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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

IDEIAS PARVAS

 

O IRRITADO tem por António Guterres muita consideração pessoal. Trata-se de um cidadão exemplar, a quem se não conhece rabos de palha ou trafulhices. Family man, não há quem não reconheça que foi um pai exemplar, um marido atencioso, um companheiro constante da sua primeira mulher, sobretudo nos difíceis tempos que precederam a sua prematura morte. Diz quem o conhece bem que mantém o seu estilo de vida e de comportamento no seu segundo casamento – com uma vereadora do Costa. Foi um aluno brilhante, formou-se no IST com altas classificações.

 

Mas o que interessa, neste momento, aos portugueses, é a sua postura política e o seu passado como governante.

Oriundo da oposição católica à ditadura, cedo entrou para o PS, a cuja liderança chegaria. Nos idos anos de 1980, integrou o chamado “secretariado” do PS, com Sampaio e outros que a si mesmos atribuíram a função de fazer a vida negra ao Soares, sofrendo este, segundo diziam, de “desviacionismo” de direita. Foram tempos épicos no partido. Guterres, perceba quem quiser, era dos que se opunham a uma evolução do regime num sentido mais democrático, ou mais consentâneo com os costumes políticos e sociais da “Europa” daquele tempo.

Lá foi subindo a escadaria, e chegou a primeiro-ministro depois da desistência de Cavaco Silva. Notabilizou-se por dar um fortíssimo empurrão na nossa desgraça financeira, via “prestações sociais” e outras despesas sem cobertura, isto é, cobertas por dívidas e mais dívidas. A certa altura percebeu que já não havia salvação para a situação que, com tanta “caridade”, tinha criado. Na primeira oportunidade (a perda de umas eleições autárquicas) declarou que o país estava “num pântano”, isto é, no pântano que ele próprio criara, deu às de Vila Diogo e, uns tempos depois, arranjou emprego na ONU, aliás em funções bem adequadas ao seu perfil.

 

(O seu sucessor que, via Manuela Ferreira Leite, tinha abandonado a sua tese do “choque fiscal” e percebido que tinha que nos apertar o cinto, fez mais ou menos o mesmo: abandonou o navio e vogou para as bem mais seguras águas de Bruxelas. Veio Santana Lopes. O PS resolveu a questão da liderança, o PC também. Sampaio, vendo a esquerda preparada para se assenhorear do poder, nem deixou respirar o novo governo, a quem não deixou ter tempo para fazer seja o que for. Pumba!, correu com ele para abrir as portas ao inacreditável Pinto de Sousa. A partir daqui, a história é conhecida. O país afundou-se ainda mais, num mar de obras públicas impossíveis de pagar, de PPP’s malucas, de swapps catastróficos - isto para dizer o menos - até à bancarrota final.)

 

Por tudo isto, é estranho que andem para aí uns senhores a preparar a passadeira vermelha para que António Guterres passe a ser o novo ocupante do Palácio Real de Belém. 

Há dois portugueses que jamais deviam ser prostos para tal: Pinto de Sousa e… Guterres. Então vamos eleger um dos mais eficazes obreiros da nossa miséria?

Será possível que isto caiba na cabeça de alguém? É sim senhor, cabe sim senhor. Pelo menos nas cabeças do Costa e… do Rio. Na do primeiro, é natural. Na do segundo, valha-nos Santa Engrácia! O homem anda a dar mostras evidentes de lhe ter caído algum parafuso quando saiu da CMPorto. O Costa, para quem (como para a generalidade dos respectivos camaradas) a história de “uma maioria, um governo, um presidente” era, até ontem, uma desgraça, passou a defender a velha tese de Sá Carneiro. E, pelos vistos, vai ter uma ajudinha do Rio, que se dispõe a ser seu número dois sem pudor nem dignidade.

Mais grave ainda é que estes dois pretendentes ao poder propõem, em uníssono, o alargar dos poderes e das funções presidenciais: juntar às nossas desgraças económicas, financeiras e sociais, uma desgraça e um atraso políticos que, à excepção da França, todos os europeus que nos são próximos já perceberam que é uma entorse democrática, um risco de conflitos institucionais desnecessários, um total absurdo: a criação de duas legitimidades com a mesma origem, o sufrágio universal.

Há tanta coisa útil a fazer se quisermos dar agilidade e boas condições de funcionamento ao sistema político! Como é que estas duas alminhas se metem (nos querem meter) num estúpido molho de problemas a acrescentar aos outros?

   

 26.7.14

 

António Borges de Carvalho

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