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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NOJO

Aqui há uns anos, um chamado Jorge Coelho demitiu-se do governo quando caiu uma ponte. Grande homem, disse-se. Não tinha culpa nenhuma, mas assumiu-a politicamente, com a dignidade dos melhores. A Pátria, grata, curvou-se perante tão digno senhor.

Também há os mal intencionados que dizem que o homem tinha uma jogada na manga (um tacho na administração de uma grande empresa privada), e que mais não fez que aproveitar os mortos da ponte para se pôr ao fresco e ir ganhar dinheirinho a “lobiar”. O que, aliás, se provou à saciedade.

Interpretações contraditórias mas, uma e outra, com a sua lógica. Talvez o assunto tenha ficado, ontem, esclarecido pelo próprio Coelho. É que, perante a prática reiterada de actos ilegítimos, inconstitucionais, ilegais, criminosos, atentatórios da dignidade dos cidadãos, cometidos à ordem da geringonça pelos empregados da geringonça, o Coelho produziu os mais ditirâmbicos louvores ao chefe dos criminosos. O magrinho das finanças é um tipo do melhor, limpinho, nada tem a ver com o que se passa sob a sua autoridade, merece a gratidão do povo. Até, imgine-se, teve a indómita coragam de mandar fazer um inquérito. Fantástico! Um herói, uma flor do nosso jardim!

Então ele, Coelho, demite-se por causa de um acontecimento em que não teve qualquer intervenção, e acha muito bem que os directamente responsáveis pelos crimes da AT/GNR – o secretário de Estado, o ministro, o primeiro-ministro - não só fiquem no poleiro como sejam objecto de reconhecimento e de elogios.

Meteria dó se não metesse nojo.

 

30.5.19

QUEM, EU?

Foi com inenarrável e espantado gozo que vi, ontem, um senhor magrinho, com ar inocente, dito secretário de Estado, a perorar o que lhe veio à cabeça acerca  do atentado à liberdade, à Justiça, à democracia, ao respeito pelo cidadão, cometido pelas finanças em colaboração com a GNR, a fim de sacar aos incautos uns tostões (mais uns automóveis e uns camiões).

Assim:

O militar bate a pala.

- Bom dia senhor condutor. Faça o favor de me mostrar os seus documentos.

- Com certeza, senhor guarda.

O senhor condutor dá a papelada ao senhor guarda. Após consulta pormenorizada, o homem não lhe devolve os papéis. Atrás dele, um representante do sátrapa das finanças, afia um computador. Pega nos papéis e, uns clics depois, declara:

- Este cidadão deve 243,12 euros às finanças.

E, para o cidadão:

- Quer pagar em dinheiro, pelo Multibanco, por paypal, por MBWay ou por cartão de crédito?

Atónito, o senhor condutor, responde: nem tenho dinheiro para pagar nem quero pagar, .

O senhor guarda entra de novo em acção e, animado por um sorriso malévolo e triunfante do enviado do déspota, diz :

- Muito bem, senhor Manuel, vamos então levantar um auto de apreensão do seu veículo.

- Quê? Está a gozar comigo?

- É a lei, senhor Manel, é a lei.

Preenche um formulário no computador, mostra-o ao flibusteiro das finanças a ver se está nos conformes. Tudo em ordem. Entrega uma cópia ao senhor Manel:

- Prontinho, sor Manel. Pode ir embora, mas a pé. O carrinho fica aqui até que o assunto se resolva.

E lá vai o Manel, à pata, rabinho entre as pernas, que isto de GNR não é para brincadeiras (amor ao físico ou falta de coragem corporal).

 

A prática de dezenas de crimes deste tipo, como é evidente, deu lugar a inúmeros clamores nos chamados media, que ainda não tinham percebido do que a casa (as finanças) gasta. Assustado, o senhor magrinho veio a correr dizer de sua “justiça”: que o governo, sim senhor, pois, a prática podia ser discutível, mas o governo não tem nada a ver com o assunto. Dei comigo a pensar que as finanças e a GNR não estão sob a alçada do governo, devem ser de algum privado, um bandido como todos os privados. Mas não era assim. Segundo o magrinho, aquilo não passava de uma coisa espontânea, uma iniciativa do sargento da guarda e do chefe da repartição de finanças lá do sítio.  Assim, sem mais nem menos, tirou o burro da chuva. Mas não disse que a “operação” tinha sido ilegítima, ou coisa que o valha. Na filosofia do homem, aprendida nalguma madrassa do Terreiro do Paço, a legitimidade não estava em causa.

Num país com cabeça tronco e membros, o magrinho, o chefe do magrinho e o chefe do chefe do magrinho teriam ido à vida. Mas isto, meus amigos, é um país socialista. Ficam todos no poleiro e, se os acusarem, dirão como sempre: quem, eu?

Como se alguém acreditasse que a ordem de batalha não viesse de cima!

 

30.5.19

PENSAMENTO SOCIALISTA

 

Segundo a dona Ana Drago, os problemas da banca só se resolveriam se toda ela fosse pública, assim cumprindo os desígnios da “revolução”.

É claro que, a salvo dos dinheiros “dados” ao sistema financeiro, só os milhares de milhões em boa hora entregues à CGD foram legítimos, e ninguém terá que os pagar. Não foram empréstimo, nem ajuda do Estado, mas aumento de capital e tramoias do estilo que a UE aceitou!  

Não interessa nada que os empréstimos aos bancos privados que recorreram aos dinheiros da troica já estejam pagos, com altos lucros para o Estado. Quanto ao dinheiro que se pode dar por perdido, algum ainda é capaz de voltar. Mas, se fossem todos do Estado, nem tostão voltava. A filosofia do socialismo é assim.

Por outras palavras: dona Ana, saída, ao que se diz, do BE, mas continua fiel à cartilha.

 

30.5.19

SURPRESAS?

 

As eleições para o Parlamento Europeu foram férteis em novidades, não em surprezas.  O PE continua o maior, mas mais pequeno, os socialistas levaram na tola, os populistas (ecologistas, nacionalistas, demagogos de várias famílias) subiram. Ninguém sabe no que isto resultará em termos de poder. O mais provável é que fique tudo na mesma, com mudanças de nomes que acabarão por dar em nada, e ainda bem. O poder não está em Estrasburgo, mas em Bruxelas.

Por cá, a pior de todas as surpresas (não novidades) foi o discurso do senhor Rio. Perante a evidência gritante do resultado da sua “liderança”, ao contrário do que alguém pensaria, o homem não caiu em si. Fingiu que o derrotado não era ele, já que reafirma a política suicida que tem caracterizado o seu desgraçado mandato. O sonho do homem é o de realizar o impossível: democratizar o PS, e unir-se a ele para, diz, fazer as grandes reformas que lhe vão na cabeça.

O Costa deve ter dado saltos de alegria com a perspectiva de vir a dar-lhe com os pés quando lhe apetecer, ou a servir-se dele quando lhe convier.

Rio é casmurro como um asno. Não é capaz de sair da sua paróquia, não tem sombra de rasgo, de carisma, de ideia inovadora, não percebe o que é ser oposição, faz asneiras atrás de asneiras, devastou o PSD. Faz política de pernas para o ar.

Quem acode?

 

28.5.19   

DIA DE REFLEXÃO

 

Mal ou bem, é obrigatório não haver propaganda eleitoral no dia anterior à eleição. Compagine-se o cumprimento desta norma com a primeira página do “Expresso” desse dia. A manchete escrita não ficou na cabeça de ninguém. A verdadeira manchete era uma fotografia em que, com triunfante riso, os donos do governo (Costa e Centeno) confraternizavam com o invendável Marques, sinal claro de propaganda triunfalista Logo abaixo, outra fotografia: o Rangel, sozinho, de costas, na última fila de uma igreja deserta, a comunicar a ideia de que só um milagre o safaria.

Assim se faz “reflexão” num jornal dito “de referência”.

Fiquei contente quando o director do Expresso, um tipo desinteressantre e palavroso, foi substituído por outro, que costumava escrever coisas com pés e cabeça. Parece que me enganei.

 

28.5.19

BESTIALIDADE DEMOCRÁTICA

 

Quem ainda tiver a ilusão que em democracia há votos fúteis, que pense como  viveríamos se o povo português não tivesse democraticamente derrotado Passos Coelho em 2015”.

Assim zurrava o Zorrinho, dias antes das eleições. Em homenagem à sabedoria popular, o IRRITADO responde: se a minha avó tivesse rodas era um carro eléctrico. Fora de brincadeiras: primeiro, não houve “democraticamente” nenhum, Passos Coelho ganhou as eleições em 2015, o Costa perdeu - Democraticamente, pela cabeça de quantos eleitores terá passado a aldrabice inventada pelo Costa?; segundo, Costa não foi legitimado para (nem jamais propôs) criar a aliança com os partidos anti-democráticos (como diria Mário Soares antes da fase Xéxé) que veio a fundar; terceiro, a Constituição establece que se deve atender aos resultados eleitorais para formar governo, e a interpretação desta determinação foi, SEMPRE, a de que o partido mais votado deve ser governo, por isso, os governos minoritários  gozaram SEMPRE, democraticamente, da “licença” democrática da AR para governar.

Já agora, seguindo a doutrina da avó do Zorrinho, digamos que, cumprida a vontade do povo, estaríamos a colossal distância, para melhor, se Passos Coelho tivesse continuado a governar. Democraticamente.

Concluindo, digamos que o Zorrinho, democraticamente, é uma besta. O que, aliás, já era do conhecimento geral.

 

28.5.19

ESTOU A REFLECTIR

 

Estas eleições, ditas europeias, têm, para o IRRITADO, uma interessante característica. É que, desde tempos imemoriais, nunca tive hesitações sobre em quem votar. Desta vez, tenho.

Olhando os candidatos e as circunstâncias, que decisão tomar? Feita cuidada selecção, deitei fora uma data deles, e cheguei a três: Arroja, Sande e Rangel. E agora? Agora, não sei que fazer.

Se votar de acordo com o que penso, voto Arroja, voto na coragem da arrojar com o politicamente correcto, de assumir a tão amaldiçoada ideologia liberal, a crença na liberdade propriamente dita.

Se achar que devo privilegiar a “sabedoria europeia”, voto Sande. Além de não ser socialista, Sande conhece por dentro a máquina de Bruxelas, seus defeitos e virtudes, as hipóteses de melhorar o sistema numa perspectiva de direita. E, diz-me o mindinho, aproveitou esta oportunidade para se livrar do senhor de Belém, o que muito o honra.

Se votar em quem tenha garantida a eleição, voto Rangel. O tipo é bom, tem prestígio europeu, sabe o que quer, puxa bem os cordelinhos da política. É claro que esse voto tem o terrível defeito de poder “ajudar” o Rio, desgraça em figura humana que se abateu sobre nós.

A outra solução será borrifar nas eleições, coisa que está fora dos meus hábitos.

Não peço ajuda, porque estou “em reflexão”.

Votem bem. Votem contra a mentira, o oportunismo, a moral republicaba em versão geringoncial. Contra o populismo que temos, todo ele de esquerda, e de toda a esquerda.

 

25.5.19

POPULISMO

Anda meio mundo cheio de medo dos populismos, dos euro-cepticismos e de outros ismos. Muito bem. Engraçado é verificar que todos os populismos são de direita, proto fascistas ou fascistas mesmo, nacionalistas, isolacionistas. À esquerda, segundo as opiniões “correctas”, só há altos democratas, gente finíssima, a quem a humanidade muito deve.

Por cá, a coisa vai mais longe: segundo o politicamente correcto, somos o único país da UE que não tem populismos, leia-se, não tem extrema-direita. É verdade que não a temos, e ainda bem. Há uns grupelhos, de malfeitores ou de abstrusos, é tudo. Mas não é verdade que não haja populismos em Portugal. Há-os, e em quantidades industriais, só que de extrema-esquerda e até de esquerda dita “moderada”.

De extrema-esquerda, temos 20% no parlamento, e mais uns, poucos, em geral pataratas sem expressão. O que são as promessas mirabolantes do PC? Populismo ideo-demagógico. O que é o soberanismo do PC? Populismo, tão nacionalista como, por exemplo, o do Vox. O que são as ideias das esquerdoidas do BE que, por hábito, votam com a madame Le Pen? Populismo. O que é a luta contra o euro, de um e de outro? Populismo pouco esperto ou acanalhado.

Se sairmos da zona comunista, o que vemos quando o chamado primeiro-ministro atira à cara das pessoas as maiores aldrabices, o fim da austeridade, o progresso da economia, a felicidade a rodos que espalha por aí? Populismo baratucho, mas que funciona, como o do senhor Salvini.

Cereja no alto do bolo, o popularuchismo do senhor que direita pôs em Belém e que anda há anos com a esquerda ao colo. O que será? O que será a “politica dos beijinhos”?

Pensem nisto, não vão em cantigas.

 

23.5.19

EFICIÊNCIA PÚBLICA

 

Um conselho do IRRITADO: se você quiser saber onde vai votar, o último site a consultar é a o da Comissão Nacional de Eleições. Este serviço estatal está no estado dos demais serviços do Estado, ou seja, não presta.

Experimente. Vá ao site da coisa, ande nele para diante e para trás, perca um bom quarto de hora. Pode ficar descansado que, por mais voltas que dê, não resolve o seu problema. Vá ao Google e, num instante, fica a saber como é. Basta fazer a mesma pergunta que fez à CNE.

 

22.5.19

O IRRITADO ERROU

 

O IRRITADO pode ser muito irritante. Mas não tem o hábito de inventar notícias ou de as falsificar.

Foi induzido em erro por uma local que referia que a demissão do director do moribundo Museu Nacional de Arte Antiga fora provocada por declarações dele, em que dizia a verdade sobre o caos que se vive na instituição. Parece, no entanto, que não foi assim. O tal director já estava de partida. A data de demissão é que foi mal escolhida.

Por isso, o artigo sobre o assunto foi apagado. Pela incorrecção, as minhas desculpas aos leitores.

Posto isto, haverá que dizer que a opinião do IRRITADO sobre a dona ministra não se alterou. Nem que o museu, como o património em geral, está em boas mãos.

 

22.5.19

A DESGRAÇA CONTINUA

Dizem línguas tidas por péssimas no Largo do Rato, que os anos em que, em média, o Estado mais investiu, foram os do consulado Durão/Santana. Dizem também que, no auge da crise que o PS criou e cumprindo o contrato que o PS celebrou com a troica, o governo Passos Coelho investiu mais que o do usurpador nos anos do “fim da austeridade”, da “página virada”, “da devolução de rendimentos” a que submeteu o país. Segundo o “Expresso”, Costa investe menos um milhão (por dia!) que Passos Coelho. Mais: nos anos da frente de esquerda, o PIB per capita estagnou, isto é, a produtividade desceu, e nunca mais subiu.

Mas as contas estão certas!

Salazar, a quem chamavam, com razão, “o contabilista”, encontrou um sucessor à altura. Com uma pequena diferença. No tempo dele, apesar da modéstia em vigor, o que, hoje, poderia chamar-se Estado Social, ia dando uns passinhos para a frente. Com o contabilista Centeno, o Estado Social, tão propagandeado como jóia do nacional-esquerdismo, está cada vez pior. O sacrossanto Serviço Nacional de Saúde está doente como jamais tinha estado durante a III República. Nesta matéria, mais do que à altura de Salazar, Centeno bate-o aos pontos.

O que aí vem, não se sabe. Mas sabe-se que a desgraça vai continuar.

 

21.5.19

SALAZAR ESTÁ VIVO

Diz-se, com foros de verdade, que Oliveira Salazar, quando lhe disseram que devia haver petróleo em Portugal, comentou: “Só me faltava mais essa!”

Uma pequena frase que bem ilustrava a filosofia do “pobrezinhos mas honradinhos” ou do “produzir e poupar”, tão caros à II República.

De petróleo, nem falar!

A central nuclear de Ferrel foi abandonada, julgo que já durante o consulado de Marcelo Caetano.

É certo que a II República nos livrou da guerra e do comunismo que assolava a Espanha, com as consequências que se sabe. Mas “livrou-nos” também da modernidade, da riqueza que alastrou na Europa democrática depois da II Guerra. Manteve-nos em apagada modéstia, sequestrando-nos com isso as liberdades e mantendo-nos imóveis em relação à necessidade de resolver a questão do Império em condições aceitáveis.

Passados mais de quarenta anos da III República, a filosofia do imobilismo salazarista continua, triunfante e barulhenta.

A barragem de Foz-Coa, por obra e graça do doce imobilista chamado Guterres, foi sacrificada à “cultura”: em vez de retirados os bonecos para um museu, deitou-se fora muitos milhões de contos e arranjou-se lá no sítio uma imponente máquina de sorver dinheiro dos impostos.

O nuclear, fonte de energia barata, não poluente e segura, foi definitivamente posto de lado por douta decisão do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates.

A prospecção de petróleo – a 40 quilómetros da costa!!! – foi vítima de hordas de eco-estúpidos em fúria.

A procura de gás de xisto parece já estar posta de lado, arredada pelo politicamente correcto, que diz poder ser prejudicial a “eventuais(!) estações arqueológicas que possam existir no trajecto”.

A somar a isto, leiam no “Publico” a parangona de hoje: Minas de lítio enfrentam movimento nacional de protesto. Lá se vai mais uma maneira de fazer crescer a economia, sacrificada esta às arrancadas de gente convencida que vai arrefecer o planeta, coitado, que se está borrifando para ela, ou a outra coisa qualquer, ilusória ou aldrabófona, veiculada pelas modas em vigor.

 

Salazar está vivo e de boa saúde!  

 

14.5.19

VIVÓ BERARDO!

Como julgo já ter escrito nestas arengas, sempre achei piada ao senhor Berardo. Lembro-me dos ditos do fulano quando se pronunciava sobre os problemas do BCP. Em matéria de piada, mete o Araújo Pereira num chinelo. E não tem papas na língua quando se põe a gozar sem olhar a quem.

A "performance" berardiana na comissão não-sei-de-quê veio confirmar as minhas convicções a este respeito.

Perguntar-se-á: Quem é o mau da fita? O Berardo, ou quem lhe adiantou o dinheirinho? Não sei ao certo, mas mon coeur balance. É que, como diz o devedor, não há dúvida que convinha aos segundos que aparecesse um accionista novo no BCP, um que ficasse devidamente controlado. Nas palavras do humorista Berardo, ao aceitar os milhões, ele até estava a fazer um favor aos bancos. Pelo menos em parte, ou em grande parte, é verdade.

Outra coisa que não percebo é esta:

Se um teso qualquer comprar uma casa, dando-a como garantia do financiamento, que lhe acontece se não pagar? O banco vai-lhe à casinha, o nosso teso fica sem ela e sem o dinheiro, o mais que pode fazer é ir queixar-se à DECO, o que equivale, mais ou menos, a ir queixar-se ao Barbosa du Bocage. Por seu lado, o banco, se avaliou mal a casa, ou se o mercado abanou, vendê-la-á com prejuízo, meterá a viola no saco e contabilizará diferença em perdas operacionais. O que acontecerá se o Berardo, que deu as acções do BCP como garantia do empréstimo - o que foi aceite - as der de volta ao banco em pagamento? Fica a conta saldada, não é?  É o mesmo que com a casota do teso. Ou não? O teso não tem que pagar, mas o Berardo, coitadinho, é perseguido? Que raio de justiça é esta? E a igualdade? E o direitos humanos?

Os tipos que lhe emprestaram a massa, e até foram administradores do BCP até à miséria final, parecem ser quem devia estar na berlinda. Quem deve o dinheiro é quem o desperdiçou, não quem acreditou em tal gente, ao ponto de se endividar daquela maneira, não é, ó Joe?

Muito bem faz o Berardo em transformar a comissão de inquérito num programa humorístico. Os deputados que se cuidem, se forem capazes.

 

13.5.19

DIFERENÇAS

Você anda nervoso, chateado, apetece-lhe matar a sogra, está farto de aturar os miúdos, a conta do banco anda aos bordos. A meio da noite, estremunhado, depois de fazer xixi senta-se na sacada da casa de jantar. A lua vai alta, é verão, uma doce brisa parece sair dos requebros das árvores do jardim. Tudo à sua volta é silêncio, paz, harmonia. Só você está triste. Sente que precisa de qualquer coisa que o anime, que se junte à noite para o ajudar a sair das suas iras e inquietações. Lembra-se de ouvir música. Boa ideia. Vai lá dentro e escolhe. Uns nocturnos de Chopin ou uma coisa mais alegre, talvez Mozart. Põe a tocar o que escolheu e, meia hora depois, está recomposto ou, pelo menos, melhor.

Mas isto é você. Há gente muito diferente neste mundo – é a diversidade genética, como se diz em ecologuês.

Por exemplo, há uma fulana de quarenta e cinco anos, que parece ter cinquenta e quatro (do tempo em que as pessoas não iam ao dentista), com melenas oxigenadas penteadas à garçonne, toda serigaita, a quem chamam ministra da saúde, a qual, quando está chateada (ela é que o disse!) ouve a “Internacional”, e fica logo boa.

Veja bem a diferença entre si, meu caro, e a gente que diz governá-lo! 

 

13.5.19

PORTUGALHÊS

 

Uma senhora, especialista em "educação," Bárbra Wong de seu nome, publicou um artigo sobre uma coisa qualquer, tendo, do seu certamente brilhante texto, extraído o seguinte lead:

“A época de exames, a mim, dá-me para engordar.” Para ficar mais completo, em perfeito “eduquês”, podia ter escrito: eu, a mim, pessoalmente, dá-me para engordar. Ficava melhor, não acham?

Para nos esclarecer, concluiu: “Tenho o fígado feito num oito, sei-o hoje porquê”.

A mim, IRRITADO, o que põe o fígado num oito é ler bojardas deste calibre. O português, na mão de gente desta, é que já nem fígado tem, só umas tripas ordinárias.

 

12.5.19

FOGE CÃO, QUE NINGUÉM TE FAZ BARÃO

Num jornal qualquer apareceu escrito que o camarada Costa, tido por legítimo primeiro-ministro de Portugal, estava na corrida para substituir o senhor Tusk como presidente do conselho europeu. Muitas almas, nesta aldeia, reagiram a tal notícia, umas com júbilo (é o meu caso, vê-lo fora daqui seria um descanso), outras com acrescida inquietação sobre o futuro da Europa. Haverá também aqueles, membros da filarmónica dos idiotas, que se sentiram orgulhosos por ver tal figura com hipóteses de subir tão alto.

Estas coisas não acontecem por acaso. Se a notícia apareceu é de presumir que alguma diligência terá sido feita para sondar as chances de tal promoção. O resultado terá sido negativo, isto é, entre quem manda nessas coisas o pânico deve ter sido avassalador. A Europa anda mal, mas não tão mal que se sujeitasse a ser presidida por tal pessoa. O homem é bom para enganar a plebe cá da terrinha, mas, que diabo, há que poupar os outros à nossa triste sorte.

O camarada Costa deve ter sido informado disto, quer dizer, que não tinha “eleitorado” para alimentar ilusões. Daí, fugiu a qualquer maluquice do género. Bom contador de news, voltou atrás com o rabinho entre as pernas e narrou, “patrioticamente”, que não é, nem foi, candidato a nada. É mentira mas fica bem. O seu já designado sucessor, camarada Pedro N. Santos, terá que esperar mais uns tempos, para tristeza das esquerdoidas e do Jerónimo, que sonham com o dia em que verão o Costa ser substituído por outro ainda pior.

Verdade é que o diabo não apareceu. Já cá estava, e bem instalado. O problema é nosso, não há quem o queira ver exportado.

 

10.5.19

DO NACIONAL-MAMARRACHISMO

Vemos e lemos, a intervalos regulares, as queixas dos arquitectos (arquitetos e arquitetas, em neo-português) contra os engenheiros que assinam projectos de arquitectura. Por mim, acho bem. Cada macaco no seu galho.

O problema é quantidade de mamarrachos já construídos e a construir, saídos dos computadores e da mente privilegiada dos arquitectos. Ainda não está acabado o horrível pralelipípedo da Fontes Pereira de Melo, e já anda nos jornais a maquete de outro, ainda pior, a edificar na Almirante Reis. E o monstro do Estoril? E o prédio da polícia de Cascais? E por aí fora, quem acode?

Parece justo e legítimo que os arquitectos se arroguem o exclusivo da arquitectura. Mas, ó gente, há casos em que as dúvidas também são justas e legítimas.

 

10.5.19

DE PROFUNDIS

Anda por aí, há vários dias, esta notícia, não desmentida: A ministra da Saúde veio dizer que dos 2.600 portugueses que morreram em 2018 à espera de uma cirurgia no âmbito do SNS, 70% morreram dentro do “prazo de espera”. Este prazo é o período de tempo que o próptio governo define como normal para a execução da cirurgia.

Portanto, morrer dentro do prazo é óptimo. Vistas as coisas assim, só uma minoria de 30%, ou seja, 780 doentes é que violaram as regras e foram morrer fora do prazo. Boas notícias...

Dir-se-ia que se trata de coisa normal, dado que a tal senhora, dita ministra, é especialista em bocas ordinárias, irritações fáceis, palavrões ideológicos, socialismo radical, pacotilha vária. Não: este tipo de novidades é prática política do governo, inúmeras vezes reiterada. Os desgraçados que pedem a reforma também são beneficiados pelos prazos do governo: deixem-se estar por aí que, com sorte, talvez cheguem vivos ao luminoso dia em que o governo despachará o assunto. Não estão ainda devidamente contabilizados os que morrem sem ver um chavo. Espera-se que o chamado ministro que tutela a coisa venha a público, seguindo o exemplo da sua colega da saúde, gabar-se de mais esta geringoncesca maravilha. E os que tiveram acoragem de ir contra as finanças nos tribunais, e ganharam? Esses, muitos, uns dois ou três anos depois verão o trânsito em julgado da sua “vitória”. Condenado, o governo leva pelo menos mais uns dois aninhos para cumprir a sentença e pagar o que deve. Sem juros, que isso de pagar com juros é exclusivo do cidadão. Mais uma vez, em muitos casos, devem ser os herdeiros a receber a massa.

É nisto que se vive, graças à maravilhosa gestão, elogiada urbi et orbe, dos camaradas Centeno, Silva, Temido, e outros mais.

Se os gritos clamados de profundis se ouvissem nesta terra, talvez as eleições servissem para alguma coisa.

 

10.5.19

ABSTENÇÃO!

 

Tendo em vista as monumentais trapalhadas em que os partidos – todos os partidos sem excepção – se envolveram a propósito da ridícula história dos professores, assim como o tão celebrado pinote do Costa, vem-me à cabeça a solução dos problemas, excluindo, é claro, os do xarroco Nogueira e os dos professores.

Assim: partamos do princípio que todas as soluções são más. O mal está feito, cada um interpretá-lo-á como entender, mas o que é preciso é acabar com as farsas, as pantominas, o ridículo, e pôr os cavalinhos nas baias.

O Rio e Cristas já disseram que, se não houver certos limites ao imerecido bodo (mandando a coisa para o dia de São Nunca), voltarão a votar com a comunagem, coisa que os respectivos eleitorados, como é evidente, não perdoarão. E mais uma monstruosa asneira: diz o Rio que porá os 9 anos e tal no seu programa eleitoral. A estupidez é tanta que o xarroco já a veio agradecer!

Postas as coisas nestes termos, a única solução minimamente aceitável, e que resolve o problema, será a abstenção. Assim, passará o projecto do PS, sem comprometer a direita, que se quiser, terá tempo para resolver o problema, ou mandá-lo às urtigas como bem merece.

Eis um modesto contributo do IRRITADO para a salvação dos partidos. Além de tudo mais, está na linha da generalidade dos portugueses, que têm por hábito abster-se.

 

7.5.19      

ESTIMO AS MELHORAS

 

Não tenho o hábito de falar de futebol, nem este post é sobre o assunto.

Estou muito contente por causa do Casilhas. O rapaz é novo, bem merece ter-se safo. Desejo-lhe as maiores felicidades enquanto pessoa, bem como os maiores insucessos se voltar à baliza do Fê Cê Pê.

Facto é que, ontem, ouvi o ilustre futebolista a publicitar umas bocas sobre a sua saúde. Muito bem, quer dizer, muito mal. É que o tipo, que já vive por cá há uns anos, e por cá ganha a vidinha, fazendo lembrar a harpia viúva do Saramago, exprimiu-se em castelhano. Eu sei que os falantes de castelhano têm sérios problemas para falar outras línguas. Também sei que burro velho não aprende línguas. Mas um tipo destes andar por cá às eras sem fazer o mínimo esforço para dizer umas coisas em português, é demais. De uma arrogância e de uma antipatia a toda a prova. Ao menos podia ter pedido ao Pinto da Costa para o ajudar, nem que fosse em dialecto morcão.

Bom dia e as melhoras.

 

 7.5.19

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