EMIGRAR É PRECISO
Depois da terceira votação do ano… pode prever-se a manutenção da encruzilhada situacionista, com habituais serviçais sem espinha, subchefes medíocres e alguns idiotas úteis, torcidos pela bajulação da ditadura da incompetência.
José Adelino Maltez, “DN” 12.10.09
Se exceptuarmos a referência aos subchefes, uma vez que não são só eles os medíocres (lá por cima é o que se sabe), o ambiente em que vamos viver nos tempos mais próximos está lapidarmente retratado na prosa supra do Dr. Maltez.
O senhor Pinto de Sousa, ainda que, excepcionalmente, seja sincero quando diz que vai dialogar, procurar compromissos, acordos, pontes, etc. blá blá blá, é evidente que não tem capacidade para tal, a não ser que ponha no lixo não só boa parte do seu programa como se der à sua “personalidade” o mesmo destino, que isto do “novo Pinto de Sousa” é uma balela.
Como vai o homem convencer o PP a votar com o PS a lei do trabalho sem que o Portas peça em troca o abandono do casamento dos larilas? Como vai ele convencer o Louça a votar o envio de tropas para a Patagónia sem que o fulano exija em troca a nacionalização dos supermercados?
Na modesta opinião deste cronista, o senhor Pinto de Sousa vai ter que escolher entre juntar-se, com coerência e estabilidade, ou ao PP, ou aos partidos comunistas.
Se aquele senhor que se lhe meteu nas listas para se poder “casar” com um rapazito for com a dele avante, então alijado está pour de bon qualquer acordo com a direita. E vice-versa. A chamada “governabilidade” é uma batata sem ponta por onde se lhe pegue. Só haverá lugar para ela se o homem arranjar um acordo mais ou menos estável como um ou com outro lado. Navegar à vista vai ser o raio. O resto é conversa de comentador e de político de fim-de-semana.
De qualquer maneira, as contas públicas vão continuar no buraco em que o Engº Guterres as meteu. Não é com mais mentiras, mais artifícios e mais propaganda que se endireitam. As empresas vão continuar a falir, os desempregados vão continuar a aumentar, os partidos comunistas continuarão a querer fazer omeletas sem ovos, os impostos continuarão a aumentar sem aumentar, isto é, com truques de taxas e escalões, a burocracia do Estado e das câmaras municipais vai continuar a sugar o sangue, o dinheiro e o descanso espiritual dos cidadãos.
Se a selecção e o Benfica não saírem da lona, se o Dr. Mário Soares não se deixar de palermices, se o Diário de Notícias continuar a política do Augusto de Castro, se o situacionismo bacoco que anima os ignaros não recuar, bem podemos dizer: “felizes daqueles que ainda estão em idade de emigrar”.
13.10.09
António Borges de Carvalho