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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

E AGORA?

 

Já ninguém tem dúvidas sobre a situação a que chegámos.

O problema é o de saber se há hipóteses de sair dela, e quanto tempo pode levar.

As “soluções” da extrema esquerda são o que são: baboseiras irrealistas e irrealizáveis, em que ninguém minimamennte inteligente acredita, a não ser que ainda ande a pensar nas maravilhas do socialismo real, sanguinárias, miserandas – a miséria igual para todos é uma forma de “igualdade” - como a história não se cansa de demonstrar. Coisas que jamais funcionaram, a não ser mediante a criação de uma nomenclatura qualquer, que tanto se protege como se autoflagela, locupletando-se com o que há de melhor e mantendo os demais na bicha para o pão.

“Soluções” de extrema direita, por cá não são conhecidas.

Também há as “soluções” dos que propõem a divisão da sociedade em “ricos” e “pobres”, e defendem que, se se tirar aos ricos se dá aos pobres, tudo ficando equilibrado. É a mais mentecapta de todas as “soluções”. Primeiro, porque não há ricos, em termos de dinheiro que pudesse salvar o Estado sem arruinar o que ainda mexe. Depois, porque todo o dinheiro dos chamados ricos, menos as respectivas dívidas, cabe na cova de um dente do monstro que nos consome. E mais porque tal dinheiro é “valor”, não  liquidez e, mesmo que roubado aos “ricos” não serviria para pagar meia dúzia de dívidas, e implicaria a venda do tal “valor” aos credores e a entrada do desemprego e da miséria em progressão geométria.

O mesmo se passa com aqueles que peroram no sentido de acabar com os “mamões”, e tudo se resolve. Não quer dizer que não fosse bonito haver Clios em vez de BMW’s, que não haja desperdícios e mordomias que deviam acabar, e por aí fora. Quer é dizer que tais exageros, mesmo que “moralizados” não seriam, para o monstro, mais que papel higiénico. Dir-se-á que muitos poucos fazem muito. É verdade. Mas também é verdade que não se caça elefantes à pedrada.

Há a outra “solução”, que ninguém ao certo saberá se funciona ou funcionará a médio prazo: aquela que o senhor Pinto de Sousa motivou, criou, negociou, aceitou e subscreveu na véspera de não ter dinheiro para pagar ordenados, e que os outros dois partidos tiveram que aceitar, sob pena de, a estas horas, não haver nem pensões nem salários nem prestações sociais. É sabido que, safando a bancarrota num certo momento, tal “solução” tem continuado a safar-nos dela. Mas também é sabido que os almejados resultados não tiveram lugar e que a situação se agrava.

Por outro lado, também não restam dúvidas de que nem tudo depende seja de que “solução” interna for. O dinheiro migrou da Europa para outras latitudes. O que resta por aí está caríssimo, e quem ainda o tem está tão aflito como os demais, porque já percebeu que, sem uma transformação económica qualquer, em breve fará parte deles. Uma mera questão de tempo. Olhem o Hollande!

Tudo isto foi motivado pelo sonho da excelência da globalização para todos, da abertura dos mercados, da informação global, virtualmente ilimitada, sem fornteiras e em tempo real, da desprotecção aduaneira, da liberdade de circulação de pessoas e capitais, etc. Tudo ideias fantásticas, se tivesse sido possível à Europa, ou exportar os seus modelos sociais, ou dar saltos tecnológicos de tal ordem que o mundo inteiro continuasse dependente da “vanguarda” europeia, tão adiantada que compensaria os abismos salariais e sociais em presença. Pode também perguntar-se a quem acusa estes fenómenos de ideológicos, se, dados os avanços tecnológicos que emergiram, outra coisa seria possível.

A indústria de base foi exportada. A transformadora, em grande parte, também. Daí que, inevitavelmente, o dinheiro começasse a ter cada vez menos a ver com a economia real e cada vez mais consigo próprio. No fundo, a corresponder a coisa nenhuma.

Toda a “ocidentalidade” está em crise ou para lá caminha. Nós só somos dos primeiros. Talvez pudéssemos também ser dos primeiros a sair dela. O problema é que ninguém quer arriscar.

E as “soluções” do governo Passos Coelho? São pura “infelizmência”, ou podem ajudar a ganhar tempo? A ganhar tempo para quê?

Certo é que o dia de amanhã será pior que o de hoje. Da forma imaginada pelo governo ou de qualquer outra forma. O PS faria o mesmo, desta ou de outra maneira qualquer. Esperneia, mas faria o mesmo.

Ganhar tempo. Muito bem. Mas é preciso saber para quê. A resposta é só uma: para ir buscar dinheiro onde ele está, sem que seja a crédito. Virar o rumo. Sair para o mar outra vez, de outra maneira. Alargar o perímetro das alianças económicas. Explorar novos recursos que por aí há. Poupar, se houver dinheiro para tal. Criar mais valias, na atracção do investimento, na agilização da Justiça, numa luta brutal e sem tréguas contra a burocracia.

Eis o verdadeiro desafio que Passos Coelho enfrenta, ou devia enfrentar. Leva tempo mas vale a pena.

O problema, neste particular, é que o governo se tem deixado enfraquecer, que o “aliado” não é de confiança, que a Constituição e o respectivo Tribunal não ajudam nada nem ninguém, que o principal partido da oposição perdeu por completo o Norte e se entretem com rodriguices partidocráticas e meramente destrutivas.

Arriscamo-nos a perder a oportunidade que conseguimos ao eleger uma maioria que julgávamos não se perder em hesitações e larilices.

 

17.10.12

 

António Borges de Carvalho

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