BLABLA E POLITIQUICE
Portugal tem mais juízes que os outros países da Europa. Mais magistrados do MP. Mais funcionários. Mais tudo e mais alguma coisa. A Justiça em Portugal é, a grande distância dos outros e à excepção da Itália, o país onde a Justiça é mais lenta. O mais engraçado é que ninguém tem tem culpa da situação. Todos os intervenientes são do melhor! Riam-se com os nervos que isto faz.
Ontem vimos na televisão uns excertos dos doutos discursos proferidos na chamada abertura do ano judicial, coisa que, diz-se, aconteceu há meses, mas só agora foi aberta. É de pensar que, como antes de ser aberta estava, diz a mais elementar lógica, fechada, os actores devem ter estado a pensar no futuro. Talvez seja por isso que tudo leva tanto tempo.
Os discursos foram a desgraça do costume. Se excluirmos a ministra da justiça, ninguém disse nada de novo, ninguém apontou acções, nem soluções, nem nada. Uns fizeram política, ou politiquice. Outros nem isso. Só blabla. O bastonário dos advogados fez mais uma rábula trágico-cómica e intitulou-se cabrão pondo as culpas para um poeta. O PR, blabla. Os procuradores vieram de luto, porque querem mais dinheiro. Quem não quer? A PGR queixou-se de fugas ao segredo, como se a culpa não fosse dela.
Ficámos a perceber porque é que nada funciona. Obrigado pela explicação.
31.1.13
António Borges de Carvalho