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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CAMARADAS, NÃO SE PREOCUPEM!

 

Temos assistido a uma série de públicas birras, birrinhas, dentadas e dentadinhas, entre os formidáveis parceiros da geringonça. Encarregado da artilharia pesada, o César, cheio de bronquite (derivado de bronco), ladra e morde nas fofas carnes (metáfora) da Catarina e nas miseráveis (metáfora) e peludas (metáfora) canelas do Jerónimo. Os atingidos fazem o seu papel, esperneiam q.b., dizem que o PS virou à direita, um horror, que traíu o espírito (metáfora) da geringonça, que se afasta da “via correcta”. Até, ó desgraça, ó hecatambe, teve o topete de anunciar que ia abrir nagociações com o PSD, por causa dessa coisa idiota e inútil que é a lei da saúde, um mero acto de prestidigitação destinado a entreter o pagode, assim o distraindo do que na saúde se passa.

Mas, camaradas, não se aflijam. É tudo fogo de vista (não é metáfora).

O convite do PS enviado ao PSD bem o demonstra. O que o Costa queria era arranjar um pèzinho para, mais uma vez, humilhar o PSD, fazer dele o mau da fita, dar-lhe com os pés com estrondo. Chapeau. O Rio caíu como um patinho, mais uma vez dando dando largas ao masoquimo do Bulhão (não é metáfora) tão do seu agrado.

A abertura à direita nunca existiu. Não passa de mais uma das aldrabices em que o PS é, de loga data, especialista.

Aqui é que não há dúvida: o objectivo único do PS é, como sempre foi, ficar no poder. Por isso, não tem solução que não seja reinstalar a geringonça. O resto é conversa. A trafulhice está bem montada. Quanto mais o bronco se desbroncar contra os parceiros, quanto mais a Catarina e o Jerónimo se mostrarem ofendidos, mais firme estará a geringonça.

O teatro acabará em Outubro.

Camaradas, podeis descansar. A geringonça vencerá.

 

29.6.19

ERRATA

Há dias, deu o IRRITADO nota de que o SIRESP (que “funciona sem falhas”, segundo o chamado governo) já tinha custado 7 milhões, e ia custar muito mais. Depois, referiu que já estavam anunciados mais uns 25 milhões. Entretando especialistas abalizados vieram dizer que são precisos, pelo menos, uns 1.000.

O IRRITADO pede desculpa do involuntário engano. Parece poder dizer-se que a brincadeira ficará entre 32 e 1.000 milhoes. Isto, para um serviço que funciona “sem falhas”, segundo as governamentais bocas.

Fica a correcção, bem como uma declaração de confiança nas chamadas autoridades.

À consideração de quem ler.

 

28.6.19

OS PRETENDENTES

Gente que, pelo menos a este respeito, não sabe o que diz, vieram sugerir que era, ou seria muito mau ser parecidos com Sua Majestade Britânica.

Nada menos que dois procuradores gerais da III República, o primeiro, cujo nome já não lembro mas que não faço esforço para lembrar, com uma carreira vergonhosa, declarava, para dizer que não tinha poderes, que era uma espécie de Rainha de Inglaterra, o outro, ou a outra, manchando a sua impecável carreira, veio dizer que as propostas para meter mais eleitos no Conselho Superior da Procuradoria a tranformariam em Rainha de Inglaterra. Ambos queriam significar que consideravam tal Senhora uma espécie de verbo de encher.

Em defesa de Sua Majestade, que bem a merece, informo que tal Senhora é Chefe de Estado de quatro dos maiores países do mundo e de umas vinte pequenas Nações, detentora de uma Instituição de indiscutível prestígio e apoio cidadão, símbolo vivo uma cultura e de uma civilização universais, amada, considerada e respeitada por centenas de milhões de cidadãos, unidos pela Liberdade, pelos direitos humanos, pelo respeito pela História  e por uma longa série de patrimónios comuns, morais, educacionais, culturais, liteterários e até desportivos. Não tem poder executivo, é verdade, porque a Monarquia Britânica, como muitas outras, não representa a circunstância mas  o que não tem prazo, o que não depende dos dias nem de fugazes modas, mas que é com toda a justiça tido por humanamente sólido, permanente e substancial.

Se isto é digno de menosprezo, vou ali e já venho na minha consideração pelas supracitadas altas figuras, ou figurões, da justiça portiuguesa.

 

28.6.19

UM BERBICACHO

O que se sabe do assunto é simples, mas complicado.

Há uma carga de anos construíu-se, em Viana do Castelo, um prédio com uma carga de andares. Foi posto à venda. Largo número de cidadãos compraram andares e alugaram-nos ou foram para lá viver. Até aqui, tudo normal. Presume-se que a obra estava devidamente licenciada – ou não poderia ser comercializada. Mas acontece que fora implantada, mercê de devida licença camarária, sem respeito pela paisagem urbana e natural envolvente. Não é exemplo único: lembrem-se, por exemplo, do mamarracho, completamente desenquadrado, que surgiu em Cascais, no sítio de outro, o hotel Estoril Sol. O mamarracho lá está, a atirar-se, orgulhoso, à cara de cada um, atestando os altos critérios desse grande autarca que foi António Capucho.

O prédio de Viana não é feio nem bonito, é coisa comum, nada de especial a assinalar a não ser a localização, sem ponta, bem visível, de lógica urbanística. Coisa sem remédio, como o do Estoril. Mas...

Anos passados, os poderosos “estetas” oficiais embirraram com ele. A tal ponto que decidiram demoli-lo, a bem da beleza da cidade. É claro que as pessoas que lá moravam não gostaram da ideia. Anos e anos levaram os estetas, a câmara, os tribunais, os jornais, o diabo, a convencer as pessoas a pôr-se dali para fora, dando lugar ao camartelo municipal. Umas acabaram por chegar a acordo com as brilhantes autoridades, julga-se que indemnizadas a contento, ou realojadas dignamente. Outras não. Há quem alegue que a indemnização oferecida era ridícula, há quem ache que comprou a sua casa, naquele sítio, com aquela vista, pagou, é a sua casa, lá vive a e ninguém tem o direito de lha tirar. Só que as autoridades não são de modas: em vez de chegar a acordo, por caro que fosse, decidem a expulsão.

Como? Aqui é que está o busilis, se é que não há outros do ponto de vista legal. É que os manda-chuva lá do sítio resolveram privar as pessoas de quaisquer meios de sobrevivência. Assim, como matar um câo à fome. Imperialmente, cortaram a água, a electricidade, as comunicações fixas, acabaram com os elevadores, só faltando, que se saiba, entupir os esgotos. O tiranete em funções ameaça com processos-crime e outras martingalas. A polícia, às ordens da lei (que lei?), impede a entrada seja a quem for.

Até quando? Até que as pessoas morram de porcaria acumulada, ou de fome, ou de desespero, por terem decidido defender o que é seu.

Não sei nem me interessa quem, do ponto de vista jurídico, terá razão. Sei que não há lei nenhuma que legitime os meios que o poder vem usando para privar as pessoas de um direito cem por cento legítimo, ou que tenha deixado de ser legítimo por imposição do poder. Aliás, foi esse poder que legitimou a construção do que, agora, acha estéticamente inaceitável.

Quem acode?

 

28.6.19

MAIS UMA MINHOCA

 

É natural e aceitável que o PS queira parlamentarizar ou governamentalizar a Procuradoria da República, na boa tradição socrélfia. Uma posição de perfeita coerência com a moral republicana que pratica desde sempre. Eu sei que Sócrates abusou de governamentalizações: banca, telecomunicações, justiça, informação, etc.. Mas, mudada a chefia da Procuradoria, o tiro (vários tiros) acabou por sair-lhe pela culatra.

Ciente desta realidade e sonhando com os velhos tempos, o PS regressa à estratégia habitual. Como ainda não sabe do que gasta a actual procuradora geral, antes prevenir que remediar. O melhor é tomar providências e passar a controlá-la. Como? Alterando a relação de forças no órgão de controle da PGR - Conselho Superior do Ministério Público - enchendo-o de políticos e assim abrindo a porta a determinadas “diligências”.

Tudo normal, previsível, sem surpresas.

Surpresa foi a cavadela dada por pelo Rio, a fim de libertar mais uma minhoca, sua especialidade preferida. Ao pôr-se ao lado brilhante intenção do PS, também foi coerente. Não com o PSD, mas consigo próprio. Mais não fez que aproveitar a oportunidade para lamber as botas ao Costa, mesmo que, para isso, pisasse sem escrúpulos os bons princípios do seu antecessor.

Onde irá parar este paspalhão? Não sei, mas espero que o mais longe possível.

 

27.6.19

BONS EXEMPLOS, E BEM SEGUIDOS

 

Tem frutificado a obra desse grande político socialista que anunciava triliões de obras públicas, estradas, ferrovias, ferries e outras realizações  que jamais realizaria, que inaugurava coisas inexistentes ou já inauguradas e que ficou de tal maneira famoso e admirado que foi premiado com lugar de topo de lista do Parlamento Europeu.

Olhe-se a nóvel descoberta do governo para nos tratar da saúde, e veja-se se o exemplo do ex-ministro e actual MPE é ou não seguido por ela.

A espernéfica criatura, de irrepreensível esquerdismo e dentes encavalitados, veio somar às mais inacreditáveis atitudes a declaração de que ia lançar um concurso para a admissão de médicos no SNS, concurso esse que foi lançado há dois meses e já tem candidatos e tudo. Percebe-se a tecnologia política apliacada a mais esta “verdade” do governo. Andava a fulana procupada a pensar que já há uns dias não anunciava nada e, pior ainda, que não tinha nada para anunciar. Lembrou-se então que o tal concurso (o verdadeiro) não tinha sido comunicado à plebe. E resolveu anunciá-lo. Ninguém daria por isso.

O pior é que alguém deu por isso e que, agora, toda a gente já deu por isso, assim aumentando o merecido prestígio da mulher e do chamado governo a que pertence.

 

27.6.19

DE VENTO EM POPA

 

Velas enfunadas, aí vai a barca dos impostos. Aumentar é chato, arranje-se mais matéria colectável. A Catarina apoiará sem reservas. O Jerónimo ficará contente. Vão acabar as taxas fixas no IRS. Integre-se, por exemplo, as rendas de casa, que têm taxa de 28%. Englobe-se. Aumenta-se o rendimento, aplica-se a percentagem geral. Genial. Mais uns milhões sacados ao povo. Sem “aumentar” impostos.

Reveja-se nesta maravilhosa política. A procissão vai no adro. Vêm aí mais umas “englobações”. Você vai pagar mais, mas a geringonça aplica a pastilha sem dizer a ninguém que subiu a carga fiscal. Prepare-se, vá fazendo economias, que geringonça é insaciável.

 

25.6.19

DIÁLOGOS SOCIALISTAS

 

Desde que perdeu as eleições e ganhou o poder, o PS sempre se recusou a dialogar com o PSD. Foi assim que formou governo, foi assim que tratou a oposição do centro e do centro direita. Todo o poder à esquerda, que “essa gente” não merece conversas.

Abanada estabilidade da esquerda triunfante, o PS vira-se para a direita, não por ter mudado de atitude, mas porque lhe dá jeito. O sapo dos Açores proclamou que “o PS dialoga com toda a gente”.

O pior disto não é o oportunismo desavergonhado do socilismo nacional. É a indigna abertura do PSD. Passados quatro anos de desdém, de desconsideração, de profundo desprezo, o PSD/Rio está (sempre esteve!) disposto a “conversar”! A lamber caninamente a mão que o PS lhe estende? Será possível ofender mais quem nele ainda insiste em votar, ou quem vê em acabar com o Costa o verdadeiro “desígnio nacional”?

 

25.6.19

NATALIDADE

 

Parir no Verão passou a ser um problema: maternidades só por turnos.

Os casais terão que programar as coisas de forma a não ter filhos a nascer quando as maternidades estão fechadas.

Os motoristas de táxis terão que ter formação para partos súbitos quando andarem com as parturientes aflitas, a bater a portas fechadas.

A doida da saúde recomendará estas medidas e, como acontece nas bichas dos serviços, dirá que se houver azar a culpa é das senhoras por falta de planeamento familiar.  

O IRRITADO não pode deixar de vir a público elogiar mais uma medida socialista para o aumento da natalidade.

 

25.6.19

PRINCÍPIOS

PRINCÍPIOS

Há dez cidadãos à pega por causa dos incêndios de 2017. Homicidas, incompetentes, negligentes corruptos, uma cambada, um nunca acabar de crimes a punir exemplarmente.

Pois. Mas algo me diz que falta gente. Não vi, na lista dos suspeitos, nem a dona Constança, nem o senhor Costa, nem ninguém que tivesse a ver com o Estado propriamente dito, com a geringonça, com altas instâncias do poder instalado.

No fundo, está certo. É coerente com a regra da impunidade do poder, um dos mais importantes princípios do socialimo costita.

 

25.6.19

O GRANDE CULPADO

 

Segundo a geringoncial opinião, oficialmente declarada, a culpa dos atrasos nas emissões de cartões do cidadão ou de passaportes, nos atendimentos das finanças, etc., é dos benificiários dos magníficos serviços do Estado.

Assim, sem mais nem menos e pela palavra de quem sabe, você, caro colega cidadão, é uma besta. Porquê? Porque tem a mania de se ir pôr à porta dos impecáveis serviços públicos às sete da manhã, com uma cadeirinha dobrável para não cansar as pernas (comodista!) e, assim, os seus concidadãos que chegam a horas já nem senha arranjam.

Todos temos experiências destas, por toda a parte, em todos os serviços. Por outras palavras, somos todos umas bestas, uns tipos que não merecem o carinho, o amor, a disponibilidade dos departamentos estatais para nos prestar os excelsos serviços a que, bem vistas as coisas, não temos direito.

Se o problema fosse dos cães, o PAN já teria feito aprovar, por unanimidade e geral aplauso, uma lei para evitar que os cães tivessem que esperar para ser atendidos por veterinários, tosquiadores, cabeleireiros especializados e outros servidores a que têm inalienável direito. E mais. Tal lei já tinha sido promulgada de urgência pelo senhor de Belém.

Foge, cidadão, antes que te multem, ou prendam, por estares à porta antes de tempo!

 

24.6.19

CHERNOBYL

O “Observador” de hoje faz um relato pormenorizado do que aconteceu em Chernobyl em 1986.

A URSS começou por desvalorizar o problema. Depois, perante a brutalidade do desastre, acabou por reconhecer a sua gravidade, ainda que com desculpas de mau pagador ("culpada foi a CIA", por exemplo). Toda a gente percebeu. Toda? Não. Uma espécie de homo erectus português, o camarada Cunhal, vindo de Kiev, desembarcou em Lisboa dois dias depois, e declarou que não havia problema de maior. Mais, criticou acerbamente um diplomata português que tinha apelado aos nacionais, na maioria estudantes, para que abandonassem a região.

Cunhal nunca se auto-desmentiu. A miserável subserviência do PCP perante o seu patrão e financiador não conhecia limites.

Duas observações:

  1. O bservador faz um um apanhado das reacções da nossa informação, esquecendo as declarações do Cunhal. Porquê?
  2. Hoje, o PCP, troglodita, mantém a sua fidelidade a todas as ditaduras comunistas, ou mais ou menos: Coreia do Norte, Cuba, Venezuela... e até o Putin merece uma certa compreensão, quem sabe se por razões “históricas".

Para que conste, nem que seja só no IRRITADO.

 

24.6.19

MILAGRE?

Contrariando as opiniões do IRRITADO, o senhor Costa veio garantir à Pátria que, a partir de agora, o SIRESP vai funcionar maravilhosamente. “Sem qualquer falha”.

Sabem porquê? Porque o Estado, que vai pagar uns sete milhões (peanuts em relação ao que se vai seguir), e que só passará a “gerir o sistema” em 2020, acha que,  para que a coisa funcione desde já, basta vir o Estado a tê-la na mão daqui a seis meses.

Um doce a quem perceber.  

 

19.6.19

TERRÍVEL FLAGELO

Para esclarecimento público, é bom que as pessoas se lembrem de que as PPP’s da saúde são parte integrante do respectivo Serviço Nacional. O horror que, nas esclarecidas palavras das esquerdoidas e do PC, tal coisa representa, veio a ser comprovado pela respectiva autoridade, cifrando-se -se em cerca de 190 milhões que o Estado poupou com ela.

 

19.6.19

INOCENTES AOS PONTAPÉS

Segundo o douto parecer da comissão de inquérito ao caso de Tancos, nada há que indique haver qualquer sombra de culpa ou responsabilidade atribuíveis ao chamado governo.

Prémio de consolação: o PSD e o CDS votaram contra o relatório magistralmente elaborado por um deputado do PS. Para compensar a atitude, ouvimos mais uns rasgados elogios do senhor Rio à nacionalização do SIRESP e outras obras da geringonça.

O Constâncio também não tem seja que resquícios for de responsabilidade no caso Berardo.

Conclusão: em notável coerência com a moral republicana em vigor, nada há de menos limpo que possa ser apontado, seja à geringonça, seja ao seu impoluto líder, seja ainda a qualquer membro do PS.

Aliás, sublinhe-se que, no caso dos incêndios, segundo a doutrinadora das doidices e o deputado animalesco, a culpa é dos eucaliptos. Seguindo a mesma lógica, suponho que, no caso dos pinheiros, a culpa seja do Senhor Dom Dinis.

Que bom!

 

19.6.19

CARTA ABERTA

Excelentíssima Senhora Dona Assumpção Cristas

Excelentíssimo Senhor Rui Rio

Venho, humildemente, aconselhar Vossas Excelências a ler dois artigos publicados no “Expresso” de Sábado, os quais me parece poder ser-lhes úteis. Um, publicado pelo Senhor Henrique Raposo, pessoa que muito admiro excepto quando se põe a contar histórias da sua vida pessoal (Caderno Principal), outro pela Senhora Dona Clara Ferreira Alves, pessoa por cuja pespinetice me irrita (Revista).

Tem sido ramalhete argumentatório dos intelectuais de esquerda acusar o discurso do 10 de Junho de João Miguel Tavares de apontar defeitos sem dizer como emendá-los. Não têm razão, como de costume: não competia ao orador decretar um programa político, só denunciar os limites a que a sociedade está sujeita. Fê-lo com mestria.

Para colmatar as “lacunas” de tal discurso nada melhor que ler os artigos acima referidos, cheiinhos que estão de boas linhas para tal programa, e mostrando o que a direita devia dizer, e fazer, coisas de que Vossas Excelências não fazem a menor ideia. De facto, como demonstram os articulistas, nem um nem outro de vós tem uma só ideia de boa e democrática opinião que seja incompatível com, ou contrária à esquerda. Navegam à vista, na “espuma dos dias” como se diz agora, e não são capazes de assumir os vossos próprios valores e de comunicar as respectivas virtudes ou dizer o que eles implicam de bom, de projectável no futuro, de forma que as pessoas os percebam como tal.

 

A direita está em crise, proclamou o senhor de Belém numa das suas habituais ajudas à esquerda. Não devia tê-lo feito, como unanimemente é reconhecido, mas fazê-lo é da inelutável natureza dos escorpiões.

A direita está, de facto, em crise, não por causa da trambiqueira política da frente de esquerda, está-o porque não tem líderes à altura. Vossa Excelência, Dona Assumpção, não passa da sua infeliz pasmaceira ideológica. Vossa Excelência, Senhor Rio, anda a prègar moral em vez de doutrina que se veja, rodeou-se de pataratas, tem complexos social-democratas que já nada dizem ao eleitorado, não sai da cepa torta, cada cavadela cada minhoca.

Nos artigos que recomendo, sobretudo o da Dona Clara, está tudo, ou quase tudo o que faz falta às vossas ilustres cabecinhas. Não cito tais escritos porque poderia diminuí-los. Vem lá o que é preciso fazer de bom sem ser de esquerda, vem lá quase tudo o que é fundamental para nos tirar da porca miséria em que vogamos, sem horizontes, sem nada que aponte para um futuro desejável ou até aceitável.

Como Vossas Excelências estão ocos de ideias, bem podem, ou ir lá buscá-las, ou pedir a reforma antecipada. É que a direita democrática portuguesa tem, ou devia ter, muito a fazer e a dizer que tenha eco nas pessoas. No fundo, a miséria mental a que Vossas Exclências se reduziram é comparável às desgraças que a esquerda provoca e que os senhores não são capazes de combater.

Vão por mim. Leiam, cultivem-se, comecem a pensar, em vez de se deixar dominar pelo vazio das vossas mentes em crise.    

 

Com os cumprimentos possíveis.

 

IRRITADO

 

17.5.19

HABITUEM-SE

Vítima ou consequência da monumental demagogia que a semana de 35 horas representa, estamos, todos os dias, a assistir ao colapso geral dos serviços públicos, com dramáticas consequências na vida das pessoas.

Declarou o chefe da geringonça que, para pôr fim ao caos que motivou e que, sem vergonha, reconhece e até louva, vai dar largas às sua tendências para um pleno emprego de inspiração soviética: admitir mais umas dezenas de milhar de funcionários, com o lastro fatal de aumento da despesa, da criação de empregos para a vida, tudo na filosofia das “letras”, não do mérito, de que enferma toda a função pública.

Estava em vigor a norma do “saem dois entra um”. Acabou. Agora passa a vigorar a do sai um entram cinquenta. Reformas dos serviços, nada. Diminuição da burocracia, zero. Operacionalização dos procedimentos, nem pensar. Mais uns milhares de votos, OK. Exames para entrar, querias!, a CRESAP tem os dias contados, entra quem nós, os geringoços, queremos. A economia que se lixe, que encolha, o dinheiro não é preciso para ela, só para pagar votos. Uma chapelada à boa moda do passado.

Há quem diga que isto acaba mal. O que acaba mal é o nosso futuro, com mais ou menos crise, não é a geringonça. A malta habitua-se, já começa a habituar-se. Um triunfo.

 

17.5.19

UMA FARTURA

Nada menos que dezoito é o número de câmaras municipais - parece que onze do PSD e sete do PS - que estão à pega devido a um esquema qualquer aplicado ao aluguer de camionetas. A polícia não faz a coisa por menos. Tudo ao molho, uma fartura.

Parece que há uns piores que outros. São cinco, um do PSD, os outros não sei. Para o comum dos mortais, segundo as informações disponíveis, deve tratar-se de um bando de mafiosos que se apoderaram do chamado poder local para se encher de dinheiro. Faziam compras sem concurso (“procedimento concursal”, em novilíngua), tudo à pala de ajustes directos, somando já uma data de milhões, só nos últimos dez anos. Ainda ninguém fez as contas de quanto isso representa ao ano, nem dividiu o resultado por dezoito, o que deixa no ar uma série de dúvidas. A lista dos crimes é vasta, ainda que falte acrescentar os de violência doméstca, tráfico de drogas e outros da moda.

Uma coisa há que me põe de sobreaviso sobre a verdadeira natureza desta história. Os mesmos jornais que sublinham os montantes vezes sem conta, dando ideia de uma monstruosa trafulhice, dizem em letra miudinha que a empresa privilegiada pelos suspeitos “esmagava os preços da concorrência”.  Parece que os autarcas em causa são suspeitos de escolher o preço mais barato sem prejuízo do bom serviço.

Onde estará a verdade no meio disto tudo?

 

14.6.19

A PANACEIA

O mal-amado SIRESP vai ser, finalmente, estatizado. Toda a gente sabe que, com falhas ou sem elas, o sistema foi erigido em bombo da festa dos incêndios. Culpas, responsabilidades, incompetências, são coisas que, ao nível do governo e, por extensão, do Estado, não fazem parte do dicionário. A reconstrução do ardido vai tão devagar quanto possível. Os dinheiros para tal recolhidos, ou parte deles, não se sabe onde estão. Mas,meus amigos, tudo bem. O Estado é um herói, o chamado governo também, o senhor de Belém disse umas coisas mas depressa se desinteressou do assunto. O país rebrilha de felicidade. E nós, nós somos formidáveis, fantásticos, ricos, o progresso da Nação é indiscutível.

Mais uma vez o chamado governo descobriu a solução para acabar com os males do bode expiatório, através da aplicação ao caso panaceia universal do socialismo em geral e da geringonça em particular: nacionalizar o SIRESP.  Não se admite que haja privados a mandar nisto. Segundo a filosofia triunfante funcionam mal, como todos os privados. E até, ó desgraça, ganham dinheiro! E, por definição, são desonestos. Assim, acabe-se com a moscambilha: o SIRESP vai passar a ser nosso, de todos. Para já, pagamos sete milhões, e tudo passará a funcionar maravilhosamente. Vale a pena, não é?

Uma coisa é certa, na opinião do IRRITADO: passámos a ter a garantia de que o SIRESP vai, definitivamente, deixar de funcionar. E ser mais caro. Não interessa, cá estamos para pagar a factura. Lindo.

Sublinhe-se a esfusiante alegria com que a maluca Mortágua comentou o caso, tendo o cuidado de afirmar que não sabia nada do assunto, isto é, que desconhecia o contrato em vigor e as normas em incumprimento. Se se trata de colectivizar, é uma excelente medida.

Por definição, evidentemente.

 

14.6.19   

O INSTRUMENTO

Quem vem acompanhando os episódios do caso Berardo, com olhos de ver/ler e ouvidos de ouvir, já tem dados que cheguem para perceber que o homem mais não foi que o instrumento de uma política que o ultrapassava, mas lhe convinha. É hoje para muitos o bode expiatório ideal dos males da CGD.

O caso CGD/Berardo não passa de um dos muitos da grande manobra socialista para dominar a banca, as comunicações, os media, tudo o que mexesse. Não se sabe, sequer, se foi o mais grave, ou o mais caro. Sabe-se que, com os dois maiores bancos na mão, com a TVI no papo, a PT no bolso, etc., o PS ficaria a abarrotar de poder e a proporcionar aos seus donos inúmeros potes de poder financeiro (chamemos-lhes só isto).

Algo falhou. É que o Berardo pode ser o que quiserem, mas de parvo tem pouco. Querem que me meta no BCP? A ideia agrada-me. Ora digam lá onde vou buscar o cacau para a operação? A máquina socialista resolveu o problema. A administração socialista propôs-se emprestar os hoje célebres 350 milhões sem garantias reais. O governo socialista achou muito bem. O Banco de Portugal socialista também. O Berardo a mesma coisa... desde que a garantia fosse o capital investido sob a forma de acções. Agora, comam-nas com batatas.

Apanhados na sua própria armadilha, os socialistas tratam de culpar o Berardo. Uns não “estavam lá”, como se não estivessem. Outros “não se lembram”, como se não se lembrassem. Outros, sedentos de prestígio que não merecem, apontam o dedo a terceiros como o Berardo.

O Berardo ri-se-lhes no focinho. Faz ele muito bem. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. O feiticeiro mente, a ver se se safa. Desde há quase quatro anos, a imitar outros seis (ou mais), aculpa nunca foi, nem será, do verdadeiro culpado.

 

 12.6.19

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