Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CABECINHAS PENSADORAS

 

O capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, redu-la à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a.

Boaventura Sousa Santos, Visão

 

Rezam as crónicas que este bem-aventurado senhor Santos é nada mais nada menos que um ilustre professor não sei de quê.

A brilhante “análise” que acima se reproduz prova o subido e elaborado pensamento do senhor. Nem o alemão Carlos Marques, nem o seu camarada Engels, nem o grande líder Lenine foram capazes de chegar a tais alturas, ou a tão profundo pensamento.

Estes, punham à democracia o adjectivo “burguesa”. Os primeiros diziam que ela, com o seu capitalismo, havia de destruir-se, vítima das suas próprias “contradições”, surgindo então a ditadura “do proletariado”, seguida do “socialismo real”. O terceiro achava que o “processo histórico” podia ser acelerado, e agiu em conformidade, isto é, conseguiu a tal ditadura “já”, e rapidamente a transformou naquilo que não podia deixar de vir a ser: a ditadura do partido, com a negação de todo o Direito e sustentada por ferozes polícias.

Entretanto, o capitalismo que o nosso Boaventura tão violentamente condena criava a civilização ocidental, as sociedades mais livres e o progresso económico, social, científico, etc. que jamais a humanidade conheceu.

Não há nada perfeito. Não há nada parado no tempo. Tudo conhece evolução, progresso e regresso, bons e maus momentos. Não há nada que, em si, não tenha elementos destrutivos, não corra perversos riscos, não tenha altos e baixos. O capitalismo, quando não é liberal, isto é, quando o Estado toma o lugar do Direito, ainda que produza meios económicos e financeiros, pode reduzir a sociedade a um instrumento de exploração. Viu-se há pouco, com Pinochet, como uma ditadura feroz e sanguinária, conservando elementos essenciais do capitalismo, conseguiu notável progresso económico. Todas as ditaduras ditas de direita (nazismo, fascismo, franquismo, salazarismo…) elegeram agentes económicos e financeiros a quem deram liberdades especiais, ditas capitalistas, os chamados “empresários do regime”, dispostos a aceitar o status quo em nome da conservação e da liberdade da sua iniciativa. Mas nunca tiveram o sucesso que o capitalismo liberal obteve onde, mesmo em socialismo democrático, “tomou conta” da economia, respeitando o Direito. Na Suécia, por exemplo, no auge do poder do partido socialista, só 5% da economia estava nas mãos do Estado. O que quer dizer que, respeitados os princípios liberais do capitalismo, até a social-democracia consegue, em “liberdade liberal”, ser um bem.

 

O mal, o erro, a cegueira dos boasventuras da nossa praça são iguais aos de Marx e Lenine: partem do princípio que o homem é aquilo que jamais foi ou será: uma criatura que pode ser totalmente dominada, conduzida, retorcida, ainda que com o nobre fim de a transformar no “homem novo”. No tristemente célebre “homem novo”.

Quando, nas obscuras profundezas do bolchevismo, os motoristas de táxi, em Moscovo, vendiam caviar e outras coisinhas – em dólares! – aí estava o Homem, não o “novo”, que nunca existiu, mas o homem propriamente dito, a tratar da sua vida como podia. Por outras palavras, mesmo na mais feroz das repressões anti-liberais e anti-capitalistas, a natureza humana continua a mesma.

 

À liberdade económica, um Estado digno desse nome fornece o quadro jurídico e administrativo necessário a que se não transforme em dominação: a isso se chama capitalismo liberal.

O capitalismo é o “pai” da democracia, no sentido em que lhe subjaz. Jamais houve uma sem o outro, ainda que possa ter havido aquele (não liberal) sem esta.

 

O IRRITADO não ignora nem nega que atravessamos uma fase da história em que os achaques do capitalismo se transformaram em doença grave, com tendência para a pandemia.  

Mas não é negando o essencial que se cura a doença.

Não é seguindo os conselhos e as opiniões maximalistas do Professor Boaventura e apaniguados que chegaremos a bom porto.

 

27.8.11

 

António Borges de Carvalho

2 comentários

Comentar post

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D