Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SALVAR A PÁTRIA

 

“Não acabava (o post anterior), quando uma núvem que os ares escurece / sobre nossas cabeças aparece. / Tão temerosa vem, e carregada / que põe nos corações um grande medo...

Se Camões fosse vivo, talvez comentasse assim esse Adamastor de palhaçada que por aí se parangona, a anuciar a salvífica reunião de um “Congresso Democrático de Esquerda”.

 

 Duas observsções preliminares.

 

1 -A esquerda, como a ditadura era tida por de direita – do ponto de vista da importância do Estado em relação aos cidadãos era tão de esquerda como a esquerda – tomou a “decisão” de publicitar que a democracia, por definição, é de esquerda, coisa que a história e a prática demonstram ser mentira, mas que, dado o atraso mental que caracteriza a esquerda deste país, continua a ser “fé dos crentes”. É a estupidez e a trafulhce ideológica em acção.

2 – É sabido, e confesso, que a generalidade da esquerda anda à nora, sem saber o que fazer. Acha que a crise é “de direita”, normalmente aquela direita a que chama liberal, ou neoliberal(?), mafarrico eleito para justificar a crise, mas, como não tem uma só ideia com pés e cabeça para a ultrapassar, entretem-se a vituperar os seus inevitáveis resultados e a sonhar com o dia em que tais resultados façam cair o tenebroso governo “da direita”, coisa que proporcionaria aos da esquerda uma oportunidade de ouro de voltar a gastar o que não tem, mascarado de “despesas sociais”.

 

O novo Adamastor, felizmente tão perigoso como o do Bartolomeu Dias, é chefiado pelo Carvalho da Silva, já que o PC, dessolidarizando-se da iniciativa, não podia deixar de lá meter os seus agentes ao mais alto nível, do dito ao inevitável Siza Vieira, tudo gente do melhor. Soma-se um virtuoso escol, da dona Manuela Silva, protuberância católica e progressista do defunto pintassilgismo terceiromundista , ao famoso Vasco Lourenço, de brilhante inteligência, a figuras famosas do PS, entre elas o tristemente conhecido Pedroso, o Sérgio Sousa Pinto, emérito distribuidor de preservativos, o inacreditável Pedro Nuno Santos, que só debita asneiras, a dona Catarina Mendes, o mais desagradável membro da classe política, a rapariguita que era chefe dos indignados mas que já se zangou com a organização, altas patentes do Bloco de Esquerda, et alia.

Este distinto bouquet de cérebros da nossa democracia “não quer hostilizar ninguém” (Carvalho da Silva), entenda-se ninguém da esquerda radical, PC incluído, e que, como diria o Álvaro Cunhal, “congrega vastos sectores da sociedade”, “tudo gente inquieta capaz de construir alternativas” (José Reis – seja ele quem for).

Louvável, não é? Podemos estar descansados.

Além disto, segundo o Big Chief Carvalho da Silva, o movimento começa e acaba aqui, isto é, “não tem agendas futuras”, não quer transformar-se em partido político nem arranjar problemas seja a que partido de esquerda for. Nobre intenção. Lida a coisa como deve ser, o homem, por iniciativa própria ou por ordem do comité central, não quer ferir sensibilidades comunistas que poderiam não gostar destas liberdades. Além disso, longe do camarada arriscar-se a prejudicar a sua candidatura a PR, já apoiada por esse liuminar da democracia socialista em que Soares deu. Carvalho da Silva toma os seus cuidados: chamar o pessoal da filarmónica, aceitando os instrumentos que quiserem trombonar a seu favor. Como abertura da campanha presidencial, não está mal.

 

Nesta ordem de ideias, os “democratas de esquerda” que se unem para salvar a Pátria mais não são que a sementinha de um projecto de poder. Já que lá não se chega por São Bento, que se chegue por Belém.

O resto são as “soluções” do costume, ainda que com palavreado mais doce, para não espantar os pardais, mas a querer dizer o mesmo: a troica que se lixe, os credores que se encolham, a Merkel que vá mandar lá em casa, os mercados são bandidos, o Holande – até ver – é um herói, reformas aos 35 anos, 22,5 horas de trabalho por semana, um nunca acabar de consumo (para relançar a economia!), “direitos” sociais para todos, renegociar a dívida, pôr essa gente toda nos varais, nacionalizar a banca, um mar de receitas para nos levar às profundezas do inferno.

Muito tem a Nação a a receber desta trupe. É de esperar que a Nação lhe dê a confiança que merece.

 

28.6.12

  

António Borges de Carvalho

9 comentários

Comentar post

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub