Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O HOMEM REVELA-SE

Hoje, 12 de Agosto de 2007, o rei dos bufos dá uma entrevista ao Diário de Notícias. Analisemos.
O homem diz que, “no fundo”, já está “a trabalhar”. À superfície, não se sabe.
Ele, que apregoava aos quatro ventos os seus profundos conhecimentos acerca da CML, diz que “tem que começar por conhecer os serviços”. Quer dizer, afinal não sabia nada, era só bocas. Andou por lá uns anos, com uma corte de onze assessores, e não conhece “os serviços”. Nem os “dossiers”. Pois é. Andou por lá na bufaria: catorze processos contra a Câmara, todos, ou quase, já devidamente chumbados por quem de direito. Como havia o pobresinho de conhecer os dossiers, os serviços, ou fosse o que fosse? Estava lá para espiar, denunciar, delatar, processar, acusar, empatar, impedir. Como havia ele de perceber alguma coisa do que se passava? Sejamos justos, que diabo!
Ele, que, sem pelouro, tinha os tais onze assessores, diz agora que “era uma necessidade urgente” “fixar” (em três), com pelouro ou sem ele, e  “de uma vez por todas o número de assessores”. Diz, aliás, que está muito contente com a coisa. Em matéria de coerência, estamos conversados.
O homem garante que “a situação financeira da CML é muito má”, mas que, para “termos boas ideias” sobre o assunto, há que ter “conhecimento dos dossiers”. Quer dizer, o homem não faz ideia nenhuma de qual é a situação porque, nas suas próprias palavras, não conhece os dossiers. No entanto, e apesar de não conhecer os dossiers, “já conhecia bem a situação”. Quem quiser comer disto, que coma. Bom proveito.
O homem diz que vai tratar dos jardins. Óptimo! Depois, diz, vai fazer “um plano” (onde é que eu já ouvi disto?) “para todos os espaços verdes”, designadamente o “corredor do Monsanto”, “a revitalização do Parque de Monsanto” e as “vias para bicicletas”. E acrescenta que é preciso “arranjar uma solução” para “o Campo de Tiro de Monsanto” e “a Feira Popular”.
Nesta matéria, é sabido que quem não sabe o que há-de fazer, faz planos. Convenhamos que o homem é sincero. Esperemos que, enquanto planeia, vá servindo para jardineiro.
E lá vem o inevitável “corredor de Monsanto”, coisa que o arquitecto paisagista Ribeiro Teles já tem desenhada “há vinte ou trinta anos”. Boa! Sabem do que se trata? Eu sei. Trata-se de ir, a pé, do Parque Eduardo VII ao alto do Monsanto. Já viram que delícia? À la patte, meus meninos, subir ao alto de Campolide, descer até à Av. Gulbenkian, depois por ali abaixo até à estação, seguindo-se a doce encosta da Serafina, sempre a subir, que só faz bem à saúde. É com maluquices destas que o homem nos quer entreter o bestunto.
E lá vêm as “vias para bicicletas”. Acho muito bem, mas temo que o homem nos queira pôr a ir de bicicleta até à Penha de França, à cadeia do Monsanto (pelo “corredor”, se calhar), ou equivalente. Será que o homem já foi observar o espantoso êxito da via para bicicletas da radial de Benfica? Se não foi, que vá, para perceber o que é que as pessoas ligam a certas vias para bicicletas numa cidade como Lisboa.
E lá vem “a revitalização do Parque de Monsanto”. Sobre a extrordinária obra que Santana Lopes lá realizou, nem uma palavra. Se o que ele quer é pôr os lisboetas, com as criancinhas às costas, a subir e a descer as encostas ao Domingo, os ditos encarregar-se-ão de mandar a sua obra àquela parte.
E lá vem o “campo de tiro” de Monsanto, coisa em que, aliás, a câmara anterior não se portou nada bem. O “campo de tiro” provoca uma raivinha invejosa a muita gente, há muitos anos. A esquerda caviar que o homem representa é, por definição, invejosíssima. Por isso, o homem tem que a satisfazer. Nada melhor que re-inventar o “problema ecológico” dos tiros (nunca incomodaram fosse quem fosse) que uns inofensivos maníacos gostam de dar por ali, tratando o local, diga-se, comme il faut.
E lá vem a Feira Popular, quer dizer, o terreno onde foi a Feira Popular. Um ódio de estimação do homem. Ele integra a coisa no problema dos jardins. Compreende-se. Como o sítio fica longíssimo de qualquer zona verde – o Campo Grande, jardim de reduzidas dimensões, fica a uns cósmicos trezentos metros – haverá que impedir o pessoal de ir morar para ali. Só maravilhas, as ideias do homem, como se vê.
Quando perguntam ao homem se o seu antecessor fez alguma coisa bem feita, o homem responde que “há trabalho feito pelos serviços da Câmara que pode ser aproveitado” e que “é evidente que há coisas que foram feitas e bem feitas”. Pelos “serviços”, que o vereador anterior nem sequer lá estava. É de desejar que, no futuro, se o homem fizer alguma coisa de jeito, lhe paguem na mesma moeda. Merece-o.
 
Esta já vai longa, como se dizia antigamente. Vamos, então, parar. Mas, ó tentação!, só mais dois bitatezinhos:
O primeiro é sobre o túnel. O homem já não tem coragem para dizer que o túnel não presta, como faz a dona Helena. Mas reafirma que, se não fosse ele, não prestava mesmo. O homem, modestamente, considera-se um salvador. Continua caloteiro. Os milhões que fez deitar para o cano não são para pagar. Mas isso não lhe interessa. Ele, santo milagreiro, transforma a trampa que arranjou em benesse para o povo. Obrigado!
O segundo é sobre o “futuro”. O homem garante, à fé de quem é, que jamais o acordo com o Costa servirá para outra coisa senão para a CML. É um acordo sui generis, em que o Costa se obriga a seguir as ideias do homem, mas o homem não se obriga a coisíssima nenhuma. Aqui reside a esperança dos portugueses: que, mais cedo ou mais tarde, o homem comece a votar ao contrário, ou desate a bufar, e que coisa acabe por rebentar. Dizem que o Louçã e o Portas (putativos futuros ministros) estão em pânico com esta ideia. O que é óptimo e só nos dá esperança e boa disposição.
 
António Borges de Carvalho
 
 
 

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2007
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2006
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub