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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

RENDAS E FALÊNCIAS


Há para aí uns doze anos, o autor do IRRITADO publicou um livrinho de ensaios a que chamou diatribes  (O PRESIDENTE DE NENHUM PORTUGUÊS, editora Europa América, 2001). Passe a publicidade. Numa das tais diatribes, dedicava-se o autor a condenar com veemência uma campanha governamental que tinha por objectivo proteger, com chorudos dinheiros públicos, o chamado “comércio tradicional”.

O comércio tradicional era, no conceito governamental, o comércio de rua antigo, de que Lisboa e Porto abarrotavam. Na esmagadora maioria dos casos, tal comércio tinha, como única razão de ser, o facto de não ter custos de instalação, uma vez que se fundava em rendas do tempo da Maria Cachucha, gloriosamente protegidos pelo Estado desde a primeira república. Se pagassem rendas actuais, as lojas fechavam, não porque tais rendass fossem especulativas ou exageradas, mas porque as lojas, em condições normais, jamais sobreviveriam. Tinham um muito lucrativo produto escondido para vender: o trespasse e/ou a venda de quotas. Se decidissem fechar as portas, ganhavam a reforma e, ainda melhor, vendendo as quotas da sociedade o novo proprietário continuava calmamente a não pagar renda. Razão pela qual andar o Estado a proteger estes comerciantes de xaxa com dinheiros públicos, em vez de os obrigar a modernizar-se e a enfrentar os custos de instalação ou, simplesmente, a fechar, era um desperdício e um contributo para a paralisia económica e para a degradação do património das cidades.


O fecho de uma loja inviável jamais foi drama de maior. Se estivermos dois ou três anos numa cidade que se preze (Londres ou Paris, por exemplo) vemos, todos os dias, abrir e fachar lojas. As que se safam, continuam. As outras fecham. Vem sempre alguém a seguir alugar ou comprar as instalações. O comerciante, esse, ou muda de ramo, ou vai prégar para outra freguesia. A vida continua.


Estes movimentos, em Portugal, foram simplesmente proibidos durante mais de um século! Criou-se uma floresta de lojas sem sentido ou viabilidade. Há por cá mais comes-e-bebes por habitante que em Londres ou Paris, isto para falar só em comes-e-bebes. No resto, é mais ou menos a mesma coisa. Olhem para as ruas da baixa, por exemplo! Lado a lado, lojas modernas, com rendas actualizadas, fazem o seu negócio sem problemas de maior – ou não fazem, e fecham, como é da natureza das coisas – e lojas completamente obsoletas, sem outra viabilidade que não seja a que é paga pelo senhorio.


Nos dias que correm, anda para aí uma data de artistas a gritar que há muitas lojas a fechar por causa da nova lei das rendas. Esta, finalmente,  adiantou alguma coisa, ainda que com tantas peias burocráticas e “sociais” que ninguém se entende lá muito bem com ela. É natural e lógico que muito do comércio dito “tradicional” se vá abaixo. Aumentam as rendas e, ao mesmo tempo, baixa o consumo. Mas, de uma forma geral, o que se passa é positivo em termos de futuro, de verdade e de modernização.


O problema é que os “velhos do Restelo”, ou as “forças de bloqueio” têm, entre nós, mais força que em qualquer outro país da Europa, ou até do mundo.

Parece que, mesmo assim, a coisa vai para a frente. Que diabo, alguma coisa boa há-de acontecer nesta pobre terra!

 

24.4.13

 

António Borges de Carvalho

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