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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

GRANDE BICADA

 

Respondendo aos críticos da concessão da Casa dos Bicos, devidamente recuperada para se tornar digna das iniciativas da excelsa personalidade de Sua Excelência o Senhor Saramago, objecto de um prémio Nobel por razões que a razão desconhece, bem como dos histerismos da sua amantíssima esposa, um tal Sucena – nome que cheira a estalinismo que tresanda – veio à estampa protestar indignado contra a malandragem que se entretém a chatear o Costa por malbaratar o património nacional e os dinheiros dos munícipes com iniciativas de tal jaez.  

 

O homem queixa-se de que a Casa dos Bicos estava em mau estado. É legítimo concluir que não estava em condições para receber as nobres personalidades a quem fora entregue. Note-se, antes de mais, que, conforme informação camarária, as obras se destinam a recuperar (muito bem) o edifício, adaptando-o (muito mal) aos desejos da castelhana esposa do fugitivo fiscal Saramago e ilustre “presidenta” da fundação do mesmo nome.

Segundo o tal Sucena, a Câmara, mui justamente, alocou para as obras uns míseros 960 mil euros no orçamento de 2008. As obras começaram em 2009. Preservado o telhado e dada ao edifício a segurança necessária a travar a sua degradação, chegou-se à conclusão que era indispensável, para fazer a sua “adaptação”, mais um milhãozinho.

Justifica o Sucena esta prebenda com o este extraordinário argumento: “nunca dês uma camisola rota a um pobre: passaja-a antes com lã da mesma cor e o melhor que souberes”.

Coitado do Saramago! Admite-se que se dê uma camisola rota ao pobrezito, cheio de frio? Que humilhante ideia! E se a lã da mesma cor custa 2 milhões, que mal vem daí ao mundo?

 

As economias do senhor Saramago, é certo que aumentadas pelo regime fiscal das Canárias – o off shore da Madeira é péssimo e imoral, o regime das Canárias é óptimo e justíssimo – ficariam afectadas se se gastasse uns tostões na Casa dos Bicos. Sendo os lisboetas a pagar, a coisa torna-se mais conveniente, mais justa. A camisola é dada em boas condições, sendo indiferente o preço da lã.

 

Os críticos, esses, não passam de gente para quem “o fascismo é o seu tempo favorito”, diz o Sucena.

Veja-se a isenção, a claridade, a dignidade, a sabedoria deste pensamento, junte-se ao da camisola, e aí temos a receita da sopa que o poder nos serve e uma imagem vibrante de quem nos anda a cozinhar o futuro: os sucenas, os saramagos, os costas  Cª.

Tudo à nossa custa.

 

Mais umas informações que o Sucena nos presta, para nosso descanso:

O Saramago, fundador da Fundação Saramago, entrou para ela com a colossal quantia de 300.000 euros, quase 7 vezes menos do que vão custar as obras para que se possa, dignamente, instalar na Casa dois Bicos. E quanto vale a Casa dos Bicos? Não interessa. O que interessa é que a tal fundação, segundo o Sucena, já tem sede. Para que precisa de outra?, perguntar-se-á. A resposta deve ser simples: a actual é paga, a Casa dos Bicos é de borla.

 

A fundação até já apresentou contas. Que coisa extraordinária! Devia estar dispensada dessas chatices. Ainda segundo o Sucena, começou por apresentá-las ao fisco, coisa que já não faz, uma vez que foi declarada de “utilidade pública”. Galinha da perna.

 

Já me esquecia, que injustiça!, de referir que a fundação vai ser objecto de reforços anuais correspondentes a um terço dos direitos de autor recebidos pelo Saramago nas Canárias.

Quer dizer: dois terços dos tais direitos são objecto do regime fiscal especial das Canárias, a uma distância cósmica dos 40% que os “ricos” pagam em Portugal, e ainda mais cósmica dos 45% que os mesmos “ricos” vão passar a pagar por obra do socialismo; o outro terço fica isento, por entrar numa fundação de “utilidade pública”. Utilidade que, faça o que faz ou o que se propõe fazer, desde já se exprime pela posse de um edifício histórico, uma preciosidade urbana sem igual. Grande utilidade!

 

Depois das informações gentilmente prestadas pelo Sucena (administrador delegado da fundação Saramago!), há que tirar o chapéu ao fundador.

Como um bom milionário americano, o homem funda uma charity. Como um bom oportunista, o homem livra-se de uma série de chatices fiscais, daquelas que põem a cabeça em água e esvaziam os bolsos dos seus compatriotas. Como um bom estalinista, o homem faz figura à custa de terceiros e põe a sua fundação a viver no luxo com o dinheiro dos outros.

 

Bonito!

 

29.3.10

 

António Borges de Carvalho

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