Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

RESERVAS ECOBRONCAS

 

A propósito do cataclismo da Madeira ergueu-se um clamor de solidariedade que atravessou o “país, do Minho a Timor”, como se dizia no ominoso antigamente.
Não houve boa alma que se não manifestasse. Do Presidente ao senhor Pinto de Sousa, ou seja, do mais alto ao mais baixo, um coro das mais variegadas vozes se ergueu, clamando por auxílio de toda a ordem.
Ainda bem.
O pior é que, à mistura com estas manifestações, apareceram, sem respeito pelo drama das pessoas e da ilha, as habituais canoras gentes que, em vez de falar em auxílio, desataram a defender e atacar as capelinhas com um afã, uma ausência de sentimentos e uma virulência próprias dos mais baixos sentimentos de indiferença ou de auto-elogio.
Enquanto uns disseram que era preciso meter as divergências na gaveta e tratar do que há a tratar, que não é pouco, outros há que por aí espraiam as retorcidas meninges na busca das habituais “razões” para o que aconteceu, razões que ora servem para atacar o senhor Jardim, ora são utilizadas para defender os projectos de certos planeadores que há muito andam a fazer pregações pelo rectângulo e cuja obra, nele, está à vista de todos, com vergonhosos resultados.
De repente, se as casinhas se despenharam pelas vertentes, se a enxurrada trouxe com ela cadáveres e automóveis, se veio gente aos trambolhões pela serra abaixo, tudo, mas tudo, se deve aos erros de planeamento do senhor Jardim. A natureza, coitada, mais não fez que ter um mais que legítimo estremeção. Esquecem-se os lobos que as Ribeiras começam lá em cima, onde é reserva natural, e que, cá por baixo, onde há planeamento, mau ou bom, as consequências, apesar da destruição ocorrida, não ceifaram vidas nem demoliram casas. Isto é, onde a água e a lama tinham maior caudal, as consequências humanas e materiais foram comparativamente mais leves. Esquecem-se que os negregados túneis do Jardim não entupiram, que as malditas estradas do Jardim se aguentaram, que o criminoso betão do Jardim resistiu aceitavelmente. Onde a natureza estava menos tocada, onde, desde sempre, as pessoas construíram de forma mais ou menos clandestina, onde havia “protecções ambientais” que limitam, via reserva natural, as intervenções do betão, foi exactamente aí que as pessoas mais sofreram.
Dois terços do território da ilha são reserva natural. Dois terços são politicamente intocáveis. Ai de quem se atreva a “betonizar” ou encanar, ou gerir as linhas de água! Ai de quem se atreva a desviar o seu curso para proteger as habitações! O conceito de reserva não é, entre os bem-pensantes da Nação, o de um território a gerir de forma a conservar as espécies controlando a sua evolução, a tornar segura, ainda que limitada, a presença humana, a proteger a paisagem sem a idolatrar. O conceito dos bem-pensantes é o de deixar estar tudo como está, de caminho condenando a presença humana. Para esta gente, se há desastres é porque o homem se foi meter onde não era chamado!
 
O paroxismo da petulância maledicente e desumana atinge-se quando os bem-pensantes “concluem” que, se houve desastre, é porque, na Madeira, não se aplica a milagrosa reserva ecológica que tem minado as decisões continentais em matéria de urbanismo.
Há uns vinte e tal anos, houve uns senhores que, fechados nos seus gabinetes e ateliers, se dedicaram a fazer uns bonecos no mapa do país, declarando a seguir que os seus traços definiam uma “reserva ecológica” intocável e transformando a coisa em decreto. Passou-se da definição de áreas protegidas por razões concretas, científicas e excepcionais, para a consagração de colossais limitações inventadas na avenida da liberdade e aplicáveis ao país inteiro.
Os resultados são conhecidos. A reserva ecológica serve para limitar uns e proteger outros, para ser furada onde os interesses locais o justificam e para ser absolutamente incompreendida pelas pessoas, por absurda e abusiva.
Mas, no parecer dos desenhadores que a conceberam, se tivesse sido aplicada na Madeira, os aluviões não fariam mal a ninguém!
 
A desgraça da Madeira serviu, pela positiva, para despertar sentimentos de solidariedade e de unidade nacional. Serviu, pela positiva, para abater certas bandeiras, cuja importância, em face do acontecido, era descartável. Pela negativa, serviu para despertar alcateias esfaimadas, ou cheias de ódio a Jardim e ao seu sucesso, ou propagandistas das teorias com que vêm, de há décadas, amarrando o país ao cais do seu poderoso ego.     
 
28.2.10
 
António Borges de Carvalho
 

3 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Carlos Monteiro de Sousa 02.03.2010

    Sr Tecelão
    O que está escrito pelo meu amigo Irritado está de acordo com todos os factos.
    Sabe,o senhor tem uma extrema dificuldade - ao que me se afigura do que escreve - em lidar com as realidades.Não sei quem lhe transmitiu o que diz e com todas as letras,que o melhor é difamar quem não aceita as "tretas" do "povo unido" e dos "soldados e marinheiros" (esta dos soldados nunca consegui entender).
    Se o senhor tivesse os conhecimentos básicos de geografia e se se interessasse - ainda que minimamente - por meteorologia ficaria a saber a deslocação das massas de ar no Hemisfério Norte e a im portância do anticiclone dos Açores nas condições de tempo,tanto em Portugal Continental com no arquipélago da Madeira.
    A tragédia que se abateu sobre a Madeira,nada tem a haver (para sua mágoa)com o Dr Alberto João Jardim.
    Carlos Monteiro de Sousa
  • Sem imagem de perfil

    daniel tecelao 02.03.2010

    Sr Monteiro,posso ser ignorante em matéria de geografia e meteorologia,mas não me chame nem estupido,nem sectário.
    Se você não entendeu,muito menos eu,explique melhor se souber,o que quer dizer com essa história dos soldados e marinheiros!?
    O Bocassa nada terá a ver com a tragédia,mas foram agravados os riscos pelo facto de não terem sido cumpridas as mais elementares regras de segurança.
    E isso terá um rosto.
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    O autor

    foto do autor

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2013
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2012
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2011
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2010
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2009
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2008
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2007
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2006
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub