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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

PESADELOS

Eram seis da manhã. Costa rebolava-se na cama em estertores de macaco. O fantasma do 44 perseguia-o pelas ruas de Atenas, entre coqueteiles molotov e meninas do Syriza que, com a Catarina e a outra, lhe saltavam às canelas. Acordou cheio de suores frios, com os pés de fora. Tirem daqui o 44! Levam as gajas para Évora! Eu não quero mais relações com esta gente…. Aos poucos, com os carinhos da mulher, lá foi retomando a compostura. Lavantou-se, um duche quentinho e, roupão de turco, desceu à cozinha onde a senhora já tinha posto uns ovos mexidos e um Sumol fresquinho em cima da mesa. Considerava-se completamente recuperado quando tocaram à porta.

- É o Galamba, e parece que é urgente. O tipo vem nervosíssimo.

- Mete-o na sala, que já lá vou.

Encontrou o Galamba às voltas, parecia um touro mal lidado.

- Senta-te homem, tem calma. Que aconteceu?

- Os gajos do INE descobriram que o desemprego já está abaixo dos 11 por cento.

Mais um pesadelo, pior que o 44, pior que os coqueteiles Molotov, pior que a Catarina e as outras. A pior manhã de que Costa tinha memória. Descontrolado, começou a espumar pelos cantos da boca. Tremebundo, atirou-se para um sofá. As pernas encolhiam e esticavam meio tontas.

- Calma António, temos que pensar…

- Calma o quê? Pensar o quê? Já pensámos tudo o que havia a pensar, já metemos no desemprego os emigrantes que trocaram o emprego de cá pelo de não sei onde, já metemos no desemprego os tipos que estão a prazo, os estagiários, os que não querem trabalhar, e esses sacanas do INE continuam com a merda das contas. Raio! Ainda por cima nem sequer se pode dizer que estão ao serviço da coligação, gaita, outra vez! Não será manobra do 44?

- Isso não sei. Já me falta o paleio. Meti aquela dos milhões de desempregados por culpa do Passos, mas acho que já ninguém come disso… que fazer, porra?

Perante o desespero do seu mais trauliteiro porta-voz, Costa tratou de se acalmar. Que diabo, o chefe sou eu, tenho que cuidar da imagem, mesmo perante este valdevinos tenho quem mostrar coragem. Pensou, pensou, e teve uma ideia, coisa que já não lhe acontecia há anos.

- Olha, vamos fazer outsourcing.

- Quê?

- Outsourcing. Consultamos o Carvalho da Silva, e ele faz mais um estudo sobre o desemprego. Com o jeitinho académico que lhe arranjaram, o gajo descobre que os reformados, pensionistas e quejandos - por exemplo os não contributivos -, os hospitalizados, os vendedores ambulantes, os feirantes, os que trabalham por conta própria, advogados, dentistas, canalizadores, os biscateiros e tantos outros, tudo gente sem patrão, tudo desempregado. Vais ver que, com a colaboração do Carvalho da Silva arranjas pelo menos mais um ou dois milhões de desempregados…

- Tens razão, chefe, vou tratar disso. É para já.

- Pois, filho, vê se te avias quanto antes. Olha que, a tempo de apareceres em todos os telejornais, tens que fazer uma declaração clara, transparente, séria e sem dar lugar a dúvidas.

- Vou-me a isso. Até logo.

- Só mais um instante, filho. Assim que tiveres tempo, trata de me trazer o rol dessa gente do INE. Quando tivermos oportunidade, pomo-los a todos no olho da rua e metemos lá gente de bem,seleccionada pelo Grande Oriente e avalizada pelo secretariado.

- Assim é que é falar. Até logo.

Cheio de fé e militância, o ultramontano sai, a salivar com a antecipação do seu discurso da tarde.

Mais calmo, Costa, ao espelho, alinha as cãs dizendo para consigo: que diabo, tanto pesadelo dá cabo de um homem. E os meus macro-trutas que não meteram no programa a abolição das estatísticas…

 

6.8.15

 

ET. Não se sabe se aconteceu, mas é provável.

CENTENÓFICAS SENTENÇAS

O grande, o magnífico, o extraordinário guru económico-financeiro que o PS foi buscar à equipa B do Banco de Portugal veio presentear-nos, mercê das páginas do jornal ultra socialista chamado “Público”, com uma série de esclarecimentos sobre o seu ilustre pensamento.

Antes de mais esclareçamos a posição política do senhor. Ele não é socialista. Segundo diz, é independente. Mas, meus amigos, atenção! Tal “independência” tem limites. Segundo também diz, está “disponível” para ser deputado do PS, ministro das finanças do PS, ministro da economia do PS, enfim, um alarde de “independência” à prova de fogo e uma forma de demonstrar como o PS se abre aos "independentes". Não acham?

Adiante. Este verdadeiro sumo-sacerdote do programa do PS insiste na sua: a austeridade do governo provocou quebras na economia. Fugindo-lhe a boca para a verdade, confessa que, afinal, acabaram por, mercê da “estabilização política” (devida a terceiros!) permitir a Portugal “começar a crescer”. Admire-se a coerência: a mais feroz inimiga do crescimento, a austeridade, deu em crescimento!

Temos a seguir que o programa do PS vai fazer cair a despesa pública e a receita fiscal. E, cerejinha, baixa a TSU para toda a gente, patrões, empregados, etc., o que, pondo mais dinheiro em circulação, exponenciará o consumo e criará emprego. Trata-se de um sonho de uma noite de Verão, como é evidente e os factos demonstram. É que o crescimento de que o homem fala tem efeitos: importações aumentam, automóveis vendem-se às centenas de milhar, a malta compra casa outra vez, isto é, endivida-se outra vez… Que se lixe a balança externa e o bolso de cada um! O que é preciso é consumo, e já, quer dizer, voltar o socratismo desenfreado, em vez de se andar para a frente, step by step. Há mais. A injecção de dinheiro do Centeno tem uma volta na ponta. Explicando, afirma que a TSU é para devolver, isto é, dá agora para tirar depois. Genial. É que o milagre do consumo vai provocar um crescimento de tal ordem que, a curto prazo, passará a haver empregos aos pontapés. Até porque, aliviado o IVA às tascas e afins, rios de dinheiro serão investidos em mais tascas e afins, coisa que, como é sabido, faz tanta falta como uma viola num enterro. E chama a isto “crescimento estrutural da economia portuguesa”.

Vai também reformar o mercado de trabalho, anquilosado por contratos a prazo, a coisa “mais flexível” que há. Vai também criar “centros de competência”, seja lá isso o que for. A avaliar pelas competências ínsitas nas listas de deputados, teremos que as “competências” são alguns tipos novos, nada de seguristas, toneladas de socrélfios.

Saúde-se a prometida luta contra o outsourcing nos serviços do Estado. As competências socialistas vão chegar para tudo. Resta saber como serão pagas tais competências. É que, se fossem, de facto, competências, não se consolariam com os ordenados da função pública (o homem quer pagar à la manière às "competências"). Imagine-se o que seria se você, técnico do Estado, visse um tipo da mesma categoria a ganhar o triplo, só porque você não é uma “competência”.

Depois, o PS vai castigar a chamada precariedade. Impostos para cima de quem não guardar os empregados para o resto da vida, quer precise quer não precise deles, quer trabalhem bem quer não. Um progresso notável que, diz o guru, vai ser recebido de braços abertos pela troica e por mais não sei que estudiosos da matéria, a começar, julga-se, pelo senhor Carvalho da Silva.

Parece que chegámos à idade da razão quando o sumo-sacerdote diz que é preciso reduzir a dívida “por geração de saldos primários e por crescimento económico, ou seja, pelo crescimento do PIB nominal”. O amigo banana diria o mesmo. Mas como? Presume-se que pela extracção do ovo existente no rabo da galinha, já que o sacerdócio não dá homem para explicar a liturgia da coisa.

Sensacional descoberta: o governo português, ao contrário do da Irlanda, não negociou nada com os credores. Aqui, a barreira do paleio é ultrapassada. Entra-se na mais descarada e consciente das aldrabices. Abstenhamo-nos de comentar o que não o merece.

E o Portugal 2020? É fácil. Aplica-se em investimento público. Um TGV e um aeroporto em Algodres vinham a calhar. Quanto ao sector privado, espera-se que reaja!

Despedimentos? Com certeza, mas com “processo conciliatório”. Que raio de novidade!

 

Estou farto deste tipo. Chega! Quem quiser vá ler o serviço do “Público”, de preferência emprestado.

 

5.8.15

A PÁTRIA RECONHECIDA A UM SEU ILUSTRE FILHO

A Pátria, como o mundo inteiro, está agradecida ao mui ilustre antigo advogado Jorge Sampaio, especialista em golpes de estado destinados a pôr os amigos no poder. Por toda a parte o cumulam de prémios, elogios e reconhecimento, sendo até de pensar em reservar-lhe um cenotáfio no panteão, para quando a morte nos privar dos seus inúmeros contributos para a felicidade do género humano.

O seu notável contributo para a “aliança das civilizações” revelou-se eficaz. Como é sabido acabaram as guerras, sobretudo no médio oriente. E as civilizações estão cada vez mais próximas…

Também é de notar o seu inegável contributo para a erradicação da tuberculose, a qual desapareceu da face da terra dada a acção do nosso compatriota, enquanto empregado da ONU.

Agora, imagine-se, seleccionou dez dos três milhões de refugiados sírios para, à custa da Santa Casa, virem prosseguir os seus estudos em Portugal. E até conseguiu dar a volta ao Santana Lopes, o qual lhe prestou toda a ajuda, não se sabe se por caridade cristã se para dar uma estalada sem mãos ao inimigo.

Enfim, ainda bem que temos portugueses deste calibre, aliás reconhecidos urbi et orbe como cidadãos do mundo e grandes da humanidade. É assim mesmo! Ah, valente! Bravo, generoso, extrovertido e resiliente, como, modestamente, se acha.

Sursum corda!

 

2.8.15

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