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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CARTA POR CAUSA DE LONDRES

 

Anda meio mundo à procura de explicações para a selvajaria que irrompeu nas ruas de Londres.

Já se arengaram todas as “razões”. A “exclusão social”, a “inadaptação”, o falhanço do “multiculturalismo”, o “individualismo”, o “neoliberalismo”, o “racismo”, a “precariedade”, o “consumismo”, sei lá, tudo “culpas” da sociedade que “maltrata” uma geração de coitadinhos, cheios de “razões de queixa” e de falta de “educação” e de “protecção”.

É claro que as hordas de politólogos, ou politicólogos, de psicólogos, de sociólogos, de esquerdólogos, de gente do melhor, gente que não subscreve a vandalocracia, que ideia, nem pensar, mas que se desunha a arranjar saídas para a “justificar”, isto é, para “compreender” aquela malta, como “compreendem” os meninos do Rossio, os campistas das Puertas del Sol e tudo o que por aí haja no género, ou pior, tipo terroristas e quejandos.

Se resumirmos numa palavra a opinião desta maravilhosa intelectualidade sobre as culpas do que aconteceu, aí está ela: a “direita”. O bode expiatório por excelência, fautor e factor de todos os males deste mundo.

A esquerda, universal proprietária da “inclusão”, da protecção social, do estado do mesmo nome e de outras maravilhas, nada pode explicar a não ser dizendo, ou insinuando, que a culpa é do bode. De nada pode ser acusada, já que nunca fez outra coisa a não ser espalhar o bem, a liberdade, a justiça, a riqueza e a alegria de viver.

 

Neste estado de indigência mental chega-se ao ponto de se ir buscar o deus Pã, herói grego (semi-deus, que jamais foi herói), protector dos pastores entre outros ofícios, irmaná-lo com o romano Baco (os romanos chamavam a Pã Lupércio, Fauno, Silvano, etc., mas não Baco), tudo a partir de uma lenda que diz que uma batalha foi perdida por causa de uns barulhos com que Pã e os seus adeptos aterrorizaram o inimigo, que bateu em retirada, cheio de “pânico”.

O grande intelectual autor da iniciativa é o Doutor Tavares, ilustrérrimo e viajadíssimo (à conta) deputado europeu, aquele que se zangou com o Louça por motivos peixeirais e se deixou ficar por Bruxelas como se tivesse sido eleito, certamente a fim de não nos privar do seu inestimável contributo para o nosso bem e o nosso futuro.

A historieta, segundo diz, traduziu-a ele de um livro de um nobre inglês do século XVII (ou XVIII?), tradução a que ficamos a dever expressões como ecos rochosos e cavernosos de um vale verdejante, como se um vale verdejante pudesse ser rochoso e cavernoso, ou tremor espalhado por olhares implícitos. Estão a ver, obviamente com olhares implícitos, como nosso emérito Doutor e Deputado percebeu bem o que leu e diz ter traduzido?

Após tudo bem exemplificado, o homem conclui – é o que importa - que a razão dos motins de Londres jaz na falta de vontade (dos políticos) em (sic) interpretar fidedignamente os acontecimentos. E mais: se os vândalos são irresponsáveis, os mercados e os governos também. Magistral! Se há vândalos é porque os mercados… os mercados nem sequer chateiam muito o Reino Unido, o BCE não tem a ver com o Reino Unido, o governo, esse, é do Reino Unido mas, como é conservador/liberal… estão a ver, não é?

E ainda mais. Como os mercados e os governos são o que são e são desresponsabilizados (?), também os vândalos desresponsabilizados são! Lindo!

Um exemplo de onde se pode chegar quando a razão de todos os males se tem por previamente definida ou determinada.

 

Os motins aconteceram no país que é pai do serviço nacional de saúde, que tem a protecção social quiçá mais vasta e onerosa da Europa, que gasta o que tem e o que não tem a “integrar” fulanos que de britânicos pouco mais têm e pouco mais lhes interessa que a “protecção social”, coisa que exigem aos gritos e à porrada quando lhe tocam a fímbria das vestes, que tem comunidades imigradas proporcionais ao seu ex-império…

 

Quando a dona Margarida Tatcher pôs os sindicatos no seu lugar e a economia a funcionar, criou os meios necessários a alargar e financiar a tal protecção social. Depois, começaram os abusos, em nome da “solidariedade” e de patacoadas do estilo, como em tantos outros países desta Europa.

Onde está, então, o erro?

Está em que os abusos do socialismo e/ou da social-democracia - com a Razão a dormir a sesta - geraram um monstro: uma multidão que acha que tudo lhe é devido e que o Estado não passa, por natureza e obrigação, de um protector/subsidiador com inesgotáveis meios, quer se queira trabalhar quer não, quer se seja capaz quer não de fazer alguma coisa socialmente válida. Tudo medido, e pago, por bitolas semelhantes, em nome dessa coisa horrível que é a igualdade, ou a noção de igualdade que a demagogia da esquerda foi criando ao longo de gerações.

 

O problema é que a correcção desta desgraça, se as pessoas não perceberem de onde ela vem, vai custar muito mais do que sonham ou exigem os vândalos de Londres ou os campistas de Madrid. Vai custar outras gerações.

 

Mutatis mutandis, por cá, ainda que pareça haver mais esperança, estamos mais ou menos na mesma. 

 

18.8.11

 

António Borges de Carvalho

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