Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

PUBLICIDADE NÃO ENDEREÇADA , BURRICE LEGISLATIVA E “MOBILIDADE”

 

Parece que há uma lei que proibe a entrega de publicidade não endereçada nas caixas do correio. Muito bem.

Aqui há tempos, o IRRITADO  apresentou às distintas autoridades competentes uma reclamação contra a frequente e repetida violação desta norma pelos supermercados Lidl, com informações sobre o preço das batatas  e de outros produtos. A resposta (responderam!!!) foi: trata-se de uma publicação periódica, não de publicidade.

Vejam bem: as caixas do correio cheias de papéis sobre o preço das batatas e diversos não é publicidade não endereçada! Critérios.


Esta experiência leva a que o IRRITADO, evidentemente, não venha a ter qualquer sucesso em mais uma reclamação que está a planear, desta vez contra um dos mais poderosos inimigos públicos da nossa praça: a Câmara Municipal de Lisboa. A democrática instituição anda a encher as caixas do correio de cada um de uma “revista” de propaganda camarária. Um tipo toca às campaínhas todas cá do prédio, diz “Correio!” em altos berros. Alguém lhe abre a porta. Vai daí a distribuição do propagandístico panfleto pelos cacifos.

É de pensar que não haja nada a fazer contra a ilegal prática dos serventuários do camarada Costa. Mas não fica mal protestar. Pode ser que um dia...


Folheada esta “revista”, entre outras, assinalemos duas coisas chocantes.

A primeira é sobre a “mobilidade”. De acordo que se faça os possíveis para criar acessibilidades a todos os que têm problemas de locomoção. Muito bem.

Ocorre, porém, perguntar: e os outros? Sim, o comum dos cidadões que não têm tais problemas? Que interessa à CML a “mobilidade” de tais indivíduos? Nada. Os passeios, orgulhosa imagem da “calçada portuguesa” continuam cheios de buracos, de altos e baixos, de raízes cá de fora, de monumentais poças de água quando chove, numa bandalheira tal que, por todo o lado, provoca quedas, pés torcidos, pernas partidas, idosos no chão, porcarias acumuladas, os sapatos cheios de água... Que interessa isso à Câmara? Nada. Que interessa que as caves se encham de água por carsa da permeabilidade dos passeios? Nada. Que interessa as infiltrações, os bolores, os maus cheiros, as humidades? Nada.

Quando é que os senhores da “mobilidade” camarária se convencem que, ou têm dinheiro e mão de obra disponível para tratar da calçada como deve ser, impermeabilizando-a e mantendo-a, ou asfaltam os passeios como nas cidades civilizadas deste mundo? Nunca? Como é possível, neste estado de coisas, vir falar de “mobilidade”, fazer-nos pagar a “mobilidade”, sem que quaisquer condições de mobilidade sejam proporcionadas a cada um?


Não. O IRRITADO não é contra a calçada portuguesa. Acha que ela se deve manter em lugares escolhidos, na presunção de que é possível conservá-la e mantê-la em boas condições. Mas isso não faz a CML. Prefere, por exemplo, asfaltar a mais emblemática de todas as praças do país – o Terreiro do Paço – em vez de fazer dela uma montra da arte dos nossos calceteiros.


Vale a pena protestar? Com certeza que não. Em tempos, o IRRITADO foi deputado à Assembleia Municipal de Lisboa. Uma das suas primeiras iniciativas defendia o mesmo que acima defende. A coisa foi discutida... e pronto. Vão uns dez anos e tudo ficou pior do que já estava.

 

O segundo choque foi a leitura de uma loa camarária à nova lei sobre as bicicletas.

Imagine-se que, a partir da entrada em vigor de tal coisa:

os ciclistas passam a andar, exclusivamente, nas faixas dos automóveis;

passam a poder andar aos pares (lado a lado!);

passam os automobilistas a ter que andar afastados pelo menos 1,5 metros das bicicletas;

as bicicletas passam a ser equiparadas aos restantes veículos, o que é, por exemplo, muito útil por passarem a ter os mesmo “direitos” de prioridade nos cruzamentos;

e passam, ó espanto, a não poder circular nos passeios.


A Câmara chama a este chorrilho de asneiras “um exercício de cidadania e respeito pelo próximo”.

Respeito pelo próximo? Cidadania? Onde vai parar a cidadania quando um tipo for na estrada, tiver à sua frente dois ciclistas lado a lado, mais ou menos 1,5 metros para eles, tiver que respeitar mais 1,5 metros de distância “lateral” e tiver um traço contínuo à sua esquerda? Vai de Santana a Sesimbra a dez à hora? Ou toma um Lexotan 12 antes de se sentar ao volante? Isto sem considerar que as bicicletas têm, por natureza, um andamento irregular. Não podem andar nos passeios, nem nos jardins que os têm?

Quantos ciclistas vão morrer por causa desta monumental estupidez? Quantos condutores vão ser presos por terem deitado ao chão um ciclista no uso do seu direito de ocupar três metros da faixa de rodagem? Que se pretende com este tipo de “mobilidade”? Cilclistas aos pares, aos èsses na Avenida das Liberdade? Querem matar gente, ou só arranjar maneira da cobrar mais umas multas?

 

Fica a questão.

 

24.10.13

 

António Borges de Carvalho       

6 comentários

Comentar post

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2007
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2006
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub