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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

MAIS UMA PIADA DE FIM DE ANO

Muita gente haverá que ainda não decidiu em quem votar nas presidenciais. Se não for em Marcelo, em quem? No populismo maoista/MRPP/PS/BE da dona Gomes? No populismo trotskista pequeno-burguês da dona Marina? No populismo nacionalista do senhor Ventura? No apagadismo liberal do senhor Mayan?

É uma escolha difícil e, neste panorama, votar Marcelo é o mais prático. Mas há outra solução! Qual? Votar no primeiro da lista, que até rima, é o Baptista. Ninguém sabe quem é o Baptista ou o que quer e propõe um candidado com 10 assinaturas em vez de 7.500. Impossível? Não. os serviços públicos que tratam destas matérias, no uso da sua competência estatutária, foram-se aos candidatos, não curaram de saber se tinham sido admitidos ou não, sortearam os nomes, e o Baptista ficou em primeiro. A tipografia tipografou e, dizem, agora não há nada a fazer.

Por isso, caro eleitor, se está com problemas, não hesite, vote Baptista. Não serve para nada, mas dá um certo gozo.

 

31.12.20

PROCEDIMENTOS HABITUAIS

 

Ele há coisas dos diabos. A dona Vandunen, mui ilustre ministra da justiça, justificou a nomeação de um seu escolhido para a Europa com uma série de aldrabices. A Europa tinha escolhido outra candidata mas, de ciência certa e poder absoluto, o governo Costa, dando largas (larguíssimas largas) ao seu poder, aldrabou o currículo do artista escolhido, mandou às malvas a escolha da Europa e, força!, nós, PS, é que sabemos.

Foram apanhados, a ministra e o governo que lhe deu cobertura. Houve quem protestasse. Mais do que isso, houve quem lhes descobrisse a aldrabófona careca. Quem protestou levou com a acusação de “baixa manobra política” formulada pelo governo pela voz da ministra. O mais desengraçado é que, não desmentindo as mentiras (escritas e assinadas), a senhora manteve-se na dela. Os outros é que são maus.

Estranho? Não. Só pode ter estranhado quem ainda não percebeu com quem estamos metidos vai para cinco anos.

 

31.12.20

PARA UMA BOA DISPOSIÇÃO NO FIM/PRINCÍPIO DO ANO

1 - FESTANÇA

Ontem à noite, o doutor André Ventura e seus próximos abriram várias garrafas de Moet & Chandon e, repastelados em fofas poltronas, comemoraram o acontecimento. Mais um. A esquerda, triunfante mas maricas (não sei o que fez o Rio), chumbou a pretensão do Ventura de ser substituído no plenário durante a campanha eleitoral.

Mais uns votinhos capitalizados!

Ouviram o Lacão, abaixo de cão (isto dito pelo representante de Alijó), morcão, que foi o porta voz da nossa propaganda  e da candidatura de Vossa Excelência. Viva o Lacão!, bradaram os presentes, uma saúde ao Lacão, hahaha. A assembleia troou de profundo gozo. E agora, vai um copo à saúde da Gomes e dos suas bocas idiotas e inconstitucionais, clamou o tipo da Amareleja. E vai outra à Mariza que, coitadinha, que também se borra toda por nossa causa e diz uns disparates deliciosos, clamou o agente de Alguidares de Baixo. Ora vira vira, vai  mais um, hahaha. A festa prolongou-se até altas horas, com brindes aos caguinchas da esquerda, aos parvos da direita, hahaha, aos opinadores dos jornais e a outros que andam a tratar, de borla, da propaganda do Chega. Altas horas, estavam todos de pé, aos pulos, a dançar de alegria.

Até que apareceu um polícia a dizer que o dr. Costa mandava parar a reunião, por causa dos protocolos do covide. Os rapazes ofereceram um copo ao polícia, o polícia deu um abraço ao Ventura, e foram todos para casa felizes, contentes e, como é timbre de um partido verdadeiramente democrático, guardando as distâncias de segurança.

 

 2 - MÁ NOTÍCIA

A televisão noticiou que um tal Oleg Nãoseiquê, deu com os pés ao FêCêPê e vai dar uns chutos no Peleponeso.

Consta que o Presidente da Câmara do Porto reuniu os seu edis e, após acalorados e generalizados protestos, deu uma conferência de imprensa a sobre mais este inqualificável ataque à honra da invicta. Já não basta a TAP, que despreza o Porto (por isso está falida), não basta a macrocefalia de Lisboa, que tem um jardim zoológico e nós não, não basta esta permanente estratégia de nos ignorar, vem agora o Oleg Kraspozinkouláoqueé atentar contra nós, preterindo-nos em favor de um grego qualquer! É fora de dúvida que está feito com os mouros para, mais uma vez, nos prejudicar!

O senhor presidente foi muito aplaudido pela multidão que se juntou em delírio em frente dos Paços do Concelho. Calorosamente, foi abraçado pelo senhor Pinto da Costa, que não quis faltar ao acontecimento.      

 

3 - OVERDOSES

Parece que, lá para as tudescas paragens, houve uns cidadãos que, em vez de uma, levaram com cinco doses de vacina do covide.

No entanto, que conste, todos eles ficaram de perfeita saúde.

Ora, se tanto faz uma dose como cinco, há que perguntar: a vacina não funciona, ou é um placebo para entreter a canalha?

 

30.12.20  

A CRISE DO SNS

Estápreocupado com o SNS? Não esteja. Veja até que ponto as notícias que o fazem tremer têm correspoindência com a realidade (sites do governo):

https://transparencia.sns.gov.pt/explore/dataset/ocupacao-do-internamento/analyze

https://www.facebook.com/photo?fbid=3786201541418936&set=pcb.3786207604751663

https://www.facebook.com/photo?fbid=3786201271418963&set=pcb.3786207604751663

Tem aqui material suficiente para ver até que ponto andamos a ser enganados.Veja por si. Analise, se for capaz. Não precisa de entrar em parafuso, tenha calma, informe-se para além dos jornais, das televisões, do governo, da universal propaganda da pandemia do medo e da destruição económica e social que está em curso. Esta gente explica o que não tem explicação (a mentira).  As próprias estatísticas do nosso governo, como de outros, desmentem toda a teoria da crise do SNS, das mortes, dos hospitais a abarrotar...

Não perceberá o que se passa, não perceberá como é possível andar o mundo (quase) inteiro a enganar o mundo (quase) inteiro. Mas talvez uma viagem a este site, onde a teoria do pânico é desmentida pelos seus próprios autores, lhe sirva de alguma coisa.    

Saia do armário. Denuncie. Talvez assim venha a ter um 2021 menos mau que o 2020.

 

29.12.20

PARAÍSOS FISCAIS E PARAÍSOS DO FISCO

 

Percebe-se a luta dos puros contra os paraísos fiscais. No entanto, se um tipo, sem cadastro nem suspeitas, quiser pôr os seus milhões num paraíso fiscal, pode fazê-lo, e nem precisa de o declarar, os bancos tratam do assunto e o fisco é devidamente informado. Quer isto dizer que haverá por lá muito dinheiro legitimamente obtido. Por outro lado, há paraísos fiscais em inúmeros países europeus, que não são incomodados, ou muito incomodados, por causa disso. Tudo se passa dentro da legalidade. Pode, por isso, entender-se quem é contra a existência de tal coisa, mas não se pode condenar ninguém por usar instrumentos legais. Compreende-se que o mundo, v.g. a UE, acabe com a coisa, ou impeça transferências para ela. Não se pode é partir do princípio, que para satisfação dos puros, todo o dinheiro lá colocado tem origem criminosa.

As coisas estão de pernas para o ar. Não se persegue quem obteve dinheiro sujo, persegue-se quem lá o pôs, sujo ou limpo. Se juntarmos a isto a existência de paraísos do fisco, como é o nosso caso, temos um caldo que prejudica toda a gente.

Temos um governo que se gaba de não aumentar impostos, como se gaba de outras coisas, até daquelas com que nada tem a ver.

Em rigoroso cumprimento de tão nobre hábitos, o nosso governo aumentou o em 9, 16 e 25 vezes o IMI aplicado a transacções de empresas controladas, directa ou indirectamente por entidades sediadas em paraísos fiscais. No IMT, a coisa foi mais suave, só mais ou menos o dobro do que era. Mais: o nosso governo não é de modas: tanto lhe faz tratar-se de jurisdições com as quais tem acordos de dupla tributação e de troca de informação como daquelas em que há total opacidade. Levam todos, que o PS, gestor de um paraíso do fisco, bem como os partidos “correctos”, não são de modas quando a “moralidade” está em causa. Trata todos por igual, parte do princípio, e acabou-se.

Segundo os jornais, os grandes projectos, geradores de mais valias e postos de trabalho, já cancelados por via do  novos impostos ultrapassam a dezena, e tendem a aumentar à medida das bordoadas fiscais do governo.

Mais um sinal dos benefícios da “moral” socialista radical que nos arruína.

 

29.12.20

A VERDADE

 

Em Portugal, remoto pequeno país dos confins da Europa, cientistas de topo, génios, catedráticos, candidatos ao Nobel da ciência, descobriram a causa, a culpa e o remédio do covide.

Juntos em vastos laboratórios, os sábios portugueses, após ensaios, experiências, utilizando o mais sofisticado software, servindo-se de quatorze satélites, seguindo o método/programa “Quercus” da Universidade de Marmeleira de Baixo, após meses de aturado trabalho, descobriram a chave do covide! O cientista chefe veio iluminar o público com a sua cientificíssima conclusão. Em solene momento, com transmissão em tempo real para todo o mundo, o mestre dos génios, o indiscutido e indiscutível inventor do “Quercus “, declarou que a causa (e a culpa) do covide é dos malefícios da humanidade e dos seu abusos sobre o planeta: uma vingança planetária, fruto dos múltiplos desmandos desse infernal predador que é o homem. Tal como grandes homens de outros tempos provaram que o terramoto de 1755 era culpa dos pecados da cidade, provocando a ira de Deus, mais de 250 anos depois os génios portugueses, ao que consta financiados pelo Estado, brilhantemente, deram a conhecer a verdade: a culpa é vossa, canalhas humanos, causadores do covide. Ficámos, finalmente, esclarecidos.

Aprenda você com a verdade, assuma a culpa, venha para a rua, contrito e arrependido, exigir a abolição imediata do petróleo, do lítio, dos plásticos, dos automóveis, dos aviões, dos navios a motor, das vacas descuidadas, dos eucaliptos, das acácias, das auto-estradas, do uso de metais, exija que os transportes marítimos passem a andar de barco à vela e os terresteres de bicicleta, e verá como o covide se vai embora. Agradeça, penhorado, o contributo da Marmeleira de Baixo para o nosso progresso, a nossa saúde, a nossa felicidade.

 

28.12.20        

VENDER OS FILHOS MENORES

 

Dada a minha provecta idade, tenho naturais dificuldades em entrar no mundo obscuro (luminoso, dirão) das chamadas redes sociais. Tal não acontece com gente como Trump, Costa e tantos outros, uns “bons” outros “maus”, como em tudo o que é gente. Até o Papa anda por lá! Os políticos, em vez de pensar ou decidir, tem o inevitável hábito de “tuitar” opiniões, as mais das vezes precipitadas. Enfim, como tudo nesta vida, as redes têm o seu lado interessante e o seu lado detestável. O pior de tudo é serem o paraíso dos anónimos, a quem conferem a oportunidade de dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem quaisquer limites morais, sociais, políticos, ou de mera urbanidade.

Facto é que tais redes tomaram importância tal que, reconheço, já não é possível dispensá-las, para o bem e para o mal. Chapeau!

Posta esta simples “declaração de interesses”, coisa que não sei exactamente o que significa mas que fica bem, passo àquilo a que venho.

Vi ontem um programa de televisão, salvo erro dedicado a “marcas”, outra coisa nova, ou de conceito alargado. Dei em ver uns bocados, como alternativa ao covide, ao ucraniano e à bola, temas que acupam 95% das notícias - até que fiquemos todos doidos.

Umas senhoras, julgo que pretendentes a queques, “empreendedoras” (nova profissão), blogers, ou outra coisa qualquer, vieram fazer propaganda das suas actividades lucrativas. Que produto vendiam? Os filhos, sobretudo as filhas. Assim; punham as criancinhas, muito bem vestidas, na net, a posar, a brincar, a fazer gracinhas. Os apetrechos das miúdas são tão “fofinhos” que despertam desejos noutras mães para apinocar os filhos. Ao fim de uns tempos, estava estabelecida uma vasta rede que começou a atrair publicidade e a fazer dinheiro. Era o princípio de um mini-império em expansão, que até passou a promover feiras e cobrar fees. Faltava a televisão, onde as meninas vieram a aparecer em todo o seu brilho, alardeando beleza e vestimentas adequadas à publicidade.

Neste mundo, jugo que por causa dos pedófilos, há quem disfarce, ou evite publicar fotografias de crianças. Sou capaz da achar bem. No mesmo mundo, há mães, e ao que parece, pais, que as exibem, explorando a respectiva inocência para gozo próprio. Aquelas de quem falo não o fazem para tal gozo, mas para negócio. E tal negócio é propagandeado por televisões e jornais porque, julgo, rendem audiências.

Como isto se compagina com a “protecção” da infância é coisa que não me entra nos neurónios.

Aqui fica, dedicado a quem não tenha vergonha de a defender.

 

27.12.20

PALAVREADO

 

Parece que o/a escrevinhador/a de discursos do nosso inigualável primeiro ministro teve um rebate qualquer, ou estará em confinamento profilático e foi substituído por um tipo menos burro.

(Não pus o/a no confinamento, nem no profilático, porque - julgo eu – a Catarina e seus congéneres do PS ainda não se lembraram de tal coisa. Lá chegaremos.)

Adiante. Na sua mui douta mensagem de Natal, o inenarrável comunicador de São Bento absteve-se dos auto-elogios do costume e até, ó espanto, disse que tinha cometido “alguns” erros. Mais ainda: imagine-se, não disse que a culpa de tais erros é do Passos Coelho. Neste último caso, note-se, tenho a impressão que o animalóide que é secretário de estado da educação deverá demitir-se por ter sido contrariado pelo chefe. O próprio Centeno deve ter estremecido de indignação pelo esquecimento do seu guru em relação às culpas, será que não sabe que isso de erros é exclusivo da “direita”? Imperdoável.

Verdade é que, com uma esmerada técnica de leitura, entoação, gesto, expressão facial, compreensibilidade fonética, sem estropiar palavras ou cortá-las ao meio, o homem deu largas a desconhecidos dotes histriónicos. Convicto, “assertivo” e entendível. É claro que não disse nada, nem de novo nem de especialmente inteligente ou interessante, mas, que diabo, temos de reconhecer que – talvez por mor de lições recebidas da profissional Catarina – se esmerou esforçadamente.

Como podem ver os meus críticos, apesar da conhecida antipatia do IRRITADO em relação ao Costa em particular e ao socialismo em geral, é capaz de elogiar a criatura quando ela merece.

Por outro lado, há que dar os parabéns ao/à speach wirtter, ao/à professor/a de leitura e aos/às actores/rizes que assessoraram o trafulha neste Natal.  

 

  26.12.20

ALDRABAGENS

As sondagens são para mim um mistério. Digo-o talvez injustamente porque não percebo nada de tal coisa. Mas estranho a forma como são feitos os inquéritos, a escolha dos inquiridos, as percentagens de uns e outros, velhos e novos, machos e fêmeas, da esquerda, da direita, ou de coisa nenhuma, analfabetos ou catedráticos, quantos de cada, contactados como, etc. Dir-me-ão que há altos e indiscutíveis critérios, que as firmas que vivem disso estão acima de qualquer suspeita, que eu é que sou um ignorante, um desconfiado, um chato.

Uma coisa que me põe doente é ler, no fim de cada sondagem umas informações que comparo com as dos medidores de álcool dos polícias. É que os vendedores das balanças da pinga admitem um erro, mais xis ou menos zê. Aí, é coisa mensurável, não tenho razões para duvidar do sor guarda quando me diz que estou borracho ou sóbrio. Nas sondagens é mais ou menos a mesma coisa, só que, ao contrário, a confiança tende para zero: no fim da cada relatório, declaram a “margem de erro”, mais ou menos uns pontos. Como? Os aparelhos dos polícias, acredito, podem ter critérios objectivos e experimentados. Nas sondagens venha o mais pintado dizer-me que os critérios são técnicos ou científicos.    

Neste fim de semana foram publicadas duas sondagens. Tudo gente honesta, tudo gente boa, tudo empresas da maior confiança, de grande prestígio, credíveis, autoras de incontrovertíveis conclusões. Muito bem. O problema é que um jornal, o “Expresso”, titulava que o PS estava a subir 2 pontos, de 37% para 39, e o PSD a descer de 28 para 25. O outro jornal, o “Público”, decretava o contrário, PS 37%, PSD 30,  “o PSD está mais perto do PS”, “esbate-se a diferença”.

Em ambos os jornais um partido perde terreno, outro ganha. Só que quem ganha num perde no outro e vice-versa.

Poder-se-ia dizer que o que comanda os títulos e as sondagens é a “política de informaçao” de cada um. Mas não será assim, já que, no caso, ambos são fiéis servidores da esquerda, da “situação”, do politicamente correcto, do que está a dar.

Ficam as sondagens em dúvida. Terão sido encomendadas com objectivos pré-estabelecidos? É possível que não, mas que fica a dúvida, fica.

 

20.12.20

NOS BASTIDORES

- Bom dia, pá

- Bom dia, que tal vai isso?

- Porreiro, pá, o franciú afinal não me pegou o covide, estou na maior.

- Ainda bem, pá. Estes franceses não são de confiança. Escapaste de mais uma.

- Estou muito contente contigo. Apesar das bocas da direita, safaste-te bem nesta história do plano da TAP.

- Olaré. Enfiaram um garruço do caneco.

- Lá isso é verdade. Mas os palermas andam a dizer que nos zangámos.

- Não ligues, pá. A estratégia resultou, é o que interessa. Nunca te passou pela cabeça, nem a mim, pôr-lhes o plano nas mãos. Era o que faltava. Punham-se a discutir e a coisa nunca mais andava.

- Pois. Mas agora dizem que eu recuei. Primeiro, acharam que eu queria que eles descalçassem a bota. Fora de causa, tinhas toda a razão. Daí o “recuo”. Como tu não os deixaste discutir, governo é governo, escondo-lhes o plano. Enfiaram-na toda, até às orelhas. A culpa é minha, dizem eles, hihi.

- Tens que aguentar com a essas críticas, meu rapaz. Firmeza. Firmeza, pá!

- Conta comigo. Deixa-os falar.

- É assim mesmo. Mantém o discurso oficial. A culpa é do Passos Coelho, não é da nacionalização, e pronto. Hihi. Parabéns, Pedro, és o maior.

- Obrigado. E viva o socialismo, quanto mais à esquerda mais autêntico!

- Até logo amigo, um abraço.

- Até logo, António.  

 

17.12.20

O PLANO

 

Os militares do PREC, ao serviço do nacional-bolchevismo, nacionalizaram  uma data de coisas. Conseguiram, de uma penada, destruir tudo o que era indústria de peso, a siderurgia, os cimentos, a construção naval, a indústria química, etc. Destruiram o que era mais válido e mais precioso em nome do socialismo constitucional. A reconstrução nunca se deu, apesar de alguns meritórios esforços de políticos não socialistas. Temos dois ou três industriais a sério e independentes do Estado, e meia dúzia de verdadeiros criadores de emprego e de riqueza, muitos deles, helas, meros comerciantes, sem ofensa para os ditos. Ou seja, o que prestava para alguma coisa na segunda República foi “arrumado” pela terceira. Isto para não falar na banca: o dinheiro também era para destruir. Que se visse, nunca mais houve disso.

No seguimento desta brilhante política, a nova república, gerida pelos socialistas, tornou-se pasto de falências do Estado, passou a viver de esmolas, e assim vai, pelos vistos, contiunar. O último que feche a porta, se ainda houver porta.

O caso da TAP  é paradigmático. Cheio de ânsias de reversões, dando largas aos ditames da ideologia, o chefe Costa arranjou maneira de renacionalizar a TAP. Os prejuízos, endémicos, existiam, mas a TAP, gerida por privados com visão, deu um enorme salto em frente, expandiu-se, criou valor e emprego. Veio o covide. A companhia, como todas as outras, entrou em vertiginosa queda. O Estado, novo accionista (75%!) apanhou com a crise. Certo, o descalabro era inevitável, mas há uma diferença, o mais prejudicado é o Estado, e nós com ele. O accionista que foi corrido pela ideologia socialista foi-se embora com 55 milhões dos nossos impostos no bolso, e está em posição de poder vir sacar, nos tribunais, muitos mais milhões. Responsável: o chefe Costa. Pagantes: todos nós. O chefe Costa jamais assumirá a responsabilidade seja do que for. Se a assumisse, não teria com que pagar o que deve. Tem quem pague por ele: os que cá estão e os que nascerem nos cem anos que se seguem.

Mas animem-se. Um camarada de grande valia tomou conta do assunto. Tem a seu favor o ser mais socialista que o chefe. É o condotieri da ala BE do PS. Vigoroso,  loquaz, verborreico, um exemplo acabado de trauliteirismo tonitruante, enfim, o homem ideal para conceber a solução para a TAP. Tem a seu favor não gostar, como o chefe Costa, de responsabilidades. Decidiu fazer o parlamento aprovar o seu maravilhoso “plano”, sem dar lugar a alternativas. Em sua defesa, o chefe não quis arriscar a que o genial plano fosse sujeito a discussões. A coisa foi mascarada com a rábula do desacordo entre os dois, passando o Costa, mais uma vez, por grande democrata defensor da separação de poderes.

O plano vai falhar, e nós vamos pagar. Compreende-se. O transporte aéreo, mesmo que a história da pandemia acabe, tem um futuro negro. O teletrabalho, as reuniões e as conferências virtuais, encarregar-se-ão de dar cabo dele. Mesmo que o turismo recupere - daqui a uns anos - nunca chegará para ressuscitar o sector. É esta a triste realidade.

O inteligentíssimo Pedro Nuno propõe-se vender aviões. A quem? A que preço? Os aviões passaram a activos tóxicos. Se houver algum tarado que os compre, fa-lo-á a dez cêntimos cada um.

Trata-se de um problema global para o qual ninguém terá solução. No nosso caso, há uma certeza, a de que o “plano” do Santos não funcionará, por definição. É que jamais saíu de uma cabeça marxista qualquer plano de jeito.

 

15.12.20        

NOVIDADES DA ESQUERDA

Um jovem estalinista foi eleito - esmagadora maioria - presidente da chamada Juventude Socialista. O big chief Costa congratulou-se, pujante de felicidade. Ao invés, um socialista desalinhado, inteligente e culto (caso raríssimo), de seu nome Sérgio Sousa Pinto, deu por ter sido saneado pelo nóvel presidente, e não esteve com meias medidas: excluído, com Seguro, da lista dos ex-presidentes da organização, sentiu a afronta. Disse ele: Com Estaline, as figuras incómodas à situação do momento iam sendo a apagadas das fotografias. A eleição de um estalinista é a pior desgraça que podia acontecer a uma organização como a JS. Deste humilde púlpito, o IRRITADO congratula-se por haver um socialista – um! – que mantém alguma dignidade democrática.

*

A dona Gomes, se calhar para conquistar o voto do Medina, veio reclamar contra o facto de o Chega ter sido legalizado, “porque está contra a Constituição”. Donde se conclui que tal coisa é irreformável e que, se a dona Gomes mandasse, os que quisessem revê-la deviam ser, pelo menos,  banidos. Mais uma estalinista nas hostes. À atenção do Sousa Pinto.

A dona Marisa veio descansar a esquerda, tanto a comunista como a “democrática”: quando ela, Marisa, for Presidente da República, não dará posse a um governo apoiado pelo Ventura. Consta que, com a dona Gomes, depois das eleições, abre uma loja de fruta, sorvada mas ”biológica”.

*

O Camarada Cabrita, inflorescência papuda do socialismo-nacional, viu-se ao espelho. Gostou. Depois, veio, de forma esmagadora, contar o que viu: nada menos que o mais heróico ministro de que há memória. Curvemo-nos perante a verdadeira modéstia, o sentido de (mau) estado, a eficácia, o respeito pelos defuntos, a competência e a sabedoria que a si próprio, com inteira justiça, atribui. Faz lembrar essoutra gigantesca figura da nossa era: Costa, o magnífico.

*

Ao contrário da generalidade dos presidentes de países europeus, os nossos põem um microfone à disposição de quem recebem, o que permite aos contemplados dizer o que lhes apetece. O chefe da polícia aproveitou a ocasião para dar largas aos seus conhecimentos políticos, solicitando mais umas competências e mais uns meios (leia-se, uns dinheiros). Não fez mais nem menos que os outros. O Cabrita encabritou-se, ou seja, deu à casca, o que só contribui para o seu indiscutível prestígio.

*

Tudo como dantes, ou seja, de há quase cinco anos a esta parte.

 

14.12.20

VACINAS PÚBLICAS

Nisto da vacina do covide, só há uma certeza: o Estado “dispensa” qualquer espécie de colaboração de privados, sejam hospitais, sejam farmácias, seja o que for. A receita é tão só ir para as bichas dos centros de saúde  do Estado, os quais, como é evidente, ou não têm capacidade para vacinar multidões, ou deixam da a ter para atender a clientela normal.

Para o socialismo, a saúde é monopólio do Estado, não como serviço mas como “inalienável bem”. Não é pública por prestar serviços públicos, é-o por ser propriedade pública. Como é evidente, do que os cidadãos precisam é de serviços de saúde em boas condições, independentemente de quem os presta. Diz a experiência que os serviços públicos, quando contratados com privados, são tão bons ou melhores, e até menos caros para os contribuintes.

Mas isto não interessa ao socialismo em vigor. A saúde pública, mais do que um serviço propriamente dito, é uma forma de poder. O Estado socialista está mais preocupado com o poder que com os serviços que deve aos cidadãos.

Assim, o mais provável é que as vacinas do covide venham a ter o mesmo tipo de organização que o SNS. Difícil, pelo que já se sabe, será dar ao Estado o benefício da dúvida.

 

11.12.20

REPENSAR

 

Como muitos portugueses da área liberal-reformista, tenho andado a pensar como votar nas presidenciais.

Marcelo seria o voto “natural”. Mas muita gente pensa que as presidenciais deviam dar-lhe uma lição que “premiasse” a sua evidente aliança com o governo social-comunista, o que quereria dizer votar noutro qualquer, com óbvia exclusão dos mosqueteiros da esquerda. Fazer baixar o score de Marcelo, fazê-lo sentir que “há vida” para além do social-comunismo, conseguir que perceba que vivemos num clima de total ausência de estratégia e de futuro, que estamos mergulhados no pântano de um poder exclusivamente apostado na sua própria manutenção, ou eternização, parece ser obrigação dos eleitores como eu. O voto outro que em Marcelo poderia ser útil, obrigando-o vir a deixar uma herança presidencial que ultrapassasse a maldição socialista que sobre nós se abateu.

Dona Gomes chegou à conclusão que Marcelo é um “desestabilizador”, ideia só possível de sair de uma cabeça como a da dita senhora. O mais (tristemente) Presidente estabilizador da política portuguesa está, em tal cabeça, de pernas para o ar. “Estabilizadores” serão Eanes e o seu PRD, Soares a sua luta contra os governos que lhe não convinham, Sampaio, que dissolveu uma maioria que não lhe agradava? A grande perseguidora de tudo o que é gente (menos do Sócrates...)  inventa o mais estúpido de todos os argumentos para demolir Marcelo. O tipo do PC, esse não interessa, mas vai pelo mesmo caminho, com os argumentos clássicos. A do BE, coitada, é uma tristeza vê-la espernear.

Mas, e os outros? Os que são alternativa de voto para os liberais conservadores? Ainda não ouvi, da parte deles, um só argumento de peso contra Marcelo. Na base do “tem que ser”, inventam razões contra, em vez dar sinal de quaisquer meritórias ideias.

No pântano da III República, dita semi-presidencialista mas não mais que semi-parlamentar, com uma Constituição absurdamente ideológica, primeiro socialista-castrense, depois socialista-civilista, que virou as teorias do Duverger de pernas para o ar, anda o Presidente desde sempre à procura de funções e de influência. Para quê?

Em tais águas estagnadas, a hipótese de votar Marcelo ganha terreno. Para quem não tem o hábito de se abster, é um problema.

 

11.12.20

GOMISMOS

 

Na sua viagem à Madeira, dona Gomes deu largas à sua veia policial, tão talentosa como a da Inquisição, da Stassi, ou de outras instituições análogas. É verdade, diga-se, que a dona Gomes não tem à disposição os elementos persecutórios daquelas organizações. Mas tem outros esquemas que, em termos de opinão pública, são até mais eficazes: uma imprensa sedenta de “bocas”, uma televisão às ordens, uma chusma de adeptos à qual não faltam gatunos informáticos e polícias de aviário tão mediaticamente crentes e servis quanto os esbirros de outrora. Basta umas suspeitinhas da dona Gomes para desencadear páginas e páginas de “informação”. Faz lembrar o senhor Trump e as suas denúncias de fraudes eleitorais que até os seus adeptos sabem falsas mas actuam como se acreditassem. Por cá, para além de alguns já perseguidos pela Justiça (não por causa da dona Gomes), não se nota nada para além de afirmações tão ferozes quanto bem-vindas pelas mesmas almas que dão ouvidos às diatribes do Ventura. Em matéria de populismo persecutório, no entanto, o Ventura é uma criança se comparado com a dona Gomes.

Coitada, queixa-se do seu “colega” candidato Rebelo de Sousa, porque ainda não se anunciou como tal e, por isso, “foge ao debate”.  Olha quem. Esquece que o adversário, quando se candidatou da outra vez, abandonou a sua tribuna televisiva para entrar na campanha. Ela, pelo contrário, declarou-se candidata e continuou a suas arengas na televisão, o que, aqui para nós, deve dar umas massas, acrescidas da borla da propaganda eleitoral. E, como está na Madeira, acusou a zona franca local dos mais nefandos crimes, o que deve ser muito inteligente, sobretudo para quem lá trabalha, recebendo salários que pagam impostos, os quais somam aos 100 milhões que a coisa rende à região. Esta é genial, tão genial como a vacina da gripe vinda de gálicas paragens.

Diz ela, mais uma vez em puro estilo trumpista, “ não é aceitável que as autoridades deem dados falsificados, vergonhosos, num esquema que serve a criminalidade organizada associada (a quem?) que é de todo o tipo, desde crime de tráfico de droga, armas e humano”, servindo de veículo para criminalidade financeira e fiscal internacional”. É de esperar que a trumpítica senhora apresente as queixas à polícia acompanhadas das competentes provas. A não ser que, como o seu modelo americano, não precise de provas para nada. Já “desencadeou”, diz, uma investigação da Comissão Europeia que, "ontem, levou a conclusões bastante duras para Portugal”. Enquanto aguardamos o resultado de tais conclusões, hemos de agradecer mais este brilhante serviço prestado à Pátria e à região da Madeira pela dona Gomes.

 

7.12.20

GRANDE TRIUNFO

 

- Tá?

- Olá, Fernando, bom dia.

- Bom dia António, tás bom?

- Fino, mas preciso da tua ajuda.

- Ora diz lá

- É assim: já estou farto destes gajos dos comes e bebes. O espectáculo é uma chatice, os tipos acampados à frente da Assembleia a fingir que não comem, uma balda, dá mau aspecto... ainda por cima o Stalistic a mandar bocas para os jornais, uma rebaldaria do caneco.

- Pois, pá, mas porque é que não mandas lá o careca?

- Não queriam mais nada? Já não chega andar a perder tempo com as associações dos tasqueiros, mais as dos fulanos  dos hotéis e os das farras, e ainda dar corda a estes espontâneos? Vão-se lixar, percebes?

- Eu percebo, mas o que queres que eu faça, que mande lá a PSP correr com eles? Cai mal, os tipos da TV andam a fancos... ainda nos chamam fascistas, racistas, xenófobos, maoistas, ou pior, dizem que estamos feitos com o Rio... o que lhes apetecer.

- Pois, pá, tens toda a razão, mas temos que dar a volta ao texto. Tu é que és homem para resolver isto.

- Eu?

- Sim, pá. Armas-te em presidente da câmara, vais lá ver o que se passa...

- Mas eu só tenho a ver com Lisboa e os sacanas vêm de toda a parte.

- És um gajo importante, pá, não és ministro mas podias ser, és dos nossos, é o que interessa.

- Pois, mas o que lhes hei-de dizer? Não posso comprometer o governo, estás a perceber?

- É isso mesmo. Podes dizer o que te vier à cabeça sem nos comprometer, tás a ver? Aí é que está o ponto, não é genial?

- Lá isso é, outra coisa não esperaria de ti.

- Deixa-te de elogios. Vais lá, dizes tudo o que eles quiserem ouvir, ficam todos contentes e vão-se embora, que é o que interessa. Vá, não tenhas medo, gaita!

- OK. Vou lá.

 

À noite...

- Viste aquilo na televisão? Grande performance, não achas?

- Ó pá, fartei-me de rir. Fantástico, prometeste tudo e não deste nada. Ficou tudo para depois, depois veremos, como diz o cego. Parabéns, meu rapaz. Os gajos foram para casa em boa ordem, rabo entrea as pernas. Para já, descalçámos a bota, acabou-se o carnaval, que era o que se pretendia. E marcaste pontos contra o P.N. Santos. Até logo.

 

4.12.20

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