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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CARTA AO SENHOR PRESIDENTE

 

Senhor Presidente da República, Excelência

 

A generalidade dos pitonisos da nossa praça, à esquerda e à direita, defende que o país está perante um triste dilema.

 

O governo é por todos, expressa ou implicitamente, tido como mau, muito mau. O primeiro-ministro é para todos, está provado, péssimo.

Mas, dados os prazos constitucionais, dizem eles, não é possível haver eleições porque a situação aflitiva em que o país se encontra se não compagina com uma data de meses de poder incerto.

Assim, sendo indispensável, por imperativo de salvação nacional, acabar com o poder canhestro e desonesto que temos, é, por outro lado, impossível pôr-lhe cobro sem altos custos.

 

Isto não é verdade. Havendo vontade política não há nenhum dilema.

Senão, vejamos:

Por um lado, Vossa Excelência, segundo a Constituição que temos, pode dissolver a Assembleia até 9 de Setembro. Repare que, ao contrário do que acontecia no tempo do seu antecessor, Vossa Excelência não dissolve, se dissolver, um Parlamento onde há uma maioria estável e coerente. Por outro lado, também ao contrário do que acontecia no tempo do Dr. Sampaio, Vossa Excelência está perante um governo e uma maioria relativa completamente incoerente, inoperante e deletéria, como factos mais que evidentes têm vindo a provar à saciedade. Isto, Senhor Presidente, para não usar adjectivos que podem ser considerados impróprios, pelo menos nesta sede. Vossa Excelência está perante uma situação desesperada (insustentável, na opinião expressa de Vossa Excelência), está perante a degradação evidente dos pilares do Estado de direito, como a Justiça, a educação, a defesa, etc.

A dissolução do Parlamento, nestas circunstâncias, nada teria a ver com o golpe de estado constitucional perpetrado pelo Dr. Sampaio.

 

Acresce a isto que a questão dos prazos não só é secundária como está mal contada pelos pitonisos.

Não é secundária porque a insustentabilidade da situação não se pode comprazer com a permanência no poder daqueles que a causaram e continuam a causar, tudo se agravando a cada momento que passa.

Não está bem contada porque, se Vossa Excelência acabar com este estado de coisas antes de 9 de Setembro, o país, respeitados os inacreditáveis prazos constitucionais, pode ter novo governo no dia 30 de Outubro (55 dias depois) e pode ter o orçamento aprovado antes do fim do ano. Que mal pode vir daí ao país, que seja pior do mal em que vivemos?

 

Faço-lhe ainda um pedido:

Não deixe Vossa Excelência que os seus interesses pessoais se sobreponham aos da Nação. Isto é, aliás, sua estrita e incontornável obrigação.

Não sei se é ilusão sua ou se é verdade que os seus interesses pessoais são, neste momento, incompatíveis com o bem da República. Presumo, outrossim, que Vossa Excelência perderá mais votos por nada fazer do que por exercer os seus poderes a bem de todos nós.

 

Pense nisto, Senhor Presidente. E, por favor, não nos abandone!       

 

21.8.10

 

António Borges de Carvalho

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