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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DAS RAZÕES DOS INVEJOSOS

 

O IRRITADO acha que o pior defeito dos portugueses é a inveja. Porque se gaba de não ser invejoso, não tem por hábito alinhar no coro de protestos que andam por aí sobre os ordenados destes, os privilégios daqueles ou os fringe benefits daqueloutros. Costuma achar que a inveja é má conselheira e que os protestos e indignações de muita gente não passa disso mesmo: inveja.

 

Como para tudo, porém, há limites. Pondo de parte a inveja e olhando à volta, há coisas de pôr os cabelos em pé.

 

 

É verdade, por exemplo, que o Governador do Banco de Portugal ganha mais que o seu congénere americano e que os seus colegas andam lá perto. Se o princípio aplicado fosse o da proporcionalidade, então o Governador do Banco de Portugal ganharia o salário mínimo e estava com muita sorte. O princípio da proporcionalidade não se aplica assim, sem mais nem menos, entre Portugal e os EUA. Mas há uma outra proporcionalidade, que é a do país em que vivemos, aliada a essoutra, que é a da concorrência.

É evidente que os altos cargos das empresas do Estado, ou onde o Estado tem uma palavra a dizer, devem ser bem pagos, muito bem pagos, tendo em conta dois factores: a sua relação com os salários e com o poder financeiro do país e o cuidado que sejam suficientemente atraentes para não se dar uma sangria de quadros para outros mercados.

Usando estes simples critérios, não está certo, é escandaloso e imoral que, em Portugal, se pague a certos quadros da esfera empresarial do Estado de uma forma totalmente desajustada em relação ao trabalho que fazem e à concorrência que têm. Haveria que acrescentar os cargos provenientes da influência política ou dos amigos de cada um que estão no poder, não da sua demonstrada competência ou currículo. Mas isso é outra história, ou uma história complementar.

A partir de uma lista de felizes contemplados que anda por aí na net, sem que ninguém a desminta, pode dizer-se que haverá, pelo menos, umas cem pessoas a auferir, em média, um salário anual de cerca de 3,5 milhões de euros, ou seja 700.000 contos, uns 50.000 por mês vezes catorze meses. 350 milhões de euros só para pagar a esta rapaziada. Se cada um, em média, fizer retornar ao Estado 30%, ainda ficará com 490.000 contos, ou seja 35.000 contos limpos por mês, fora as normais alcavalas – carros, telefones, representação, cartão de crédito, se calhar stock options, etc., etc.

Como as respectivas empresas pagam 23,75% à Segurança Social, a despesa sobe para uns 450 milhões de euros. Recuperados os 30% de IRS, lá voltaremos, grosso modo, aos 350 milhões.

 

Descontados os fulanos de nomeação puramente política, admitamos que as pessoas são competentes no que fazem. Mesmo assim, é difícil pensar, ou admitir, que o trabalho de cada uma destas sumidades valha o que custa. Ainda menos que tenha alguma coisa a ver com o país em que vivemos.

Dir-se-á que, por preço semelhante, alguns poderiam arranjar trabalho nas empresas privadas ou no estrangeiro. Quantos? Um? Dois? Três é capaz de ser demais. As empresas privadas não são parvas, os estrangeiros ainda menos.

 

Parece que, quando tanto se fala na indispensável “contenção salarial” e na “luta contra a corrupção”, quando tanto se esgrime com a “ética”, sobretudo a “ética republicana”, seja isso o que for, quando o Estado se prepara para esmagar a classe média (média alta, média média e média baixa), talvez não fosse dispiciendo olhar para este tipo de situações com olhos mais inteligentes.

Pelo menos para que não se continuasse a dar razão aos invejosos de todas as “religiões” e aos tipos dos partidos comunistas, que continuam a achar, com a maior das latas, que acabando com os ricos se enriquece os pobres.   

   

Aqui fica, à atenção de quem de direito, na certeza que quem de direito jamais ligará bóia às preocupações do IRRITADO, nem será capaz de um mínimo de bom senso.

 

31.3.10

 

António Borges de Carvalho

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