OFENSAS
O mais inacreditável de todos os jornalistas ao serviço do PS, um tal Marcelino, serventuário do “amigo Oliveira” e director do órgão de protecção do senhor Pinto de Sousa, além arauto de correspondência particular de colegas seus com o fim de dar as eleições a ganhar ao amigo do patrão, veio a lume expondo a sua verdadeira natureza e a de quem nele manda.
Com base num relatório da Marktest, firma famosa pelas suas esclarecidas sondagens, revolta-se, indignado (admita-se que com eventual razão) contra os que acusaram o seu chefe político de ter desviado publicidade de uns jornais para outros. Revolta-se, igualmente, contra notícias - palavra que põe entre aspas - publicadas sobre a situação financeira do grupo que serve, o do “amigo Oliveira”. Para, afinal, chegar à conclusão, devidamente embrulhada, que tal situação é o que as notícias rezavam!
Tudo isto, enfim, faz parte da fidelidade aos amos, o político, que lhe paga indirectamente com elogios rasgados, e o empresarial, que lhe paga directamente, em dinheiro. Compreenda-se.
De notar são os primores de linguagem de que se serve para adjectivar os seus “inimigos”. Estes, segundo ele, escrevem com “absoluta falsidade”, “desonestidade intelectual”, ignorância, “critérios”… de “pobre e medíocre rosário”, “terrorismo”, “manipulação”, “infâmia”, “intriga”, “falsidade” outra vez, “infâmia” outra vez, “terrorismo empresarial”, “oportunismo político”, “campanha vil”.
O IRRITADO, que tem muitas vezes dificuldades em encontrar palavras que definam o governo do senhor Pinto de Sousa, agradece as sugestões deste magnífico pintodesousista/oliveirista, as quais, em caso de necessidade, podem vir a suprir emergentes hesitações literárias.
De notar ainda como este ilustre representante do poder socrélfio, se revolta por não ter sido objecto dos mais vivos e humildes pedidos de desculpa por parte daqueles que tiveram a ousadia de dizer coisas menos agradáveis ou verdadeiras acerca das nobres causas que serve. Ele, coitadinho, que é universal objecto do nojo e do escárnio dos jornalistas e jornais deste país pela forma indecente como contribuiu, via imperdoável crime, sem pudor nem respeito pelos princípios básicos da sua própria profissão, para, ilegitimamente, influenciar a favor do PS o voto de muitos milhares de portugueses.
Não há maior ofendido que aquele que ofendeu.
Last but not least, o homem considera-se uma celebridade “mundial”, por ter sido objecto de um processo em que lhe “são exigidos cerca de 5 milhões de euros”, isto por se julgar “um trabalhador livre” quando mudou de patrão. É evidente que o ilustre senhor não adianta nem quem o processou, nem as razões que este alegou para o fazer.
Mais uma prova da altura moral e do pudor profissional deste grande líder de opinião, bem ao nível do seu chefe político em matéria de linguagem, bem ao nível do seu chefe político em matéria de argumentação. Nem se esqueceu, sabe-se lá porquê, de arranjar uma “campanha vil”. Não “negra”, mas “vil”. O artigo que publicou chama-se, significativamente, “Denúncia de Uma Campanha”!
Tal mestre, tal aluno.
27.12.09
António Borges de Carvalho