LISTAS E PISTAS
Anda a dona Manuela a dizer coisas há uma data de tempo, e a ver-se ignorada ou corrida para a página dez. Precisa de se enganar para ter direito de cidade nos media.
De repente, porém, a chamada comunicação social desata a falar dela e do PSD. Todos, mas todos os jornais, os telejornais e outros que tais, ocupam primeiras páginas ou matraqueiam o povo 24 horas por dia com o PSD.
A senhora e o PSD ganharam inusitada importância. Como houve uns tipos que ficaram de cara à banda com as listas que a senhora fez, vai de pô-los no ar e no papel a dizer as mesmas coisas de cinco em cinco minutos. Que estão tristes, que não é assim, que é um erro, que que que. Reagem exactamente ao contrário do que seria de esperar de políticos que querem ganhar as eleições. Vale mais a capelinha que o partido e o país.
A malta da “informação” pela-se por estas coisas. Acha-as mais importantes que qualquer ideia programática que a senhora possa expressar a ver se passa. Mas não passa. Ou não passa como devia passar num país civilizado.
Os comentadores, esses, vão pelo mesmo caminho. É vê-los (olhem o “PPD” Sarsfield Cabral, por exemplo!) a vituperar a falta de programa, o atraso na publicação do programa, como se alguma vez fizessem tenções de o ler ou alguma vez, no passado, o tivessem lido. Não percebem, coitados, que é da mais elementar sabedoria guardar o programa para mais tarde, a fim de não dar alguma ideia que possa cair no deserto intelectual da cabecinha do senhor Pinto de Sousa? Não percebem que o programa, para o eleitor, é o que vier nos jornais? Não percebem que, ao insistir na “urgência” do programa outra coisa não fazem que papaguear a propaganda do PS?
Bom, este post era sobre as listas do PSD, não era? Já não sei. Em todo o caso, aí vai.
Em relação ao rapazola Coelho, o que é que ele queria? Então anda desde o primeiro dia a roer nas canelas da senhora e queria agora ir minar o grupo parlamentar? Dir-se-á que mais vale ter os inimigos por perto do que deixá-los à vara larga. Talvez. Não sei. Mas compreendo a dona Manuela.
Quanto aos “arguidos”, muito bem faz a senhora em convidá-los, muito mal fazem eles em aceitar o convite. Ela marca a diferença em relação aos instintos inquisitórios e pidescos do Marques Mendes. Eles põem, como os “protestantes”, os seus interesses à frente dos do partido e do país.
O erro mais grave destas listas – o futuro dirá se letal – é a integração da dona Maria José. Dona Maria José pode ser muito esperta, muito executiva, muito desenrascada, muito católica. Mas não é de confiança. Ponto final.
6.8.09
António Borges de Carvalho