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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ALEGRE MISTÉRIO

 

Às vezes pomos a nós mesmos perguntas sem resposta.
Podemos inventar, intuir, tentar adivinhar, mas, no fim, continuamos sem saber.
Façamos um exercício de cálculo mental, na certeza de que o resultado nunca será tão exacto como a aritmética desejaria.
 
Pergunta: porque é que o Manuel Alegre é tão importante, tão importante e tão convincente que tem adeptos que chegam para que, acagaçadíssimo, o Costa venha implorar-lhe  que faça uma “coligação” com o PS?
 
Vejamos:
- O Alegre nasceu em bom berço. O pai era um senhor, o tio embaixador, com cachucho de brazão e fidalguia q.b., homens de bem;
- É claro que os tais senhores não se chamavam Alegre. Chamavam-se Mello Duarte, nome que Alegre não usa, por razões que a sua consciência conhecerá;
- O Alegre tem gostos Mello Duarte (a caça, o tiro aos pratos...), gosta de vestir bem, etc.
- Fez a vidinha normal de um rapaz do seu meio;
- Natural seria que respeitasse certos valores, do seu meio e não só, embora estivesse no seu pleníssimo direito de ter “ideias avançadas”, o que, naquele tempo, era fácil já que qualquer coisinha era  considerada como tal;
- No entanto, tendo ir parar à Guiné, como muitos de nós, avançou de tal maneira as ideias que desertou e, não contente com o nobre gesto, se passou para o inimigo.
 
Conheci, nas matas de Angola, muita gente que não concordava com a política ultramarina da II República. Havia de tudo, como é natural. Tive camaradas na tropa que eram do PC. Outros, simples contestatários, às vezes sem saber bem porquê. Todos fizeram o que lhes era pedido, porque havia uns tipos que, com razão ou sem ela, matavam os nossos. Era simples. Até os tipos do PC se justificavam dizendo que estavam ali porque, caso contrário, outro igual a eles lá estaria, e podia morrer no seu lugar.
 
- Para Alegre, a deserção e a traição obnubilaram todos os valores (não os da II República, mas outros, mais simples e mais profundos, como os da honra, da solidariedade, do altruismo...) no espírito do jóvem Alegre;
- Depois, toda a gente sabe: possuído dos “mais nobres ideais”, andou pela Argélia e não sei mais por onde, e começou a fazer uns versos e escrevinhar umas prosas;
- Os seus poemas, quando não são eivados de pedantismo político-ideológico, até são imaginativos. O Alegre não é um grande poeta, mas é um tipo com qualidades na manipulação poética da língua e das ideias;
- Na prosa, pelo contrário, não passa de uma triste mediania. Li uma novela dele, e chegou. Estava tudo de pernas para o ar, do ponto de vista de um português normal, e era escrito de forma entediante;
- Na política democrática, para além de ter, vagamente e sem história, passado por um governo já esquecido, dedicou-se a dar lições de “moral socialista e republicana” a este mundo e ao outro. Nunca disse nada de substancial, nem se lhe conhece qualquer talento que ultrapasse o estentor da voz profunda, o ar imponente da maneira de estar e o profundo vazio de uma mensagem feita de slogans, os mais deles arcaicos;
- É um político profissional. Se o não fora não viveria sem heranças ou dos direitos de autor;
 
E, no entanto, o homem, contra os seus irmãos políticos, candidata-se à presidência da III República e saca um milhão de votos!
E, no entanto, o homem anda para aí num virote, a encher de pavor a malta dele, e de gozo o resto do país.
E, no entanto, o seu patético vazio de ideias e a sua fartura de pedantes “bocas” arrastam uma data de gente.
 
Porquê?
Porque, meus amigos vivemos num país que, democraticamente, ainda não parou de fazer tudo para agravar o atraso da massa cinzenta com que a II República o brindou. Num país sem massa crítica. Num país que ainda ouve - às vezes até acredita - coisas tão arcaicas e contraproducentes como o paleio do PC ou do BE. Num país onde os sindicatos, ideologicamente obsoletos, enganam multidões. Num país que atura um primeiro-ministro tão comprovadamente mentiroso e tão cheio de rabos de palha e de esqueletos no armário. Num país condenado ao atraso e à desgraça.
Num país que deixou de estar amordaçado para estar desmiolado.
 
Será a isto que se deve o “sucesso” do Alegre? Cheira-me que sim, mas, quem sabe?
 
20.3.09
 
António Borges de Carvalho

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