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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ALTAS FIGURAS, ALTAS ESCUTAS

 

Já viram o que por aí vai de frisson sócio-informativo sobre as escutas telefónicas?

Há para aí dois anos, o nosso extraordinário Procurador-Geral fez umas queixinhas aos jornais: estou a ser escutado, oiço uns cliques suspeitos. Em vez de usar, discretamente, os seus poderes – para aquilo devem chegar – o homem decidiu, qual vizinha-da-tipa-que-abandonou-a-criancinha-e-veio-mandar-bocas-na-TV, tornar-se importante, via “comunicação social”. A coisa morreu depressa, como aliás merecia.

Aqui há tempos, lembram-se?, os serviços de contra-informação do PS, ou afectos ao PS, deram um enorme empurrão à propaganda eleitoral que levou à hecatombe da reeleição do senhor Pinto de Sousa, mediante a publicação, no Diário de Notícias, de umas mensagens roubadas de um computador privado. A coisa produziu o efeito desejado. O autor da brincadeira continua no seu posto e até é considerado um jornalista de alta qualidade moral e profissional.

Agora, a titânica luta do Expresso contra a Ongoing, via serviços secretos, veio queixar-se de escutas feitas a um jornalista do Público. Escutas? Não! A folha dois da factura da Optimus parece que foi parar aos ditos serviços. Escutas uma ova. Violação de correspondência, talvez. Um escândalo! A violação de correspondência - para fins de investigação de uma eventual toupeira nos serviços -passou a escuta num abrir e fechar de olhos.

 

Apanhando esta cómoda boleia, uma série de senhores, qual deles o mais prendado, classificados como “elite” pelo Diário de Notícias, vem escarrapachar as suas mais íntimas inquietações: estão a ser escutados! Ou seja, “acham” que estão a ser escutados. Como o descobriram? Não se sabe. Se calhar ouviram cliques… o IRRITADO também se farta de ouvir cliques, mas não se auto-“importantiza” por causa disso. Aliás, está-se borrifando para que lhe ouçam as poucas e curtas conversas.

Tal não se passa com a “elite”. Altas criaturas da nossa praça, como o esdrúxulo escritor “Mário Cláudio”, o militar sindicalista – coisa bonita! – Lima Coelho, ou o grande político Ribeiro e Castro. Isto para não falar de do melífluo António José Teixeira, do comuna Honório, ou do grandioso Marinho e Pinto, entre outros.

Toda esta malta, quando fala ao telefone, evita dizer coisas. Que eu saiba, sempre foi assim. Quem nunca apanhou um cruzamento de linhas?

No entanto, o que está a dar é fazer um estardalhaço dos diabos. Nenhum dos inquiridos sabe ao certo se está a ser escutado. O que, salvo erro, acontece a dez milhões de portugueses. Só que há uns (que se acham) mais importantes que os outros.

Andam para aí inquéritos, processos, audiências, acareações, investigações, queixas, bocas aos pontapés.

O melhor, no estado a que isto chegou, é acabar com os serviços secretos. Poupa-se uma data de massa e evita-se estas trapalhadas, ou trapalhices.

Há outra solução, mais mitigada, que já vi escrita por aí: passarem os serviços secretos a avisar o respeitável público. Mediante competente ofício, os referidos preveniriam os cidadãos: somos a informar Vossa Excelência que, a partir das 12 horas do dia quatro do mês que vem, o seu telefone nº ####### passará a estar sob escuta. Assim, evitava-se os tremores e as suspeitas de que alguém viesse a saber, por exemplo através do camarada Honório, que vinha aí a revolução bolchevista, que o Dr. Portas ia ser defenestrado pelo ínclito Ribeiro e Castro, ou que o Dr. Capucho telefonou ao construtor do mamarracho do Estoril Sol.

 

No meio de tão grande pessegada, tenho pena do Primeiro-Ministro que, com tanta coisa útil a fazer, anda a deixar-se entreter com estas. Não tem outro remédio, coitado!

  

29.8.11

 

António Borges de Carvalho

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