UMA ENORME TRISTEZA
Ontem ouvi o senhor Soares (João) proclamar, na excelsa esteira do senhor seu pai, o fim do neo-liberalismo, a irreparável doença do capitalismo e a imperiosa necessidade de dar asas a uma política socialista, seja ela qual for. Mais socialista que a que já temos, entenda-se.
Uma profunda tristeza me invadiu a alma. Tristeza por ser português, tristeza por fazer parte de uma gente que parece querer insistir em andar ao arrepio da corrente, da história e da cultura, em escolher mal, gente que, trinta e tal anos depois, ainda é mentalmente prisioneira dos paradigmas esquerdistas que em má hora lhe impingiram.
As primeiras eleições depois da crise foram, felizmente, as europeias. Felizmente porque permitiram ver a reacção maioritária dos povos da Europa à crise que a todos vem lesando. Tal reacção, esmagadoramente maioritária, foi a recusa do socialismo.
Os povos europeus, em vez de, como o Dr. Mário Soares e o seu rebento, dar gritos histéricos contra o neo-liberalismo e o capitalismo, gritaram que era preciso salvar uma coisa e outra. Os povos europeus disseram “a economia capitalista adoeceu, salve-se, cure-se a economia capitalista!”. Os povos europeus perceberam que a Europa, muito mais que os EUA, está sitiada e que muito há a fazer, ou para quebrar o cerco – financeiro, económico, científico, tecnológico, militar, demográfico… - ou para repensar os modelos que lhe têm permitido o bem-estar das últimas cinco ou seis décadas. Com uma condição: não cair nas mãos do socialismo. Salvar o capitalismo, proporcionando mais uma vez aos europeus os meios que sistema algum jamais lhes pôs à disposição.
Portugal não faz parte desta Europa. Vítima da demagogia socialista, crente de que é possível distribuir o que não se produz, convencido que tirando aos ricos se enriquecerá os pobres, ufano por considerar o trabalho como intocável direito e fonte de lazer, espartilhado por ideias que a inteligência já condenou e que a prática largamente revelou como as piores, Portugal, em vez de fazer desaparecer os partidos comunistas como sucedeu por toda a Europa, deu-lhes mais de vinte por cento dos votos, mais ainda, deu ao partido para quem o socialismo é o que estiver a dar, vai do Chávez ao Blair…, reservando a quem não alinha, nem no esquerdismo nem na demagogia barata, os votos que, restantes, se exprimiram.
Portugal não está na cauda da Europa só porque, de 74 até hoje é governado pelo socialismo. Com um intervalo de dez anos (85/95) cujos feitos o socialismo logo a seguir destruiu, e outro de dois anos (93/95) que o socialismo brutalmente interrompeu. Portugal está na cauda da Europa porque, formado por gerações filhas do estatismo, do bolchevismo e do socialismo dito democrático, não foi capaz, em mais de trinta anos de Liberdade, de criar a massa crítica e a opinião informadas que levaram os países europeus a, perante a crise do capitalismo, dar vivas ao capitalismo.
Uma enorme tristeza.
18.8.09
António Borges de Carvalho