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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DO MEDO

 

Se eu achasse que o nosso governo serve para alguma coisa, diria que tal organização já devia ter percebido que a solução do “estado de emergência” é capaz de não ser a solução. Por um lado, acabou a liberdade, a polícia é mandada perseguir quem mais não quer que ir dar uma voltinha. Por outro, a economia entrou em quarentena, ninguém é capaz de, sequer, imaginnar as consequências da paralisia social e laboral em somos levados a viver. É evidente que não há medidas dos governos que possam funcionar sine die para compensar o descalabro dos que são privados de rendimento. Todos somos privados de rendimento, uns já, outros a curto prazo. O Estado também, sem rendimento não há impostos, sem impostos não há saúde, nem educação, nem segurança social, nem segurança tout court. O Estado, tantas e tantas vezes tão justamente acusado de se meter onde não é chamado, vai atirando dinheiro à cara das pessoas (quantas, quem, como?) verá o dinheiro acabar, e será o caos que já é multiplicado por n.

Há muito quem esteja a ver um bocadinho mais longe que o Estado que temos. Há muito quem veja as estatísticas e o que elas mudaram, coisa que o Estado se recusa a ver. Mudaram tanto quanto diz o governo? É claro que não, não são tão assutadoramente diferentes do que na meia dúzia dos últimos anos. Pelo menos no que diz respeito aos óbitos, ora atribuídos, todos, ao vírus. Então porque será tão útil e tão indispensável a paralisia geral decretada com foros de guerra à liberdade?

O medo é mais contagioso que o vírus. Não será essa a mais perigosa das epidemias? O turismo acabou, mas tudo o resto também tem que acabar?

Começa a haver reacções violentas, em Itália e Espanha já as há, e vai haver muitas mais, e mais graves. Valerá a pena? O medo começa a ter consequências, já há quem não tenha que comer, quem não tenha pão para dar aos filhos. Valerá a pena?  

Há sítios, como a Suécia, onde se tenta ultrapassar o medo, onde ainda se trabalha e se estuda, onde só se proteje quem precisa mesmo de ser protegido. Nos países do medo quem precisa de mais protecção não a tem, os hospitais abarrotam de constipados e engripados, com vírus ou sem ele. Será sustentável? Que Estado, que sociedade resiste a isto duravelmente sem colapsar?

Tudo questões que nos vamos pondo, sem resposta certa mas com certíssimas inquietações, sendo que a mais grave é a que me faz perguntar: como acabar com o medo se ele é instilado todos os dias na cabeça de cada um, sem remédio nem esperança?

 

 30.3.20

ESCOLHAS

 

Voltando às vantagens do Covid19, há que sublinhar o monumental alívio que foi ter deixado de andar submetido, matraqueado, vítima de diárias lavagens ao cérebro ministradas por multidões de desportistas da modalidade de decátolo televisivo, constituídas por inúmeros plantéis (é assim que se escreve?) de profissionais do comentário futebologénico, ocupando intermináveis horas da “informação” nocturna do infeliz indígena.

FoI tal cáfila substituída por outros especialistas, desta vez os mui solidariamente ocupados em explicar às pessoas tudo e o seu contrário sobre a epidemia.

Há-os para todos os gostos e desgostos. Locutores (“pivots”!), quase todos de barbas farfalhudas, muito men, meninas bonitas e meninas feias com fartura, “autoridades”, primas de infectados, filhas de velhos armazenados em lares (dos amargos não dos doces), médicos, enfermeiros, tipos das misericórdias, presidentes de câmaras, emigrantes, intelectuais de toda a ordem, gente contente por se tornar “célebre”, directoras gerais (coitadinha da da saúde), uma ministra pespineta, o insuportável Costa, o espertalhão do Siza, tudo minha gente a perorar salvíficas matérias, lamentações e protestos, estatísticas maradas, prognósticos à la carte.

E estamos todos em casa, a gozar ou a lamentar o mortal silêncio da cidade, a viver o inimaginável com a bonomia possível ou impossível, escravos das ordens que recebemos, sendo a única que funciona a do isolamento. De resto, ninguém sabe se as máscaras são boas ou más, se as luvas funcionam e como, se podemos dar uma volta ao quarteirão como diz uma criaturinha do governo, ou se não podemos como diz a polícia, se há testes ou não há testes, se os testes são precisos ou não são precisos, se o que nos dizem é verdade hoje e mentira amanhã ou vice-versa, se, se, se.

Tomei uma atitude. Nada de notícias. É capaz de ser mais saudável apanhar o vírus que passar os dias a ler, ouvir e ver a “informação”, venha ela donde vier. A verdade , se é que é verdade ou se há verdade, é que mais vale apanhar o vírus (tendo o cuidado de não morrer) e ficar cheiinho de anticorpos, livre dele, do que andar “informado” e correr o risco de perder o juízo de uma vez por todas.

Comentários de futebol ou opiniões sobre Covid19, venha o diabo e escolha.

 

29.3.20

NO MAR DOS ENGANOS

Diz a propaganda oficial que “é preciso dizer a verdade aos portugueses”. Muito bem. O que não está nada bem é que não se diga a verdade aos portugueses. O que as “autoridades” dizem é todos os dias contraditado por quem anda no terreno. Aquele tipo de Ovar diz que o número de infectados é o dobro do anunciado. Os médicos, enfermeiros e demais profissionais dizem que não há isto, não há aquilo, falta quase tudo. Serão todos uma cambada de aldrabões? Não me parece. Então porque será que, oficialmente, se diz o contrário?

O chamado primeiro-ministro sossega as almas. Ele está em negociações, ele está a fazer encomendas, é possível que os materiais cheguem rapidamente. Muito bem. Só que todas estas declarações contradizem as outras. Então, se não falta nada, para quê as encomendas? Por que carga de água não se diz a verdade que se propagandeia como sendo “precisa”? Eu explico: porque é um vício, um hábito enraizado na comunicação do Estado. Tão habituado está a mentir, a dizer meias verdades, a interpretar tudo “à maneira”, que quando promete dizer a verdade já não consegue.

Pelo contrário, alimenta a mentira. Reparem: ontem, o chamado primeiro-ministro foi visitar um hospital, talvez o único onde, segundo o respectivo chefe, “não falta nada”. Talvez seja verdade. Ou será que o tal chefe é do PS? A pergunta é legítima. Se for verdade, então o governo aproveitou a excepção para dizer que é a regra. Se for mentira, não faz mal, é o costume. Os media, como sempre, colaboraram na jornada política, uma carrada de areia nos olhos do pessoal.

No fim de contas, se calhar, as “autoridades” têm razão. A estratégia está certa. É que, segundo uma sondagem artisticamente posta a correr, o prestígio público do primeiro-ministro subiu! Somos parvos, ou gostamos de ser aldrabados?

 

26.3.20     

DAS VANTAGENS DO VÍRUS

Não chego aos calcanhares da ministra da agricultura, que diz que o vírus é bestial para os servos da gleba venderem couves ao estrangeiro. Mas, verdade verdadinha, há uma coisa que agradeço ao vírus: a EMEL não funciona! Não é que ande muito de carro - praticamente nem lhe mexo. Mas é consolador ter a máquina numa esquina onde não faz mal a ninguém mas que, em tempos normais, daria as mais repenicadas dores de cabeça.

A EMEL nasceu nos tempos do Sampaio, PS/PC no poder. O seu ilustre primeiro chefe foi um tal Bento Feliz que, com requintes de malvadez, criou uma “estrutura” que faria inveja ao camarada Estaline. Depois, à medida que os cofres se iam enchendo, a coisa foi melhorando. Pela positiva, a EMEL passou a avisar a clientela sobre a altura de pagar, com referência Multibanco e tudo. Uma maravilha, a demonstrar a entrada da coisa na era digital(?). Mas, ó desgraça, a coisa devia dar um trabalhão aos funcionários, incompatível com as 35 horas. Assim, sem qualquer aviso, deixaram de mandar o aviso. Daí, os servos, uns canalhas, deixaram de cumprir as suas obrigações pela simples razão que não têm pachorra (pregiçosos, mlandragem, caloteiros!) para andar preocupados com a data do dístico e estavam (mal) habituados aos avisos da ditadora. Fatal. Uns dias depois, começaram as multas, uma, duas e, à terceira, lá vai o carrinho para o estabelecimento prisional da EMEL. Perante tal facto, o tenebroso prevaricador desloca-se, humilde e delicado, à Câmara, lá onde a organização tem assento, julgo que secundário. Depois da devida espera (apesar da augusta presença de toneladas de funcionários), lá vai ser atendido. Pede para pagar, e que lhe passem um novo dístico. Que não. Não é assim, tenha paciência. Mas... o senhor tem aí os elementos todos, basta ir ao computador, dou-lhe a matrícula, dou-lhe o Cartão do cidadão, sabe que o carro é meu, sabe onde moro, tenho o dístico desde que há EMEL, tem tudo. Nem pensar, tem que trazer os documentos da viatura. E como quer que eu lhe dê os documentos, se estão no carro e o carro está apreendido, e se a EMEL sabe perfeitamente do que se trata? Solícito, diz o funcionário que, para já, tem duas multas para pagar, o que pode fazer aqui. Então, para receber o senhor serve, mas para dar uma ajuda já não. Não seja malcriado, é a lei, o regulamento... tá a perceber? E o caloteiro paga as multas, 60 euros, e vai, com o rabinho entre as pernas (o que prejudica o andamento) até à prisão dos automóveis. São cento e oitenta euros, explica o útil cidadão por trás do vidro, e pode ir buscar a viatura. Pago o estrago, o caloteiro lá vai, à procura do carro, está lá longe, o guarda não o vai buscar, era o que faltava! Munido do carro e do respectivo documento, feliz, lá vai o “arguido” (é assim que é referido na papelada!) outra vez à Câmara. Em vez do outro fulano, é agora recebido por uma gorda toda fataça, cheia de anéis. Cartão do cidadão, carta de condução, documento único. Orgulhoso, o arguido põe tudo em cima da mesa. A gorda mergulha no computador e, após judiciosa busca, pergunta: que deseja? Queria que fizesse o favor de emitir o papel de estacionamento de morador. Nova consulta dos dados. Não lhe vou dar o papel. O arguido estremece, começa a suar. Porquê? Porque no Cartão diz que mora no rés do chão esquerdo e, no documento único, que mora no sétimo direito. Ó minha senhora, não vê que é no mesmo prédio, no mesmo bairro, na mesma zona de estacionamento? Que importância tem isso para a EMEL? Tem toda a importância, você (assim, você) tem 60 dias para acertar a morada, depois venha cá, é o que diz a lei, não há nada a fazer, vá aos registos. O arguido respira fundo, bufa, mas, dada a sua esmerada educação, livrou a gorda de levar um murro no focinho. De rabo entre as pernas, está a tornar-se um hábito, vai para casa.

No dia seguinte, começa a emergência. O arguido deixa de poder sair. E agora? Agora, fechou a EMEL, os poderosíssimos sátrapas foram para casa, o carro, provocador, está à esquina. Hi,hi.

Vêem como o vírus tem as suas vantagens?

 

25.3.20     

O REALISMO NA GAVETA

Ouve dizer-se que o chamado governo está na disposição de ajudar os empresários a pagar salários, desde que não despeçam os trabalhadores. Como é de timbre e hábito do Estado, é de calcular que quem de tal precise terá que preencher 245 formulários, fazer prova de 87 factos, produzir 89 declarações 50 das quais de honra, mostrar a contabilidade dos últimos 5 anos e mais o que couber na burocrática imaginação do sistema. Tudo isto será analizado por duas dúzias de funcionários de três ministérios. A seu tempo (o tempo do Estado) os processos serão despachados. Destes, 72% serão arquivados, os restantes sujeitos a pagamento nos prazos habituais do socialismo vigente.

Se o tal governo quisesse tratar do assunto a sério, tomaria conta dos despedimentos e poria a funcionar os respectivos subsídios, pelo menos durante a crise. Passada esta (a do vírus talvez passe, a da burocracia não passa de certeza), dar-se-ia incentivos para a readmissão dos despedidos. A segurança social parece que está razoavelmente montada para despachar este tipo de coisas e, segundo a propaganda governamental, dinheiro não falta, e acrescentar-se-lhe-ia a previsível ajuda da Europa.

O que não vai funcionar, como toda a gente sabe, é a proibição de despedir. Numa crise das dimensões da que se prevê é fatal que o desemprego não pode deixar de galopar. O mais que pode fazer-se é tentar limitar o galope  durante a “guerra”. O resto são ilusões, wishful thinking, ou mera fantasia de iluminados num quarto escuro

Ele há coisas em que vale a pena ser realista, mesmo que a realidade seja muito triste.

 

25.3.20     

QUERIDA LISBOA

O admirável “Zé” (Sá Fernandes), apresentado há anos pelo BE à candidatura a vereador em Lisboa, e eleito, zangou-se com o Bloco. À semelhança de outros (Rui Tavares, Joacina...) deixou-se ficar no lugarzinho e, pendurado no PS, por lá está, há anos e anos, como uma lapa.

Hoje, o “Expresso”, publica-lhe um artigo, sem direito a comentários, sob o título “Querida Lisboa”, onde tece considerações mais ou menos desinteressantes sobre a cidade.

Haveria que perguntar (coisa que ninguém faz, julgo que por privilégios de esquerda) ao imponente vereador quanto é que a sua pessoa já custou, e ainda vai custar, ao Município. A grande obra desta criatura cifra-se já em várias centenas de milhões de prejuízos para o erário municipal. A sua “acção popular” contra o túnel do Marquês já custou, em indemnizações, mais de cem milhões, pagos no tempo do presidente Costa. A sua batalha legal contra o negócio do Parque Mayer/Feira Popular cifra-se em pelo menos outro tanto e, segundo julgo saber, a procissão ainda mal saíu do adro. Coisas que podemos agradecer, não esqueçamos, ao Sampaio, ao Costa e ao Medina, seus indefectíveis patronos.

Se a cidade tivesse mais uns “Zés” ao serviço, se calhar já estava em bancarrota. Os milhões do “Zé” já muito ajudaram o Medina a aumentar os impostos. E é este “Zé” que vem declarar o seu “amor “ à cidade. E é este Medina que lhe apara as candidaturas e o conserva como uma jóia no seu ilustre plantel! E é este “Expresso” que lhe dá guarida, sem fazer perguntas.

Boa tarde.

 

24.3.20   

QUAL É O ESPANTO?

Hoje, 24.3.20, caíram mais umas máscaras, não daquelas do Covid19, mas das do chamado primeiro-ministro. Passados os olhos por vários jornais, as mentiras do homem são largamente divulgadas. Mentiu quanto às máscaras, aos ventiladores, aos testes e a sei lá mais o quê. As denúncias são aos pontapés. Somos o país da Europa com menos testes feitos ou disponíveis, com menos meios, com menos tudo. Grita o bastonário, os especialistas, os cientistas, grita toda a gente por esse país fora.

É verdade que o PM mente. E agora? Que confiança, que esperança, que mínimo de certeza, não quanto ao comportamento do vírus mas quanto ao do governo?

Só uma coisa é certa: o PM aldraba. Mas não é o que tem andado a fazer de há cinco anos a esta parte? Qual é o espanto?

A vida, mesmo lixada, continua. O primeiro-ministro também.

 

24.3.20

HÁ-DE SER O QUE CALHAR

 

Em matéria de política, há especialistas de futurologia com fartura. Já li que o vírus causará uma vaga de nacionalismo, como li que será uma oportunidade para que as nações aprendam a presar o multilateralismo, a união da Europa, a colaboração internacional.

Quem terá razão? Se calhar, ninguém. Depois da tempestade a bonança, tudo voltará a ser como era.

Uma coisa é certa: o vírus pôs à solta um oceano de oportunidades para opinar. O IRRITADO aproveita, faz o mesmo, dirão com alguma razão. Só que o IRRITADO não vem declarar a última e a mais certa das opiniões, vem dizer que não tem opinião nenhuma. Nem que o vírus vai unir, nem que vai desunir, nem que nem uma coisa nem outra.

É certo que, pelo menos na UE, a “solidariedade fundacional” funciona pouco, e mal. Cada um está entregue a si próprio, salve-se quem puder. Daí, há quem veja o fim da União, a somar à “razão” dos britânicos, dos catalães, dos populistas “nacionais”. A UE, dada a urgência, não trata nada com urgência. Eurobonds? Pois, mas. União bancária? Pois, mas. E por aí fora. Quem vai triunfar, os que se fecham ou os que querem unir-se mais ainda? Uma sociedade que se rege pelo critério da unanimidade pouco mais pode para além de encanar a perna à rã. Será que anda por aí algum líder capaz de tomar as rédeas? Se há, está escondido a mau recato. Parece que os pessimistas têm razão.

Mas há os outros, os que dizem exactamente o contrário, que o vírus, mais cedo que mais tarde, motivará uma onda de solidariedade europeia e universal que fará com que as pessoas prezem mais a concórdia e se tornem capazes de cerrar fileiras em face de um inimigo comum. O pior é que, sinais disto, para já, quem os dá são os chineses, sendo legítimo perguntar com que veladas intenções.

Enfim, esperemos, é o que há a fazer. Há-de ser o que calhar. Até lá, analistas não faltam, o que falta é juízo.

 

23.3.20

BOAS INTENÇÕES

Sua Excelência de Belém convocou Sua Excelência do Terreiro do Paço para lhe implorar que não se fosse embora, a fim poder acudir ao descalabro da economia.

Muito bem, ou muito mal. A perniciosa influência do homem já se faz sentir. Há anúncios e mais anúncios propagandeados por Sua Excelência de São Bento, milhões (poucos) e mais milhões (poucos). Mas ninguém, ou quase, faz qualquer ideia de como e onde desencantar os maravedis. Bem pelo contrário, diz quem sabe que a teia burocrática está aí, vigorosa e viçosa como sempre. Vai ser preciso muito paper work para chegar a bom porto.

Julgavam que era “ajuda de emergência”? Desiludam-se. As emergências da máquina do Estado são coisa que só emerge meses e meses depois, isto quando chega a emergir. Além disso Sua Excelência do Terreiro do Paço é especialista em cativar tudo o que tem à mão.

Tenho a impressão de que teria sido melhor Sua Excelência de Belém ter deixado ir ambora a Excelência do Terreiro do Paço em vez de lhe lamuriar que ficasse. Vai ficar, e vai ser a pessegada do costume. Os anúncios de Sua Excelência de São Bento são como as boas intenções.

 

23.3.20   

APELO

Enquanto esperamos com ansiedade o resultado do conselho de ministros em curso, haverá que tentar prognosticar o que de lá vai sair. Diga-se que os hábitos governamentais não permitem grandes ilusões. Por um lado, está largamente provado que o Centeno é um forreta, capaz de tudo sacrificar, doa a quem doer, às suas sacrossantas continhas. Por outro, a UE está paralítica, sacrificada à unanimidade e a disparates do género que o tratado de Lisboa se propôs mitigar, mas não mitigou.

Assim, entregues, por um lado, às políticas restritivas da primeira versão da geringonça que a segunda não negou, por outro à falta de decisões supranacionais, acabamos por ver a “generosidade” do governo ficar limitada a uma ridícula injecção de dinheiro na economia, pelos vistos a filha pobre desta crise. O anunciado não consiste propriamente em medidas que permitam olhar o que aí vem com um pouco de sossego. Se compararmos as intenções já anunciadas pelo governo a este respeito com o que se passa na Europa, teremos um sinal claro do que nos espera no pós crise sanitária.

Enfim, aqui fica um apelo ao bom senso governamental, coisa que, do ponto de vista económico/financeiro, não augura nada de bom.

 

19.3.20

OS ENGANADORES

O homenzinho do Facebook proibiu as informações sobre o vírus na sua rede, remetendo quem as procura para sites oficiais e/ou científicos. Não se pode censurar esta censura global. No entanto, é interessante verificar que o homem, implicitamente, reconhece que o seu produto, como os do mesmo género - as chamadas redes sociais - são fábricas de mentiras, de desinformação, de manobras ilegítimas, etc., centros de irresponsabilidade, de anonimato, de engano gratuito e totalmente descontrolado.

Na informação dita “tradicional”, sabe-se quem escreve o quê, quem diz o quê. Os enganados, os perseguidos, os socialmente violados, as vítimas de notícias falsas, têm meios de defesa que, funcionando ou não a contento, lá estão à disposição de cada um. Na Net é o contrário. Podemos dizer o que nos vier à cabeça, doa a quem doer, enganando quem nos apetecer enganar.

Reconheço que, se calhar, não há nada a fazer. Os Zukerbergs & companhia têm negócios multimilionários. Não são ataquinhos de consciência como o que acima refiro que os ilibam de ter criado e explorar os seus inferninhos comunicacionais. Ao menos, podia obrigar-se quem desinforma a identificar-se de forma clara e iniludível. Como fazê-lo não sei, mas tenho a certeza de que tal está ao alcance das tecnologias que são a especialidade dos Zukerbergs e do poder de quem manda nesta coisa em que o mundo se transformou.

 

17.3.20                                                                                                              

MAIS PENSAMENTOS

Sempre sempre ao lado do governo, o senhor de Belém resolver pensar. E, à semelhança dos camaradas da geringonça, disse que, enfim, talvez seja preciso tomar medidas, não é? Para já não, vou ouvir o Conselho de Estado na 4ª feira, por video conferência, depois logo se vê. A coisa não é urgente, senão seria fácil fazê-la, mas é preciso que eu pense e que os meus conselheiros pensem, com calma, com ponderação, o que leva uns dias. Resolverei esse assunto da emergência ou não emergência com a descontracção que se impõe.

Estão aperceber? Pela primeira vez que um assunto grave e urgentíssimo lhe cai, em exclusivo, nas constitucionais mãos, o senhor de Belém precisa de tempo, para pensar ou, sabe-se lá, para ir tomar uma banhoca à praia dos pescadores.

Não há dúvida que, desgraçadamente, estamos entregues à bicharada. E o tal senhor entregue aos seus pensamentos, à espera da opinião (daqui a três dias!) doutamente expressa pelos seus ilustres colaboradores do CE.

Ora bolas!   

 

16.3.20

O GOVERNO ESTÁ A PENSAR

 

Temos um governo pensador. Começou por pensar que isto do Covid não tinha importância nenhuma, uma gripezinha de somenos. Depois, lá disse que sim, havia contágio, mas era pouco. E, aos poucos, começou a dizer que afinal, talvez não fosse bem assim, mas havia que evitar o pânico, nada de exageros. Aos poucos, lá percebeu que isto não é para brincadeiras, mas fechar escolas nem pensar. Dias depois, mandou fechar as escolas, mas só dali a três dias, o vírus só vinha para a semana. Pensou, pensou e, aos poucos, mandou fechar quase tudo. Descobriu até que, afinal, era preciso ficar em casa. Anunciou que ia comprar uma série de coisas, camas, ventiladores, máscaras que, tudo coisas que, antes, dizia que não eram precisas, estava tudo exemplarmente abastecido. Até o Bloco de Esquerda, força preponderante do socialismo-nacional, disse que análises se impunham, desde que fossem das boas, isto é, que não fossem feitas por privados. Entretanto, o governo anunciou que tinha pensado criar hospitais de primeira linha. A seguir começou a dizer que tinha continuado a pensar e que todos os hospitais passavam a estar à disposição. Há coisa de três ou quatro dias, a opinião pública concluiu que era preciso fechar a fronteira, já que os espanhóis estavam infectadíssimos. Daí, o governo continuou a pensar e, quando já for tarde, como em tudo, fechará as fronteiras. Estas decisões têm que ser pensadas, não é? As duas pobres marretas, no camarote do governo, continuam a comunicar pensamentos e, segundo dizem, até é possível que se venha a tomar, um dia, decisões tão drásticas quanto aquela, que parece estar a ser pensada.

Podemos assim estar descansados, cada vez mais descansados. Há que confiar nos pensamentos do governo.

 

15.3.20

DA ESTUPIDEZ COMO FORMA DE PROPAGANDA

Sobre o covid, não sei quantos milhões de páginas já se escreveu, quantos biliões de horas já se viu e ouviu, quantas centenas de milhar de declarações já se produziu.

Não venho adiantar nada sobre o assunto, nem saberia fazê-lo. Só fazer umas citações que vi escritas por aí, todas vomitadas pela perigosissima organização que dá pelo nome de Bloco de Esquerda. Alguns exemplos (dos jornais):

- O corona vírus deve dar-nos esperança de que somos capazes de enfrentar a crise climática;

- As forças de extrema direita tentam lucrar com o medo para impulsionar imundas respostas malthusianas e racistas;

- o Covid-19 é apenas um aviso: é preciso acabar com o capitalismo que conduz a humanidade à barbárie;

- A linha SNS 24 não deve ser explorada por entidades privadas.

 

Quem quiser falar de imundice, de desbragada estupidez, de propaganda rasca, de extremismo maoista, de porcaria humana, de verdadeira barbárie, aqui tem uns bons exemplos.

O BE, neste aspecto como noutros, mete o PC num chinelo. É que fica, preto no branco, a evidência clara da verdadeira natureza desta gente, a sua marcha totalitária para a negação da humanidade. Uma postura que não hesita em aproveitar a crise para os mais tenebrosos fins políticos, mesmo que para tal tenha que alardear as mais estúpidas “teses”. Tem a vantagem, além disso, de fazer com que muita gente, ou toda a gente que aquilo leia, perceba a cegueira, o fundamentalismo, a “religião” desta gente.

Não vale a pena esmiuçar as asneiras do BE. Elas esmiuçam-se a si mesmas, mostram quem é quem, evidenciam os métodos, a desonestidade, a capacidade de mentir desbragadamente, o orgulho estúpido de uma ideologia inumana.

Para que conste.

 

15.3.20

NOTÍCIAS DO VÍRUS

- Um intelectual da nossa praça com vários mestrados e inúmeros doutoramentos, certamente após profundos estudos, consulta de vasta bibliografia científica, de gráficos, estatísticas, , etc., chegou à verificação que cito: “no Séc. XIV a peste negra não teve nenhum impacto, por exemplo no continente americano” (Expresso, hoje). Só o amigo banana diria coisa tão sábia.

Fala-se em, por sugestão de Sua Excelência o presidente da III República, propor o autor, senhor Lourenço P. C. , para prémio Nobel da História, da Medicina, ou de outra coisa qualquer. O conselho das ordens honoríficas reune-se esta noite, de emergência para deliberar sobre qual a condecoração mais adequada para agraciar o cientista. Somos os melhores do mundo!

 

- Uma outra sugestão, julga-se que de diversa origem, aponta para uma remodelação do governo, consistindo esta na substituição da ministra da saúde pela bastonária da Ordem dos Auxiliares Operacionais. Em alternativa, há quem opine pela solução de pôr imediatamente a senhora em quarentena, sem prazo, isto para evitar a onda de telefonemas para o 808 808 24, número do call center por ela recomendado aos portugueses. (Por respeito pela gramática, não dido “os portugueses e as portuguesas” ou, ainda mais correcto, “as portuguesas e os portugueses”).

 

Um professor da Universidade do Redondo publicou um artigo no “Global Cientist” onde se demonstra que a propagação do covid no Alentejo é, felizmente, menor que em qualquer outra região do país. Isto porque, tratando-se de um vírus de propagação rápida, não é bem recebido pelos alentejanos.

 

13.3.20

NB. O IRRITADO está fechado en casa por ordem de filhos e netos. Não se ofendam, não estou a gozar com a desgraça, que toca a todos, mas a tentar aliviar a tristeza do Zé.

DE VOLTA À GERINGONÇA

 

O IRRITADO, na sua altíssima capacidade de análise, disse várias vezes que, nesta legislatura, a geringonça ia continuar. Os acontecimentos, porém, não lhe deram razão. Os parceiros do PS, cheios de ciúmes por terem perdido o acesso directo e garantido ao poder e deixado de ter o “grande negociador”, que migrou para o aeroporto do Montijo e para a sucata dos comboios, começaram a espernear, abanando o PS com “coligações negativas”, isto é, pondo o grande chefe em minoria em já várias ocasiões.

Em causa ficou a navegação, já não da geringonça mas da barcaça, que contava vir a navegar com doce brisa pela popa. O capitão meteu-se em águas traiçoeiras, para as quais não tem os indispensáveis conhecimentos náuticos.

O cavername começou a ranger perigosamente. O capitão sentiu os abanões. Percebeu que tinha passado a ser necessária, mais uma vez, a ajuda de terceiros. Como nem o capitão da barcaça quer, e nem o da nau ou os das canoas a estibordo se dispõem a dar uma ajuda, muita gente entrou em pânico, sendo preciso que o almirante do mar oceano acorresse em sua ajuda.

Vigoroso e e fiel, como sempre, apelou a um entendimento a bombordo que dominasse a porcela. Não disse expressamente que queria que abandonassem a barcaça e se metessem na geringonça outra vez, mas é evidente que era o que ele queria dizer. Depois veio o imediato à primeira página do “Expresso” pôr os pontos nos is, clamando, com todas as letras, pelo desembarque da barcaça e pela viagem por terra a bordo da geringonça.

Está assim tudo a postos para que, no fim de contas, o IRRITADO tivesse razão. Mais cedo ou mais tarde o apelo do almirante será escutado e a geringonça voltará à auto-estrada, talvez com a preciosa colaboração de Sua Excelência o Presidente da Moita.  

 

7.3.20

NOS BRAÇOS DO INFINITO

O infinito, por definição, não tem princípio nem fim, diziam Einstein, o Amigo Banana, o Monsieur de Lapalice e o IRRITADO.

Vem isto a propósito da incompetência do governo, que parece fazer concorrência ao infinito.

No caso do aeroporto, como é sabido, o espantoso ministro das obras públicas não conhecia a lei em vigor. Nem, em quatro longos anos de governo e de “decisões” aeroportuárias, tinham o chamado primeiro-ministro e o “escol” governamental, mais o PC e o BE, dado pela existência de tal lei, que os próprios assinaram. Foi preciso vir um tipo da Moita perturbar o doce remanso das decisões em curso. E agora? Ninguém sabe qual vai ser a mágica governamental para descalçar a bota, mas é de esperar que seja inteligentíssima, como de costume.

Esta história é um bom aperitivo para a seguinte, a do coronavírus. Tantas e tais são as iniciativas, as ordens, as previsões, as cautelas, os conselhos, as preparações, as recomendações, as declarações que, se funcionassem, era um descanso, não era? O problema é que a primeira de todas as atitudes a tomar pelas pessoas, segundo o governo, é a de ligar para o SNS logo que haja sintomas da infecção. Como a prática veio a demonstrar, o telefone do SNS está com a capacidade de manobra reduzida. E outro, dedicado aos médicos, também.

A senhora que é tida por ministra da saúde não sabia de nada, a criatura que é primeiro-ministro também não. Ambos, na sua ilimitada ignorância, na sua fatal incompetência ou na sua vasta capacidade para enganar o Zé, garantiram que estava tudo a funcionar maravilhosamente. Era mentira, mas não faz mal. Quando alguém chamou a atenção para a evidente inutilidade da tal senhora, foi respondido pelo chefe que “no meio da guerra não se demite generais”.

Mas a onda estava alta, e tinha que bater nalgum mexilhão. Quem? Um simples coronel, o presidente da obscura “entidade” que, entre outras coisas, parece que toma conta dos telefones. Por isso, uma tal Jamila (raio de nome) telefonou ao coronel, e disse: “olhe, amanhã já não vai ao trabalho”.

O homem não gostou, e desbroncou-se. Então ando eu há meses e meses a pedir para falar com a ministra sobre a situação e a fulana moita-carrasco, e agora, sem mais nem menos, põem-me os patins? Então ando eu a protestar por me terem tirado 14 milhões ao orçamento, o que impede o reforço dos telefones que nem em tempos sossegados têm capacidade para atender toda a gente, tudo sem que me liguem pevide, e vem agora a Jamila, num alarde de falta de educação, telefonar a pôr-me na rua?

Como no caso dos fogos, tudo funciona na perfeição até ao momento de ser preciso que funcione.

Manda a infinita incompetência governamental que se arranje um bode qualquer para distrair a plebe. No caso, lá se foi o tipo dos telefones, culpado de não ter meios, nem técnicos nem humanos, nem software nem não sei mais quê, tudo porque um tal Centeno, mancomunado com o Costa e com a Temido, anda há dois anos a cativar as verbas.

Sim, culpado, rua!

O que vale é que, na habitual opinião da esquerda, a incompetência jamais (jamais!) poderá ser atribuída seja ao governo seja ao PS.       

 

6.3.20

ET. Já este post estava publicado, eis que ouço a ministra da saúde dirigir "as suas condolências às famílias dos infectados"... rapariga esperta!

PRIVACIDADE

Sabe quem o lê que o IRRITADO, em matéria cibernética, é iletrado, ou seja, não percebe nada do assunto. Mas ele há coisas que o põem nervoso, ou ainda mais irritado do que o nome indica.

Calcule-se que recebi uma mensagem email de uma coisa que se chama Google e que, queira-se ou não, faz parte do dia-a-dia de cada um, não sendo conhecido o processo para cada um se ver livre dela.

Postulava a tal mensagem que eu tinha a oportunidade de, através de uma catraca que se chama “Google Maps”, “monitorizar” os meus próprios passos. Que será isto?, pensei. E fui ver.

Apareceu um mapa-mundo cheio de bolinhas encarnadas. Que é isto? Cada bolinha estava num sítio onde tinha ido. Fiquei eu e mais seis mil milhões de pessoas a saber que fui a Espanha e ao Canadá várias vezes, que andei num virote entre Lisboa e Cascais, que fui ao Porto, a Trás os Montes e a mais uma data de sítios. E até, cúmulo dos cúmulos, a coisa dizia quantos quilómetros andei a pé.

Olhando com mais atenção, concluí que a catraca sabia das minhas andanças pelo menos dos últimos três anos.

Como é isto possível? É claro que o Big Brother nos vem logo à cabeça, com todo o seu horror. Não tenho nada de especial a esconder, como não tenho nada, nem de especial nem de outra natureza, a mostrar, para além das minhas bocas neste blog. Nem a Google nem outras entidades, como a Ana Gomes e o seu pupilo Rui Pinto, ou a Autoridade Tributária, têm a ver com isso.

De qualquer maneira, talvez eu tenha o direito de perguntar (se calhar não tenho) como é que possível que um pacífico cidadão tenha a vidinha descrita para quem quiser saber dela. Note-se, não tenho medo que alguma criatura, das várias que não me gramam, me venha perseguir. Mas só não virá se não tiver, ou inventar, algum interesse na minha desinteressante pessoa.

O problema não é esse. É o de saber que é possível, legal, e até digno de elogio, que haja entidades com “autoridade” para espiolhar o que as pessoas fazem no legítimo uso da sua liberdade pessoal. Que possam “legitimanente” catalogar os nossos hábitos, gostos, etc., e de os meter num algoritmo qualquer, a fim de que essa ou outras intâncias nos venham a perseguir com ofertas comerciais ou outras merdas.

A nossa vida, assim, é negócio de terceiros, sem que possamos impedi-los. Ainda por cima, por exemplo, ou aceitamos “cookies” ou não acedemos a informações que nos interessam. E lá vão os “cookies” e outras martingalas parar aos algoritmos.

Gostava de saber o que andam a fazer as autoridades eleitas quando dizem andar a “proteger a privacidade” das pessoas. Por acaso, até sei: não andam a fazer nada, ou fazem asneiras e proclamam inanidades. Dirá quem está a la page que eu é que não percebo nada destas estrambólicas matérias.

Boa noite, com as minhas desculpas ao mundo em que sou obrigado a viver.

 

5.3.20  

PIADOCRACIA

 

Após duas semanas, ou mais, de furiosa e permanente propaganda, vai hoje para o ar um novo programa do proto-comuna piadético-mor destas terras, um tal RAP.

A avaliar pela publicidade (a equipa, o chefe, a capa de revistas, uma infinidade de “takes”, de paleio, de entrevistas, de “personalidades”, tudo de joelhos perante o “plantel” de artistas) vai tratar-se de coisa de altíssima valia piadocrática, política, cultural, etc..

Até, imagine-se, o senhor de Belém que, entre outras coisas, já tinha telefonado a desejar felicidades à intolerável Cristina (da SIC), parece que honrará este programa (da SIC) com a sua institucional e augusta presença. Onde pode chegar a publicidade (da SIC) é coisa que cada um perguntará. Quais os limites de tal coisa? É de pensar que lá irá também Sua Majestade Britânica e até, quem sabe, o Papa Francisco. Já terão sido contactados pelos funcionários do casting?

Verdade seja dita que, esgotado o filão do Gato Fedoreno, as prestações do RAP têm tido progressivamente menos piada. Chega a ser triste. Fica a impressão de que lhe está a acontecer o mesmo que ao velho Herman, cuja verve perdeu por completo a graça.

Espero que assim não seja. Mas achava graça se este programa, depois da gigantesca publicidade de que tem sido alvo, fosse um flop.

 

1.3.20

CENSURA

Mal ficaria o IRRITADO se deixasse passar sem uma palavra o mais recente feito do intolerável Ferro Rodrigues.

O ódio visceral que o homem tem à concorrência, a fidelidade que conserva aos “ideais” do MES e de outras instâncias típicas do proto-comunismo, chega ao ponto de se armar em juiz constitucional, para não falar de em censor das palavras dos seus “súbditos”, desde que se trate de gente de quem ele não gosta.

É o que se passa com a última iniciativa “fracturante”, desta vez protagonizada pelo deputado Ventura, figura pública que Ferro odeia, de parceria com as esquerdoidas e quejandos. É que Ventura, ameaçado pelo lápis azul do “coronel” Ferro, já se vira proibido de usar a palavra “vergonha”, vocábulo de uso indispensável a quem se debruça sobre a política cá da terra. E aparece agora com uma proposta que, dada a sua “fracturância”, Ferro deve achar que é exclusivo das suas camaradas do BE. Como é que um tipo que não é comunista, nem socialista, nem nada que se pareça, tem o desplante de vir propor a castração química dos abusadores de crianças? Com que direito se atreve a vir pescar em águas reservadas às amigas do Ferro? Não queria mais nada?

Ardendo no mais rasca dos ódios e no mais ridículo auto-convencimento, Ferro declara a ideia inconstitucional e, portanto, inadmissível para discussão na Assembleia. É coisa de tal maneira abusiva, que até as malucas (à excepção da dona Moreira, não a Katar mas a outra) acharam que era demais. Onde terá esta “segunda figura do Estado” lido, na Constituição, que era proibido castrar abusadores de crianças? E quem é ele, em termos de competência, para recusar a discussão e votação de iniciativas legislativas com as quais não concorda?

O socialismo dito democrático todos os dias dá sinais de perigosas tendência ditatoriais, de propriedade exclusiva da República e do país, de fazedor da “moral” política obrigatória, de patrão da justiça. Por isso, a desgraça que é o grupo parlamentar do PS votou am bloco a favor da espantosa iniciativa do camarada Ferro.

Por quanto tempo mais aturaremos esta gente?

 

1.3.20

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