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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

VIVA A CORRUPÇÃO!

 

Quais virgens puras e destemidas, os agentes da nacional-politiqueirice desdobram-se em diligências, comissões, altas autoridades e outras fanfarronadas soi disant destinadas a “combater a corrupção”. Até o camarada Cravinho, que se deixou corromper por uma choruda mordomia em Londres, surge das brumas do Tamisa a chocalhar de novo a sua, outrora execrada hoje louvada, cartilha de “luta”.
 
A última acção desta cruzada consiste em criminalizar os presentes que, pelo Natal, as pessoas dão umas às outras. Como se os autores da marosca nunca tivessem recebido presentes fosse de quem fosse. Como se a corrupção pura e dura se deixasse impressionar com canetas Montblanc ou galheteiros de casquinha. O Doutor Vasco Pulido Valente já veio dizer que ainda acabam por criminalizar os postais de boas-festas. Tanto os activos como os passivos, acrescento eu: tão criminosos serão os que os mandam como os que os recebem os ditos postais.
 
Tudo isto cheira, sabem a quê? A cortina de fumo. Parece que o Código Penal não contempla já os crimes de corrupção e actividades conexas. Parece que, repenicando e alargando a classificação dos chamados ilícitos penais, se alarga a perseguição a quem os comete. Parece que a Justiça não serve para nada. Serve para pouco, é certo, mas não será por arranjarem mais crimes se acrescenta alguma coisa aos que já existem.
Tão mau como uma cortina de fumo trata-se de “medicina curativa”, ninguém falando, nem cravinhos nem quejandos de “medicina preventiva”.
É que ninguém se preocupa com a natureza humana. Neste mundo as tentações são muitas e resistir-lhes é o diabo. Está para nascer o político, o politólogo, o sociólogo, o psicólogo ou qualquer outro rebento das centenas de diferentes “ólogos” que o “ensino” tem produzido, que venha legislar, propor, muito menos fazer seja o que for que acabe com as mais profundas raízes da corrupção. Toda a gente anda ocupadíssima a apregoar o seu horror à coisa, mas ninguém se preocupa (se calhar et pour cause…) com o que a provoca.
Ninguém ataca a burocracia, ninguém simplifica seja o que for (uns fogachos aqui e ali, a fim de que tudo fique na mesma), os procedimentos estão cada vez mais complicados, cada vez há mais instâncias, mais institutos, mais “autoridades”, mais “entidades”, mais “civis” transformados, via “outsourcing” ou equivalente, em funcionários públicos, mais peias, mais traquinices públicas, mais taxas, mais cobranças, mais fiscais…
Tudo o que motiva, proporciona, incentiva e provoca a corrupção aí está, cada vez mais triunfante, cada vez mais omnipresente, mais à disposição do cidadão que não tem outra solução que não seja engraxar a mão seja de quem for se quiser ver uma pretensão legítima satisfeita em tempo útil. Isto, se falarmos do cidadão comum. Quanto mais se se tratar de quem pode “resolver” problemas que valem milhões, quem se souber “mexer” na floresta das normas e das entidades que tratam de complicar os concursos de os evitar, que podem pôr o processo A à frente do B, que podem “dar uma palavrinha” a quem está “por cima”, uma turma onde os heróis, como na restante humanidade, são raros, e onde, por isso, não pode deixar de haver a dose de cupidez própria do comum dos mortais.
Nada disto interessa aos “combatentes”. Eles “lutam” contra a corrupção mas não tocam nos sistemas que a fabricam.
Nem pensar! Já viram quanta gente iria para o desemprego se se acabasse com os pinchavelhos legais e regulamentares que fazem com que uma sociedade inteira seja refém de um sistema que “tem que” ultrapassar se quiser fazer seja o que for, desde mudar a sanita de sítio lá em casa até lançar uma indústria de milhões?
Como é que se quer incentivar o investimento, se não é possível investir no fundamental sem atravessar uma floresta de acessório, travessia quantas vezes impossível sem uma “ajudinha”?
Investimento estrangeiro? Como, se ninguém trás para cá o seu dinheiro enquanto o sistema for o que é? Só com privilégios, incentivos fiscais, só se forem mais que os outros (os nacionais). Não é o que faz o Dr. Basílio? Sem Dr. Basílio, isto é, sem prebendas de que os portugueses não gozam, nem um chavo cá entraria. Mesmo assim, quando os estrangeiros percebem que, resolvidos os problemas a montante, restam os que estão a jusante (a Justiça), tratam de dar à sola o mais depressa possível.
 
Quanto mais crimes criarem mais voltas a hidra pública arranjará para poder continuar a sua obra, mais requintes terá a corrupção.
É uma questão de sobrevivência, não é?
 
Pior que os corruptos são os “puros” que dizem querer acabar com a corrupção sem mexer uma palha naquilo que a provoca.
 
21.3.10
 
António Borges de Carvalho

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