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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A CRIANCINHA E O BILHETE DE CARRO ELÉCTRICO

 

“Há vida para além do défice”, dizia o Presidente Sampaio num dos mais eficazes dos múltiplos ataques com que brindou o governo legítimo e maioritário do Dr. Barroso.
Isto, no tempo em que a ministra das finanças, Dr.ª Manuela, insistia em que era imprescindível endireitar as contas públicas.
Em parceria de bom camarada, nas suas primitivas patacoadas televisivas semanais, o senhor Pinto de Sousa encarniçava-se contra a Dr.ª Manuela e contra a contenção orçamental, “explicando” que prioritário era outras coisas que não tratar das finanças públicas.
 
Quem poderia prever que o mesmo Pinto de Sousa, chegado ao poder, havia de erigir o equilíbrio das finanças públicas em objectivo número um do seu governo? Ninguém. Ninguém podia imaginar que se pudesse ser tão aldrabão, ou que, sendo-o, fosse possível ao homem, para nossa desgraça, chegar onde chegou.
Mas chegou, e de tal maneira que, hoje, os portugueses já acham natural a aldrabice crónica em que estão mergulhados vai para cinco anos e já nem sequer ligam à coisa. Tanto faz, não vale a pena, não temos alternativa que não seja a de nadar nestas águas.
Ainda ontem, ouvi o senhor Pinto de Sousa dizer que “endireitámos as finanças públicas” (à custa de impostos, sabemos nós, não ele, e nada se endireitou, sabemos nós, não ele).
No estado a que chegámos, só por masoquismo se pode ouvir uma coisa destas sem sair de casa aos gritos: Haja alguém que ponha este tipo na rua!, o Presidente, a Assembleia, o São Pancrácio, seja lá quem for!
Não, ninguém sai de casa, a malta já não acredita em nada, não sabe nada, perdeu a honra de viver e de opinar, tem medo.
 
Postas estas irritadas considerações, não fará mal lançar um olhar muito simples às contas que nos são propostas e que o PSD e o CDS se preparam para “viabilizar”.
Um olhar como o da criança que via o imperador todo nu, sem que ninguém mais visse. Um olhar como o daquele grande empresário que conheci e que dizia “se as contas feitas em milhares de páginas pelos meus economistas não chegarem ao mesmo resultado das que faço nas costas de um bilhete de carro eléctrico, quem está errado são eles, não o bilhete de carro eléctrico”.
 
Vejamos o que eles dizem:
 
A receita do Estado, que era 72 mil milhões em 2008, passou a 66 em 2009, e passará a 67 em 2010.
A receita fiscal que era 61 em 2008, passou a 53,7 em 2009, e será cerca de 54,5 em 2010.
A despesa total, que era 77 em 2008, passou a 80 em 2009, e será 81 em 2010.
A despesa corrente primária, 67 em 2008, passou a 69 em 2010 e será 70 em 2010.
O saldo negativo de 4,5 em 2008, foi de 15,3 em 2008, e vai ser de 14 em 2010.
O investimento, de 3,6 em 2008, passou a 4,3 em 2009 e será 4,4 em 2010.
A dívida pública era de 110 em 2008, de 126 em 2009 e será de 145 em 2010.
 
O bilhete de carro eléctrico diz-nos que:
 
- A receita encolhe;
- A carga fiscal fica na mesma;
- A despesa continua a aumentar;
- A despesa corrente primária (o cancro) expande-se perigosamente;
- O saldo negativo pouco baixa, em relação a 09, é claro;
- O investimento fica mais ou menos na mesma;
- A dívida pública cresce brutalmente.
 
A criança que via o imperador todo nu pergunta:
 
- Então, e as obras públicas? Onde estão escondidas as dezenas de milhar de milhões do aeroporto, do CAV (“TGV”), dos hospitais, das barragens, das pontes, onde estão os buracos das estradas, dos metropolitanos, da TAP, da Carris, da RTP, do BPN…?
- Olha olha, responde o menino, estão debaixo da sela do cavalo do imperador, disfarçadas de parcerias, de empresas de direito “privado” e capitais públicos, e só sairão de lá daqui a uns tempos.
- Então e o crédito internacional? As agências de rating? Os juros? Como é que, com estas contas, não vai ficar tudo cada vez pior?
O menino não precisa de se preocupar com a resposta a esta. O mercado já respondeu.
 
A multidão ignara continua a achar que o imperador está muito bem vestido.
Quando descobrir que está nu vai ser o caraças.
 
27.1.10
 
António Borges de Carvalho

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