UM CASO BICUDO
Aqui há dias fiquei a saber que os professores recebem, por cada ponto de exame que classificam, nem mais nem menos que cinco euros. Se se tratar de “reapreciar” uma prova, recebem 7,48 euros. Se decidirem sobre reclamações, é a 14.96 euros cada.
Acrescente-se que a cada professor é dado corrigir 50 provas, o que garante um mínimo de 250 euros. Segundo um amigo meu que sabe da poda, o trabalhinho levará, com todo o ripanço, uns dois dias a fazer.
Eu – burro – que julgava que classificar provas era uma tarefa compreendida nas obrigações, portanto nos salários, dos professores, fiquei muito bem impressionado com a coisa. Tratava-se, na pior das hipóteses, de trocar dois dias dos sessenta das férias por dois de trabalho, recebendo uma contrapartida de cinquenta contitos, o que não é nada mau. Bem bom, pensei, é uma forma de pagar umas sardinhadas com a malta e uns caramelos para os miúdos, melhorando a qualidade das vilegiaturas de cada um.
Fatal engano! É tudo mentira. Os professores já declararam que nem pensar, que é uma violência, que não têm obrigação nenhuma de corrigir provas, que não admitem receber cinco euros por cada uma (é o preço da hora da mulher a dias lá de casa, informam), que não admitem tirar dois dias às férias para o efeito, que não, e não, e não.
Conclusões:
a) Os professores são principescamente pagos, uma vez que consideram ofensivo um suplemento de cinquenta contos por dois dias de trabalho;
b) O governo tratou esta gente de forma tão estupidamente estúpida, que quem a seguir vier terá que se haver com milhares de pessoas transformadas em prima-donas, incapazes de qualquer sombra de diálogo e convencidas que são as melhores do mundo;
c) A dona Manuela que se ponha a pau.
28.8.09
António Borges de Carvalho