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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA QUADRATURA DO TRIÂNGULO RECTÂNGULO

 

Estranhamente, só 82,5% dos portugueses preferem cortes na despesa a aumentos de impostos. Pelo menos é o que diz uma sondagem do “I”, dita Pitagórica.

Realce-se a qualidade da pergunta: prefere pagar mais impostos ou que o Estado corte nas despesas?

O IRRITADO perfilha a opinião dos 82,5%. Acha extraordinário que, feita a pergunta como foi, não se tenha obtido uma resposta unânime: 100%. Ninguém no seu perfeito juízo “prefere” pagar mais impostos. Dita a coisa de outra maneira, há 17,5% dos portugueses que não estão bons da cabeça. Será? É capaz disso.


A verdade é que Pitágoras fez as contas para o ângulo recto, não para o obtuso. Deve, a estas horas, dar voltas na tumba por alguém invocar o seu nome para coisas destas.


Indo um bocadinho mais longe na análise dos pitagóricos resultados, vemos que os tais 82,5% excluem cortes na saúde e na educação, ou seja, onde há mais despesa.

Onde se vai cortarentão?

Nas PPP? O corte já começou, ainda é curto, mas já vai nuns trezentos milhões, segundo se diz.

Depois, a preferência dos 82,5% são as empresas públicas, nacionais e municipais. Muito bem. Acabe-se com elas, a começar pelas dos transportes, diz o PItágoras, que são onde o buraco é maior. Depois queixem-se que o preço dos bilhetes aumentou e que uma data de gente foi para a rua. O IRRITADO não é contra. Privatizem-se as empresas de transportes. As outras monstruosidades públicas também deviam ir à vida. Quem as quer? E as dívidas? E as indemnizações compensatórias?

Os maquinistas? Os grevistas? Os oportunistas? Tudo para o olho da rua! Força! Tudo para o desemprego, já!

E os estivadores, talvez quem dá mais prejuízo à economia? Pontapé no cu, já!

É isto o que querem os 82,5% ?


O IRRITADO sugere uns cortes:


- Por exemplo, extinguir as empresas municipais, todas, e que os municípios tratem da sua vida com os funcionários que têm. O IRRITADO está de acordo. Ou então que privatizem serviços. O IRRITADO está de acordo. Quantos para o desemprego?

- Por exemplo, acabar, de uma vez por todas com as centenas de “observatórios” (o que será esta porcaria?) que por aí vegetam. O IRRITADO está de acordo. Neste caso, talvez a multidão dos desempregados não aumentasse muito, já que há anda por lá muita malta no biscate, ou no gancho.

Por exemplo, fechar a maioria das entidades, autoridades e outras inutilidades? Com certeza, já! Quantos desempregados? Estes, confessa o IRRITADO, não o incomodam sobremaneira.

- Por exemplo, perseguir os sinais de corrupção? Evidentemente! Óptimo, aqui não haveria muitos desempregados, nem o seu desemprego faria qualquer mossa. Como? Só há uma via: a judicial. Daqui a uns anos largos, a justiça que temos, depois de meter os pés pelas mãos até à exaustão, acabaria por parir um rato.

- Por exemplo, acabar com o outssourcing do governo. De acordo. Mas será um berbicacho. É que, diz quem sabe, se o governo pedir um parecer, um estudo, um draft, aos seus funcionários, estes levam seis meses para fazer o que os de fora fazem numa semana. Então? Pôr os funcionários a bulir? Pôr na rua os que não bulissem? Vexata questio!


Mais “por exemplos” haverá, com certeza. Não vale apena prosseguir esta listagem.

É claro, dirá quem lê, menos assessores, menos contínuos, menos motoristas, menos automóveis... De acordo. Tudo para o desemprego, já! Um fartote.

Menos funcionários públicos! De acordo. Meritocracia! De acordo. Quem não prestar, rua! E os privilégios? E os contratos vitalícios? E a Lei! E se a alterarem? Milhões na rua, aos gritos, à pedrada à polícia, a insultar tudo e todos. E, é claro, mais desemprego. Numa óptica “economicista”, como se diz agora à laia de insulto, poupava-se umas massas, isto é, passava a haver mais subsídios de desemprego que ordenados. O pior é que os tais subsídios são a prazo, como sempre foram. Desgraça!

Menos fundações? Pois claro. As que são do estado já deviam ter sido todas dissolvidas, extintas, acabadas. As funções que tinham e fossem precisas, passariam para a direcções gerais, sem aumento de pessoal. De acordo. Mais uma chusma de desempregados. As privadas, todas sem subsídios do Estado! De acordo. Quando muito, pagamento de serviços, serviço a serviço, e bem auditados. As outras, que fossem buscar dinheiro à sociedade civil. As que tivessem lucro que o entregassem ao Estado, que a função delas é “sem fins lucrativos”. A mesma coisa para as associações de natureza análoga.

Menos deputados? Sem dúvida. Mas vão lá dizer isso ao Seguro, que levou no toutiço de todos os barões da organização quando se lembrou de tal coisa. Vão lá dizer isso ao PC, ao BE, ao CDS, todos indefectíveies defensores dos cortes na despesa, mas que, como bons representantes do povo, desatam aos berros quando os cortes lhes batem à porta.


Em conclusão, os 82,5% dos portugueses que responderam sim à demagógica e desonestra pergunta dos pitagóricos, são exactamente os mesmos que se oporiam, nas ruas, nos sidicatos, nas confederações, na concertação social, a todo e qualquer corte que cortasse mesmo. Olhem o Krugman, grande guru da esquerda. Lembram-se do que ele disse: “ou vão aos rendimentos, quer dizer, aos salários, ou não têm solução.


Os 82% têm razão. Impostos é a pior coisa que nos pode cair em cima. O pior é que ninguém sabe, nem lhes perguntou, como é que se corta na despesa sem chatear ninguém, ou mesmo se, chateando muita gente, tais cortes resolviam o problema sem mais impostos. Propositadamente enganados por uns tipos que se dizem pitagóricos, estão à beira de encontrar a quadratura do triângulo rectângulo.


Pobre Pitágoras! Já tivemos para aí um que se dizia Sócrates. Só nos faltava um Pitágoras. O IRRITADO preferiria um Diógenes.

 

22.10.12

 

António Borges de Carvalho

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