COISAS ESTÚPIDAS II, OU DOS MALEFÍCIOS DO ALVES
Um tal Alves, republicano e laico, não sei se socialista também mas o meu mindinho adivinha-o, em nome de uma obscura congregação de seu nome, et pour cause, Associação República e Laicidade, anda para aí a exigir que o governo e os deputados europeus se oponham firmemente a uma eventual candidatura do senhor António Blair à presidência do Conselho Europeu.
Para ser franco, não sei se o senhor Blair seria uma boa escolha. Mas, se é má, não será com certeza pelas razões invocadas pelo Alves. É que o fulano opõe-se a Blair porque este diz a quem o queira ouvir que é católico apostólico romano e que tem da religião a ideia de elemento estruturante da sociedade, ou coisa que o valha. Pior, o senhor Blair afirma-o sem qualquer rebuço e onde muito bem lhe apetece.
Temos assim, digno de alguma xoça da carbonária, um bando de republicanos do 5 de Outubro après la lettre. Deve estar na moda, já que nos preparamos para comemorar com honras nacionais tal e tão desgraçada data. Para o Alves e apaniguados, na senda heróica do “pensamento” do camarada Saramago, um tipo que queira, ou melhor, que mereça ser político, terá obrigatoriamente de apresentar um atestado de ateísmo, de laicidade e de republicanismo (o socialismo virá depois).
No entanto, conceda-se que é de presumir que o Alves e quejandos, numa manifestação de indefectível democraticidade, possam vir a admitir indivíduos religiosamente comprometidos, desde que, em parte alguma, façam saber dessa sua condição e que actuem em desacordo com ela. Tratando-se de democratas e republicanos da mais fina cepa, outra coisa não seria de esperar.
O Blair, compreenda-se, não se pode engolir: católico, socialista/liberal - uma contradição nos termos! - e, horror dos horrores, monárquico, não tem, como é evidente, direito a ser eleito seja para o que for.
Grande Alves!
23.10.09
António Borges de Carvalho