OBRAS SOCIAIS DA ESQUERDA
Aqui há tempos, a rapaziada social comunista que, pelo menos em matéria de costumes, segue fielmente os ensinamentos do arcebispo Louça, embandeirou em arco com a magnífica ideia de “facilitar o divórcio”. No parecer da distinta cáfila, bastava o Adilson Nelsone declarar que já não queria mais a Tânia Vanessa, ou a Tânia Vanessa oficializar a feliz circunstância de já não poder mais com o Adilson Nelsone, para, pimba!, o divórcio ficar consumado sem mais formalidades. Ninguém pode ser obrigado a viver com quem chateia, e ponto final.
Genial.
À altura, uns bandos de reaccionários que ainda não foram eliminados pelo devir histórico desataram a protestar, que ia ser uma bagunça, que ia dar mau resultado, que ia haver um exponencial aumento da conflitualidade, que se estava a esquecer os problemas dos filhos e as questões patrimoniais, e por aí fora, num nunca acabar de incompreensão pelas “novas realidades sociais”, pelo “novo conceito de família"(!?), pela “natureza do amor”(!?) e pelos “avanços civilizacionais” de que o Bloco de esquerda é privilegiado arauto e os demais membros da tribo coerentes compagnons de route.
Passado um ano e picos, aí está o resultado da genialidade da esquerda. Os tribunais estão a abarrotar de processos motivados por divórcios, ninguém se entende, os litígios são mais, mais frequentes e mais graves, etc.. Em resumo, tudo ao contrário do que diziam as “luzes”.
A atrasada sociedade em que vivemos marimbou na “nova moral”, certamente republicana, e continuou, apesar de divorciada, a preocupar-se com os filhos e com o carcanhol.
Ou seja, não soube agradecer o que a esquerda tinha feito por ela. Que gente!
6.12.09
António Borges de Carvalho