ESTADO DE COISAS
O IRRITADO, para quem tinha o costume de o ler, se não está morto, parece. Facto é que a inspiração, a confusão, apreguiça, a velhice, etc., têm atingido proporções indesculpáveis, pelo menos para o próprio.
Cá das catacumbas, aqui vai o que está a pensar sobre a nacional-piolheira.
A esquerda tem os chavões do fascismo, da “extrema direita”, do “ódio”, e não passa disso. Deste lado, esperava-se melhor do PS. O novo rapaz, que parece querer tomar conta da casa, anunciou-se como “moderado”, uma espécie de Olof Palme, de Helmut Shmit ou, vá lá, de Mário Soares. Tudo mentira. Começou por nomear uma espécie da brigada do reumático (não dei se já houve que se tenha lembrado desta) onde albergou toda a tralha do partido, a velharia, os monos, os rapazes do PNS, e chamou àquilo “conselho estratégico” ou coisa que o valha. Em conformidade, pôs-se “ao ataque”. Em vez da prometida “oposição construtiva”, desatou aos gritos. Ao ponto de “denunciar” a “coligação” do PSD com o Chega. Quando o PS votava com o dito era coligação? Ninguém o disse. Mas o que interessa, diariamente, insistentemente, ao rapaz, é o botabaixismo, a não alternativa, o não diálogo seja com quem for. “Arranjos” só no Largo do Rato. Depois queixem-se, e o Chega agradece. Não sei o que aconteceu à inteligência (ou aos restos dela) no PS, mas é evidente que o resultado desta estranha continuidade política terá por inevitável resultado, não o descrédito do PSD mas o reforço do Chega.
Como sabe quem (ainda) o procura, o IRRITADO nunca gostou do Chega. Não aprecia a “verve” tonitruante do chefe, não gosta dos tipos façanhudos e ameçantes nem das espernéficas senhoras que o rodeiam ou que ele manda à TV. Acha que não se resolve nada com o espalhafato daquela gente, bem pelo contrário.
A moribunda esquerda* usa o mesmíssimo argumentário do Chega com uns pòsinhos de “humanitarismo” de cordel, preciosa colaboração para fazer do PSD o bombo da festa. Demita-se este ou aquela, umas comissões de inquérito, uns mini-argumentos que ribombam na chamada comunicação social como se fossem bons, e é tudo. Não se sabe, mas calcula-se onde o rapaz e quejandos vão parar.
Os que isto lerem dirão “lá está o gajo a defender o Montenegro”. Têm razão. Defende o Montenegro porque, por um lado, acha que o homem pode ser capaz de alguma coisa interessante e, por outro, porque não tem outra escolha.
*PCP excluído, que já nem dos moribundos faz parte.
22.8.25