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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

E AGORA E NÓS


E AGORA?

 

O IRRITADO tem estado em repouso. Uma semana inteira. Sem inspiração, sem pachorra e, se calhar, farto. Não de ir escrevendo coisas, mas de haver coisas a mais para o irritar.

Vem a tentação de ir um bocadinho mais fundo. Não ficar pela espuma dos dias, como ora soe dizer-se. O fundo é negro, como uma noite sem lua nem estrelas. E, na negrura, nada se entende, ou nada se vê.

As verdades são duras: um problema. Problema maior é não as querer  ver, ou achar que se aplicam a outrem que não a cada um.

A Europa inteira, Alemanha incluída, parece estar de quarentena: em vez de se tratar, espera que a doença passe. Triste ilusão.


Há dois vectores fundamentais para o catatónico estado do continente.

Um, como toda a gente sabe, é a emergência de concorrentes a quem foram dadas todas as facilidades para nos invadir. A Europa deixou de se proteger e espalhou o seu know how pelo mundo fora, em mãos de terceiros: em suma, deixou de ser competitiva. Caiu nos braços da grande ilusão dos “serviços”, abandonou a indústria e o sector primário. Sem sector primário e sem indústria não há economia. Sem economia não há dinheiro. Sem dinheiro, cresce a dívida para lá do que seria suportável, tudo na estulta esperança de manter as facilidades a que se estava habituado. Um objectivo impossível.

Outro, um flagelo de que poucos falam: a nova economia. A nova economia não emprega mão de obra que se veja, por mais qualificada que seja a que está disponível. Enormes investimentos na qualificação das pessoas não são, simplesmente, reprodutivos.  A nova economia usa a cabeça, não os braços. Faz-se o mesmo dinheiro com uma dúzia de pessoas que antes se fazia com centenas. As grandes organizações da nova economia são as comunicações, os gadgets, et alia, com pouca gente, muita tecnologia, e hard ware – que ocupa mão de obra - comprado à China ou equivalente. Na Europa, o emprego escasseia e as chamadas “prestações sociais” – que na China não existem – deixaram de ser sustentáveis.


Depois,temos a política. É triste ver como, ao primeiro abanão, toda a Europa esquece a sua “construção” e se entrega a novos nacionalismos. A carreira dos nacionalismos só acaba, como a História demonstra, de uma forma: a guerra. A Europa parece não se lembrar da sua própria história. Ou não a perceber. O que se verifica ao nível dos Estados, verifica-se ao nível das pessoas. Ninguém aceita, salvo excepções de tipo finlandês ou irlandês, que a crise toque em direitos que o não são. Porque custam dinheiro. Dependem de uma economia que deixou de existir.


E agora? O IRRITADO não sabe. O que há, ou é insustentável ou demasiado perigoso. O Sul, enredado que foi na ilusão do euro, não tem capacidade para, por si, sair do atoleiro. O Norte parece ter-se esquecido de que precisa dos mercados do Sul e preferir os de Leste, com moeda fraca a produtividade acrescida. Quem não é Norte nem Sul, ou é as duas coisas – a França – já esteve mais longe de ficar como os meridionais.


E agora? Resuscitar o “sonho europeu”? Quem acha possível tal coisa? Assumir o recuo e esfrangalhar tudo outra vez? Esperar que os eleitorados tenham novas oportunidades e novos líderes apareçam? Milagres há poucos ou nenhuns.

 

E NÓS?

 

E nós? O problema é nosso, ou somos nós o problema? A resposta às duas questões é sim. A “nossa” Europa está como acima se foi dizendo.

Por cá, o que temos?

Um sistema político concebido por jacobinos e marxistas, engolido pelos que o não eram a bem de alguma paz interna; um sistema que, fundado no socialismo obrigatório, está exausto e incapaz de dar resposta aos problemas que o socialismo criou. O dinheiro acabou-se, ou migrou, o socialismo tem que acabar, porque se acaba quando acaba o dinheiro, como é mais que sabido.

Um poder sem limites nem recurso – o Tribunal Constitucional – que se dá ao luxo de interpretar a Constituição segundo o mais autista dos critérios - ainda que salvaguardando os interesses de alguns - e condena a sociedade e o Estado a mais sacrifícios gerais e cegos.

Um Presidente da República que, à semelhança dos outros do regime, anda à procura do seu papel, atrapalhadíssimo para não fazer asneiras nem perpetrar golpes de Estado.

Um Parlamento entretido em jogos de guerrilha, sem eira nem beira, que nem as leis que faz consegue  interpretar.

Uma extrema esquerda totalmente divorciada da realidade, a repetir cassetes obsoletas ou sem sentido, sem outro objectivo que não seja o bota-baixo, do actual governo como de todos os outros, passados e futuros, sem um resquício de objectividade ou patriotismo. Ideologia totalitária e mais nada.

Um partido de oposição comandado por um palhaço às ordens de outros palhaços, sem sentido de responsabilidade ou de respeito pelos problemas dos outros.

Um partido do poder pejado de traidores, que se limita a assistir sem chama e sem projecto. Outro partido do poder perito em intrigiuinhas maricas e bocas de urinol.

Um poder judicial, o pior da Europa, convencido que todas as culpas são dos outros, a brincar aos sindicatos e às reivindicações.

Umas Forças Armadas, de alto a baixo, preocupadas com ordenados e mordomias.

Uns sindicatos tão retrógrados como irresponsáveis, que ainda bebem da fonte da revolução industrial ou do marxismo-leninismo.

Uma "informação" desinformadora, retorcida e corporativa.

Um governo que, mau grado defeitos vários, conseguiu alguns objectivos que considera prioritários: voltou ao mercado, arranjou mais tempo para pagar as dívidas, conseguiu que já se falasse em aliviar a austeridade, ou seja, faz o que o acusam de não fazer: negociar, negociar, negociar. Apesar de tudo, algum êxito. É claro que há o desemprego, com a desgraça social que arrasta. É claro que há os impostos, que dão cabo da vidinha de todos, IRRITADO incluído. É claro que há que estar à altura de uma tarefa gigantesca e dolorosa, ainda por cima, sem garantia de resultados. Mas venha o mais pintado dizer qual é a alternativa, sem clamar disparates, “análises” e patranhas, que é o que está na moda.

Os palhaços querem condenar o país a uns seis meses de paragem e de descrédito. Zurzem o PM por ter dito, claramente e sem discussão possível, quais as consequências da “histórica” decisão do Tribunal Constitucional, algumas de tais consquências já à vista de todos. Mas dizer a verdade não faz parte do jogo político português. Se não se disse a verdade, ou a verdade toda, aqui d’el Rei que não foi dita. Se se diz, não se devia ter dito. O que interessa aos palhaços é “fazer-se” ao poder, não é resolver os problemas ou deixar que se resolvam, ou ajudar a resolvê-los.

Muita gente clama pelo “consenso”, coisa fundamental, sobretudo no plano externo. O IRRITADO não gosta de consensos, que são sempre mutilações das ideias de quem “consensa”. É a favor dos compromissos. Nesta altura, em qualquer democracia digna desse nome, o compromisso devia ser o de respeitar o poder eleito enquanto para tal tiver mandato, em vez de criar vergonhosa e ruinosa instabilidade.

Mas vá lá dizer-se isso aos palhaços! Andar em frente não faz parte da estratégia deles.

 

22.4.13

 

António Borges de Carvalho

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