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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O ESTADO DA NAÇÃO

Afinal, os “pais da Pátria”, a Assembleia, dita “da República”, servem para quê?

Vejamos: um orçamento do Estado é uma Lei, anualmente obrigatória, que é votada pela tal Assembleia, tida por representante dos eleitores.

Cabe ao governo elaborar e propor tal Lei, aos deputados discuti-la, modificando-a ou não, e aprová-la ou não por maioria simples.

Este é o sistema.

 

Vejamos o que se passa:

 

O governo do partido socialista, na sua versão minoritária, é tão arrogantemente autoritário como o era na versão anterior.

O Partido Socialista jamais procurou fosse que acordo fosse, fosse com quem fosse.

Quando formou governo, recusou liminarmente a formação de uma maioria, apesar de as eleições lhe terem posto à disposição pelo menos três diferentes opções.

Substituiu qualquer negociação por uma intolerável farsa, convocando os partidos para uma espécie de sessão de cumprimentos a sua excelência Pinto de Sousa.

Apesar de o líder da oposição ter tido a democrática e patriótica caridade de deixar passar dois planos de austeridade, PEC’s de seu nome, o governo não só não os cumpriu como imporia a mais elementar honestidade, como, despótico que é, se recusou a dizer porquê, aos deputados e aos eleitores.

Quando o líder da oposição se ofereceu para estudar com o Pinto de Sousa as formas de consenso possíveis, após um primeiro encontro concluiu que o Pinto de Sousa não era sério nem se podia negociar com ele num plano minimamente responsável, como, aliás, claramente declarou, e sem desmentido possível.

Apesar disso, o líder da oposição teve a ingenuidade de propor algumas condições para poder assumir uma papel positivo na discussão, é certo que um pouco às cegas já que não é possível apresentar propostas fundamentadas no total desconhecimento dos seus eventuais fundamentos, que lhe são, e a todos nós, despoticamente sonegados.

Agora, cai o líder da oposição na anti-parlamentar esparrela de tentar chegar a um acordo qualquer via negociações de gabinete.

A ingenuidade e a boa-vontade têm limites mais curtos dos que Passos Coelho lhes atribui.

Se há um erro fatal na gestão política de Passos Coelho é o de querer acreditar que é possível negociar seja o que for com um político (Pinto de Sousa) que, como (por defeito!) muito bem diz Helena Matos, “é ignorantíssimo, não tem sentido de Estado e tomou decisões na sua vida académica, profissional e política que a maior parte dos portugueses, até o conhecer como primeiro-ministro, repudiariam liminarmente”.

Passos Coelho errou ao admitir que tinha com quem falar.

Não tinha nem tem: para haver um gentlemen’s agreement são precisos dois gentlemen, pelo menos.

Passos Coelho errou ao pensar que tinha tempo para se afirmar como alternativa, ou seja que, para que se pudesse ter alguma esperança no futuro, a primeira, a mais urgente de todas as prioridades, não era livrar-nos de um homem do calibre do Pinto de Sousa, que nos ofende a honra de cidadãos, que insulta a nossa inteligência, que a cada passo nos engana, que tudo promete e nada cumpre, ou que só cumpre o que é ruinoso e enganador.

 

Agora, por fora do Parlamento - para que serve o Parlamento? - , mais uma vez Passos Coelho insiste na honesta procura de uma solução que lhe permita deixar passar um orçamento que não especifica nem quantifica cortes na despesa, que não justifica o aumento brutal de impostos, que não diz o que correu mal em relação ao que a ingenuidade de Passos Coelho tinha deixado passar.

Tudo isto ao mesmo tempo que o Lacão o insulta de forma soez, vil, ordinária, e que aquele tipo do beicinho à banda se repoltreia em dislates televisivos para consumo da plebe.

 

Passos Coelho já devia saber, e de ciência certa, que está a ser empurrado para um beco sem saída, que está a ser vítima da sua própria boa-fé, que esta gente não merece diálogo, nem consideração, nem benefício da dúvida, nem tem outro objectivo senão entalá-lo.

Se deixar passar o que lhe querem impor, disso ficará refém durante quase um ano, enquanto os seus algozes lhe prepararão a cama, para vir a entregar-lhe, após algumas benesses eleitorais, um país ainda mais arruinado do que já está. Ou, pior ainda, usar tais benesses para ganhar de novo as eleições, mais uma vez despudoradamente enganando o povo.

Se não deixar passar, o mesmo ano servirá para, diariamente, ser acusado de traição à Pátria e passar a réu de todos os males que, entretanto, o PS não deixará de causar.

 

Conselho do IRRITADO:

 

Caro Dr. Passos Coelho

 

Deixe passar o orçamento sem mais conversas.

Explique porquê, não com considerações partidárias, mas demonstrando que, em nome de um futuro menos negro, não há outra coisa a fazer.

Nunca mais tente negociar com gente que não lhe merece, nem a ninguém, a mais leve sombra de confiança. Eles que se amanhem com a trampa em que vegetam.

Denuncie-lhes as trafulhices todos os dias.

Não confie no Presidente da República.

Continue a ser sério.

Sem medo dos Soares & Cª, seja tão liberal quanto puder.

Só há duas coisas que não vale a pena tentar:

a)    Calar os “independentes” do seu partido, a começar por esse monumental intriguista/boatista/trafulhista que se chama Marcelo;

b)    Ultrapassar a estupidez constitucional que o impede de acabar com os coveiros do país.     

 

22.10.10

 

António Borges de Carvalho

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