LITERACIA
Leio, no jornal de hoje, a palavra “eludir”. De seguida, no mesmo texto, “que só a nós nos cabem”. E, na linha seguinte, “pode-se compreender”.
Arcaísmo, pleonasmo, pontapé na gramática. Três lugares no pódio da asneira.
Não se trata de coisa grave, dirá quem me lê.
Pois é. O problema não é o da gravidade dos erros, mas o de o português do seu autor ser estudado nas escolas como produzido por um “grande escritor da língua portuguesa” que merece ser tratado, analisado e interpretado como exemplo de pureza e perfeição linguística.
Trata-se, como já devem ter adivinhado, do senhor José Saramago, marido da “presidenta” e prémio Nobel da literatura, prémio este dado por gente que não sabe uma palavra de português.
Registe-se.
Registe-se também a esclarecida opinião do “grande escritor” estalinista acerca das guerras africanas. Mais ou menos assim:
Não foi o MPLA que matou tipos da UNITA, nem os tipos da UNTA mataram fulanos do MPLA.
Foram os brancos.
O senhor Mugabe jamais mandou matar fosse quem fosse. Se alguém foi assassinado, roubado, expulso, torturado no Zimbaué, o senhor Mugabe nada tem a ver com isso.
Foram os brancos.
Não foram os tutsis quem matou os hutus, nem foram os hutus que andaram a malhar nos tutsis.
Foram os brancos.
Na Somália, não foram, são, os locais senhores da guerra quem andou, anda, a matar gente por todos os lados.
Foram, são, os brancos.
No Sudão, a mesma coisa.
São os brancos os culpados de guerras tribais e religiosas que houve, há e continuará a haver em África.
Os brancos? Sim, os soviéticos e os cubanos nunca foram brancos, porque, por definição, nunca mataram ninguém. São libertadores dos povos oprimidos. Quando o senhor Saramago fala dos malefícios dos brancos refere-se, naturalmente, aos europeus ocidentais e aos americanos, ou seja, aos tenebrosos capitalistas.
O esclarecido espírito deste nobre rebento da Pátria Portuguesa é, por isso, indispensável para a formação da nossa juventude.
Socialismo oblige.
11.8.09
António Borges de Carvalho