inundação vir aí mais depressa do que dizem.

 

Ora bolas.

 

7.3.14

 

António Borges de Carvalho

O DINOSSAURO PORTUGUÊS

 

Parece que foi descoberto na Pontinha um dente de dinossauro. Não era notícia por aí além, pelo menos até os jornais descobrirem que o bicho é PORTUGUÊS! E, como bom português, é o maior dinossauro do MUNDO!

Consta até que, há 150.000.000 de anos, este dinossauro já falava a língua de Camões e Eça, já cantava o fado, e até está na linha directa de varonia do Viriato Soromenho Marques e de outros trogloditas da nossa praça.

Óptimo!

 

7.3.14

 

António Borges de Carvalho

ESCLARECIMENTOS

 

Segundo consta, vai haver larga cópia de polícias contra os polícias que vão, outra vez, manifestar-se. Desta feita, parece que a peocupação do governo será a de garantir que a mesnada não subirá as escadas do Parlamento.

Felizmente, os promotores da coisa, já vieram esclarecer-nos sobre o assunto, assinalando diversas circunstâncias de relevo.

 

Assim:

  1. Da outra vez, a subida das escadas foi um “gesto simbólico”, não teve nada a ver com desobediência, arruaça ou ordinarice;
  2. Apesar disso, se tal vier a repetir-se, já se sabe que será obra de “elementos infiltrados que nada têm a ver com os polícias”;
  3. Aliás, “há apelos nas redes sociais de grupos anti-governo para comparecer na manifestação” o que “pode provocar conflitos”;
  4. A mobilização de forças ordenada pelo governo nada tem a ver com seja que riscos for. É coisa “anormal e intimidatória”. O ministro até parece que “está desejoso que alguma coisa aconteça de mal”. Por outro lado, é evidente que “quer meter medo aos manifestantes”;
  5. Um representante da organização veio, aliás, e com toda a razão, informar que “não pode garantir que não haja conflitos”;
  6. Os polícias estão revoltados porque não deviam ser atingidos pelos cortes na função pública, já que têm “mais obrigações que os outros” e têm que ter “um tratamento diferenciado”.

 

Poderia o IRRITADO tecer judiciosas considerações sobre estes esclarecimentos, generosamente prestados por diversos promotores da manifestação. Mas prefere deixar essa tarefa a quem quiser pensar um bocadinho no assunto.

 

 6.3.14

 

António Borges de Carvalho  

NOTÁVEL DESCOBERTA

 

Octávio Teixeira, que não é mau homem, nem parvo nenhum, tem a estranha e troglodita característica de ser militante do PC. Deve, até, fazer parte das altas esferas do dito, uma vez que, em tempos, sucedeu ao Carlos Brito (hoje tão comuna como era, mas dissidente) como líder parlamentar da agremiação. Como é do conhecimento público, é figura com assento permanente numa televisão qualquer e funcionário inamovível e pensador de serviço do Banco de Portugal.

 

Pois bem, o homem teve um assomo de heterodoxia, e fez manchete de um jornal, ao afirmar que “ou há desvalorização da moeda ou há desvalorização salarial”. Donde se conclui aquilo que toda a gente sabe, e que tem vindo a acontecer: não havendo uma, há a outra, quer se queira quer não.

É possível que o Octávio tenha aprendido umas coisas lá no BdP, ou então que se lembre do que se passou no tempo do Bloco Central, quando oficiva o velho Soares e comandava as coisas o falecido Ernâni Lopes. Naquele tempo, os salários, as pensões e as reformas não baixaram, o que baixou foi o Escudo. O resultado foi o mesmo, como está na cara e é fácil perceber. Até houve impostos retroactivos, coisa que o Conselho da Revolução ( o TC da época) nem percebeu o que era. Uma história por escrever, talvez porque não convenha a muita gente.

Posto isto, louve-se a escorregadela do nosso Octávio. Talvez o Comité Central, perante tal manifestação de apostasia lhe faça a cama. O Comité Central sabe de ciência certa que a saída da crise se faz aumentando os salários, as pensões e as reformas, pagando a dívida como se quiser e se se quiser, vendendo as acções do Amorim e do Belmiro e, como é da cartilha, metendo-os e a mais uns milhares na prisão, por sabotagem económica. Quando toda a gente estiver de tanga, a culpa será do imperialismo dos EUA, como diz o Maduro e outros oragos do partido, tais o tipo da Coreia do Norte ou o tirano de Bielorrússia. O Castro já não é grande exemplo - até já deixa o pessoal comprar torradeiras!

 

A descoberta do Octávio é que não cabe no dicionário. Chapeau.

 

4.3.14

 

António Borges de Carvalho

QUE FALTA DE CUIDADO!

 

Ó senhor PM

 

A nomeação de Relvas para uma obscura posição no partido (o IRRITADO comentou-a com bonomia) não parece ter sido coisa de bom senso. Enfim, que passe.

Mas a lista para as europeias já não merecerá bonomia, não parece ter sido, de todo, de bom senso, e não passará pelo IRRITADO sem um irritado comentário.

O Rangel é indiscutível: muito bem.

Depois é que é o diabo. O Fernando Ruas? O que vai o viseense fazer ao PE? Ensinar as múltiplas loiras lá do sítio a pintar o cabelo de preto? Depois, uma independente açoriana, que ninguém sabe quem seja. E, idem, aquela da Madeira. Serão as duas o ramalhete ilhéu? É uma hipótese. Temos ainda o mais aparatchique de todos os ppdês: Carlos Coelho, muito conhecido como secretário da dona Ana Gomes nas suas investidas policiais. E, valha-nos Santo Eustáquio, Mendes Bota, celebérrimo autor da imorredoura obra “No Décimo Aniversário de Doze Anos de Poder Local”, poeta erótico e músico pop, muito apreciado nos Algarves sabe-se lá porquê. Finalmente, Fernando Costa, um tipo simpático e afirmativo, há 333 anos presidente da câmara das Caldas e actual vereador em Loures, cujo traquejo europeu é fácil de adivinhar.

 

Um escol. Ó PPC, o que se passa nessa cabeça?   

 

3.3.14

 

António Borges de Carvalho

É PRECCISO LATA!

 

Justamente indignados com as suas condições de trabalho, os juízes portugueses vieram a público comunicar as suas reivindicações salariais.

A alma do IRRITADO estremece de compaixão pela miserável situação de tão distinta classe.

Além de tudo mais, é a estes ilustres e tão doutos senhores que se deve a invejável situação em que os serviços de Justiça do Estado se encontram há já longos anos. Como é do conhecimento geral, a justiça é rápida, barata, eficaz, justa (não é pleonasmo, é justiça!), tudo funciona às mil maravilhas, os juízes tratam os cidadãos como é merecido num Estado de direito, merecem da população a maior das considerações, são respeitados e amados por toda a gente, trabalham incansável e eficientemente em prol da segurança e da celeridade da justiça, impõem-se à admiração de toda a gente, etc.

 

Não importa – isso é que é injusto! – que andem para aí a fazer sondagens em que os juízes aparecem abaixo de cão: manobras dos inimigos do Estado de direito. Não importa que a tenebrosa troica diga que a Justiça está péssima: toda a gente sabe que se trata de inimigos da Pátria. Não importa que haja milhares e milhares de cidadãos, a maioria deles, a queixar-se da distintérrima classe: até o Hitler ganhou eleições, não foi?

 

Por tudo isto, os nossos bem-amados magistrados sentem-se, e com que verdadeira JUSTIÇA, no direito de jamais verem os seus vencimentos diminuídos, a não ser por emergência, só por um ano e no máximo de 3%. De resto, tais remunerações têm que ser, todos os anos, automáticamente aumentadas por valor superior ou igual (pelo menos!) à inflacção. Acresce, como é de ver, que a tabela salarial deverá começar em 3.000 euros e ir por aí acima até aos 7.500. E, como não podem ter tachos por fora, é evidente que terão que ser compensados pela falta do segundo emprego com mais 1.500 euros por mês. Note-se que isto não é para todos! Nos lugares mais altos ou mais altinhos, em vez dos 1.500, querem receber entre 25 e 40 por cento do ordenado a título de despesas da representação. O que fará, com todo o mérito, subir os ordenados – desta feita tax free – para 10.500 euros lá em cima e para uns 9.000 lá no meio.    

 

O IRRITADO chama a atenção de quem de direito para o alto serviço à Pátria que estas propostas dos magistrados representam, bem como para o profundo sentido de solidariedade social que demonstram.

 

E curva-se, em respeitoso manguito, perante a distintíssima classe.

 

2.3.14

 

António Borges de Carvalho

PATA NA POÇA

 

O IRRITADO é um admirador do lider parlamentar do PSD, cujo nome lhe não vem, por agora, à mente.

Tem-no visto argumentar na televisão com, ou contra, os mais rebuscados idiotas e demagogos, e até acha que se vai saindo a contento.

Feita esta “declaração de interesses”, vamos à irritação, que não podia ser maior.

Então não é que o homem vem defender o indefensável? Então não é que arranjou uma catraca para encanar a perna à rã?

É, em abono da verdade, a primeira pessoa inteligente que o IRRITADO vê defendar o hediondo acordo ortográfico, o maior atentado à língua portuguesa possível de imaginar.

Não vale a pena argumentar contra tal coisa: os argumentos estão aí, por toda a parte, já não há quem não os conheça.

Parece que, na vida das Nações, de vez em quando aparecem uns gurus que, defendendo o indefensável, o perigoso, o injusto, o contraproducente, conseguem levar a sua avante.

O nosso homem faz pior: lava as mãos, criando (mais) uma “comissão”, ou equivalente, para “avaliar” da aplicação do tal acordo!

Aqui, das suas profundezas electrónicas, o IRRITADO clama: ponham o homem na rua! Se utiliza a sua capacidade argumentativa desta maneira, não merece estar onde está.    

 

2.3.14

 

António Borges de Carvalho

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