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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CORTINA DE FUMO

 

Um despacho meio maluco de um juiz da relação do Porto veio prestar à geringonça um precioso serviço. O país pensante, opinante e manifestante passou a andar cem por cento ocupado com o tal juiz. O absurdo despacho foi glosado, condenado, estraçalhado, demonizado segundo os ditames de todo e qualquer pensamento, opinião, religião, tendência, partido, filosofia ou necessidade de aparecer nos media.

Ultrapassados foram os incêndios, a guerra da estupidez socialista - trauliteira e ultramontana à moda do Santos Silva - contra o senhor de Belém. Ultrapassado foi o maior escândalo nacional, que vai timidamente emergindo por aí, sem comentários ou “pensamentos” que se vejam: o chamado governo deixou morrer sem assistência mais de dois mil doentes oncológicos; o senhor Centeno “cativou” as verbas (cinco milhões) consagradas pelo governo anterior ao reequipamento das cirurgias oncológicas; o SNS, alimentado por greves e reivindicações, está comatoso e inoperante nas mais diversas frentes.

Que interessa isso? Maus eram os ultrahipersuperneoliberais que andavam a destruir o estado social.

O “pensamento” socialista está acima deste tipo de pormenores. A morte faz parte da vida, não tem a importância que a “direita” lhe atribui. No caso dos incêndios, para o ano há mais, diz o chamado primeiro-ministro. E pronto. Caso encerrado. Estupidamente, foi reaberto pelo senhor de Belém, que resolveu, à segunda, dar à casca, ele que, à primeira, se tinha portado tão bem. Burro!, diz a opinião do PS profundo, com o apoiante silêncio dos tergiversantes e geringonciais parceiros. No que se refere à oncologia, a posição é a mesma. Moita-carrasco. Dez por cento dos doentes morrem à espera do bisturi. Que importância tem isso perante a universal e super versada sentença de um juiz machista, marialva e reaccionário?

Bem aproveitada, a sentença serve à maravilha de cortina de fumo. Óptimo!

 

29.10.17     

FAÇAM FIGAS

 

No seu derradeiro despacho, dona Constança - já demitida ou em vias disso - determinou que a GNR, entidade de reconhecida competência em electrónica de comunicações, como é universalmente sabido, passasse a tomar conta do SIRESP. Uma atitude tendente a pôr a coisa sob a alta eficácia técnica a indiscutível experiência da GNR neste tipo de matérias. Dona Constança foi à vida, mas não se sabe se o seu douto despacho está em vias de execução. Se não estiver, é uma pena.

Entretanto, previstos que foram mais uns calores para este fim de semana, o chamado governo resolveu dar mostras de eficácia e trombeteou toneladas de medidas. Vai haver milhares de bombeiros em alerta, cinco mil polícias, soldados, marinheiros, aviadores, parequedistas, comandos, vigilantes, torres de controle, aviões, helicópteros, secretários de Estado, ministros, directores gerais, amanuenses, o SIRESP vai funcionar às mil maravilhas, os incendiários serão condenados ao degredo, bestial, pá.

Este súbito ataque de “competência”, este repentino alarde de responsabilidade, esta diarreia de decisões, em si bemvinda, é a confissão, preto no branco, do que foi o seu contrário ao longo dos últimos meses. A interminável série de erros, falhas, fugas para a frente, desculpas de mau pagador, assobios para o ar, irresponsabilidade política, desprezo pelo povo, abandono, declarações estúpidas e frias, tudo fica provado, ainda que não reprovado ou confessado pelos seus autores. Esses não se molham, só a Constança, tarde e más horas.

Depois da casa roubada... De qualquer maneira, sauda-se a nova cautela e espera-se que funcione.

Um pequeno pormenor: o novo esquema tem prazo, como de costume. Funcionará, não quando as previsões  meteorológicas assim o determinarem, mas a prazo: até ao fim do mês, quer chova quer faça sol. Se chover a 29, 30 e 31, mantém-se o esquema. Se vier calor depois disso, não haverá esquema.

Façam figas.

 

28.10.17

A GRANDE TRAIÇÃO

 

Eis senão quando acorda, furibunda, a casca grossa.

Então, o gajo não percebe que a democracia somos nós? Não sabe que a República somos nós? Que a Pátria somos nós? Não sabe que a geringonça está acima de qualquer crítica? Que ninguém é mais que nós? Então, depois de, com inteira justiça, andar dois anos connosco ao colo por tudo e por nada, resolveu armar aos cucos? Isto é o da Joana, ou quê? Que lata!

À boa imagem do “Jornal de Angola”, o pasquim oficial do PS revolta-se contra a ilegítima e repentina postura do senhor de Belém, sem perceber que o PS é uma espécie de MPLA cá do sítio, superior, inatacável, soberano, protector do povo, salvador da Pátria, acima e para além de qualquer órgão de soberania ou seja do que for. Não sabe que a aliança do bolchevismo com o comunismo caviar, a maçonaria, a nova carbonária, o jacobinismo e o que resta da social-democracia é o garante do futuro, dos amanhãs que cantam, do Estado poderoso, do homem novo? Então não está cem por cento comprometido connosco, resolveu assacar-nos responsabilidades, sem perceber que o socialismo se acata, não se ataca? O que é isto?

Insonuere cavae, gemitumque dedere cavernae! No Largo do Rato, os porões ribombaram de indignação, o cavername gemeu perante a traição de Belém. Nos templos das irmandades rezou-se ao Grande Arquitecto do Universo, cobriu-se os altares com bordados panos de luto, os irmãos choraram de frustrada indignação. Para os lados do Bairro Santos, o Lenine, o Estaline, o Fidel, o Che, foram invocados, pedida a iluminadora intervenção das suas salvíficas ideias. Não sei onde, as esquerdoidas, o careca e o Fazenda, histéricos e ansiosos, troaram aleivosias, recordaram-se os ensinamentos do Trotsky, do Enver Hoxa e de outros salvadores do socialismo ameaçado. Tudo minha gente a salvar o povo da pernicosa influência de Belém, da inominável traição.

Como eu os compreendo!

*

Não se sabe o que fará, a seguir, o senhor de Belém. O mais provável é que, passada a borrasca, volte aos elogios. Dali, tudo se pode esperar.

 

27.10.17

ACÇÃO!

 

Segundo dizia a dona Constança, “é tempo de acção, não de demissão”. Como é habitual nestas coisas da geringonça, passou-se tudo ao contrário. Houve demissão, não houve acção. Durante quatro meses andou a geringonça à espera de “relatórios” enquanto, no terreno, a acção era pouca ou nenhuma: bocas na televisão, beijos, abraços e pouco mais. Quase cinco meses passados sobre a desgraça de Pedrógão, veio o não eleito primeiro-ministro visitar, com hordas de jornalistas à perna, as primeiras casas em recuperação. De resto,nada, ou quase.

Numa coluninha da esquerda, um jornal deu-nos novas da Galiza. Menos de uma semana  depois dos incêndios os trabalhos de reabilitação e reflorestação do terreno queimado começaram a ser feitos em 10.500 hectares dos 35.000 afectados que a Junta da Galiza considera prioritários. Outros se seguirão. Para estas primeiras impressões, três milhões de euros foram de imediato destinados. No próximo mês e meio trabalhar-se-á para evitar a erosão e humidificados os solos. Serão feitas drenagens e canalizações para água e construídas barreiras para prevenir derrocadas aquando das primeiras chuvas. A Junta está a colocar texteis de protecção para evitar a contaminação por cinzas em vivieros. Para cada primeira casa destruída a Junta põe à disposição até 100.000 euros e, para cada segunda casa, 40.000. Mais três mil para cada curral ou barraca agrícola.

Já ouviram falar, em Portugal, nalguma coisa parecida?

Por cá, é o que se sabe. Discussões, desresponsabilizaçõs, nomeações, teorias à fartazana. A água sacudida do capote da geringonça daria para apagar os fogos. É de aplaudir, não é?

 

26.10.17

APONTAMENTOS DE TERÇA FEIRA

 

O Estado vai apropriar-se de 54% do SIRESP, disse o extraordinário Cabrita, sem mais informação. Como a coisa é, ou era, uma PPP, não foi dito qual era a participação do Estado, nem o que o Estado andava por lá a passarinhar. Não se deu satisfações sobre o que muda, nem sobre o que se vai fazer: expropriar, comprar, obrigar os privados a vender, como, por quanto, qual o propósito, porque é que o aumento de poder do Estado põe a coisa a funcionar melhor e como, de que investimento público se trata (compra mais o quê?), ou se trata de atirar areia para os olhos dos portugueses que, na opinião da geringonça, não devem passar de uma chusma de parvos.

O mesmo indivíduo declarou que, por causa dos fogos, é preciso “educar as populações”. Deve tratar-se de educação de adultos. Ou, mais provável, de pôr as culpas para as costas do tal povo, deseducado e estúpido?

*

Sem mais nem menos, a ANACOM, uma “reguladora”, veio dizer que descobriu que as centrais de comunicações estavam cheias de lixo, folhas, papéis, pó, terra, etc., razão pela qual, aquando dos fogos, não funcionaram. É caso para perguntar o que anda tal gente a fazer, já que, como confessa o seu presidente, tais centrais nunca foram limpas.

*

Apertado por um deputado, Costa disse “se quer que eu peça desculpa, eu peço desculpa”. Acrescentou que “ficava com esse peso na consciência até morrer”. Resta saber o que lhe ficava na consciência: se as toneladas da monumental pessegada de que é culpado, se o facto de ter dobrado a espinha perante o aperto da oposição.

*

Santos Silva declarou que, por causa dos acontecimentos na Catalunha, os portugueses que lá vivem não têm, nem vão ter, qualquer sombra de problema. Faz lembrar o Álvaro Cunhal quando, vindo da Ucrânia, declarou que aquilo de Chernobil era um pequeno acidente sem importância nenhuma.

 

Assim vão as coisas.

 

24.10.17

CORRECÇÃO

 

Uma correcção correcta, não no sentido da geringoncial filosofia, isto é, mesmo correcta.

Há dias, referiu o IRRITADO que havia mais de 20.000 indígenas à espera de cirurgias no SNS, dos quais uns 10% acabaram por morrer sem honras cirúrgicas. Hoje, as notícias referem números diferentes. Assim: “No final de 2016, havia mais 27.000 doentes em lista de espera para ciriurgia, do que no ano de 2014”.

Fico sem saber ao cero que números estão mais correctos ou menos correctos, mas não deixo de assinalar a notória diferença entre o Estado Social da social-comunista geringonça e aquele dos horríveis tempos do governo “liberal” e “anti social” de Passos Coelho.

Para ver se as pessoas percebem melhor com quem andam metidas.

 

23.10.17

INFORMAÇÃO ISENTA

 

Anda para aí muita gente, e muitos “reguladores”, assustadíssimos com as virtuais consequências da compra da TVI pela Altice, no que se refere à isenção informativa.

Aqui vai um exemplo de isenção informativa.

A respeitável TSF anuncia hoje, em magnas parangonas, que nos vai brindar com as isentas opiniões de um isento leque de opinativas criaturas, a saber: Carlos Carvalhas, Francisco Louçã, João Cravinho, Bagão Félix e Manuela Ferreira Leite.

Dois comunistas, um socialista de esquerda, um tipo, ex-“independente” do CDS e habitual companheiro do Louçã e de outro xuxa nos jornais, e uma fulana que anda há seis anos a dizer cobras e lagartos do PSD, não tendo hoje outra que não seja essa “credibilidade”.

Quando há tantas e tão tremebundas inquietações por causa da Altice, bem podiam os inquietos virar-se para a “isenção” já hoje presente em órgãos “de referência” como a TSF.

 

23.10.17    

O MISTÉRIO DAS PERNAS

 

Num dos seus habituais artigos de Domingo, o jornalista/socialista Vicente Jorge Silva, depois de judiciosas considerações sobre os incêndios - que revelaram a “insensibilidade inexplicável de Costa”, bem como a sua “cegueira” e a sua “rendição inevitável” às “exigências” do senhor de Belém – entra numa acerba crítica ao governo.

Na douta opinião do homem, este governo tem duas pernas, uma boa, que “funciona”, e uma má, que não presta. A perna boa é o Costa e o Centeno, a perna má é o resto, sobretudo os chamados ministros da defesa, dos negócios estrangeiros, da administração interna, da saúde, da justiça, da educação, da cultura, tudo fulanos “incapazes” e/ou “decorativos”. Um executivo “disfuncional”. Por isso, não basta uma demissãozinha “parcial e de emergência”, é preciso uma “remodelção global”.

É um gosto ver socialistas a ter consciência das coisas. Mas fica um mistério por resolver, o da perna boa. Então o Costa, “insensível” “cego”, chefe de um governo “incapaz” e "decorativo", é a perna boa? E o Centeno, primário ambicioso, comprador de votos, clientelista de gema, a cavalo no que outros fizeram, lançador de impostos, inimigo das empresas e da economia, fabricante das mais discutíveis e ruinosas manigâncias propagandísticas, impulsionador da dívida, faz parte da perna boa?

O raciocínio está de pernas para o ar, o homem leva o seu “pêèssismo” estrebuchante aos píncaros e finge não perceber que acha boa a pior das duas pernas, Costa e Centeno. Os outros, a perna má, não são mais que uma triste mas lógica consequência dos primeiros.

Não sei se o chamado governo tem ou não tem duas pernas. Mas, como quem se preze e aos demais não deixará de concordar, sei que uma remodelação “global” seria bem vinda, isto é, não devia ficar ninguém fora dela, a começar pelo Costa e pelo Centeno.

 

23.10.17

É PENA

 

Não conheço os Azevedos, nem Belmiro nem Paulo. Vi uma vez o primeiro, num funeral, nunca vi o segundo.

Mas são, por boas razões, o que se chama figuras públicas. O patriarca tem a enorme vantagem de nunca, que se saiba ou veja, se ter metido em trafulhices nem em politiquices. Fez caminho sem se lhe notar especiais privilégios ou favores suspeitos. Com muito dinheiro, tem uma vida comum, um carro velho, não parangona helicópteros, aviões, ilhas no Brasil ou férias milionárias em sítios “exclusivos”.

Posto isto, vamos à parte chata. O filho, herdeiro e CEO do formidável grupo, deu em vir à praça mandar bocas. Triste originalidade.

Não sei se a compra dos restos mortais da PT pela Altice, bem como a projectada compra da TVI pela dita, são coisas boas, más ou assim assim. A tal respeito, sei que o Costa, em manifestação do mais primário socratismo, odeia a coisa, o que muito abona em favor dela. Mas fico por aqui.

O que choca é que o Paulo tenha vindo dar à casca para os jornais, ainda por cima com insinuações de corrupção, e de corrupção a meter num chinelo as “negociações” que motivaram a Operação Marquês. Não estamos habituados a este tipo de “intervenção” por parte da Sonae. Sempre foram discretos, nunca mostraram medo da concorrência, nem se lhes conhecia tendências para a “fama”. Insatisfeitos com não decisão dessa ridícula, profundamente inútil e desnecessária organização que “regula” a comunicação social, rebentaram com as suas melhores tradições e vieram – veio o Paulo, tão ridículo quanto ela – mostrar os dentes à Nação.

É pena.    

 

22.10.17

DESCANSAI, Ó GENTES

 

Nos já recuados tempos da II República, conheci um alto funcionário público que, quando alguém lhe pedia um favor, respondia: “fique descansado...”. Quando o outro virava costas, o nosso homem continuava “...que eu também fico”.

Mutatis mutandis, é mais ou menos o que se vai passando na III República, ainda que corrigido, aumentado e desgraçado. O ministro Costa, há para aí dez anos, fundou a “protecção civil”. Disse-nos que ficássemos descansados. Ficou descansado. O mesmo indivíduo, com a desculpa da “poupança”, tirou meios ao SIRESP. Ficou descansado. Este ano, veio a tragédia de Pedrógão. A criatura disse que era uma chatice, mas que ia fazer mundos e fundos. Ficou descansado, e não fez nada. Responsabilidades, zero. Ficou descansado. De tal maneira que informou as hostes de que estava à espera de um relatório. À espera, ficou descansado. A sua amiga Constança recebeu mais uns relatórios. Ficou descansadíssima, ao ponto de desactivar aviões, bombeiros e vigilantes, decretando, com o apoio do chefe, o fim da fase “Charly”. O chefe descansou com ela. Veio nova tragédia. Costa disse umas coisas com a alta frieza do poder, e até pediu que não o fizessem rir. Ficou descansado. Veio o senhor de Belém, e deu-lhe uma memorável descasca. O homem anunciou um conselho de ministros para tratar do assunto. Ficou descansado. Amanhã, no conselho de ministros, tomará sonoras medidas, a concretizar sine die, e ficará descansado outra vez. Se a oposição discordar de alguma vírgula, mandará passear a oposição e dirá que é tudo chicana, partidarite e manobras dilatórias. Se houver azar, a culpa será da oposição. Voltará ao descanso. Daqui a um ano haverá menos incêndios porque já há menos para arder. Dirá que foi obra sua. E ficará descansado. Daqui a dois anos – o tempo suficiente para ficar descansado, espera-se que definitivamente – estará tudo mais ou menos na mesma.

Um descanso.

 

20.10.17

DESCULPAS DA MAU PAGADOR

 

Bem pode o BE ter ataques de histerismo contra os eucaliptos. Bem pode o storyteller Tavares perorar “cientificamente” sobre os mesmos. Bem pode o chamado governo tergiversar sobre o assunto. Bem pode opinião pública estar injectada com este achado de um bode expiatório para os incêndios.

Não é por isso que os eucaliptos deixam de ser parte não neglicenciável da sustentação e da sobrevivência de um ror de proprietários florestais pobres. Não é por isso que os eucaliptos deixam de ser a matéria prima nacional para um dos mais importantes sectores exportadores do país com valor acrescentado próprio. Não é por isso que os eucaliptos deixam de proporcionar milhares de postos de trabalho, milhões de receitas para o Estado, prosperidade para muitos municípios.

Parece pois que há que proteger a floresta de eucaliptos, os mais dos quais ocupam zonas onde explorações de outra natureza não são viáveis ou rentáveis. A propaganda anti-eucaliptos é fruto, ou da ignorância activa sobre o assunto, ou da “religião” ideológica contra tudo o que renda dinheiro a sério, estilo luta de classes a conduzir à miséria, à desertificação e ao marasmo.

O problema é como protegê-los, orientá-los, regulá-los. Ou seja, o problema é uma questão de Estado. Não é, ao contrário do que se diz por aí, um produto da “ganância” dos industriais, porque os industriais tratam melhor as suas florestas que o Estado trata as suas ou vigia as de terceiros. Não é uma questão derivada de provocarem incêndios, mas outra, a de gestão pública do território. Sabe-se que muitos incêndios são alimentados pelo mato, coisa que, em eucaliptais, não tem o peso que outras espécies provocam. Há falta de limpeza, de gestão, de conhecimento técnico. Com certeza. Abandono, com certeza. Porquê? Neglicência ou, na maioria dos casos, falta de rendimento que financie o tratamento de explorações demasiado pequenas. Então, é função do Estado enfrentar o problema do emparcelamento e do apoio à gestão.

Está mais que provado que o Estado, sobretudo o Estado geringoncial, não mexe uma palha nas florestas que dele dependem – olhem o pinhal de Leiria! Está mais que provado que as estradas não têm limpeza das bermas, que não respeitam os limites do coberto vegetal, que não há vigilância da sua manutenção. Tudo escopo do Estado, não dos eucaliptos ou dos seus proprietários. Está mais que provado que as construções, ou as povoações cercadas de floresta não têm áreas de protecção. Tudo competência do Estado central ou do Estado/autarquias. Está mais que provado que as polícias investigam pouco e que a Justiça trata os incendiários com desvelado carinho. Tudo problema do Estado.

Então, meus senhores, tratem do que há a tratar em vez de de andar a entreter a malta com parangonas idiotas sobre eucaliptos!

 

19.10.17

UM MUNDO DE RESPONSABILIDADES

 

O monumental cagaço que o chairman da geringonça pregou ao Costa e à sua gente veio pôr em causa o esquema em vigor.

Por um lado, o senhor de Belém chicoteou a organização. Por outro, o cheque (não mate!) virou-se contra o próprio, isto é, infirmou a estratégia que o fazia andar com a geringonça ao colo. Acordou tarde, mas com força e raiva perante a traição dos seus protegidos. Vamos ver o que se segue, isto é, se, partida  a loiça, ela volta a ser colada, ou se Sua Excelência deixou de vez de confiar em tal gente. Crises de confiança são, às vezes, fatais em organizações deste tipo. Não será o caso. Se me é dado prognosticar, acho que a loiça vai ser rapidamente restaurada, colada e pintada, pelo menos até que sobrevenha outra bronca qualquer.

*

Tem uma sinistra piada a história da demissão da dona Constança, ora promovida a professora pelo CEO da geringonça. Depois de quatro meses a dizer-se indispensável, que nem sequer foi de férias, que o povo é que tem que ser “resiliente” e “pró-activo”, que não é tempo de demissão mas de acção (o rol de parvoíces é tão vasto que é melhor ficar por aqui), resolve comunicar às gentes que só tinha ficado no lugar por imposição do chamado primeiro-ministro. Não bate certo, mas pode ser que tenha o seu toque de verdade.

É possível que o fulano tenha, nesmo antes de Pedrógão, percebido que a rapariga não servia. Mas guardou-a de reserva. Se houvesse azar, podia ser útil. E foi, como os factos provam. Durante quatro meses, a ministra continuou, por acção e omissão, a fazer as suas asneiras, sempre com o apoio activo do chefe, que ficava na sombra. Não previram, nem um nem outro, que as coisas dessem para o torto como deram. Ele, muito ocupado a evitar que a geringonça gripasse, tinha na criatura o respaldo necessário em caso de azar. O problema era dela, não dele.

Mas sobreveio o pior. Ainda por cima o chairman resolveu resingar, a dona Constança foi à vida e o verdadeiro responsável por tudo ficou à vista. Uma chatice.

A carta que a senhora escreveu ao Costa e comunicou ao povo é uma espécie de vingança. Ao dizer que só ficou no poleiro este tempo todo por imposição do chefe (o que não deve ser verdade porque ela não queria ir-se embora, como afirmou vezes sem conta) está a dizer que o verdadeiro responsável é ele. Sendo certo que o indivíduo jamais se considerará responsável seja do que for (ele só é “responsável” por coisas boas com que pouco ou nada têm a ver), a verdade é que foi rasteirado pela Constança.

Gente fina.   

 

19.10.17

“ANÁLISE”

 

Vale a pena, antes de a Moção de Censura ser chumbada, fazer uma apreciação política dos tipos que se dizem legítimos para mandar nisto.

A saber:

- António Costa – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), indivíduo que não olha a meios para chegar ao poder, especialista em propaganda, totalmente incompetente a não ser em parlapaté, indivíduo alheio a qualquer sentido de responsabilidade ou culpa, passada ou presente, isento de sentimentos...

- Santos Silva – sobrevivente do socratismo, conhecido como trauliteiro mor do PS, a man for all seasons, destituído de qualquer responsabilidade em relação ao passado, tempo em que nunca viu nada, nem desconfiou de nada, medroso em política externa, palavroso de alto coturno...

- Centeno – obscuro funcionário do Banco de Portugal, homem que cavalga a onda europeia e os dinheiros do turismo e os usa a crédito da propaganda, homem cujas prescrições deram o resultado contrário ao que afirmou que dariam, responsável por orçamentos tendentes a destruir a economia e a dar de comer à clientela, criatura que tem aplicado de pernas para o ar as suas próprias teorias, ridículo pretendente a substituir o Jeroen...

- Azeredo Lopes – abaixo de palhaço, um ignorante chapado, que já era ridículo nos “reguladores” que não regulam, ainda mais ridículo cada vez que abre a boca, ignorado serventuário do Moreira do Porto convertido ao PS costista, uma vergonha nacional se houvesse disso...

- Cabrita – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), um “adiantado” ao estilo do BE, adepto de tudo o que for “fracturante”, desbocado, convencido e antipático...

- Tiago Rodrigues – homem que respira bolchevismo e que, em menos de dois anos, já conseguiu os piores resultados educativos da III República, já acabou com a avaliação dos professores e agora diz que “precisam de formação", uma desgraça nacional, fiel servidor dos sindicatos comunistas...

- Vieira da Silva – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), fez uma “reforma da Segurança Social” que meteu na gaveta por inexequível e bronca e vai vivendo à custa das circunstâncias favoráveis sem mexer uma palha que não seja substituir este mundo e o outro por boys a soldo...

- Adalberto Fernandes – não sei de onde vem, mas sei que há mais de vinte mil cirurgias com anos de atraso (dez por cento dos expectantes já morreram), que tem o Tribunal de Contas à perna, que tem feito tudo o que pode para arruinar o SNS, que já tem mais dívidas ao mercado do que aquelas que poderá pagar, uma obra de destruição nunca vista...

- Pedro Marques – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada) muito conhecido, ao tempo, por estar sempre a espreitar, na televisão atrás do Lino o de outro qualquer, cujas dívidas amontoadas são de muitos milhares de milhões...

- Caldeira Cabral - Antigo propagandista do socratismo na TV (nunca deu por nada), há dois anos no poleiro sem ter feito nada que se veja...

- Capoulas – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), tem-se na conta de um Dom Dinis do século XXI, aprovou uma “reforma da floresta” há um ano mas esqueceu-se dela logo a seguir e ficará para sempre célebre pela “gestão” das florestas do Estado, tais os pinhais de Leiria...

- Pedro Nuno Santos – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), homem que prometeu pôr a Merkel e o Schäubel de joelhos, que disse que “cagava” na dívida, hoje campeão da geringonça, afinador de cedências ao BE e ao PC, uma figura sinistra...

- Perestrelo (com dois èles) – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), continua, feliz quão ignorado, a fazer carreira na defesa ao fiel serviço das palhaçadas do Azeredo Lopes...

- Mourinho Félix – não sei quem é nem de onde vem, mas sei da imensa vergonha do seu diálogo com o Jeroen, com serviço televisivo às ordens, dos seus passes de alrabófona dança no caso Domingues/CGD, etc....

- Eurico Dias – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), andou a fazer flores contra a fundação da geringonça, mas é hoje um dos seus mais felizes e fidelíssimos apoiantes...

 

Há mais. Fico por aqui. Não falo da dona Constança nem de um tal Gomes, cuja geringoncial história toda a gente desgraçadamente conhece. São cadáveres adiados por quatro meses mas hoje já em fase de arrefecimento...  

 

18.10.17

COSTA, O INOCENTE MOR

 

Costa devia estar com sono quando disse, às duas da manhã de ontem, o chorrilho de asneiras a que já nos referimos. Já bem dormido, porém, por volta das oito da noite, solenemente, com cenário montado na residência oficial, excedeu-se: bem acordado é ainda pior que com sono.

Diz o fulano que a “reforma florestal” foi aprovada em Junho de 2016. Qual reforma? Ninguém deu por nada porque nada foi feito, a não ser um turista político que se diz ministro ter declarado que o Dom Dinis não lhe chega aos calcanhares. Costa não sabe disso. O sistema da “protecção civil” foi concebido e montado por Costa. Costa não se lembra. Os respectivos dirigentes foram, nas vésperas dos incêndios, postos na rua e substituídos por boys. Costa não estava cá. O sistema SIRESP, na sua forma actual, foi obra do Costa, obtida à pala de cortes na despesa. Costa ignora. Pedrógão foi há quatro meses. Daí para cá, o que aconteceu? Aconteceu que governo de Costa decidiu administrativamente que a saison dos incêndios estava encerrada, retirou meios do terreno e encerrou torres de vigilância. Costa estava distraído. Os tipos da meteorologia anunciaram nova onda de calor. Costa, nesse dia, tinha a televisão avariada, ou equivalente. Conclusão, Costa, na sua angelical inocência, não passa de uma vítima de hordas de inimigos que se acastelam por aí.

É por estas e outras que Costa se apresenta, importante e poderoso, à Nação. E justifica-se: esteve quatro meses à espera do relatório da comissão de sábios. Antes disso, que havia ele de fazer? Demitir a ministra? Coisa ”infantil”, nem pensar. A ministra é o seu escudo de protecção, isto é, enquanto a malta andar distraída com ela, ele fica de fora. O relatório da tal comissão, esse, mais do que um escudo, funciona como muralha. O governo estava à espera dele, boa razão para não fazer nada. Na sua miserável arenga, Costa falou da muralha umas cinquenta vezes, iludiu questões incómodas, repetiu à exaustão e a despropósito a mesma cassete, bailou, deu a volta pelo lado.

Não pediu desculpa, nem aos vivos nem aos mortos, não aceitou responsabilidades, não admitiu falhanços governamentais: os falhanços são todos de outrem que não ele. Bailou num mar de inanidades, de fantasias, de palermices repetidas ad nauseam.

Há quem ande a chatear o Costa com este fait divers dos incêndios, e logo no momento em que ele estava, com os colegas e camaradas da geringonça, a tratar da clientela, a segurar as sondagens com uns tostões. Que injustiça!

Sem sombra de ironia, quem devia ser demitido era o governo em peso, porque o povo sofre na carne a incompetência e a desonestidade do primeiro ministro, do seu partido, dos seus apoiantes parlamentares, do infame esquema que Costa montou. Mas, sendo de esquerda, não é “demitível”. A moral republicana funciona.

 

17.10.17  

OS IRRESPONSÁVEIS

 

Fiquei embasbacado, revoltado, impressionado, furioso.

Primeiro, com mais trinta e tal mortos (número provisório) em incêndios, coisa nunca vista.

Depois, com os galegos a dizer que as coisas por cá não funcionam (até os galegos já perceberam!) e que é por isso que os fogos chegaram à Galiza vindos do Sul, já com meia dúzia de cadáveres contabilizados.

O embasbacanço e o resto atingiram, porém, os píncaros, com a intervenção do chamado primeiro ministro às duas da manhã de ontem.

Vindo, é de pensar, do Toys R us, disse que não tinha “solução mágica para o problema” e que, por isso, podemos estar descansados porque nos próximos anos “há mais”. Não ficou por aqui com a brincadeira, já que acha que demitir a ministra seria “infantil”, ou seja, brincadeira sim, mas só para púberes, o que é o caso da senhora e dele mesmo, que não são “infantis”. A ministra, aliás, na expressa opinião do indivíduo, não tem nada a ver com responsabilidades, muito menos políticas: fica implícito que ele também não, já que as responsabilidades não devem fazer parte da “palavra honrada”. Outra grande descoberta do senhor Costa foi a de que afinal o SIRESP não falhou. grande no vidade, a contrariar a habitual versão oficaial dos bodes expiatórios.

Enfim, depois de declarações destas, tudo é possível. Daí que o ilustre senhor sido ajudado por um secretário de estado não sei de quê veio dizer que as pessoas “não podem ficar à espera dos bombeiros”, “têm que ser as pessoas a combater os fogos”, “temos que nos auto-proteger”.

Sobre a origem dos incêndios, nem uma palavra. O mundo inteiro já percebeu que há marosca, isto é, que há crime, e crime organizado a mandar muito mais que o governo, que não tem nada para dizer: nem reforço das investigações, se é que as há, nem operações policiais ou militares para procurar os culpados. Zero. Nada de caça às bruxas.

Nos próximos anos há mais. Habituem-se e auto-protejam-se. O governo tratará do assunto em dez anos. Esta do governo a dez anos, é a maior de todas as ameaças. Que o homem é aldrabão toda a gente sabia. Mas que se queira aguentar mais dez anos, t’arrenego!   

 

16.10.17

NÃO HOUVE NADA!

 

A distinta comissão parlamentar de inquérito ao caso Domingues chegou à conclusão que não houve qualquer acordo quanto ao estatuto da administração da CGD.

E eu, que julgava ter visto e ouvido o chamado primeiro-ministro declarar que os administradores nomeados teriam o mesmo estatuto dos gestores privados. E eu, que julgava ter assistido ao ministro das chamadas finanças a meter os pés pelas mãos, sem nunca ter a coragem de assumir os compromissos que tinha assumido nem de fazer o contrário, acabando  pelo célebre “erro de percepção”,  coisa que, evidentemente, não pode deixar de ser interpretada como confissão de tais compromissos. E eu, que julgava que a dança dos emails era, evidentemente, uma maneira desonesta de esconder a verdade.

Devo ter sonhado. Após tempos infindáveis de doutas discussões na tal comissão, com o assunto já passado à história, o relator, um obscuro deputado do PS, concluiu que era tudo mentira. E o "relatório" foi aprovado!

Há quem diga que o Trump é que é especialista em “pós-verdades”. Talvez. Deve ter tirado uma pós-graduação no Largo do Rato.

 

16.10.17

DA CRISE DO REGIME

 

Praticamente unânime é a opinião dos intelectuais/opinadores/”cientistas” políticos e produtores de bocas que peroram e escrevem acerca de uma crise do regime, de que será testemunho o facto de a gigantesca trafulhice que nos pôs de boca aberta estar agora a contas com a Justiça.

Pelo contrário, o regime dá sinais de vitalidade.

Passo a explicar. O regime - a democracia liberal - tem o Estado de Direito como um dos seus esteios. Depois de anos e anos em que a Justiça andou de mãos atadas às ordens do PS e dos amigos e admiradores do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, eis que, com Passos Coelho, reganhou independência e agiu em conformidade. Com Passos Coelho acabaram os conluios com o chamado poder económico (veja-se o caso BES), a comunicação social não mais foi sujeita a pressões e a manobras para o domínio do seu capital e dos seus profissionais, o governo deixou de se meter em negócios escuros de terceiros, a banca deixou de ser instrumento de inconfessáveis políticas, a Justiça reganhou algum direito ao respeito dos cidadãos. Portanto, a acusação da operação Marquês é um sinal, não de uma crise do regime, mas do seu funcionamento.

Sinais de crise do regime tem havido muitos. O golpe de Estado de Sampaio torceu a lógica do regime. A ascensão ao poder de António Costa acabou com quarenta anos de respeito pelos resultados eleitorais. Nesses casos, meros exemplos, o regime foi posto em causa. Não o foi pela actual acusação.

Como muitas outras, esta é crise do PS, ou provocada pelo PS. O que está em causa é a governação do PS, a forma de o PS se “safar” de todas, ao ponto de legislar ad hominem para punir juízes inconvenientes, de se conluiar com actos de banditismo e com interesses suspeitos. Ao longo de muitos anos, o PS tem comandado e provocado crises umas em cima das outras, sempre “sem culpa”. Os companheiros da bancarrota, adeptos ferozes do chefe da trafulhice, levaram anos a aplaudi-lo e a segui-lo, e voltaram ao governo como anjos injustiçados e perseguidos. Não viram, não ouviram, nada disseram. Pelo contrário, aplaudiram, apoiaram, chamaram nomes a terceiros, aos que queriam pôr as coisas no são.

Crise de regime, sim, mas não pelas razões invocadas pelo exército dos intelectuais/comentadores/”cientistas” políticos e produtores de bocas.  Crise é o poder político que temos. Crise é, por definição, o PS e os seus parceiros.

 

14.10.17

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

 

Passando os olhos pela memória, lembro que pelo menos uma boa meia dúzia de socialistas, hoje no governo, foram membros dos governos do seu bem-amado Pinto de Sousa, dito Sócrates.

A começar pelo chamado primeiro ministro Costa, temos Santos Silva, Cabrita, Vieira da Silva, Pedro Marques, Ana Vitorino, Perestrelo..., um poderoso escol. De assinalar também que Costa era número dois do líder Sócrates, Santos Silva o politicão de serviço permanente à defesa do dito, e por aí fora.

Repescados do socratismo, desempenham hoje com altiva eficácia as funções que lhes foram confiadas por escolha do PM e investidura pelo senhor de Belém.

Compaginando estes factos com a acusação ontem publicitada sobre a rede de trafulhices daquele tempo, ocorre-me perguntar se estes senhores nunca perceberam nada do que se estava a passar debaixo do seu nobre nariz, se andavam a dormir na forma ou se, coitadinhos, foram apanhados de surpresa.

Faz lembrar a história dos três macacos, o que não via, o que não ouvia, o que não falava. Os nossos actuais governantes fazem o pleno dos três macacos: cegos, surdos e mudos.

Por isso, sejamos justos: estes senhores nunca deram por nada, nem ao tempo, nem agora. Razão porque nunca pediram desculpa do que ajudaram a fazer (a banca rota), ainda menos, por desconhecimento, da monumental tramoia em que estavam metidos – coitadinhos, sem saber de nada. Há quem como disto?

Há é quem diga que é tudo falta de vergonha, ausência total de responsabilidade e de honorabilidade. Há quem diga que, se tivessem disso, jamais teriam o topete de voltar à tona da política.

Como é óbvio, quem tal diz é malévolo, intriguista e caluniador. Razão pela qual o IRRITADO, como é claríssimo, não entra em tal coro.

 

13.10.17

PRECATEM-SE

 

Foi há trinta anos que a história começou. Descido de beirãs terras, um badameco local, ignorado técnico camarário, especializado em assinar projectos de terceiros e obscuro sócio do PS local, chegava ao Parlamento. Segundo a informação disponível era um tipo dado a ecologias, razão pela qual criaria e chefiaria a até então inexistente ala a tal dedicada nas hostes maçónicas, jacobinas, social-democratas e proto-marxistas da organização.

Como tantos outros (Vara e Lima, por exemplo), deslumbrou-se com Lisboa e com o mar de oportunidades em que a grande cidade era pródiga. Na giga-joga partidária, uma certa palheta e a desenvoltura atrevida dos ignorantes foram determinantes para uma ascensão a que, pouco tempo depois, Guterres foi sensível, nomeando-o secretário do ambiente. Aí, os horizontes dos negócios e do poder, não os da política propriamente dita, abriram-se-lhe de par em par, atraindo-o para voos mais altos e mais valiosos que as manobrinhas camarárias das berças. O “ambiente” transformara-se no negócio milionário que continua a ser, da limpeza de supermercados às “energias renováveis”. O homem convenceu-se de que era gente. Gente que, no triste panorama do partido, facilmente ganhou direito de cidade. Estava lançada uma carreira de sucesso.

A inteligentsia do partido percebeu que tinha à disposição um palavroso fala-barato, o ideal para a ala mais numerosa e mais ignorante do eleitorado. De ministro a líder, de líder a primeiro-ministro, foi uma viagem sem escolhos, uma avenida pavimentada pelo golpe de Sampaio que destruiu “ex-catedra” a maioria parlamentar existente para a substituir pelos seus.

Depois, foi o tresloucado caminho que se conhece, em que a “verdadeira” política falava de cifrões e se ia disfarçando com algumas modernices. Entretanto, as broncas eram às catadupas. Mas, alicerçado nos que hoje estão de novo no poder e em certas amizades institucionais, o nosso homem ia evitando a chuva que molhava terceiros.

Saídos os amigos do galarim da Justiça, arruinado o país, vindo um novo poder menos permeável a negociatas e arranjinhos, as coisas mudaram radicalmente. As estrelas que iluminavam o badameco apagaram-se. Ainda que os companheiros do sucesso tenham voltado à tona, fizeram-no rodeados de cuidados e com a água bem sacudida do capote.

O pobre “engenheiro” anda a contas com a Justiça. Seja o que for que esta decida, a careca está à vista de toda a gente.

Mas já não seria a primeira vez que um tipo destes regressava em glória. Adeptos não lhe faltam, alguns bem poderosos.

Precatem-se.

 

12.10.17  

DOS CRIMES DA GERINGONÇA

 

Já aqui fiz eco das notícias da nova lei das malucas do BE, gentilmente apoiadas pelo PS e pelo PC, sobre o “acolhimento” de estrangeiros. É bom lembrar que Passos Coelho foi acusado de xenófobo e racista por se ter oposto a tal trampa.

Estava o IRRITADO longe de imaginar até que ponto seriam rápidas as consequências da loucura esquerdista em que vegetamos. A própria imprensa, habitualmente palco de geringoncial servilismo, dá conta da situação.

“Estado já legaliza cadastrados por razões humanitárias”. E não são uns cadastrados quaisquer: são assassinos e outros condenados por crimes violentos, traficantes de droga, etc., os quais, desde a entrada em vigor das novas normas já vão em cerca de duas dúzias. Por razões “humanitárias”: para eles, claro, não para os portugueses. Não sei o que chamar a isto, por falta de adjectivos que reflitam com propriedade o monstro legislativo parido pela ideologia triunfante.

Entretanto, as “cartas de intenção” estão aproduzir os seus efeitos. Desde a entrada em vigor da celerada lei (há um mês) já são mais de 12.000 os pedidos de visto com base na intenção (manifestada por quem, como, com que credibilidade?) de, eventualmente, lhes vir a arranjar emprego. Uma súbita fartura de cartas de intenção de “generosas”, aldrabonas ou aldrabadas criatutas. Falsificações ao pontapé. Só numa semana (11 a 18 de Setembro) foram 4.000!

Em todos os palcos à disposição (incêndios, Tancos, etc.) vem a geringonça tomando conta da destruição da nossa segurança e, no caso, da da Europa.

Se houvesse justiça, ou segurança, ou Estado democrático, os criminosos estrangeiros seriam expulsos. Com eles bem se podia expulsar a geringonça. Menos criminosa não é: se aqueles foram violentos contra outros indivíduos, as vítimas da geringonça somos todos nós.  

 

11.10.17

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