CONFEDERAÇÃO ATLÂNTICA
O Prof. Jorge Miranda, conhecido na gíria da ignorância mediática por “pai da Constituição”, atingiu o limite de idade. Parabéns.
Tem o jubilado excelsas qualidades, das quais o IRRITADO nem por sombras duvida. Ser “pai” da Constituição não será, certamente, uma delas. Bem pelo contrário, a ser verdade seria o seu pior defeito.
Adiante.
Aqui há tempos, disse o IRRITADO que Portugal e Brasil deviam fazer uma união política com inúmeras vantagens mútuas. Chamou-lhe “ideia maluca ou talvez não”. O ilustre professor deve ter lido o IRRITADO (que modéstia!) e decidiu ir muito mais além, ou mais abaixo: propôs a integração de Portugal no Brasil como estado federado daquela República. Nem mais nem menos. E até defendeu um referendo em que o próprio votaria a favor da passagem dos portugueses a… brasileiros. Justificou-o, cientificamente, porque até tem, ou teve, uma avó brasileira!
Contente por se ver seguido por tão alta cabeça, ainda que com os pés, o IRRITADO vê-se obrigado a vir pôr alguns pontos nalguns is. É que jamais lhe passou pela cabeça meter Portugal na federação brasileira, nem diminuir-lhe o soberano estatuto.
É certo que não configurou a sua proposta. Se calhar fez mal.
Aí vai:
O IRRITADO admite a criação de uma associação de Estados, sob a forma, por exemplo, de confederação, na qual, já agora, Angola podia também ter vantagens em entrar, e os outros dois vantagens em acolher. Seria uma espécie de triângulo atlântico (CA, Confederação Atlântica, que bonito!), globalmente poderosíssimo. Três países, unidos pela história, pela língua e por inúmeros interesse mútuos, dominando a maior área marítima do mundo, com um peso internacional invejável, “cobrindo” três continentes, gozando de inegáveis economias de escala e de indiscutíveis complementaridades, com um parlamento da confederação e um presidente rotativo por ele eleito.
É complicado de pôr em prática, sem dúvida. Mas acho que vale a pena pensar nisto.
23.5.11
António Borges de Carvalho