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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

TELEJOIAS

Nos pátrios telejornais há milhões de bojardas, de pontapés na gramática, de frases sem sentido, proferidas por gentis meninas e distitntos cavalheiros.

Para animar a malta neste fim de ano, aí vão duas pérolas da TVI24, ouvidas ontem pelo IRRITADO com grande prazer, e aqui reproduzidas com integral respeito pelas respectivas mensagens:

- Em alternativa à greve dos barcos do Tejo, vá de Metro.

- Na noite de fim de ano vai haver dificuldades para chegar à Baixa. Por isso, se não tiver transporte próprio, use os transportes públicos.

Boas entradas.

 

31.12.18

MUTATIS MUTANDIS

 

O Senhor Costa, grande educador do povo e seu máximo dirigente, num natalício assomo de honestidade disse à gleba que “não alimente ilusões” quanto ao “progresso”. Atónita, a gleba duvidou. Então, este senhor, que anda vai para quatro anos a mostrar os dentes (ou a arreganhar a taxa – horribile visu -, como soe dizer-se), anunciando que tudo está melhor, que estamos a disfrutar de longo e firme caminho para a felicidade total, que a estabilidade governativa que conseguiu tem evidentes e brinhantíssimos resultados, que a sua extraordinária obra nos anuncia dias de resultados extraordinários e nunca antes vistos, vem agora decretar que o melhor é não alimentar ilusões e que o progresso pátrio não é de confiança?

Que lhe terá passado pela cabeça? Caíu na realidade, ou o tipo que lhe escreveu o discurso é um infiltrado da direita, ou do fascismo, a contradizer tudo o que antes afirmava? Não se sabe.

*

Há uns cinquenta anos, contava-se que o chefe do governo, senhor Salazar, mandou chamar um humorista que tinha a mania de contar anedotas a seu respeito. Disse-lhe: como é possível que você faça anedotas sobre a minha pessoa? Eu, que construí estradas, pontes, hospitais, que endireitei as finanças, que acabei com o nalfabetismo...

Respondeu o piadético: Descupar-me-á Vossa Excelência, mas essa não é minha...

 

Mutatis mutandis...  

 

26.12.18

ATASCADOS EM DIREITOS

Por exemplo:

Com que então, você, seu parvalhão, queria ir à santa terrinha no Natal, hem! Pois. Mordomias. Os mui nobres cidadãos da CP, pletóricos de civismo, atascados em direitos, decidiram que não vai, não senhor. Não queria mais nada? Longo curso nem pensar. Se quiser andar de comboio, vá do Cais do Sodré a Caxias, e já está com muita sorte. Em alternativa, meta-se no seu velho calhambeque, e faça-se à estrada. É porreiro, vai independente e, como ainda só morreram uns 14 na estrada - diz o capitão das relações públicas da GNR -, a coisa até é mais segura.

Há mais. Essa porcaria da hérnia discal que lhe faz a vida negra e que estava para levar umas facadas em Novembro, com sorte, talvez as leve em 2032, tudo por mor do SNS, organização estatal para a qual você anda a contribuir há 32 anos. É que, no abalizado parecer técnico dos enfermeiros, atascados em direitos e possuídos de civismo e de natalício amor ao próximo, você ou pagou pouco, ou é parvo. Tome umas aspirinas, se tiver dinheiro compre uma máquina de massagens daquelas que as brasileiras de mini-saia vendem nos centros comerciais, e vai ver como  vida lhe sorri. E deixe-se ficar em casa na noite do fim do ano em vez de ir para o Terreiro do Paço dançar com os rapers. Verá como é bom.      

Se tem pendências jurídicas e está à espera de solução, não seja chancho. Espere. Os doutos magistrados das mais diversas especialidades (iguaizinhos aos maquinistas, aos vendedores de bilhetes, aos estivadores, aos “docentes” e a outros), atascados em direitos, tratarão do assunto daqui a 22 anos, afinal só mais doze que os do costume. Alegre-se, os seus herdeiros vão lembrá-lo com carinho, se vierem a receber algum. Se tiver um advogado dos caros e for criminoso de colarinho branco, não pense mais nisso. Os seus bisnetos arquivarão a sentença junto à sua urna, com um ramo de rosas embrulhado em papel celofane.  

Você, cidadão atento, entretem-se a pensar em exportações, na balança de pagamentos e noutras patacoadas? Deixe-se disso. Reveja-se na ministra do mar que, 4 meses depois de deixar atravancar os portos, despertou do seu merecido descanso e, em boa hora, foi dar um jeito à coisa. Felizmente há governo, não é? Atascados em direitos e em consciência cívica, os estivadores colaboram com a Nação, como é seu dever.

*

O que vou escrever a seguir condenar-me-ia a uns anos na Sibéria, por intervenção da joint venture entre o Jerónimo e a URSS. Como a joint venture acabou, coitado, terá o dito que se contentar com umas farras do Arménio e do Nogueira. Dona Catarina, sem tropas que se veja, terá que fazer umas viagens de apoio aos inalienáveis direitos dos tipos da CP, dos juízes, dos porcuradores, dos estivadores, dos enfermeiros, dos professores e de outros serventuários do Estado, antes de me mandar para a choça, poder de que, por enquanto, não dispõe. Uma pena.

Passo a explicar o que me vai na alma. É que tenho a mania, eventualmente fascista, de que a cada direito corresponde uma obrigação. Muitos direitos, muitas obrigações. Julgo eu, por exemplo, que o exercício do direito à greve, quando em violento prejuízo, não do patrão, mas dos direitos dos outros, deveria uma contrapartida qualquer. À la limite, poderia ser compensado com o direito de o Estado/patrão pôr os abusadores na rua. Coisa que, como é sabido, no exercío das nobres funções públicas, é proibidíssima. Há até, dizem boas línguas, casos em que os titulares de tais funções, quando fazem greve, recebem a dois carrinhos. Como são muitos, o patrão Estado não tem forma de saber quem alinhou e quem não alinhou. Assim, não tem outro remédio que não seja pagar a todos. Os sindicatos, bem mais informados, pagam aos grevistas, assim cumprindo as suas obrigações para com os filiados. Tudo a bem da “devolução de rendimentos”, como é de moda. Bem visto. Como prémio de ter feito a vida negra milhões de servos da gleba não está mal.

Calculo que a modesta expressão desta opinião do IRRITADO levará a uma reunião de emergência do CRDVPC (Conselho Revolucionáro e Disciplinar de Vigilância do Politicamente Correcto), sob a presidência da dona Catarina, sendo secretário o careca, assessoras três esquerdoidas de primeira escolha e observadores os camaradas Jerónimo, Nogueira, Arménio e Costa. As deliberações serão unânimes e terão, à distância, o aval do aiatola Rafsanjani

Com o coração em tremebundo aperto, fica o IRRITADO à espera do veredicto do CRDVPC, última instância da inquisição do socialismo.

 

26.12.18

PROBLEMAS “INFORMÁTICOS”

Ontem, o jornal “Sol” contava uma história que mereceria muita tinta. Até ver, porém, não deu nada, nem se sabe quais serão os próximos capítulos.

Assim: desapareceram os registos dos concursos que seleccionaram os magistrados encarregados do(s) processo(s) do Pinto de Sousa et alia. Um erro do “Citius”, que não arquivou como devia? Um roubo? Manobra de algum haker? Tudo é possível. Até ver, as autoridades competentes na matéria ou não se pronunciam ou entraram no esquema do passa a outro e não ao mesmo.

O que se pode imaginar é que consequências poderá isto ter no desenrolar dos acontecimentos. À la limite, se os magistrados foram mal escolhidos, ou por processos que não estão nas NEP’s, então onde vão parar as investigações, as acusações, os 450.000 volumes já judiciosamente organizados, os interrogatórios, toda a pessegada judicial com que andamos a ser brindados há quatro anos? Se os magistrados foram mal escolhidos, coisa que nunca se saberá, já que os registos desapareceram, não irá tudo parar ao lixo?

Se assim for, teremos garantido o que muita gente já diz por aí: aos 95 anos de idade, o camarada Pinto de Sousa será condenado a ficar num lar de idosos, por deficiência motora. Isto se, entretanto, não tiver sido eleito Presidente da República.

Quem tanto já viu já com nada se espanta.

 

23.12.18   

COLETES À PORTUGUESA

Apesar da gigantesca propaganda que os media

(palavra latina, meios em português, mídia em analfabeto, analfabruto, brasileiresco, etc. )

fizeram à coisa, com “análises”, entrevistas, inverdades e patacoadas, as manifestações ditas dos coletes amarelos

(vestimentas usadas para mudar pneus e para fardar os “ministros” em jornadas “mediáticas”)

foram o mijarete que se viu.

Deram, além disso, lugar a inúmeras e inteligentíssimas intervenções de diversas e gradas figuras da praça política, das inanidades da dona Cristas (descontentamento popular) às acusações da dona Martins (tudo fascistas, extrema direita, perigosíssimos vândalos).

Têm desculpa: o que a coisa ia dar ninguém sabia, mas sabia-se que garantia tempo de antena aos que o não têm (a senhora do CDS) e aos que o têm às carradas, como a bloquista criatura.

No caso desta, haverá que deixar uma pergunta. Será que os coletes de punho erguido e boina do Guevara são de extrema direita? Terão mudado de sinais exteriores de estupidez? Eu sei que também lá estava um taradinho nacionalista radical, um tal Coelho, com dois ou três mânfios de bandeira da República às costas. Mas a extrema direita que faz vibrar a dona Catarina, terrível ameaça!, simplesmente não faz parte das flores do nosso jardim. Há para aí uns tipos que andam de moto (mota, em analfabeto) e gostam de porrada, e é quase tudo. Mas, assim como a PIDE gostava dos comunistas sob pena de não ter nada que fazer, o que estes pagavam na mesma moeda, a dona Catarina, sem fascistas no horizonte, coitada, fica descalça.

Quem muito deverá ter gozado com os coletes foi o Jerónimo, o Arménio e o Nogueira, entre outros. É que, nisto de manifestações, eles é que sabem, organizam, comandam, enquadram, fazem as coisas com profissionalismo e eficácia, têm regimentos devidamente instruídos, campos de treino, gente com quem vão à bola, autocarros, croquetes, etc.. Ficou demonstrado que não há Catarinas que lhes cheguem aos calcanhares, por muito que se metam ao barulho, como na história dos estivadores e noutras em que usam meter-se de calçadeira.

Enfim, uma jornada para esquecer. Outras virão, mas mais benfeitinhas, que isto não é para amadores.

 

23.12.18  

HIPOCRISIA

Estou muito comovido. O notável jornal privado chamado Público, conhecida publicação especializada em dar três no cravo e zero vígula quatro na ferradura (escolha o leitor o que é o cravo e o que será a ferradura – eu sei mas não digo) resolveu, com certeza a propósito do Natal, oferecer hoje ao ignaro público – o propriamente dito - uma primeira página página digna dos maiores louvores.

Mas não é só o tal público quem merece a prestimosa oferta do Público

Contemplada com um presente de estalo, uma das mais desagradáveis personalidades da vida pública cá do sítio aparece no dito Público devidamente fotografada a várias colunas da primeira página. Merecimento não lhe falta, dir-se-á no Largo do Rato, sede da organização que estará por trás da iniciativa (honni soit qui mal y pense!).

Da dita figura pública é parangonada a frase chave de uma entrevista que deve ser interessantíssima. Assim: “Olhar hoje o PSD é até confrangedor”.

(Declaração de desinteresse: não li, nem vou ler, mais nada do que a personalidade em causa disse ao jornal, já que é quase tão difícil não a ver e ouvir todos os dias como evitar os programas do futebol. Mesmo sem querer, já sei o que ela diz de trás para a frente, da frente para trás e ao atravessado.)

De olho arrevesado na fotografia, a criatura dá largas á sua generosidade, simpatia, categria mental, e caridade socialista. Calcule-se como sofre o seu terno coração, tão confrangido está com a situação do PSD. Sim, meus senhores, lá no Rato, só de pensar que o PSD está mal, chora-se pelos corredores, ouve-se gritos de dor, de compaixão, de tristeza, de profundo desgosto. O Senhor Rio, em que a ratónica tribo tem tanta e tão merecida confiança, que tão útil tem sido à agremiação e às suas causas, está em tão má situação que bem merece uma manifestação clara de tão confrangida simpatia.

Aqui fica, preto no branco, a solidariedade do IRRITADO.

 

22.12.18

ESCLARECIMENTO

O Senhor de Belém, em boa hora, promulgou o orçamento do estado da geringonça, documento destinado a que se perceba, mais uma vez, que o custo dos votos a ganhar e da baixa do défice é directamente proporcional ao valor das cativações e dos cortes na saúde, nos transportes, na educação, no investimento, na economia, tudo coisas, diga-se, sem importância de maior.

É claro que o anúncio da dita promulgação foi acompanhado de lamentações de vária ordem, tudo a dar a entender que o Senhor de Belém sabe o que se passa. A seguir, como conclusão lógica das suas opiniões críticas, o mesmo senhor diz que o orçamento é bestial e merece entrar em vigor.

*

Vem à memória do indígena o dia em que os tipos do gato Fedorento “entrevistaram” um comentador da altura, do mesmo nome que o Senhor de Belém, sobre a história do aborto. O “entrevistado” disse que sim, pois, o aborto era condenável, uma chatice, uma ofensa a isto e àquilo, e que, pois, não é, na sua opinião, claro, os sinais dos tempos, etc., pois, é evidente, quanto ao assunto a minha opinião, claríssima, paralelamente e vice-versa, muito clara.

*

Donde se conclui que, na mais alta opinião do país, o orçamento não presta para nada, por isso é óptimo e está no rumo certo, traçado pelo governo.

O IRRITADO, do fundo do coração, agradece o esclarecimento de Sua Excelência.

 

22.12.18

DA MINISTRA DA DOENÇA

 

Nunca fui contra as loiras, espécie que tem sido vítima de cruéis e imerecidas anedotas, todas tendentes a demonstrar a escassez de neurónios que, dizem os falocratas, é sua inelutável característica. Não estou de acordo: nas loiras como nas morenas há de tudo.

Posta esta posição de princípio, anuncio que estamos perante uma loira,  eventualmente oxigenada, que me dá razão: é altamente inteligente e até já foi objecto de um post nesta sede. Diz-se que é ministra da saúde de um governo que está mais apostado na propagação da doença que na defesa da saúde.  

Mal refeito das declarações de tal cidadã sobre o Hospital de Braga, apanho com a dita a perorar, sorridentíssima, na televisão pública.

O falador de serviço perguntou-lhe se já tinha morrido algum dos 6.000 indígenas que não foram operados por causa do banditismo dos enfermeiros. Arreganhando os dentinhos, a senhora respondeu que não sabia, nem tinha nada com isso. Perguntem aos bastonários, disse ela (!!!). Admirável coerência com a postura governamental: nunca, jamais, a geringonça foi, é, ou será responsável seja por que desgraça for, nem sabe nada dessas coisas.

A propósito das cirurgias, a fulana citou este notável exemplo: há doentes que não querem ser operados no privado, preferem ficar à espera! Tal é a fé na excelência do sistema, tal é a admiração do povo pela medicina totalmente estatizada.

Sobre a nova lei da saúde, cuja principal autora, tais as tropelias que o projecto sofreu, não foi convidada para a respectiva sessão de aprentação, a estrela deste post não foi de modas: declarou com toda a simplicidade que tal lei nada tem a ver com o funcionamento do sistema: trata-se de uma “questão ideológica”. O que é isso de boa gestão, eficácia, poupança, investimento, respeito por quem sofre? Tudo coisas que não interessam, o que interessa é a ideologia. Segundo ela, o Estado é que importa, a sociedade que se lixe. O Estado é bom por natureza, os cidadãos são pormenor, os privados são um cancro a estripar.

E os enfermeiros? Os enfermeiros, esses, funcionam na perfeição com as trinta e cinco horas, isso de trabalhar menos 12,5% do que antes é uma maravilha, não custa nada ao contribuinte. É a ideologia, percebem, ó burros!

Num tempo em que a saúde pública está pelas ruas da amargura, importa acabar a saúde privada, que é o que ainda vai funcionando.

Aqui temos o estado a que o Estado chegou. O IRRITADO garante que vai ser ainda pior. Mas a loirinha ficará contentíssima, sorridente, toda pinoca. Mais uma esquerdoida a funcionar.

 

14.12.18

MAIS DO MESMO

Diz quem sabe que o PSD/Rio alinhou disciplinadamente com a geringonça no que diz respeito ao novo estatuto do Ministério Público, ora em vias de governamentalização. A geringonça quer ter uma maioria de políticos no órgão responsável pela coisa. Parece que em Angola, no Burkina Fasso e na Polónia também é assim. O PSD/Rio está de acordo. Deve ser uma questão de “interesse nacional”. Não se sabe onde foi o senhor Rio buscar tamanha subserviência e tanta falta de senso.

Os magistrados, por seu lado, também pouco devem à dignidade. Reclamam com razão, mas propõem-se entrar na onda das greves. Onde irá isto parar?

 

14.12.18

CÓDIGO EM MARCHA

Se gosta de presunto, gomas, ovos moles, chouriço, bifes e outros produtos ostracizados pelo politicamente correcto, ponha-se a pau.

O PAN, quer dizer o Silva, vegetariano, e as esquerdoidas do BE, correctas, têm em estudo e imparável marcha o Código da Alimentação.

Os regulamentos da UE, as ameaças, as séries de horrorosas doenças já cientificamente elaboradas deixarão de chegar para as hordas de incorrectos como você que por aí se arrastam: o index dos chouriços & similares passará a ser obrigatório por obra do tal Código. Para já, não passará de uma proposta. Mas, uma vez apresentada, merecrá gloriosa  aprovação da geringonça. A seguir, será promulgada pelo senhor de Belém e regulamentada por uma comissão de peritos especializados em ditaduras.

No regulamento serão incluídas as coimas, multas, penas e medidas de coacção a que serão sujeitos os prevaricadores como você, seu miserável fascista, consumidor de gomas, chouriços, febras de porco e outros integrantes do index, já devidamente catalogados em anexo ao Código.

O IRRITADO, atento a estas matérias, deseja aos impagáveis legisladores saúde e bichas solitárias, botriocéfalos, tenífugos, teníases, cucurbitinas, cisticercos e lombrigas.

 

13.12.18

DO COMUNISMO EM MARCHA

Dona Temida, tida por ministra da saúde, não está tremida, ao contrário do que sucederia se houvesse juízo democrático em vigor em Portugal.

Aqui vai um diálogo possível:

O indígena (I): - Doutora Temida, excelência, li por aí que o hospital de Braga é o melhor do país, segundo as entidades próprias para opinar sobre o assunto...

 A dona Temida (T): - Pois, é verdade, mas é gestão privada.

I – Também li por aí que as mesmas entidades fizeram contas e chegaram à conclusão que, só num ano, o Estado poupou 33 milhões com tal gestão.

T – Pois, é verdade, mas é gestão privada.

I – Desculpará vossa excelência, mas não percebo.

T – O que é que você não percebe?

I – Se aquilo funciona bem e sai barato, ou mais barato que os outros, não percebo qual o interesse em acabar com a coisa.

T – Pois, percebo a pergunta. A resposta é que é privada, tem que acabar.

I -  Não me parece lógico.

T – Você é um chato. Desconfio deve ser um proto-fascista, misógino, falocrata, neoliberal, capitalista, um tragalhadanças.

I – Cada vez percebo menos...

T – Olhe, estão aqui as irmãs Mortágua, a dona Marisa e a dona Catarina, que sabem mais disto que eu e são minhas colegas e amigas.

As quatro raparigas (4R) entram em cena, e cantarolam em uníssono: - Pois é, pois é, a camarada Temida será pouco versada nos fins, mas é fiel aos meios. Isto vai pouco a pouco, até que a economia privada seja totalmente abolida. A saúde, a educação, os transportes, etc., são um passo importante nesse sentido, que é o correcto.

I – Mas...

4R – Não há mas nem meio mas, é o caminho para o socialismo real, tal como assumido, defendido e doutrinado por altas figuras da humanidade, tais o camarada Cunhal, o grande Louçã, o Vasco Gonçalves, o Rosa Coutinho e outros heróis que, na senda de Lenine, Estaline, Trotzky e tantos outros, que juraram acabar com os ricos, nem que para isso seja preciso cortar-lhes a cabeça, a mesma receita para os pobres que forem na conversa dos privados, como você, seu palerma... assim já percebe?

I – Quer dizer, a história do hospital de Braga é só um primeiro passo.

4R – Ó patego, parace que já estás a perceber. Mas não é um primeiro passo. Com a ajuda do camarada Costa Já demos muitos, e muitos mais daremos. Aliás, esta Temida, ou continua nos eixos ou passa a Tremida.

I – Já percebi. Vou tratar de emigrar.

4R – Emigra, emigra, que um fascista a menos é um passo em frente.

 

Nos bastidores, o servo careca das 4R aplaude, o Costa ri-se, o senhor de Belém regouga: não é bem assim...

 

13.12.18

IRRESISTÍVEL TRANSCRIÇÃO

Não é hábito do IRRITADO transcrever textos de terceiros – só citações. Desta vez não resisto, já que muitos leitores há que não terão oportunidade de ler uma opinião indispensável. Aí vai, do “Observador”:

"A insuportável leveza (e o cinismo hipócrita) das manas Mortágua

13/12/2018

As manas Mortágua são pródigas em lágrimas de crocodilo: nos dias pares aprovam orçamentos que cortam investimento público; nos ímpares fingem defender os utentes, mas o coração bate pelos grevistas.

Faz parte das minhas rotinas profissionais passar uma parte do dia a trabalhar não muito longe de um ecrã de televisão ligado num canal de notícias. Bem sei que não é o mais recomendável para a saúde, pois a sucessão de indignidades a que facilmente se assiste facilmente nos revolve o estômago,

Foi assim que vi surgir a dada altura, com aquele ar compenetrado e concentrado que é a imagem de marca da dupla, uma das manas Mortáguas num cenário que tinha o Tejo por fundo. O oráculo informava que se tratava de Joana, a menos mediática, “vereadora da câmara de Almada”. Mas que, na ocasião, estava no Seixal. A fazer o quê? A lamentar a falta de barcos da Transtejo e da Soflusa, essa mesma falta de barcos que leva a constantes supressão de ligações e já motivou várias revoltas dos passageiros, a mais recente no início desta semana. Melíflua, Joana Mortágua culpava a falta de investimento público, começando por responsabilizar um governo que já não é governo há três anos, um projecto de concessão a privados que nunca se materializou e derramando algumas breves lágrimas de crocodilo sobre ter-se perdido tanto tempo nesta legislatura.

Ouve-se e não se acredita. Aquela mesma Mortágua, mais a sua mana, mais os seus companheiros do Bloco, andam há três anos a suportar as escolhas orçamentais que criaram o estrangulamento em que se encontram aquelas e outras empresas de transportes. Mais do que suportar essas escolhas, foram parte dessas opções e condicionaram-nas. Foi a esquerda à esquerda do PS que erigiu como primeira de todas as prioridades a “recuperação de rendimentos”, o que se deve traduzir por “recuperação dos rendimentos dos funcionários do Estado e das empresas públicas”. Não há outra coisa mais importante nos protocolos que assinaram com António Costa, não houve nada de mais constante no seu discurso.

Como tudo na vida essa escolha – que foi também a escolha por satisfazer a maior e mais reivindicativa clientela eleitoral do país – teve um custo: o dinheiro que foi para os “rendimentos” faltou para os “investimentos”. Como recorda a Helena Garrido, isso até já começou a ser assumido pelo primeiro-ministro, quando reconheceu que não é possível dar tudo a todos. A questão – e essa é sempre a grande questão quando falamos de políticas públicas – é se as escolhas diminuíram as injustiças ou, pelo contrário, agravaram as desigualdades. Hoje, três anos depois desta farsa se ter iniciado, o grau de degradação dos serviços públicos deixa cada vez menos dúvidas: há mais injustiça e mais desigualdades.

E não, não é verdade que, como ainda impudicamente repetiu Joana Mortágua, o que se passa em serviços como os transportes fluviais do Tejo sejam uma consequência da anterior maioria ou maldades do tempo da troika. Hoje sabemos que nunca nenhum ministro das Finanças usou tanto as cativações como Mário Centeno – o que significa que nunca nenhum ministro mentiu tanto ao elaborar um Orçamento de Estado, prometendo ir gastar o que sabia que não podia gastar, nem tinha intenção de gastar. Mais: também sabemos que, nos dois primeiros anos desta maravilhosa geringonça, o seu tão amado investimento público caiu para os níveis mais baixos dos últimos 60 anos. Custa a crer, mas é verdade. A Joana viu e votou, a Mariana viu, negociou, inventou um imposto que até lhe ficou com o nome, assinou por baixo e, claro, votou. São tão responsáveis como António Costa pelas supressões diárias nas ligações da Transtejo e da Soflusa.

Não estivesse sentado no Governo um senhor chamado Pedro Nuno Santos e eu até diria que eram mais responsáveis – e di-lo-ia em função do seu discurso radical contra tudo o que seja concessão de serviços públicos a privados. Joana Mortágua, se não fosse uma fanática — pesei o uso desta palavra –, reconheceria que, na Margem Sul em que até é vereadora, o melhor serviço de transporte ferroviário é o assegurado pela Fertagus na ponte 25 de Abril – cumpre horários, praticamente nunca é afectado por greves, por exemplo. Mais: saberia que a generalidade dos autocarros que servem os concelhos da região são de empresas privadas, que têm contratos de concessão, e que do seu serviço não costumamos ouvir as queixas que ouvimos sobre o oferecido pela CP ou pelo Metro de Lisboa.

Mas que interessa a realidade às Mortáguas enquanto houver disponibilidade para escutar as suas ladainhas sem colocar as questões que têm de ser colocadas? Nada, na realidade. Basta de resto ver o mais recente debate entre Mariana Mortágua e Adolfo Mesquita Nunes na SIC Notícias – onde Mariana não foi capaz sequer de reconhecer que o investimento no SNS diminui, procurando sempre misturar investimento com os gastos decorrentes dos aumentos dos encargos com os funcionários derivados das “reposições” e das 35 horas – para perceber que a realidade é, passa o plebeísmo, “uma coisa que não lhe assiste”.

São também muito reveladores os malabarismos a que recorre, na sua coluna no Jornal de Notícias, para justificar a actual onda de greves na administração pública, que apresenta como “sinais de esperança e exigência”. O que é curioso neste artigo é que durante anos a fio ouvimos sindicalistas, activistas, mesmo bastonários das mais insuspeitas ordens profissionais, a defenderem que lutavam pelas mais nobres causas: “salvar o SNS”, “defender a escola pública”, “impedir a destruição do Estado Social”, porventura “barrar o caminho a retrocessos civilizacionais”. Ai de quem dissesse que se tratava por regra de defender direitos adquiridos, nada mais.

Eis agora que Mariana, num interessante flashback histórico, nos diz que afinal o que esteve sempre em causa foi mesmo tão só salvar “o que era seu por direito”. E que o que passou a estar em causa nas greves de hoje são “avanços e conquistas há muito esperadas”. Descontando o que aqui é linguagem que recorda o PREC, o notável é verificar que numa onda de dezenas de greves de afectam quase exclusivamente o sector público desapareceu por completo qualquer inquietação com a salvação desse mesmo serviço público, sinal de que na verdade nunca foi ela que esteve em causa.

Se as Mortáguas deste mundo estivessem inquietas com a qualidade do serviço público teriam ficado preocupadas com a admissão pela ministra da Saúde de que o Hospital de Braga pode deixar de ser gerido em regime de PPP. Esse hospital tem sido repetidamente distinguido como o que presta melhor serviço aos seus utentes, bastando lembrar que no mais recente SINAS, um estudo independente realizado anualmente pela Entidade Reguladora da Saúde, ele foi, nos dois últimos anos, o único do país com classificação máxima em oito áreas clínicas. Mais: um estudo da própria Administração Regional de Saúde do Norte concluiu que aquele modelo de gestão poupava ao Estado 33 milhões de euros por ano. Existindo, e cito, estas “poupanças muito significativas para o erário público” e esta “excelência clínica”, a preocupação deveria ser manter a PPP e não ver acontecer ao Hospital de Braga o que aconteceu ao Amadora-Sintra, um hospital que desde que, por razões ideológicas, reverteu para a gestão pública, não tem deixado de se degradar, e degradar, e degradar (fala um utente, para que se saiba).

Mas não: a obsessão das manas Mortágua, tal como da turbamulta do Bloco, é acabar com tudo o que seja sector privado, mesmo quando funciona bem, serve as populações e presta bom serviço público. É por isso que o ar condoído que mostram sempre que são confrontadas com as consequências das escolhas que decorrem de opções políticas que negociaram, nalguns casos impuseram, em todos os casos votaram e subscreveram, não são mais do que um mau exercício de cinismo e de hipocrisia.

Ao lado daqueles cartazes que andam a afixar com as suas “conquistas” deviam estar outros com o passivo que foram deixando pelo caminho, dos seixalenses apeados por falta de barco para chegarem a Lisboa aos habitantes de Vila Real em listas de espera de quatro anos em certas especialidades clínicas. De resto, por muito bem que falem, não esqueçam que podem enganar todos uma vez, enganar alguns toda a vida, mas nunca enganarão toda a gente todo o tempo. Nem duas mesmo Mortáguas em vez de uma só."

LISBOA DE RASTOS

Imagine que, sendo homem, casou com uma eslovaca, ou, que, sendo mulher, casou com um maliano. Quando digo “casou”, faço-o em sentido moderno, mas mitigado. Explico: casar, à moderna, pode querer dizer várias coisas, como concubinato, juntar os trapinhos, união de facto, namoro, casamento civil, religioso, ou outra coisa qualquer, hoje sinónimos. Muito bem ou muito mal, mas que passe. Mitigado quer dizer que é coisa entre homens e mulheres, não entre mulheres e mulheres, não entre homens e homens. Disso não como, que já sou velho e tenho fraco estômago.

Voltando ao princípio, você vive com a eslovaca ou maliano durante quinze anos. Depois, morre. Uma chatice. A eslovaca e o maliano ficam a viver em Portugal nos vinte anos seguintes. Mas, surpresa das surpresas, nem a eslovaca nem o maliano falam uma palavra de português. Trinta e cinco anos a viver consigo e no seu país, e zero.

Porquê? Há duas hipóteses: ou são completamente estúpidos ou, servindo-se de Portugal mas alardeando rasquíssima petulância, dedicam-lhe um soberano desprezo, um retorcido ódio.

Vem isto a propósito, como já devem ter percebido, de uma súbdita espanhola, viúva de um português, que anda por aí há décadas sem jamais ter aprendido a língua. Como de estúpida nada tem, vale a segunda hipótese.

Se fosse uma tipa qualquer, paciência. Mas não é. Pelo contrário. A Câmara de Lisboa, sem reacção popular que se veja, roja-se-lhe aos pés, dá-lhe um emblemático e histórico edifício, enche-a de honrarias. Tudo, claro, em homenagem ao falecido, prolixo escrevinhador, chato como o sarampo, que recebeu, sabe-se lá por que manobras, um chorudo prémio literário, à pala do qual a sobredita criatura se pavoneia por aí em castelhano.

A espanhola vê agora a sua olissipo-importância elevada à medínico-costista potência: uma praça histórica da cidade transformada em Largo José Saramago. Já lá estavam as cinzas do senhor, debaixo de simbólica oliveira, prova da camarária devoção. Já lá estava a fundação destinada a dar chorudo emprego à rica mulher. Faltava cuspir no secular e tão simpático nome do local, o Campo das Cebolas.

Pela enésima vez veio a criatura à TV do Estado dar largas ao seu castelhano, com legendas e tudo, para vincar bem o porquíssimo desprezo que nutre pela língua dos indígenas. Desta vez até arranjaram outra “hermana” para abrilhantar a cerimónia, mais uma vez na língua delas. Querem mais indignidade? É difícil.

 

Declaração de interesses: acho que o Rossio se devia chamar Rossio, não Praça Dom Pedro IV. Acho que o Areeiro se devia chamar Areeiro, não Praça Sá Carneiro. Acho que o Terreiro do Paço se devia chamar Terreiro do Paço, não Praça do Comércio. Aliás, talvez movidos por amor à tradição (coisa já condenada por diversas forças políticas), os lisboetas continuam a achamar Rossio ao Rossio, Areeiro ao Areeiro, Terreiro do Paço ao Terreiro do Paço. Como vêm, em matéria de toponímia nada de político me move. Só que, por este andar, ainda havemos de ver a Rua de São Bento passar a Rua Álvaro Cunhal, ou o Parque Eduardo Sétimo a Alameda António Costa.

Desta feita, espero que o Campo das Cebolas continue, pelo menos na boca dos meus concidadãos, a chamar-se Campo das Cebolas. Quanto a Saramago, convenhamos, ficava melhor na Zona J.

 

11.12.18      

GRANDES AVANÇOS CIVILIZACIONAIS

Com a maior alegria e a alta noção da responsabilidade que o animam, o PAN decidiu alinhar num animalesco movimento que postula o fim de provérbios e ditos populares considerados ofensivos para diversas espécies. Consta que a especialista-mor em bocas contra a humanidade, tida por ministra da geringoncial cultura, vai terçar armas em favor da iniciativa e que dona Catarina de Martins, líder da esquerda tremoço, já mandou elaborar um projecto de lei para obrigar a mais esta maravilhosa “fracturância”.

Afinal, de que se trata? Segundo a imprensa, de abolir expressões populares do género “atirei o pau ao gato”, “pegar o touro pelos cornos” ou “matar dois coelhos de uma cajadada”. Na mesma imprensa, na nova “civilização” deverá passar a dizer-se “atirei comida ao gato”, “pegar uma flor pelos espinhos” e “pregar dois pregos com uma martelada”.

A coisa funciona também para expressões que incluem gente. Segundo um exemplo comunicado à plebe pelo PAN, a frase “Com um olho no burro outro no cigano” deverá ser objecto de opróbrio público, não se sabendo ao certo se por ofender o burro se por ser má para o cigano. Falando de burros, acha o IRRITADO, haverá que abolir a expressão “albarde-se o burro à vontade do dono”, que será substituída por outra, mais inclusiva, por exemplo “albarde-se o dono à vontade do burro”. Mas de burros sabe o PAN, que os representa após estudo e eleição ocorridos em Cacilhas.

O movimento destes formidáveis activistas é universal. Consta que os animalescos do PAN já oficiaram a embaixada de Sua Majestade exigindo a abolição imediata da expressão “raining cats and dogs”, a ser substituída por “sweet little drops are falling”. Também o dito “you are pulling my leg” irá para o index, uma vez que a “leg” a ser puxada pode ser de algum gato”. O PAN sugere ainda que os britânicos abandonem a palavra “frogs” ao falar de franceses, por evidente ofensa às rãs.    

E assim por diante.

A marcha da estupidez humama, ou PANcreática, é imparável.

Admirável mundo novo.

 

9.12.18

MAGNA REUNIÃO

O constitucional Conselho de Estado é, como toda a gente sabe, de uma opacidade a toda a prova. A convocatória da coisa é feita por Sua Excelência o Presidente da III República. Reune inúmeros “inerentes” da mais alta craveira política e institucional, bem como uns indivíduos altamente suspeitos como o camarada Louçã e o shorty M.Mendes. Segundo a Constituição, trata-se de um órgão de consulta de Sua Excelência. Como, por natureza, inguém sabe o que lá se passa (é proibido dizê-lo), é possível, natural e intuitivo pensar que coisa nenhuma se lá passa, para além de uns cafèzinhos, água do Luso e biscoitos.

A próxima reunião de tão útil organismo será abrilhantada, a convite de Sua Excelência, pelo senhor Michel Barnier, negociador do brexit. As suas considerações sobre o assunto serão atentamente ouvidas pelos circunstantes, o que, presume-se, dará algum interesse à congregação. Mas como tudo será, como sempre confidencial, quer dizer, secreto, a utilidade pública continuará a ser nenhuma.

Que reunam em paz e harmonia são os votos do IRRITADO.

 

9.12.18   

SUBSÍDIOS PARA QUÊ?

 

Anda para aí uma polémica dos diabos sobre o eventual auxílio público aos jornais, coisa a que o senhor de Belém deu um discreto aval, uma espécie de “nim”. O chamado primeiro ministro não deu importância de maior ao assunto, veremos porquê.

Entretanto, ao contrário do habitual em países de boa fama, os jornais portugueses não têm cara, ou seja, têm as caras que lhes der na gana. Sábia e pluralista abrangência: todos mais ou menos iguais, às vezes com ligeiríssimas tendências. Estou aqui a olhar para o último “Expresso”, exemplo fatal da filosofia em vigor. Há nele uma página política em que, lei das compensações, há uma coluna de direita, à direita, outra de esquerda, à esquerda. Noutra página, agiganta-se o  Louçã no seu assento cativo, em quatro quintos de uma página, compensado no quinto restante por duas breves da autoria de uns pobres moderados. No mesmo caderno, dito de economia, há recadinhos com fartura vindos de tudo o que é sítio, há artigos contra e a favor da geringonça, coisas boas e coisas péssimas. Aquele “democrata”, conselheiro de Estado e figurão do BdP, tem programa especial na televisão, ao que se diz “compensado” pelas bocas e recadinhos de um certo M. Mendes, que dá no cravo e na ferradura com professoral jactância.

O cenário é mais ou menos o mesmo por todos os lados. O que implica que, ao cidadão, não seja permitido ter “o seu jornal”, como em Paris, Londres ou Madrid.

Enfim, malhas que a democracia teceu em Portugal. Não há volta a dar. Um mal? Um bem? o mafarrico que escolha. Apesar de tudo, a esquerda tem uma evidentíssima preponderância. Por isso, mesmo sem subsídios do Estado, pode o chefe Costa dormir descansado. No fundo, há muito quem, de borla, lhe vá fazendo a cama fofa.

 

9.12.18   

CHINESICES

Não sei se a ribombante visita do imperador da China a este jardim foi, em termos de longo prazo, coisa boa ou coisa má. Para já, muita parra e pouca uva. Uns memorandos, uns contratinhos, e disse. Um mijarete.

Tudo o que aí vem, se chegar a vir, está para acontecer. A partir de agora a nacional burocracia tratará do assunto com a habitual eficácia. Para já, fogo de vista. Quanto à entrada dos chineses na produção, à alteração profunda das relações económicas, só blabla, e só blabla do lado de cá. A tal respeito, o imperador nada disse. Moita carrasco. De concreto e de valia, parece que só ficou o apetite dos chineses por uma boa fatia do porto de Sines.

Há quem diga que é um futuro radioso o que aí vem, há quem defenda que vai ser uma desgraça, uma submissão, o fim da soberania nacional, o diabo a quatro.

Também há os que tremem, na “Europa”. Estão muito preocupados com esta abertura do importantíssimo Portugal à investida do império do meio. Esquecem que os chineses já meteram, por essa Europa fora, muito mais milhões que por cá. Enfim, a ver vamos, como diz o cego, ou vamos lá a ver, como diz o Costa.

As relações sino-lusas, com mais de quinhentos anos, foram muito gabadas. A única excepção à xenofobia da dinastia quando entregou Macau aos portugueses foi aniquilada quando Mário Soares declarou que Macau era território chinês sem que chinês nenhum o tivesse sugerido. Os chineses não têm por hábito contradizer-se e são muito respeitadores dos seus compromissos. Até o camarada Mao, salvo erro em 1966, declarou que não havia qualquer problema com a nossa presença no local. Mas as coisas são como são, deram-lhes a mão, eles aproveitaram. Adiante.

 

Como posição a referir  da parte do nosso governo, fora da pompa dos dias, temos a notabilíssima declaração de uma senhora do governo cujo nome não me ocorre. Assim: “Por favor, usem-nos, como porta de entrada, como cobaias, para testarem (sic) a forma de entrarem (sic) na Europa”.

 

Não me apetece nada ser cobaia. Vão testar a senhora secretária de Estado.

 

6.12.18

 

ET. Não acabava, quando uma figura se nos mostra no ar, robusta e válida, de enorme e grandíssima estatura: Luís de Camões, Lusíadas, episódio do Adamastor.

Desta vez, a "figura" foi o Bloco de Esquerda. Altaneiro, a boca negra, os dentes amarelos, atacou. Gente que não respeita os direitos humanos, rua! A não ser que se trate do Maduro, do Fidel, ou do KIM. Viva o socialismo especializado do BE!

O imperador borrou-se de medo, como a Merkel quando o Pedro N Santos disse que a ia pôr de joelhos.

BENESSES PÚBLICAS

 

Um resumo, muito resumido, das benesses da geringonça, publicado no “Expresso”, contém as seguintes “novidades”:

- “Crescimento anémico”: vítima das 35 horas, da ausência de incentivos à produtividade, de qualquer reforma que se veja ou sinta, da agitação social devida às mentiras do governo, o país continua a patinar e a perder em toda a linha em relação aos seus pares.

- “Carga fiscal no máximo”: não há forma de o governo demonstrar alívio na carga fiscal. Aumenta-a,  sacrifica o país a troco do crescimento do emprego público, da inversão da balança externa, do sacrifício do enganador emblema do “socialismo democrático”: saúde, educação, transportes, etc. O governo legítimo fez das tripas coração para manter, ou melhorar, tais sectores. A geringonça abandalha-os, e cobra impostos para segurar os votos das seus empregados.

- “Investimento mínimo”: Nem nos tempos da troica o investimento público foi tão miserável. Para 2019, o governo promete aumentá-lo, se a economia crescer 2,3%, coisa em que ninguém acredita, nem em Portugal nem no mundo.

- “Cativações históricas”: a geringonça “congelou mais despesa em três anos que Vítor Gaspar/Maria Luís em toda a legislatura”.

- “Dívida de bronze”: a dívida aumenta, e fica em terceiro lugar do pódio dos maiores devedores.

- “Transportes de latão”: não é preciso demonstrá-lo, é a desgraça generalizada, carris, metro, CP, e por aí fora, tudo sem remédio à vista.

- “Saúde paralizada”: sem comentários, toda a gente sabe, e sente na carne. Bons tempos em que o actual presidente da Caixa era ministro da saúde.

- “Polícia apeada”: não há carros, nem oficinas, nem nada que acuda.

- “Estado a falhar”: quando o Estado falha, o chamado primeiro-ministro, ou está, e fica, de férias (Pedrógão), ou vai ao futebol (Borba), ou não sabe de nada (Tancos).

 

A compensar a brutal desgraça, e para alimentar a propaganda, a geringonça tem alguns argumentos: mais uns tostões aos empregados públicos, outros a alguns reformados, e pouco mais que se veja. O que tem corrido bem (emprego, turismo...) não tem nada a ver com a geringonça, antes pelo contrário, tem corrido bem apesar dela.

 

4.12.18

VÁ-SE

Um representante oficial do PSD/Rio, fez uma dramática declaração: o partido está mal de saúde por causa dos filiados que fazem guerrilha interna ao chefe. Uns malandros que querem levar o partido a um “suicídio colectivo”.

Perguntar-se-á se é verdade, isto é, se a culpa é dos malandros, ou se será do chefe, que não mexe uma palha, que se arrasta penosamente atrás da geringonça, que “cada cavadela cada minhoca”, cujos apaniguados dizem o que lhes vem à cabeça e se vão contradizendo uns aos outros, que permite ou incentiva coisas rocambolescas e idiotas como no caso das vacinas, cuja “exigência ética” está pelas ruas da amargura desde o primeiro dia, que não denuncia a desgraça orçamental, que não segue, a cada dia, a cada hora, as trafulhices da propaganda do governo, que, passados seis meses de tomar posse ainda não foi capaz de criar qualquer sombra de alternativa e se entretém pelo Bulhão em vez de “descer” até onde as coisas mexem…

Fica a pergunta e, implicitamente, a resposta.

Senhor Rio, faça-nos o favor de ir orar para outra freguesia. Demita-se, pode ser que ainda haja tempo para recuperar alguma coisa.

 

2.12.18  

MEIAS VERDADES E VERDADES MESMO

Anos atrás, quando o país lutava para gerir a bancarrota herdada do PS, a ministra das finanças Maria Luís, atenta à baixa dos juros, fez várias emissões de dívida destinadas a substituir juros altos por juros mais baixos, assim conseguindo diversas amortizações antecipadas dos créditos do FMI. Foi muito criticada pela esquerda. Tais amortizações “desviavam” o dinheiro do “bolso das pessoas” para pagamentos “desnecessários” aos tubarões do FMI. À época, o governo legítimo informou o país sobre a verdadeira natureza das emissões, não escondendo, antes assumindo, que se tratava de mera substituição, em melhores condições.

Após três anos de trapaça política, o governo, pela voz do usurpador, anunciou, tonitruante, que ia liquidar o que resta dessa dívida. Note-se, “ia liquidar”, e não “tinha liquidado”. A ver vamos se liquida ou não. Importante é sublinhar as diferenças. A triunfal declaração é feita assim, sem mais esclarecimentos. O que o chamado governo fez foi o mesmo que Maria Luís tinha feito, sem tirar nem pôr. A forma de o anunciar é que faz a diferença. No caso anterior, a verdade era toda dita, confessada a verdadeira origem dos pagamentos e a sua execução. Agora, o declarante deixa no ar que o seu triunfante governo vai, simplesmente, pagar, e mais nada.

É a habitual honestidade governamental, ou seja, a propaganda a obliterar a verdade.

 

2.12.18

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