MÁS COMPANHIAS
Não se sabe, ou o IRRITADO não sabe, para que serve esta história do “Património da Humanidade”, para além de haver uns cómicos que se fartam de passear à conta da coisa.
Facto é que uns poucos embandeiram em arco com a tal classificação, se calhar convencidos que há um “reconhecimento universal” de “valores culturais” que lhes são caros. Aqui há tempos, o fado obteve tal classificação, de braço dados com meia dúzia de pantominas muito conhecidas de quem as interpreta ou pratica. O IRRITADO, que não é grande apreciador de fadistices, mas não é contra, revoltou-se com as ridículas companhias com que o fado foi irmanado, e achou preferível que a sentimental cantoria lisboeta continuasse entre portas ou a fazer as delícias de públicos ultra-restritos por esse mundo fora.
Desta vez, foi o diário de bordo de Vasco da Gama o classificado como Património da Humanidade. Se não há dúvida de que se trata de preciosíssimo documento, merecedor de todas as honras, já as companhias que lhe arranjaram desvalorizam completamente a distinção da UNESCO. Dando de barato que, no panegírico da organização, o diário de bordo é mimosamente levado à conta de “abertura da caixa de Pandora dos males do colonialismo” – como se tal “critério” fosse aplicável à extraordinária odisseia de Vasco da Gama ou a feitos do Século XVI – não se perde nada em referir os acompanhantes de Vasco da Gama na alta decisão da UNESCO: são eles o manuscrito do manifesto do partido comunista e... valha-me Santa Hermengarda!, os documentos relativos à vida e obra do Che Guevara, assassino, torcionário, revolucionário da pacotilha marxista, que condenou inocentes à morte e torturou quem lhe caiu nas mãos, verdadeira besta do nosso tempo, isto em conjunto com o seu diário da guerrilheiro... lado a lado com o diário da viagem de Vasco da Gama!
Se os promotores da distinção tivessem alguma noção do que é honrar o nosso património, não deixavam que, mais uma vez, o colocassem no mesmo saco de coisas ridículas ou malditas.
20.6.13
António Borges de Carvalho